Pedro Nuno celebra, com os adeptos Tondelenses, um dos golos marcados ao Arouca, no mítico jogo de 13 de maio de 2017 - Foto: A BOLA
Pedro Nuno celebra, com os adeptos Tondelenses, um dos golos marcados ao Arouca, no mítico jogo de 13 de maio de 2017 - Foto: A BOLA

Pedro Nuno: «Milagres como este só acontecem em Tondela»

O antigo jogador dos auriverdes foi herói na manutenção de 2016/17, ao marcar os dois golos do único triunfo da história dos beirões em Arouca. Em entrevista a A BOLA, o médio diz acreditar que o conjunto orientado por Gonçalo Feio pode repetir a façanha

O Tondela joga no sábado (18h), em Arouca, a sobrevivência na Liga.

Curiosamente, a única vitória da formação do distrito de Viseu na Serra da Freita (com sete encontros já realizados) também foi numa luta de aflitos, na penúltima jornada do campeonato de 2016/17, que, contra todas as probabilidades, acabou por tramar os arouquenses e salvar os tondelenses. Será um bom presságio? Em conversa com o nosso jornal, o herói dessa partida, Pedro Nuno, acredita que sim. 

O atual jogador do Otelul (Roménia) lembra os dois golos do triunfo (2-1) beirão, que, naquele 13 de maio de 2017, mantiveram viva a esperança auriverde até à última jornada: «Jamais esquecerei esse jogo. Ainda por cima, tendo feito os dois golos. Lembro-me que, mesmo que empatássemos, descíamos. Portanto, era ganhar ou ganhar. Até começámos a perder, mas, felizmente, conseguimos a reviravolta. Ter contribuído com os dois golos, que, curiosamente, foram os meus únicos golos naquela época, ainda tornou mais especial.»

«Eu já sentia uma energia boa antes do jogo. Sentia que ia dar para nós. Mesmo começando a perder, tínhamos uma equipa de caráter e nunca deixámos de acreditar. Sabíamos que ia ser muito difícil, mas estávamos com uma energia boa e acreditámos sempre que era possível - também com a ajuda dos adeptos, que foram bastantes lá a Arouca, e acabaram por nos incentivar ainda mais. Foi incrível», acrescenta.

Pedro Nuno foi herói em Arouca - Foto: A BOLA

Se aquele encontro terminasse com derrota para o Tondela ou até mesmo empatado, os beirões desciam, o Arouca salvava-se e ficava tudo decidido nas contas das despromoção - uma vez que o Nacional já tinha sido rebaixado. Porém, foram várias as combinações improváveis de resultados a acontecer naquela reta final, recorda Pedro Nuno: «Para ser sincero, nós já não contávamos com o Arouca para as contas da descida, a probabilidade de descer era baixa. Pensávamos mais no Moreirense, mas que, no último jogo, jogava com o FC Porto...»

Pedro Nuno define «acreditar» como palavra-chave - Foto: A BOLA

Contra todas as expetativas, os cónegos acabaram por ganhar 3-1 aos dragões. Contudo, valeria mesmo o Arouca - que, mesmo estando, a duas rondas do fim, a seis pontos acima da linha de água, perdeu os dois últimos jogos - e ainda a… diferença de golos. «Na última jornada, lembro-me que no intervalo do jogo com o SC Braga se falou que tínhamos de ganhar por dois golos e esperar por outros resultados. Fomos na fé e, no fim, as coisas acabaram por cair para o nosso lado», recorda esse triunfo épico por 2-0 sobre os arsenalistas.

«Os astros alinharam-se todos. Foi um milagre. Só mesmo em Tondela é que acontecem estes milagres, consecutivamente. Safámo-nos por um golo, foi incrível», reitera o craque, de 31 anos, acreditando que a equipa liderada agora por Gonçalo Feio poderá repetir o feito, mas, para isso, terá de se concentrar apenas em «ganhar, «não adiantando estar a pensar no resultado dos outros jogos».

Pedro Nuno chama à conversa a «energia incrível» dos adeptos à volta da equipa, mas esse não foi o único segredo para a manutenção lograda em 2017, com Pepa: «Tínhamos um grupo incrível, muito unido. Estávamos praticamente sempre juntos. Depois do treino, ficávamos a almoçar e a jogar às cartas - e isso também criou uma boa energia, um companheirismo, que nos fazia ir para dentro de campo e lutar uns pelos outros. Acho que foi isso que levou ao que nós atingimos.»

Pedro Nuno dá um abraço ao mister Pepa - Foto: A BOLA

«De Tondela, levei esses momentos e, em concreto, essa permanência na Liga, pela fase em que estávamos e pela forma como foi. Também me marcaram as pessoas que sempre me receberam sempre bem e acreditaram na equipa. É um clube que merece a manutenção», finaliza o jogador formado na Naval, Benfica e Académica.

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