Problema da Juventus não é o dinheiro: 875 milhões gastos em 6 anos
A Juventus gastou 875 milhões de euros em aquisições de jogadores nas últimas seis temporadas, um período marcado por uma gestão de plantel que se revelou dispendiosa e improdutiva. Desde o último título de campeão em 2020 (o nono consecutivo), conquistado com Maurizio Sarri no comando e 31 golos de Cristiano Ronaldo, a equipa não mais venceu o campeonato italiano e tem tido um desempenho modesto.
Neste período pós-título, os bianconeri alcançaram um terceiro lugar (2023/24), três quartos lugares (2020721, 2021/22 e 2024/25) e um sétimo lugar (2022/23). Na presente temporada, ocupam a quinta posição na Serie A e já foram eliminados das competições europeias. Na UEFA Champions League, a equipa nunca conseguiu ultrapassar os oitavos de final, tendo como consolação a conquista de duas Taças de Itália e uma Supertaça italiana.
O valor de 875 milhões de euros refere-se apenas a aquisições definitivas, incluindo comissões, bónus e custos de empréstimos que levaram a transferências permanentes, avança a Gazzetta dello Sport. Esta análise não inclui os salários dos jogadores, que, apesar de terem diminuído recentemente, representam outro encargo significativo no orçamento do clube.
A falta de dinheiro não parece ser a questão central, uma vez que os acionistas, liderados pela Exor, realizaram quatro aumentos de capital desde 2019, totalizando 998 milhões de euros. O problema reside na forma como esses fundos foram aplicados no mercado. Apesar das sucessivas mudanças na administração — desde a saída de Andrea Agnelli e Fabio Paratici, passando pelas gestões de Arrivabene e Scanavino com os diretores desportivos Cherubini e Giuntoli, até à recente chegada de Comolli e Ottolini —, os resultados desportivos continuam a desiludir.
A lista de contratações evidencia erros recorrentes nos investimentos de maior vulto. Em 2020/21, destacam-se os 80 milhões de euros por Arthur e os 54 milhões por Chiesa. Na época seguinte, Vlahovic tornou-se a contratação mais cara por 85 milhões, enquanto Locatelli custou 35 milhões. O mercado de 2024/25 foi particularmente desastroso, com os desempenhos de Koopmeiners (53 milhões), Douglas Luiz (49 milhões), Nico González (37 milhões) e Kelly (22 milhões) a ficarem muito aquém do investimento. Nessa mesma época, o clube vendeu Huijsen por 15 milhões, que mais tarde foi transferido do Bournemouth para o Real Madrid por 60 milhões.
Já na presente temporada, a Juventus exerceu a opção de compra por Francisco Conceição por um total de 40 milhões e terá de fazer o mesmo por Openda (46 milhões), que já tem saída prevista. David chegou a custo zero, mas implicou 12 milhões em encargos adicionais, enquanto Zhegrova (15 milhões) e João Mário (12 milhões), este último agora emprestado ao Bologna, não tiveram impacto. Entre os grandes investimentos, apenas Bremer, contratado por 51 milhões, correspondeu às expectativas.
Em comparação com os rivais diretos, o défice de mercado da Juventus é ainda mais notório. Entre as épocas 2020/21 e 2025/26, o saldo entre compras e vendas do clube é negativo em 400 milhões de euros. No mesmo período, o Milan registou um saldo negativo de 340 milhões, o Nápoles de 200 milhões e o Inter de 140 milhões. Enquanto a Juventus não conquistou títulos de campeão, estes três rivais dividiram entre si cinco campeonatos e competem atualmente pelo sexto.