Subida na taxa de juro
Taxas de juro - Foto: IMAGO

Prestação da casa volta a subir em maio apesar da manutenção das taxas de juro pelo BCE

Apesar de o Banco Central Europeu (BCE) poder manter as taxas de juro inalteradas na sua próxima reunião, as famílias com crédito à habitação sentirão um novo aumento na prestação mensal em maio. A subida das taxas Euribor em março e abril é a principal causa deste agravamento, num cenário económico marcado por pressões inflacionistas na Zona Euro.

O contexto económico atual é complexo, influenciado pelo conflito entre os Estados Unidos da América (EUA), Israel e o Irão, que teve início no final de fevereiro. Este conflito levou ao bloqueio do Estreito de Ormuz, provocando uma subida de cerca de 60% nos preços do petróleo em apenas dois meses e um consequente disparo nos preços dos combustíveis, com impacto em toda a economia. A inflação acelerou para valores acima da meta de 2% do BCE, e as taxas Euribor subiram em todos os prazos, resultando no aumento da prestação da casa.

Nos mercados financeiros, a expectativa é que o BCE suba as taxas de juro pelo menos duas vezes até ao final do ano. Contudo, uma sondagem da Reuters realizada entre 17 e 23 de abril a 85 economistas revela divisões: 84 preveem a manutenção da taxa de depósito nos 2% na reunião desta quinta-feira. Para o futuro, 44 antecipam uma subida para 2,25% em junho, enquanto 40 não esperam qualquer alteração.

O BCE encontra-se sob pressão para agir. A taxa de inflação na Zona Euro atingiu 2,6% em março, superando a meta de 2%. Além disso, existe o receio no Conselho de Governadores de uma repetição das críticas de 2011, quando a instituição foi acusada de reagir tardiamente à aceleração da inflação.

Ruben Segura-Cayuela, diretor de investigação económica europeia do Bank of America, explicou à Reuters que o BCE procurará evitar um erro semelhante ao de 2011. «Precisam de ter alguma clareza de que, sempre que aumentarem as taxas, não terão de reverter essa decisão rapidamente. E essa é uma razão para agir em junho, em vez de abril», afirmou.

No entanto, o mesmo especialista admite a possibilidade de o BCE não subir as taxas de juro, caso a instabilidade económica atual prejudique significativamente a atividade económica. «Ainda existe um cenário em que o BCE ignora o choque... O risco é que a atividade reaja de forma um pouco mais negativa do que esperamos. Isso poderá criar incentivos adicionais para adiar os aumentos», sublinhou Segura-Cayuela.

Independentemente da decisão do BCE, o aumento das taxas Euribor em março e abril terá um impacto direto e imediato nos contratos de crédito à habitação revistos em maio. Por exemplo, para um empréstimo de 200 mil euros com um spread de 1% e indexado à Euribor a 6 meses, a prestação mensal aumentará 34,53 euros. Se o mesmo contrato estiver indexado à Euribor a 12 meses, a subida será de 61,58 euros.

As taxas Euribor, um indicador fundamental no sistema financeiro europeu, são definidas com base nos juros que um painel de bancos da Europa está disposto a cobrar para emprestar dinheiro entre si. O seu valor é apurado e divulgado diariamente.

O processo de cálculo envolve a recolha de cotações junto destas instituições. Para garantir a fiabilidade do indicador, os 15% de valores mais altos e os 15% de valores mais baixos são excluídos. As taxas restantes são então utilizadas para calcular uma média, que é posteriormente arredondada a três casas decimais.

Existem cinco maturidades distintas para as taxas Euribor, cada uma correspondendo a um prazo diferente: uma semana, um mês, três meses, seis meses e doze meses.

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