Preços exorbitantes dos bilhetes para o US Open afastam fãs
Os preços astronómicos dos bilhetes para o US Open, especialmente no mercado de revenda, estão a tornar o torneio inacessível para os adeptos comuns de ténis, transformando-o num evento cada vez mais corporativo. Esta realidade surge no meio de um intenso debate sobre os prémios monetários, com os jogadores a exigirem uma fatia maior das receitas geradas.
A discussão sobre os prémios monetários nos torneios do Grand Slam deverá intensificar-se com o anúncio iminente da Federação de Ténis dos Estados Unidos (USTA) sobre os valores para a edição deste ano, esperando-se mais um aumento significativo.
No ano passado, o US Open tornou-se o primeiro torneio a pagar 5 milhões de dólares, qualquer coisa como 4.3 milhões de euros, aos campeões de singulares masculino e feminino, elevando o fundo total de prémios para 90 milhões de dólares (78 milhões de euros), um aumento de 20% em relação aos 65 milhões de 2024.
O Honey Deuce, um cocktail de cor rosa, tornou-se a bebida oficial do US Open é e um verdadeiro sucesso comercial, gerando receitas superiores a 11 milhões de euros! Durante os 14 dias da competição foram vendidas mais de 700 mil unidades da bebida - um copo a cada 1,5 segundos - , que começou a ser comercializada em 2007 e é hoje um símbolo do evento. Custa 20 euros e o copo é guardado como recordação da invenção da marca de vodka francesa Grey Goose e do mixologista Nick Mautone. A ideia era desenvolver uma bebida memorável e refrescante, para os dias quentes do verão norte-americano e nome «Honey Deuce» é um jogo de palavras com o termo de ténis deuce, utilizado quando os jogadores estão empatados a 40-40.
A receita nem é segredo - 40 ml de vodka, 90 ml de limonada fresca e 10 ml de licor de framboesa - e a bebida é servida num copo alto com gelo e decorada com três pequenas bolas de melão, que se assemelham a bolas de ténis.
Apesar destes números impressionantes, os jogadores consideram-nos insuficientes e exigem uma percentagem mais elevada das receitas totais do torneio, e não apenas do lucro. A ameaça de greve paira no ar caso as suas reivindicações não sejam atendidas, sublinhando a enorme quantia de dinheiro que o evento de três semanas gera.
De acordo com as mais recentes demonstrações financeiras auditadas, a USTA reportou receitas de 540 milhões de euros em 2024, das quais 485 milhões (cerca de 90%) foram do do US Open. Com despesas de 244 milhões, o lucro operacional do torneio rondou os 240 milhões de euros.
Com base neste sucesso financeiro, a USTA anunciou um plano de renovação de 694 milhões de euros para as instalações do torneio em Nova Iorque. O projeto inclui a modernização do estádio principal e a construção de um novo centro de alto rendimento para os jogadores. Estas melhorias, tal como a existência de tetos retráteis que permitem jogar à chuva, dependem diretamente das receitas do torneio.
Lavish cost of attending US Open revealed as fans are frozen out https://t.co/WiOI223Q4y #USOpen #tennis
— Tennis365 (@tennis365com) July 31, 2026
Apesar de a USTA planear contrair uma dívida considerável para financiar estas obras, a expectativa é que a edição deste ano do US Open gere receitas ainda maiores, impulsionadas em parte pelos preços exorbitantes dos bilhetes.
No mercado de revenda, um bilhete junto ao campo para um jogo de exibição de Roger Federer chega a custar 11.925,00 dólares! Qualquer coisa como 10.300 euros para ver o suíço. Para a final de singulares masculinos, os valores disparam para uns impressionantes 18.100 euros por bilhete.
From tournament activities to over-the-top hotel amenities, sports fans in New York City are being served all sorts of tennis action this year. https://t.co/bYjpX4aj1p
— Forbes (@Forbes) August 1, 2026
Mesmo os bilhetes com valor mais baixo para a final feminina atingem os 5 mil euros. É difícil imaginar que estes bilhetes sejam adquiridos por adeptos comuns, especialmente quando um lugar no anel superior do Arthur Ashe Stadium para o primeiro dia do quadro principal custa 370 euros...
Existem opções mais acessíveis, como os passes para o recinto, ground pass, a 56 euros ou bilhetes para os campos secundários por 170 euros. No entanto, até os ground passes estão a ser revendidos por 265 euros, um valor que apenas garante o acesso às instalações!
Este cenário, juntamente com os preços elevados de comida e bebida, sugere que o US Open se tornou um evento para empresas oferecerem aos seus clientes, tratando os bilhetes como despesas de negócio. Em comparação, um bilhete para o Court Central de Wimbledon, na segunda semana, custa 260 euros, caro, sim, mas muito inferior ao necessário para assistir ao Grand Slam americano.