Portugal prepara-se para a maior onda de calor de sempre
Portugal continental enfrenta a perspetiva de uma onda de calor extremo, com uma intensidade, duração e abrangência geográfica que poderá fazer desta a maior de sempre no país. As temperaturas deverão passar os 35 graus em quase todo o território, com máximas a superar os 40 graus e noites excecionalmente quentes.
A causa deste fenómeno, segundo o ‘Luso Meteo’, é o posicionamento de um anticiclone sobre o território continental, que bloqueia a influência marítima e promove um fluxo de ar muito quente e seco vindo do norte de África. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) corrobora esta previsão, antecipando uma subida acentuada das temperaturas a partir desta terça-feira, que se deverá prolongar, no mínimo, até meados da próxima semana.
Jorge Ponte, chefe de divisão de previsão meteorológica do IPMA, descreveu a situação como «um fenómeno inédito em Portugal». O especialista destacou a persistência das temperaturas elevadas por um período tão longo como o fator mais invulgar.
As previsões apontam para máximas que podem oscilar entre os 43 e os 46 graus. O sul do país será o primeiro a sentir o calor extremo, com os vales do Alentejo, do Sado e o interior algarvio a poderem aproximar-se dos 44 graus a partir de quinta-feira. Posteriormente, o ar quente será empurrado para norte.
Cidades como Lisboa e Braga poderão registar 40 graus durante pelo menos três dias consecutivos. A probabilidade de temperaturas a rondar os 45 graus será maior nos vales do Tejo e Sado e nas planícies alentejanas, especialmente entre 4 e 7 de julho, período que marcará o pico do evento.
As noites tropicais são outra grande preocupação, com o IPMA a prever mínimas que não deverão descer dos 25 graus em várias zonas durante quase uma semana. Esta falta de arrefecimento noturno agrava os riscos para a saúde, especialmente para os grupos mais vulneráveis como idosos, crianças e doentes crónicos.
A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, classificou a situação como «muito, muito preocupante» e admitiu o potencial impacto na mortalidade, referindo-se ao indicador Ícaro. «Quando existem ondas de calor com esta magnitude, o nosso indicador obviamente que acusa a possibilidade de um impacto na mortalidade, tal como está a acontecer noutros países», declarou a governante, citada pela Lusa.
As previsões do ‘Luso Meteo’ sugerem que os primeiros oito dias de julho poderão estar entre os mais quentes de sempre em Portugal, com anomalias de temperatura que podem chegar aos 12 graus acima do normal em alguns dias. A onda de calor parece confirmada até 8 de julho, mas a grande incerteza reside na sua duração. O modelo europeu ECMWF aponta para a possibilidade de o fenómeno se prolongar até 13 ou 14 de julho, o que a confirmar-se, tornaria este episódio um dos mais longos e intensos dos últimos anos.
O recorde absoluto de temperatura máxima em Portugal continental continua a ser de 47,3 graus, registado na Amareleja, em 1 de agosto de 2003, segundo os extremos climatológicos do IPMA.