Luís Filipe Vieira depois da leitura do acórdão do processo Saco Azul — Foto: LUSA
Luís Filipe Vieira depois da leitura do acórdão do processo Saco Azul — Foto: LUSA

Novo Banco avança com venda de ativos de Luís Filipe Vieira para recuperar dívida de €400 milhões

Operação foi batizada de Project Horizon

O Novo Banco está a tentar recuperar uma dívida superior a 400 milhões de euros de Luís Filipe Vieira, antigo presidente do Benfica, através da venda de um vasto conjunto de créditos, imóveis e participações ligados ao antigo presidente do Benfica. A operação, batizada de Project Horizon, está a ser conduzida pela consultora KPMG, que já iniciou as sondagens a potenciais investidores, segundo avança o jornal ECO.

O processo de venda encontra-se em andamento, com a análise de propostas não vinculativas, esperando-se que as ofertas finais e vinculativas sejam apresentadas até ao próximo mês de outubro. O objetivo é alienar um portefólio de ativos problemáticos que inclui terrenos sem licenciamento na zona de Lisboa e no Algarve, um edifício de escritórios em Maputo e participações nas sociedades imobiliárias Promovalor e Inland.

Recorde-se que o Novo Banco assumiu o controlo da Promovalor e da Inland este ano, na sequência de uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça. No entanto, estas participações estão atualmente avaliadas a zero euros no balanço da instituição financeira, que já tinha classificado a maior parte da dívida como perdida e coberta pelo Fundo de Resolução.

Apesar do cenário adverso, a KPMG está a tentar convencer os investidores de que existe potencial de valorização. A estratégia passa pela execução de direitos contratuais associados a um montante de 352 milhões de euros, o que poderia permitir o acesso ao património dos beneficiários efetivos, incluindo o próprio Luís Filipe Vieira.

Entre os ativos mais significativos à venda estão terrenos com um valor estimado de 56 milhões de euros, mas que enfrentam o obstáculo da falta de licenciamento, dificultando a recuperação de dívidas associadas que ascendem a 65 milhões. Já o edifício de escritórios em Maputo, avaliado em cerca de 20 milhões de euros, gera uma renda anual de 900 mil euros, mas tem uma taxa de ocupação de apenas 35%.

Estes ativos imobiliários estão integrados num Fundo de Investimento Alternativo Especial (FIAE), gerido pela C2 Capital, cujo plano para rentabilizar os bens e saldar a dívida foi considerado «irrealista» pelo Banco de Portugal. O Novo Banco já iniciou a execução de outros ativos, como as ações da SAD do Benfica que pertenciam a Vieira e que foram vendidas em leilão a um fundo americano.

Enquanto alguns bens, como um hotel na Reserva do Paiva, no Brasil, já foram vendidos, o banco procura agora liquidar as restantes participações para mitigar as perdas avultadas deste complexo processo financeiro. Numa audição no Parlamento, Luís Filipe Vieira tinha afirmado possuir vários negócios não relacionados com o Novo Banco, garantindo que «vivemos bem».

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