Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e Gianni Infantino, líder máximo da FIFA
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e Gianni Infantino, líder máximo da FIFA - Foto: IMAGO

Portugal conhece hoje o seu destino: é dia de sorteio do Mundial 2026

Fase de grupos será conhecida esta sexta-feira, numa cerimónia que envolverá desporto, música e política. Será entregue o Prémio da Paz da FIFA e muitos acreditam que Donald Trump, que estará presente, será distinguido

Portugal sabe esta sexta-feira quem serão os adversários na fase de grupos do Mundial 2026. O Centro de Artes John F. Kennedy, em Washington D.C., capital dos Estados Unidos, recebe o sorteio da primeira fase do Campeonato do Mundo do próximo verão. Uma cerimónia plena de pompa e circunstância, com prestações artísticas, convidados especiais e um prémio pela paz, que será atribuído por Gianni Infantino, presidente da FIFA.

Comecemos pelas regras. Há quatro potes, cada um com 12 seleções, sendo que será sorteada uma para cada um dos grupos do Campeonato do Mundo. México, Canadá e Estados Unidos, os anfitriões, já sabem que serão os cabeças de série dos grupos A, B e D, respetivamente. Portugal também está no pote 1, tal como Espanha e Argentina, que, por serem os dois primeiros classificados do ranking, terão de ficar em lados diferentes da árvore da eliminatória, significando assim que, caso vençam os respetivos grupos, só se poderão encontrar na final. O mesmo acontece com França, terceira do ranking FIFA, e Inglaterra, quarta.

Cada grupo deverá contar com apenas um país de cada confederação continental. A exceção é feita aos países da UEFA, que serão 16 e, por isso, poderão ter, no máximo, dois países no mesmo grupo. Além das 42 seleções já conhecidas, falta saber seis: duas do play-off intercontinental e quatro dos play-offs da UEFA. Os membros dessa repescagem, que jogarão em março por um lugar no Campeonato do Mundo, estão no pote 4 e também ficarão a saber hoje em que grupo vão ficar em caso de apuramento.

Espetáculo, celebridades e política em ação

A FIFA anunciou um rol de grandes figuras do desporto — e não só — que serão participantes diretos no sorteio. Rio Ferdinand, ex-central de Inglaterra e do Manchester United, será um dos apresentadores, ao lado de Samantha Johnson, internacional jovem pelos Estados Unidos.

A auxiliar os apresentadores há um leque de estrelas das modalidades mais queridas dos norte-americanos: Shaquille O'Neal, ex-basquetebolista, quatro vezes campeão e três vezes MVP das finais da NBA, Tom Brady, antigo jogador de futebol americano, sete vezes campeão e três vezes MVP na NFL, Wayne Gretzky, segundo melhor marcador de sempre e nove vezes o melhor do ano na NHL, liga de hóquei no gelo, e Aaron Judge, sete vezes All-Star da MLB, liga de basebol, pelos New York Yankees.

O comediante Kevin Hart, o ator Danny Ramírez e a modelo Heidi Klum serão os anfitriões da cerimónia, que contará com atuações de Andrea Bocelli, Robbie Williams, Nicole Scherzinger e dos Village People. O foco estará nas figuras do desporto e do espetáculo, mas também da política.

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, e Claudia Sheinbaum, presidente do México, estarão presentes, dois dias depois de Trump ter afirmado, em relação CUSMA, o acordo comercial entre os três países, que tanto o México como o Canadá se têm «aproveitado dos Estados Unidos». A imprensa canadiana afirma que Carney terá uma «breve reunião» com Donald Trump, assim como com Sheinbaum.

Quem estará também presente é a comitiva do Irão, mas tal só foi confirmado ontem. A Federação Iraniana de Futebol (FFIRI) havia ameaçado boicotar o sorteio após apenas quatro delegados da comitiva terem tido os vistos aprovados. Mehdi Taj, o presidente da federação, foi um dos que não teve autorização. No entanto, Amir Ghaleoni, treinador principal, e Omid Jamali, chefe das relações internacionais da FFIRI, viajaram para Washington.

O Irão é um dos 12 países cujos cidadãos estão proibidos de entrar em solo americano desde junho. Uma medida tomada para «proteger a segurança nacional e o interesse nacional dos Estados Unidos e da sua população», diz a mensagem de Donald Trump partilhada pela página oficial da Casa Branca em junho passado. Há exceções, como é o caso da comitiva iraniana que disputará o Campeonato do Mundo e as respetivas famílias, mas a exceção não abrange, por exemplo, iranianos que se queiram deslocar aos Estados Unidos para acompanhar os jogos da seleção.

O prémio da paz... que ninguém conhecia

Há mais um momento de destaque na cerimónia: a entrega do Prémio da Paz da FIFA. E muito se especula que possa ser entregue a Donald Trump, que em várias ocasiões defendeu ser merecedor do Prémio Nobel da Paz. Um prémio que já terá causado polémica… dentro da própria FIFA. Segundo o The Athletic, nem os oito vice-presidentes do organismo que tutela o futebol a nível mundial nem os 28 membros eleitos pelas associações nacionais sabiam da criação deste prémio, tendo tomado conhecimento apenas no momento do anúncio público oficial.

Infantino já descreveu Trump como «um amigo próximo» e defendeu, numa publicação no Instagram a 9 de outubro, que o presidente norte-americano «merecia claramente» o Nobel da Paz pelos esforços feitos no sentido de terminar a guerra na Faixa de Gaza. Questionado sobre as hipóteses de Trump ser distinguido, Infantino deixou três palavras: «Vocês vão ver.»

É dia de sorteio e muito mais. Será o momento para todos saberem os destinos no Mundial 2026, com espetáculo e política a aliarem-se ao desporto numa cerimónia só. O Campeonato do Mundo, com tudo o que acontece dentro, mas também fora de campo, arranca aqui.