Pogacar só quer voltar a San Remo para comer!
Tadej Pogacar sugeriu que poderá não regressar à Milão-Sanremo, depois de finalmente ter conquistado o monumento italiano naquela que foi a sexta tentativa. A vitória surgiu após uma corrida emocionante, que incluiu uma queda, uma perseguição, um ataque na Cipressa e um sprint renhido contra Tom Pidcock (Pinarello-Q36.5).
A pressão para vencer a Milão-Sanremo aumentava para Pogacar à medida que acumulava pódios e derrotas. A prova parecia estar fora do seu alcance, com os adversários a conseguirem responder aos seus ataques e a superá-lo no sprint final. Com esta vitória, o ciclista da UAE Team Emirates-XRG libertou-se desse peso, tal como se distanciou de vários rivais na Cipressa e de Mathieu van der Poel (Alpecin-Premier Tech) no Poggio.
«É um grande alívio finalmente ganhá-la. Foram muitos anos a treinar por aqui e vou sentir saudades», afirmou Pogacar na conferência de imprensa após a corrida. O ciclista esloveno admitiu que a preparação para esta prova é mentalmente desgastante. «Agora posso parar de vir a Sanremo todas as semanas, ou até duas vezes por semana, para treinar. É muito difícil mentalmente treinar em Sanremo durante todo o inverno», confessou.
A possibilidade de não regressar foi confirmada pelo próprio Pogacar, que, em tom de brincadeira, disse ao Cyclingnews: «Se voltar a Sanremo, será apenas para comer focaccia...». A revelação inicial tinha sido feita por Tom Pidcock, que contou que o esloveno lhe confidenciou essa intenção após a cerimónia do pódio.
Chute ou malédiction, plus rien n’arrête l’héroïque Pogacar : « Ça va changer le regard des gens sur lui »
— Le Parisien | sport (@leparisiensport) March 21, 2026
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A corrida foi uma das mais imprevisíveis das 117 edições da «La Classicissima». Pogacar sofreu uma queda aparatosa perto do início da subida da Cipressa, precisamente onde se esperava que atacasse. O ciclista caiu sobre o lado esquerdo, danificando o seu equipamento de campeão do mundo, e admitiu ter pensado que a sua corrida tinha terminado ali.
Caerse.
— Eurosport.es (@Eurosport_ES) March 21, 2026
Levantarse.
No rendirse.
Llegar.
Atacar.
Ganar.
🌈 LA OBRA MAESTRA DE POGACAR EN SAN REMO.#MilanoSanremo pic.twitter.com/FTp9f8fapj
No entanto, com a ajuda da adrenalina e o apoio da sua equipa, conseguiu recuperar, regressar ao pelotão e lançar o ataque planeado. «A equipa deu-me muita esperança também através do rádio. Não podia desistir», explicou, elogiando o trabalho dos seus colegas da UAE Team Emirates-XRG.
Apenas Pidcock e Van der Poel conseguiram acompanhar o ataque inicial de Pogacar. Mais tarde, na subida do Poggio, só Pidcock se manteve na sua roda. O duelo final na Via Roma foi intenso, com Pogacar a ter de dar tudo para superar o britânico no sprint e por apenas quatro centímetros como mostrou o photo finish.
CAPOLAVORO DI POGACAR 🤯🚀
— Eurosport IT (@Eurosport_IT) March 21, 2026
Tadej Pogacar vince al fotofinish una gara meravigliosa con un Pidcock davvero monumentale e in forma smagliante ⚔️
Lo sloveno è caduto, poi ha ripreso il gruppo e poi ha avuto l’energia per lo spunto finale. Chiude terzo un super Van Aert 🔝… pic.twitter.com/2pu0WVIlnP
«Penso que é definitivamente uma das maiores vitórias da minha carreira», confirmou. «Sprintar frente a frente com o Tom também foi uma loucura. Tive dúvidas até à linha de chegada. Mesmo depois de a cruzar, não sabia se tinha ganho, por isso ainda preciso de um momento para perceber que vencemos a Milão-Sanremo.»
Com este triunfo, Pogačar já venceu quatro dos cinco Monumentos do ciclismo, faltando-lhe apenas a Paris-Roubaix. Apesar da possibilidade de conquistar uma tripla histórica nas próximas semanas, que inclui a Volta à Flandres, o ciclista prefere saborear o momento. «Estou tão feliz por ter ganho a Sanremo que o que vier a seguir está bom. Vou tentar recuperar e ver como correm as corridas na Bélgica. Claro que a forma é boa e irei à Flandres e a Roubaix com uma equipa forte para lutar pela vitória em ambas as provas», concluiu.
Tadej Pogacar é o 10º ciclista a ter vencido quatro dos cinco Monumentos da temporada (Milão-San Remo, Volta à Flandres, Liège-Bastogne-Liège e Il Lombardia). Ele iguala Sean Kelly, Philippe Gilbert, Alfred De Bruyne, Louison Bobet, Hennie Kuiper e Germain Derijcke. Caso complete a façanha vencendo a Paris-Roubaix, ele se juntará a Eddy Merckx, Roger De Vlaeminck e Rik Van Looy no topo do ranking.