Pizzi garante: «Quero continuar ligado ao futebol»
Em dia de homenagem, na Cidade do Futebol, Pizzi falou à margem do evento que celebrou a longa carreira do agora ex-jogador, de 36 anos. Em declarações aos jornalistas, o antigo médio destacou o «orgulho» que sente pelo percurso no futebol e deixou uma garantia: quer continuar ligado ao desporto-rei.
Despedida
«Não é fácil, porque é o despedir da coisa que eu mais gostava de fazer, que era jogar futebol e estar dentro de um campo. Mas, é sem dúvida uma homenagem que me deixa muito orgulhoso, que me deixa muito feliz e é sinal de que a minha carreira foi uma carreira bonita, bem vivida, e só tenho a agradecer por tudo.»
Trajeto no Benfica
«Foi um trajeto muito especial para mim. Foi, sem dúvida, o mais especial que eu tive durante a minha carreira. Foram muitos anos, muitas conquistas, muitas vitórias, momentos felizes, outros nem tanto, mas acho que o que ficou foram oito anos de uma alegria enorme. Foi, sem dúvida, o clube onde eu fui mais feliz e o que me fez crescer enquanto jogador e enquanto pessoa.»
O que se segue depois da carreira de futebolista
«Agora, neste momento, vou de férias. Aproveitar com a minha família, com os meus filhos. O futebol tirou-nos bastantes coisas do que é a nossa relação familiar, por isso, neste momento, é aproveitar ao máximo o tempo que eu tenho com eles. Depois, quero continuar ligado ao futebol. Como treinador? Ainda não sei. Como disse o presidente, e bem, eu estou a começar a tirar o curso. Vamos ver se é por esse lado que as coisas se dão, mas estou aberto a novas opções.»
Participação na Seleção Nacional
«Não tive tantas internacionalizações como queria, isso é óbvio, mas estive durante muitos anos na Seleção Nacional. Entrei a primeira vez em 2012 e saí em 2019, por isso foram sete anos de Seleção Nacional. Claro que sim, queria ter ajudado mais a Seleção dentro do campo, mas acho que o meu papel foi importante. Culminou com uma vitória na Liga das Nações, que foi muito especial para mim.»
Conselhos para os jogadores de Portugal e expectativas para o Mundial
«Temos todas as condições para chegar o mais longe possível. Obviamente que nós, todos os portugueses, queremos que Portugal conquiste o Campeonato do Mundo, mas sabemos que é difícil. Há várias seleções com muita qualidade, com muitos bons jogadores. Mas acho que nós estamos, certamente, muito bem preparados para fazer um Mundial ao nível das expectativas.»
Título mais especial da carreira
«Já tive a oportunidade de falar disso antes. O meu primeiro [título] no Benfica foi muito especial, porque aí tive a noção exata de quão grande era o Benfica. Tive outro também que me marcou muito enquanto jogador, que foi no Atlético de Madrid, a conquista da Liga Europa. E depois, claro acho que um dos pontos mais altos de qualquer jogador é representar a Seleção e ganhar um título. Ganhar a Liga das Nações foi, sem dúvida, um ponto especial para mim.»
Amargo de boca por não ter estado em Europeus/Mundiais
«Sim, fica, fica porque acho que todos os jogadores que estão dentro do espaço de Seleção querem estar nos grandes torneios, seja o Europeu, seja o Mundial. Não tive a oportunidade de estar presente, mas não tenho nenhum sentimento amargo em relação a isso, porque foi, sem dúvida, uma carreira muito feliz, seja nos clubes, seja na Seleção.»
Acarinhado no momento da despedida
«Sim, sem dúvida. Tentei juntar aqui ao máximo todas as pessoas que me marcaram enquanto jogador e enquanto pessoa, como é óbvio. Fui, ao longo destes anos, crescendo não só como jogador, mas também enquanto pessoa. Todas as pessoas que cá estão presentes, de certa maneira, marcaram a minha vida em qualquer momento. Por isso, agradecer, primeiro e antes de mais, a presença de todos eles e dizer que cada um deles, à sua maneira, foi muito especial para mim durante estes anos. Obrigado.»
Adrien Silva recorda o ex-colega
Adrien Silva, que foi colega de Pizzi na Seleção Nacional, também prestou declarações na cerimónia.
Conselhos para o colega
«Ele vai ter tempo para tudo. Os primeiros conselhos, e daqueles que já passaram por essa situação, eu deixei muito tempo para ele também digerir um pouco essa fase, que que é muito só... cada um reage de uma forma muito própria. E que o mais passar é saber que não está sozinho, que tem muita gente a apoiar, para o que precisar. Por isso, esse é o mais importante para ele saber.»
Amigos fora do campo, rivais dentro das quatro linhas
«Temos de acabar um pouco com essas barreiras de que não há amizade mesmo sendo rivais. E nunca os fomos. Lá dentro, obviamente que não não nos podíamos prender um ao outro, isso era visível. E eu digo-lhe que era um adversário bastante complicado de enfrentar. Mas essa amizade, quando partilhámos o balneário da Seleção, e também nas viagens de idades, uma experiência muito muito intensa vivida dentro de campo, mas também fora, foi-se enraizando.»
História marcante com Pizzi
«Ah, temos muitas. Mas essa mudança para as Arábias, foi, não só para ele, mas também como para mim e para a minha família, bastante complicada. E e foi por isso que a nossa ligação ficou mais forte em momentos destes, não dentro de campo, mas fora. Porque mudar radicalmente de país, e também uma uma parte do mundo bastante diferente do que aquela que estamos habituados, requer uma adaptação e não só a nível pessoal, mas também familiar. A logística das crianças, a escolar... E foi por isso que foi um momento bastante intenso.»
Qualidade da geração de ambos
«O Pizzi tinha tinha lugar em qualquer plantel, em qualquer convocatória. Mas é como diz, temos a sorte, não só esta geração, mas outras do passado, de termos muitas muitas alternativas e jogadores passíveis de serem convocados. Obviamente que é uma tarefa difícil para o selecionador, mas é uma boa tarefa, é uma boa dor de cabeça poder ter muitas opções de qualidade. É sempre muito mais positivo do que ao contrário. E o Pizzi passou um pouco por essa fase, mas não deixou de lutar, não deixou de de tentar o seu espaço e conseguiu.»
Ambição de Portugal no Mundial 2026
«É que a mensagem que todos têm dado, ninguém esconde a ambição de de trazer aquele troféu, e eu não fujo à regra, tenho a mesma ambição e e a crença que vejo no plantel deste, não podemos sonhar com outra coisa.»
Fasquia cada vez mais alta na Seleção
«Não, pelo contrário, acho que foi mais um sinal de que era possível e é possível chegarmos ao fim e e concretizar aquilo que foi todos esses anos, todas essas gerações do passado que bem tentaram dar dar este este troféu. E nós tivemos a felicidade de conseguir e de acabar o trabalho que já tinha sido feito há muitos anos, e não vai acabar por aqui.»