Rafa Silva e Evangelos Pavlidis do Benfica celebram golo frente ao Villarreal no Estádio do Algarve - Foto: IMAGO

Pavlidis lançou Rafa e a águia acabou por voar (crónica)

O Benfica fez uma coisa sempre bem nos 90 minutos, melhorou outras e sai com algumas certezas do Algarve. Rafa marcou um golo cheio de classe e a partir daí o andamento foi outro

Um Benfica em crescendo, com dois toques de classe afastou a imagem de um primeiro tempo irrelevante e que só meteu rodagem nas pernas. Os 45 iniciais dão que pensar, os segundos deixaram os adeptos com maior expectativa, em sossego por um triunfo de pré-época e a falarem no golo de Rafa.

Com algumas ideias coletivas a reter, foram quatro indivíduos que se destacaram, ainda que um deles não conte para o que aí vem já na quinta-feira e outros tenham tido tão pouco tempo que só se pode pensar neles a longo prazo.

Galeria de imagens 21 Fotos

Pouco há a dizer sobre o primeiro tempo. As duas alterações que Marco Silva provocou no onze passaram sem importância por esse período e se no caso de Samuel Soares isso podia ser um bom indicador para todos, no de Kaminski nem por isso. Não se culpe apenas o jogador em si, pois na verdade houve muito pouca criatividade... na realidade, houve muito pouco de tudo em termos ofensivos.

Vejamos algo de positivo nos 45 minutos iniciais. O Benfica não teve problemas atrás e até conseguiu uma pressão com alguma produtividade no roubo de bola. Os encarnados ganharam-na muitas vezes em zonas altas, mas logo aí surgiu o principal problema: faltou velocidade, faltou entendimento, e quando assim é fica-se sempre com a sensação que falta nas mentes de todos a urgência em chegar à baliza adversária. No fundo, o Benfica era agressivo quando o Villarreal tinha a bola e não era nada disso quando a tinha nos pés. Ainda assim, entre o minuto 14 e o 19 o Benfica rondou a baliza espanhola, sem grande perigo.

O descanso trouxe Manu Silva para central, mas trouxe sobretudo a qualidade de Pavlidis e de Rafa que a passe do grego desenhou um arco triunfal e desatou um melhor futebol do Benfica. A equipa continou a pressionar alto e a recuperar a bola em zonas avançadas, mas soube melhorar a posse. Isso resultou em alguns assomos à baliza do Villarreal e se três dos homens em destaque já aqui referimos, falta o quarto: Prestianni. A velocidade que o argentino meteu no duelo não só resultou no 2-0 de Pavlidis, como mudou as sensações do encontro de vez. O Benfica era mais forte, mais rápido e até começou a responder à dureza espanhola na mesma moeda.

Marco Silva acabou por rodar toda a equipa, exceto o guarda-redes, e até terminou a ver os rapazes da formação a manterem o ritmo e um ou outro a soltarem uma habilidade, sempre com Prestianni no centro de alguma coisa. O argentino não entra nas contas para a eliminatória europeia por castigo, enquanto a «formação», pelos minutos que não teve, tem de pensar para lá disso.

Os encarnados saem, assim, dos jogos no Algarve com algumas incógnitas e certezas. Nas primeiras, por exemplo, pode colocar-se Sudakov e Kaminski, este por motivos diferentes - é preciso, obviamente, ver mais do polaco - e quem será a dupla de centrais frente ao St. Gallen, não só pela situação de António Silva, mas porque Manu pode ser considerado na equação.Nas segundas, coloca-se Pavlidis, e os seus golos, como a responder à contratação de um novo avançado e, ainda, que tanto os «mundialistas» como alguns reforços para alguns setores são necessários a Marco Silva.

A iniciar sessão com Google...