Paul Seixas de ouro: «A cada semana vale mais meio milhão»
As exibições impressionantes de Paul Seixas, da Decathlon CMA CGM, estão a surpreender não só o mundo do ciclismo, mas também os seus próprios colegas de equipa. Um comentário de Stan Dewulf, um dos seus gregários na recente vitória na Flèche Wallonne, feito em tom de brincadeira, pode, no entanto, trazer novas dores de cabeça à equipa francesa na hora de negociar a renovação do jovem prodígio.
Paul Seixas, de apenas 19 anos, venceu a Flèche Wallonne de forma convincente, demonstrando uma polivalência notável. O ciclista francês já provou ser capaz de triunfar em diversos terrenos, desde contrarrelógios a chegadas em alto, passando por classificações gerais e esforços curtos, como o Mur de Huy. Esta época, soma já sete vitórias em 14 dias de competição, sendo o segundo ciclista com mais pontos no ranking mundial até ao momento.
🚲 "Je ne baisse pas les yeux"
— RMC Sport (@RMCsport) April 21, 2026
Le message de Paul Seixas avant son duel contre Tadej Pogacar sur Liège-Bastogne-Liègehttps://t.co/novwJSviUR
Na clássica belga, o seu colega Stan Dewulf, de 28 anos, foi fundamental para o seu sucesso, ajudando a controlar o pelotão e a posicioná-lo perfeitamente. Segundo Dewulf, a confiança dentro da equipa era total. «Desde o momento em que ele se juntou ao grupo, ficou claro que não procurávamos apenas um bom resultado», afirmou o belga ao Wielerflits.
A ambição era clara, como explicou Dewulf: «Acabou-se aquelas conversa: 'Vamos para o top cinco' ou 'O pódio está bom', como nas clássicas anteriores. A direção da equipa foi muito clara: 'Vamos tentar ganhar a corrida'. Tínhamos a firme convicção de que podíamos ganhar». O desempenho de Seixas no Mur de Huy, na sua estreia na prova, deixou o colega perplexo. «Ainda nos perguntamos: como é possível?! Era a primeira vez que ele competia aqui. Mal conhece a subida e, mesmo assim, termina daquela maneira. É difícil de entender», confessou.
Nos bastidores dizem que Decathlon e UAE travam uma batalha intensa pela contratação de Seixas, mas, segundo consta, equipas como a Red Bull – BORA – hansgrohe e a INEOS Grenadiers também já entraram na corrida pelo jovem prodígio. Apesar da euforia, muitos questionam as ofertas de 40 milhões de euros por um contrato de cinco anos num ciclista que ainda não correu numa grande Volta e que colocaria o seu salário ao nível de Pogacar. O jovem de Lyon terá atualmente um salário a rondar os três milhões de euros anuais, já um dos valores mais altos do mercado, mas os especialistas dizem que pode triplicar o valor.
Apesar da euforia em torno do jovem talento, a equipa procura protegê-lo da pressão externa. «Tentamos não falar das corridas o tempo todo. Já há pressão externa suficiente. Por isso, levamos as coisas com calma», revelou Dewulf, destacando a importância de um ambiente descontraído para o bem-estar do ciclista, que é descrito como introvertido.
A personalidade de Seixas é um dos seus trunfos para lidar com a atenção mediática. «É uma pessoa maravilhosa e muito tranquila. Creio que é o resultado de uma boa educação, baseada no respeito», descreveu Dewulf. «É um rapaz tímido e consegue isolar-se de toda a pressão. Às vezes, bloqueia o telemóvel. Enquanto outra pessoa estaria ocupada a ler tudo o que os jornais publicam, a ele não lhe interessa muito. Está focado no seu rendimento; tudo o resto interessa-lhe menos», acrescentou.
O futuro de Seixas, cujo contrato com a Decathlon termina no final de 2027, é um tema quente, com mais de quatro equipas interessadas na sua contratação. Foi neste contexto que Dewulf fez um comentário, entre o sério e o jocoso, que pode inflacionar ainda mais o valor do seu colega de equipa.
«Creio que o seu valor aumenta a cada semana. Provavelmente meio milhão de cada vez nos últimos meses», brincou Dewulf. «Por isso, é melhor esperar para ver como os acontecimentos se desenrolam e deixá-lo seguir o seu próprio caminho», concluiu. Uma observação que, certamente, não facilitará a tarefa da Decathlon quando tiver de negociar com equipas de maior orçamento.
O próximo grande desafio para Paul Seixas é a Liège-Bastogne-Liège, onde enfrentará rivais de peso como Tadej Pogacar e Remco Evenepoel.
Apesar de o próprio Paul Seixas admitir com honestidade que, de momento, não possui o nível necessário para derrotar o ciclista esloveno da UAE, a sua equipa mantém um otimismo cauteloso. Julien Jurdie, o seu diretor desportivo na Flèche Wallonne, não poupa elogios ao atleta, já apelidado de 'O Anjo de Lyon' pelos comentadores da Eurosport Italia, numa alusão ao histórico Charly Gaul.
«Sou diretor desportivo há 25 anos e este é o melhor ciclista com quem já trabalhei», afirmou Jurdie de forma categórica.
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A equipa acredita que, apesar do favoritismo de Pogacar, tudo é possível. «Será uma corrida completamente diferente. Pogacar já demonstrou muito. Será uma prova muito dura para nós, e a equipa de Pogacar terá um motor mais potente à sua disposição», reconheceu o diretor desportivo. No entanto, a confiança em Seixas permanece intacta: «Mas se o Paul conseguir surpreender novamente, então tudo é possível. Ele cresce a cada semana. E, sinceramente, ele merece-o. Mesmo que fosse alguém de 25 anos a fazer isto, seria impressionante. Mas na idade dele, é algo especial. Não se vê isto com frequência».
A estratégia para a próxima prova passa por uma gestão cuidada do esforço e da mente. «Ele só precisa de ter calma esta semana. Desfrutar de alguns dias, fazer algum reconhecimento e manter-se mentalmente fresco, sem acumular stresse adicional», explicou Jurdie. A equipa garante que fará a sua parte para o colocar em posição de disputar a vitória.
«Vamos colocá-lo na melhor posição possível no domingo e depois deixaremos que as pernas dele falem por si. Se o Pogi se revelar mais forte neste momento, também não há problema, e tenho a certeza de que ele voltará a enfrentá-lo no próximo ano», concluiu.