Papa Leão XIV diz não ter «medo» de Trump após críticas do presidente dos EUA
O Papa Leão XIV afirmou não ter «medo» da administração Trump e garantiu que continuará a manifestar-se contra a guerra, na sequência de um ataque invulgar e contundente do presidente dos Estados Unidos da América sobre a posição do Sumo Pontífice quanto ao conflito norte-americano com o Irão.
Donald Trump acusou Leão XIV de ser «fraco no que toca ao crime e péssimo em política externa», numa publicação na rede social Truth Social, afirmando mais tarde aos jornalistas que «não era um grande fã» do Papa, natural de Chicago, nos EUA.
Em resposta, o Papa Leão XIV, a caminho da Argélia, declarou aos jornalistas que não pretendia entrar num debate com Trump, mas que continuaria a promover a paz. «Não tenho medo da administração Trump, nem de proclamar em voz alta a mensagem do evangelho, que é o que acredito que estou aqui para fazer, o que a Igreja está aqui para fazer», afirmou.
O líder da Igreja Católica tem criticado a guerra com o Irão, classificando como «inaceitável» a ameaça de Trump de destruir a civilização iraniana e apelando a que este encontrasse uma «saída» para terminar o conflito.
Trump sugeriu que o pontífice foi eleito «por ser americano, e eles pensaram que essa seria a melhor forma de lidar com o Presidente Donald J. Trump». E acrescentou: «Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano».
Questionado posteriormente pelos jornalistas, Trump reforçou as críticas: «Não acho que ele esteja a fazer um bom trabalho, ele gosta do crime, suponho eu». E continuou: «Ele é uma pessoa muito liberal, e é um homem que não acredita em travar o crime, é um homem que não acredita que devamos estar a brincar com um país que quer uma arma nuclear para poder fazer explodir o mundo».
As declarações de Trump geraram críticas por parte de católicos em todo o mundo. Um especialista, Massimo Faggioli, citado pela Reuters, comparou os comentários à relação do papado com os ditadores fascistas durante a Segunda Guerra Mundial. «Nem Hitler nem Mussolini atacaram o Papa de forma tão direta e pública», afirmou.