Rui Borges satisfeito com a exibição da equipa no triunfo diante do Casa Pia — Foto: IMAGO
Rui Borges satisfeito com a exibição da equipa no triunfo diante do Casa Pia — Foto: IMAGO

Ópera, carinho dos adeptos e segurança no cargo: tudo o que disse Rui Borges

Treinador do Sporting satisfeito com a vitória frente ao Casa Pia e com a exibição da equipa. «Jogo muito competente da nossa parte», analisou. O agradecimento à plateia leonina por ter apoiado do início ao fim e a garantia de que se sente totalmente apoiado desde o primeiro dia de trabalho em Alvalade

O Sporting voltou às vitórias para o campeonato, derrotando o Casa Pia por 2-0, numa partida da 10.ª jornada da Liga, realizada na noite desta sexta-feira, no Estádio Municipal de Rio Maior, e Rui Borges assumiu estar satisfeito com o resultado e com a exibição da equipa. O treinador do Sporting agradeceu também o apoio dos adeptos e garantiu estar absolutamente tranquilo e focado no trabalho, tal como, diz, acontece desde o primeiro dia em que chegou a Alvalade.

— Que balanço faz deste jogo e desta vitória? E que comentário lhe merece o desempenho de Pedro Lima, que voltou a ser titular e a marcar?

— Foi um jogo muito competente da nossa parte. Com qualidade ofensiva em alguns momentos, apesar de termos pecado um pouco na finalização. Estamos naquela fase em que é difícil fazer os golos, mas faz parte. O importante é chegar à área e criar. Em termos defensivos também estivemos muito coesos, nesta parte final defendemos muito bem com um bloco mais baixo. Não deixámos o Casa Pia criar qualquer oportunidade de golo, apesar do ímpeto. É natural que o Casa Pia fosse acreditando até ao fim, mas acho que podíamos e merecíamos ter feito o segundo golo mais cedo. Mas senti sempre a equipa coesa, tranquila, competitiva e ligada do início ao fim, a saber que qualquer segundo é importante. A vitória acaba por ser mais do que justa. Em relação ao Pedro [Lima], mérito dele e do trabalho. Assim como de todos os outros. O Silas [Andersen] também fez um belíssimo jogo e saiu pelo amarelo que tinha, o jogo estava a entrar em muitos contatos. Feliz pela resposta que eles dão, mas também pelo que demonstram diariamente ao treinador.

— Sentiu que em algum momento a equipa esteve mais contida atendendo ao facto de vir aí um jogo europeu importante?

— Sinceramente, não. Senti a equipa sempre ligada. Apesar de termos ganho ao Marítimo, vínhamos de dois jogos com derrotas e existe sempre aquele desconfiança em algum momento, é natural. Numa perda de bola, num passe ou numa receção. Nos últimos 15 minutos falhámos passes que não tínhamos necessidade de falhar, mas mesmo assim senti a equipa sempre a perceber o que tinha de fazer. Mesmo em bloco baixo, o Casa Pia não nos criou perigo.

— Tendo em conta o ambiente nas últimas semanas, achava importante alguém da estrutura do Sporting acabar de uma vez por todas com estas dúvidas? Isso daria mais segurança aos adeptos, à equipa e ao próprio Rui Borges?

— Tal como já disse, a minha segurança é desde o primeiro dia que entrei no Sporting. A confiança é bem demonstrada diariamente, logo à cabeça pelo presidente. Não acho necessidade de nada. Sei bem o que é o nosso dia a dia, o dia a dia na Academia, e estamos, sim, à procura de melhorarmos. Vínhamos de um resultado negativo, já estamos a muitos pontos do primeiro classificado, o que não queríamos, e por tudo isso era importante regressar às vitórias.

— Considera que o resultado foi melhor do que a exibição? Esta vitória alivia a pressão à sua volta? Dá-lhe outro balão de oxigénio?

— Felizmente, estou bem de saúde. Em relação ao que é ruído, não estou preocupado. Em relação ao jogo, foi uma boa vitória, uma exibição competente da nossa parte. Defendemos bem quando tínhamos de defender, atacámos com qualidade e saímos muito bem em transição quando tínhamos de sair. Foi um bom jogo, dentro do que era esperado. Não viemos para aqui tocar ópera, viemos jogar futebol diante de uma equipa competitiva e foi uma boa vitória e mais do que merecida.

— Os adeptos apoiaram a equipa do início ao fim. Isso foi importante para si?

— É importante para os jogadores, acima de tudo. A energia de fora para dentro é positiva e foi importante para os jogadores ouvirem isso. Eu também ouvi e fiquei feliz, isso ajuda a equipa a ter uma energia extra. Agradeço-lhes o apoio, tal como sempre fazem.

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— O Silas Andersen jogou como médio de ligação, à frente do Altimira. Que tranquilidade é que isso dá à equipa quando perde bola?

— Tem muito a ver com a estratégia para o jogo. O Casa Pia tem optado por um bloco muito baixo, muito coeso, e sabíamos que até na bola parada seria importante. E ganhámos esse poder. Dentro do que era a estratégia, em alguns momentos ter um duplo pivô poderia ajudar. O Silas fez um belíssimo jogo, tal como o Pedro.

— O que vê agora em Pedro Lima para ser opção?

— Eu vi no início, por isso é que fomos buscá-lo. Já foi visto há mais tempo e não apenas em outubro. Tem trabalhado muito bem à espera da sua oportunidade e mostrou presente no jogo com o Marítimo. Hoje voltou a fazer o mesmo, mas mais do que os jogos é o trabalho diário. Tem uma boa leitura de jogo, vê muito mais à frente. É mérito dele. Já o tínhamos visto antes, por isso é que está no Sporting.

— Sente que os jogadores estão consigo?

— Eu não estou preocupado se há ou não ruído, estou preocupado com a minha equipa. Era importante a equipa sentir esse carinho que os adeptos nos têm dado. É natural que quando as coisas não correm bem os adeptos sintam, isso faz parte. Em relação a mim, não estou preocupado se o ruído diminui ou aumenta. Estou preocupado, sim, em ajudar os jogadores e que a equipa cresça. Estou focado em ajudá-los diariamente e sinto diariamente que eles querem dar sempre uma resposta para que o Sporting seja sempre mais forte.

— Com o Irankunda à esquerda, o Maxi Araújo não explora tanto o corredor como noutras ocasiões. O que dá isto à equipa em termos de equilíbrios e o que retira sem tanto Maxi no último terço?

— Precisamos de ganhar esse conhecimento mais rápido e é natural que em determinadas situações os jogadores não se conheçam tão bem, estão numa fase de conhecimento mútuo, como nesse caso. O Irankunda é um jogador mais de corredor, muito vertical, mas o Maxi também faz muitos movimentos interiores, tem bons tempos de rotura. Temos vindo a tentar que esses movimentos cresçam para tirarmos o melhor rendimento de um e de outro.

— Acredita que é desta vez que vai conseguir arrancar para uma série de vitórias que permita uma pacificação em torno da equipa? Deu um grande abraço ao Flávio [Gonçalves] depois daquele golo falhado. O que é que lhe disse?

— Só lhe passei confiança. Teve um compromisso muito bom, entrou com ações diferentes do Irankunda. O lance da finalização é o que é, às vezes vai fazer, outras não. Eu nunca criticarei um jogador por causa disso. Momento certo para a sequência de vitórias? O momento certo é para pensar no próximo jogo, em Londres, com o Shakhtar. Queremos fazer um bom jogo e conseguir os três pontos nesta Liga dos Campeões.

— O Doumbia hoje foi para o banco. Sente que ele está a ter dificuldades de adaptação?

— Tem muito que ver com os adversários e com as estratégias. O Doumbia foi sempre titular desde que chegou ao Sporting, hoje foi a primeira vez que não foi titular. Temos uma confiança inabalável no que nos pode dar, é um jogador extraordinário. Tem um potencial enorme e está longe de tudo o que pode dar. Acreditamos muito que no futuro seja um jogador maduro. Mas estamos muito felizes com o que ele tem dado até agora.

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