Estupiñán, ala do Milan - Foto: IMAGO

Ruben Amorim não deixa cair o 'patinho feio' do Milan

Técnico português tem aposta firme em Pervis Estupiñán

Pervis Estupiñán tem sido uma das figuras mais contestadas no arranque de temporada do Milan, mas continua a contar com o apoio incondicional de Ruben Amorim. Após o triunfo frente à Atalanta, no passado domingo, o técnico português saiu publicamente em defesa do internacional equatoriano, assumindo a responsabilidade pela sua permanência no clube e pela aposta continuada nas suas capacidades.

O lateral entrou apenas no último quarto de hora do duelo com a formação de Bérgamo, somando algumas perdas de bola perigosas num momento em que a equipa tentava segurar a vantagem. A exibição gerou nova onda de contestação entre os adeptos nas redes sociais, à qual o técnico luso fez questão de responder diretamente.

«Também noutros clubes acontece que, por vezes, os adeptos não gostem muito de certos jogadores», sublinhou Ruben Amorim, revelando os bastidores do último mercado de transferências: «No final do mercado tínhamos uma lista de clubes que o queriam. Mas eu disse que não. Por isso, quero que os adeptos saibam que foi uma responsabilidade minha.»

O principal interessado na contratação de Estupiñán no verão foi o Aston Villa, com Unai Emery a tentar o reencontro com o lateral após a saída de Lucas Digne, aproveitando a ligação que construíram no Villarreal. O negócio rondava os 18 a 20 milhões de euros, mas acabou travado pela decisão de Amorim, levando o emblema de Birmingham a virar atenções para Ruggeri.

Apesar de o treinador valorizar atributos como a velocidade, a capacidade de cruzamento e o remate de meia-distância — qualidades que o destacaram na Premier League ao serviço do Brighton —, o esquerdino tem tido um percurso irregular em Milão. Titular em cinco de sete jornadas da Serie A, Estupiñán tem apresentado lacunas defensivas, como se viu em Roma, diante da Lazio, mostrando pouca audácia ofensiva e alguma desorientação tática. Uma realidade diferente da época passada, na qual Allegri acabou por preferir lançar o jovem Bartesaghi.

«Temos de ajudá-lo. Temos de ajudar os adeptos a perceber quem é o Estupiñán», reforçou ainda o treinador após o embate com a Atalanta, demonstrando a intenção de recuperar o jogador.

A gestão do plantel tem dado frutos noutros setores sob o comando de Amorim, patente no crescimento de nomes como De Winter e Musah, na afirmação de Alpha Cissé, na importância acrescida de Rabiot ou na rotação que vai integrando Diego Moreira no corredor esquerdo. Contudo, a situação de Estupiñán surge como um desafio à parte. O lateral foi poupado nos dois jogos da Liga Europa disputados pelas segundas linhas, reforçando o estatuto de opção prioritária para a liga italiana.

Com um momento de glória recente na memória dos adeptos milanistas — o golo decisivo no dérbi que o colocou na galeria de heróis improváveis ao lado de figuras como Schelotto, Alex, Obi e De Jong —, o lateral continua a ser uma aposta firme. Paralelamente à meta de devolver o Milan à Champions, o técnico português terá agora pela frente o desafio de transformar a contestação dos adeptos em rendimento dentro de campo.

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