Nuno Mendes assistiu com... as mãos e Cancelo marcou. O festejo da dupla de laterais - Foto: Catarina Morais/KAPTA+
Nuno Mendes assistiu com... as mãos e Cancelo marcou. O festejo da dupla de laterais - Foto: Catarina Morais/KAPTA+
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O virtuosismo de Cancelo nunca será uma questão lateral (as notas de Portugal)

Jogador do Barcelona vive grande momento de forma e a Seleção agradece: lance de talento no primeiro golo. Centrais de ferro, Vitinha a criar mais um quadro e Gonçalo Ramos mantém-se casado com a baliza
O melhor em campo: João Cancelo (nota 7)

Um cartão amarelo aos 12', num jogo difícil e tendo pela frente um extremo perigoso como Nusa poderia ter condicionado a sua ação, mas a maturidade revelada no que seria o resto da partida expôs aquilo que o melhor João Cancelo representa: um virtuoso, um fantasista que por acaso é um lateral-direito. Com Jorge Jesus tem ainda mais liberdade para criar e assumir o jogo e foi numa das suas primeiras iniciativas que Portugal ameaçou a baliza da Noruega, num remate forte e colocado aos 22' que obrigou o guarda-redes a defesa apertada. Mas seria já na segunda parte, aos 38', dois minutos depois do golo norueguês, que levantou o Dragão com um golo de bandeira. Um momento de inspiração que no caso dele não é por acaso. É um jogador fora da caixa a viver um grande momento de forma. Portugal agradece.

5 Diogo Costa — Não teve tanto trabalho quanto o que foi obrigado na Noruega, mas esteve sempre seguro nas intervenções, como a defesa aos 26' a remate de Nusa. Nada a fazer no golo de Ajer.

6 Rúben Dias — Travou duelos de uma intensidade extrema com o colega de equipa Erling Haaland e levou a melhor em quase todos. Não teve uma única falha de concentração.

6 Renato Veiga — Nível exibicional semelhante ao parceiro de setor: muitos combates aéreos com Haaland e saldo extremamente positivo. Esteve ainda perto do golo aos 65', num lance de bola parada.

6 Nuno Mendes — A enorme confiança que tem permite-lhe tentar o drible logo em zona recuada de construção. Desta vez nem sempre tudo lhe saiu bem, mas qualquer falha foi sempre compensada com uma extraordinária capacidade defensiva. Foi dele a assistência para Cancelo, com um lançamento lateral longo, preparado, cruzado. Como muitos que tem feito no PSG.

5 Palhinha — Missão cumprida numa luta intensa a meio-campo, também ele sujeito a duelos com Haaland. Recuou para central em momentos de construção e foi importante para subir a equipa em zonas de pressão.

6 Francisco Conceição — Nos momentos em que a Seleção precisava de explosão individual, ele deu-a, combinando bem com João Cancelo no flanco direito e assumindo os duelos no chão e junto à linha com um ou dois noruegueses ao mesmo tempo, desenhando muitos lances de perigo que por pouco não se traduziram em golo. Parece ter sofrido falta para penálti na parte final do jogo, já quando Portugal ganhava por 2-1, mas excedeu-se nos protestos e foi expulso com dois amarelos de seguida. Já sabe que tem um novo amigo italiano a rever na Serie A...

7 Vitinha — Se Portugal chegou à vitória muito se deve ao momento de inspiração do médio do Paris Saint-Germain, capaz de desenhar uma pintura de cores vivas no Dragão, palco onde tantas vezes se inspirou antes de conquistar os franceses. Notável o passe à entrada da área a descobrir João Félix nas costas de Ostigard: a distância para o avançado português era curta e curta era a distância de Félix para o central, pelo que só uma precisão de joalheiro conseguiria dominar o espaço e tempo daquela forma. É, em suma, um lance que define um jogador, cuja genialidade está a ser melhor explorada com Jorge Jesus. Detalhe: nunca deixou jogar Odegaard.

5 Bruno Fernandes — Fica diretamente ligado ao golo de Ajer, perdendo o duelo aéreo. Descaído para a esquerda, fez um jogo em que se lhe pediu mais sacrifício tático em prol da construção.

6 João Félix — Esperou o momento certo para decidir. Assistiu com delicadeza Gonçalo Ramos para o avançado fazer o 2-1. Jogo de entrega e de muito jogo entre as pernas adversárias. Sabe muito bem onde está o espaço.

6 Gonçalo Ramos — Duas tentativas, um golo. Um puro 9 que mais uma vez foi decisivo nos momentos de pressão.

6 Dalot — Rendeu João Cancelo. Seguro a defender, bom cruzamento (65') para Renato Veiga tentar o golo.

6 Rúben Neves — Importante no momento em que, perante a quebra física da Noruega, trouxe mais critério na primeira zona de construção.

- Bernardo Silva — Alguns minutos para trazer oxigénio e permitir uma grande ovação a Vitinha.

- Nuno Tavares — Para emprestar músculo no tudo ou nada norueguês.

- Trincão — Quase sem tempo para tocar a bola quando Portugal jogava em inferioridade numérica.

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