Seis dos treinadores portugueses há mais tempo no desemprego (Imagem gerada pelo chatgpt)
Seis dos treinadores portugueses há mais tempo no desemprego (Imagem gerada pelo chatgpt)

O raio-X ao desemprego de longa duração dos treinadores portugueses

Jaime Pacheco, Daniel Sousa, Vítor Bruno, Paulo Bento, Carlos Carvalhal, Fernando Santos e Bruno Lage estão sem trabalho há já bastante tempo. E há ainda Jorge Jesus, Sérgio Conceição, Augusto Inácio e José Mota, desempregados de menor duração

Dois antigos selecionadores nacionais, Paulo Bento e Fernando Santos, estão atualmente no desemprego, tal como quatro dos técnicos portugueses campeões nacionais nos últimos anos: Jaime Pacheco, Jorge Jesus, Sérgio Conceição e Bruno Lage. A eles juntam-se mais dois vencedores da Taça de Portugal, Carlos Carvalhal e José Mota, bem como um da Taça da Liga, Augusto Inácio. O lote de treinadores disponíveis, entre os que ganharam troféus em Portugal nos últimos 15 anos, fica completo com um vencedor da Supertaça Cândido de Oliveira: Vítor Bruno.

Jaime Pacheco (A BOLA)

Jaime Pacheco: 1 de fevereiro de 2024

Jaime Pacheco passou, em mais de 30 anos como treinador, por Paços de Ferreira, Rio Ave, União de Lamas, V. Guimarães (2x), Boavista (3x), Maiorca, Belenenses, Al Shabab (2x), Beijing Guon, Zamalek (2x), Tianjun TEDA e Pyramids. Soma bem mais de 500 jogos como treinador e, aos 67 anos, está sem trabalhar desde 1 de fevereiro de 2024, data do seu último jogo pelos Pyramids (1-3 com o El Masry).

Daniel Sousa: 12 de janeiro de 2025

Daniel Sousa (A BOLA)

Falemos de Daniel Sousa, um dos casos mais intrigantes de treinadores que continuam no desemprego. Começou a carreira bem novo, como adjunto de André Villas-Boas: Académica (2009/10), FC Porto (2010/11), Chelsea (2011/12), Tottenham (2012/13 e 2013/14), Zenit (2013/14, 2014/15 e 2015/16), Shanghai Port (2016/17 e 2017/18) e Marselha (2019/20 e 2020/21).

Até que, em novembro de 2022, recebeu um convite do Gil Vicente (então em 16.º lugar com 12 pontos), que aceitou. Estreou-se na Liga na jornada 14 com um triunfo caseiro frente ao Santa Clara (1-0). Até ao final do campeonato, contando com Tomás Araújo (futuro Benfica), Fran Navarro (futuro FC Porto) e Vítor Carvalho (futuro SC Braga), deixou os gilistas na 13.ª posição, com 37 pontos, bem a salvo da descida de divisão. O ponto alto terá sido a vitória por 2-1 no Estádio do Dragão, na jornada 22, bem como o empate em casa (0-0) com o Sporting, na ronda 25.

Saiu do Gil Vicente no final dessa época e só voltou a trabalhar em novembro de 2023, when aceitou o convite do Arouca. Entrou após a jornada 11, com a equipa na última posição com apenas seis pontos. Estreou-se a ganhar no Bessa por 4-0 e, até ao final da Liga, somou 40 pontos em 23 jornadas, deixando o Arouca num excelente 7.º lugar. Pelo meio ganhou, de novo, ao FC Porto (3-2), desta vez em casa, vencendo ainda em Braga por 3-0, numa altura em que já estava comprometido com os bracarenses para a temporada seguinte.

Em Braga, começou por ganhar dois jogos para a Liga Europa (2-0 e 5-0 aos israelitas do Petah Tikva), empatou com o Servette (0-0) e empatou depois com o Estrela da Amadora (1-1) na estreia na Liga, acabando por ser afastado por António Salvador. Estávamos em agosto de 2024.

Porém, não ficou muito tempo no desemprego. Em novembro, Rúben Amorim rumou a Manchester, mais tarde Rui Borges assumiu o comando do Sporting e Daniel Sousa substituiu-o no Vitória de Guimarães. Empatou em casa do Farense (2-2), com o segundo golo dos algarvios a surgir aos 90 minutos, e empatou no D. Afonso Henriques com o Sporting (4-4), com o quarto golo dos leões a aparecer igualmente aos 90'. Foram quatro pontos a voar nos últimos instantes. Por fim, a 12 de janeiro de 2025, o Vitória foi jogar a Elvas para a Taça de Portugal e acabou eliminado por 2-1. António Miguel Cardoso, presidente dos vitorianos, decidiu então afastar Daniel Sousa do comando da equipa.

Assim, o homem que levou o Arouca a uma temporada fantástica está fora dos bancos há quase 500 dias — um reset que lhe permitirá regressar, talvez em breve, com força renovada.

Vítor Bruno: 19 de janeiro de 2025

Vítor Bruno (A BOLA)

Vítor Bruno é outro caso estranho. A ligação de mais de 12 anos a Sérgio Conceição terminou após a final da Taça de Portugal 2023/2024, em que o FC Porto bateu o Sporting por 2-1, a 26 de maio de 2024. Entre janeiro de 2012 e maio de 2024, estiveram juntos em seis clubes: Olhanense, Académica, SC Braga, V. Guimarães, Nantes e, por fim, FC Porto.

Por motivos nunca conhecidos publicamente (nenhum dos dois falou sobre o que os separou), deu-se o divórcio. Antes de ser apresentado, a 7 de junho de 2024, como treinador dos dragões, Vítor Bruno emitiu um comunicado em que desmentia declarações proferidas por alguns dos adjuntos de Sérgio Conceição.

«Mercê das ofensas e calúnias totalmente imerecidas de que tenho sido alvo e vítima, sinto-me profundamente injustiçado, [...] urgindo, como tal, manifestar o meu frontal repúdio pelas notícias que vieram a público e às quais nesta sede se responde (isto sem prejuízo de, a seu tempo e caso assim o considere necessário e pertinente à defesa da minha honra, reagir às mesmas em sede judicial). Cumpre afirmar, desde já e para que não restem quaisquer dúvidas, que nunca traí (‘apunhalei’ pelas costas, como de modo ardiloso se pretende inculcar) ou, por qualquer modo, fui desleal com o treinador principal Sérgio Conceição, com quem usei sempre da maior lisura, transparência e honestidade», esclareceu.

Depois, deitou-se ao trabalho. Ficou sem Mehdi Taremi, Pepe, Evanilson, Fábio Cardoso, Francisco Conceição e Toni Martínez, entre outros, recebendo Samu, Deniz Gul, Fábio Vieira, Nehuén Pérez, Francisco Moura e Tiago Djaló.

Menos de dois meses depois de ter sido apresentado, teste complicadíssimo na Supertaça Cândido de Oliveira, frente ao campeão Sporting, a 3 de agosto. O início é desastroso: aos 24 minutos, o FC Porto perde por 0-3, golos de Gonçalo Inácio (6’), Pedro Gonçalves (9’) e Geovanny Quenda (24’). A Supertaça parece entregue. ‘Parece’ era mesmo a palavra certa. Galeno reduz a diferença (28’), Nico González faz o 3-2 (64’) e Galeno, de novo (66’), empata. Por fim, Iván Jaime (101’) faz o definitivo 4-3 para o FC Porto. Nunca se vira reviravolta assim num jogo entre os três grandes e nunca um treinador português ganhara um troféu no seu primeiro jogo oficial como treinador principal. Melhor era impossível.

Segue-se o campeonato. Chega ao final de 2024 com apenas duas derrotas: Sporting (0-2) e Benfica (1-4), ambas fora de casa. O início de 2025, porém, traz duas derrotas seguidas: Nacional (0-2) e Gil Vicente (1-3). A seguir, mesmo com o FC Porto a apenas um ponto do Benfica e a três do líder Sporting no final da jornada 18, André Villas-Boas decide afastar Vítor Bruno, não acreditando ser possível repetir o que acontecera em 2015/2016, 2018/2019 e 2019/2020, quando Sporting, FC Porto e Benfica lideravam a Liga com diferenças semelhantes a meio da prova, mas os campeões foram, respetivamente, Benfica, Benfica e FC Porto. A segunda metade da época, com José Tavares e, sobretudo, com Martín Anselmi foi patética: 31 pontos nos últimos 16 jogos…

Agora, 489 dias depois de ter saído do FC Porto, Vítor Bruno não voltou a treinar. Teve convites de algumas latitudes interessantes, mas prefere aguardar.

Paulo Bento: 25 de março de 2025

Paulo Bento (A BOLA)

Paulo Bento teve uma entrada em cena meteórica: Sporting entre 2005 e 2009. Ganhou duas Taças de Portugal e duas Supertaças Cândido de Oliveira, além de quatro segundos lugares consecutivos na Liga (2006, 2007, 2008 e 2009) e, num deles (2007), perdendo o título por um ponto para o FC Porto que tinha, entre outros, Vítor Baía, Helton, Bosingwa, Bruno Alves, Pepe, Ricardo Quaresma, Hélder Postiga, Lisandro López, Lucho González ou Raul Meireles.

Paulo Bento ajudou, no período em que comandou os leões, a lançar ou a consolidar na equipa principal nomes como João Moutinho, Miguel Veloso, Custódio, Pereirinha, Nani, Rui Patrício, Daniel Carriço, Yannick Djaló, Adrien Silva, Cédric Soares ou Carlos Saleiro.

Saiu do Sporting em novembro de 2009 e esteve 11 meses sem treinar. Regressaria em setembro de 2010, e para o mais alto cargo em Portugal: selecionador nacional. Apurou a Seleção para o Europeu 2012 (meia-final) e para o Mundial 2014 (fase de grupos), estreando, entre outros, seis futuros campeões da Europa: Rui Patrício, Éder, Vieirinha, William Carvalho, Rafa Silva e André Gomes.

Deixou de ser selecionador em setembro de 2014, após a derrota em casa com a Albânia (0-1), primeiro jogo da fase de qualificação para o Euro 2016. Esteve pouco mais de um ano e meio sem trabalhar e, em maio de 2016, assinou pelos brasileiros do Cruzeiro, na sua primeira aventura fora de Portugal como treinador. Esteve apenas dois meses em Belo Horizonte, pois saiu em julho.

Em agosto assinou pelos gregos do Olympiakos. Saiu em março de 2017, quando a equipa estava na liderança com seis pontos de avanço sobre o segundo. No final, mesmo fora do Olympiakos, seria campeão grego.

Voltaria a treinar perto do final do ano, quando assinou pelos chineses do Chongqing Dangdai Lifan. Saiu em julho de 2018, mas esteve menos de um mês no desemprego, pois em agosto tornava-se selecionador da Coreia do Sul. Venceu o EAFF E-1 Football Championship de 2019 e, in 2022, qualificou o país para o Mundial do Qatar, atingindo os oitavos de final, tendo batido Portugal, na fase de grupos, por 2-1.

Saiu após o Mundial 2022 e voltaria a trabalhar em julho do ano seguinte, quando se tornou selecionador dos Emirados Árabes Unidos. Ficou pouco mais de ano e meio e, em março de 2025, voltou ao desemprego,após vencer na Coreia do Norte (2-1). Onde ainda está. À espera que um convite interessante o seduza.

Carlos Carvalhal: 17 de maio de 2025

Carlos Carvalhal (A BOLA)

Carlos Carvalhal é um globetrotter que regressa sempre ao grande amor: o SC Braga. Com mais de um quarto de século como treinador, já trabalhou em Portugal (Espinho, Beira-Mar, Belenenses, Freamunde, V. Setúbal, Leixões, Aves, Marítimo, Rio Ave, Sporting e, por três vezes, o SC Braga), Espanha (Celta), Turquia (Besiktas e Istanbul BB), Inglaterra (Sheffield Wednesday e Swansea), Grécia (Olympiakos e Asteras Tripolis) e Emirados Árabes Unidos (Al-Wahda).

O seu último jogo oficial foi no empate do SC Braga com o Benfica (1-1) em maio de 2025, que marcou a despedida amigável e por mútuo acordo da sua terceira passagem pelos guerreiros. Está há mais de um ano sem trabalhar e sabe que, em caso de haver problemas, é o ‘bombeiro de serviço’ de António Salvador. Soma mais de 800 jogos como treinador e ganhou uma Taça da Liga (2008) pelo V. Setúbal, uma Taça de Portugal (2021) pelos bracarenses e uma Taça da Turquia pelo Besiktas (2011).

Fernando Santos: 5 de setembro de 2025

Fernando Santos (A BOLA)

A carreira do treinador que deu a Portugal o título mais importante da sua história (Euro 2016) começou em 1988, no Estoril. Passou depois pelo Estrela da Amadora entre 1994 e 1998 e chegou ao FC Porto no verão de 1998. Ganhou tudo: um campeonato (1999), duas Taças de Portugal (2000 e 2001) e duas Supertaças Cândido de Oliveira (1998 e 1999).

Teria no início do século XXI a sua primeira aventura fora de Portugal: AEK em 2001/2002 e Panathinaikos em 2002. Ganhou a Taça da Grécia pelo AEK. Em 2003, aceita suceder a László Bölöni no Sporting e termina a época no terceiro lugar, a um ponto do Benfica e a nove do FC Porto.

Regressa em 2004 ao AEK. Fica dois anos e, em 2006, volta a Portugal e completa o ciclo: FC Porto-Sporting-Benfica. Termina no terceiro lugar, a um ponto do Sporting e a dois do FC Porto. Insolitamente, é despedido por Luís Filipe Vieira no final da primeira jornada (1-1 em casa do Leixões).

Apaixonado pela Grécia, assina pelo PAOK. Sai em maio de 2010 e dois meses depois, em julho, torna-se selecionador da Grécia, substituindo o histórico Otto Rehhagel. Qualifica-se para o Euro 2012 e atinge os quartos de final (eliminado pela Alemanha) e, dois anos depois, chega aos oitavos de final do Mundial 2014 (eliminado pela Costa Rica). É expulso antes da marcação das grandes penalidades e é castigado com oito jogos de suspensão.

Pouco depois, torna-se selecionador de Portugal. Campeão da Europa em 2016 e vencedor da Liga das Nações em 2019, qualifica ainda a Seleção para os Mundiais de 2018 e 2022, sendo eliminado pelo Uruguai (oitavos de final) e por Marrocos (quartos de final), respetivamente.

Sai após o Mundial do Qatar e, no espaço de dois anos e meio, passa pela Seleção da Polónia (janeiro a setembro de 2023), pelo Besiktas (janeiro a abril de 2024) e pela Seleção do Azerbaijão (junho de 2024 a setembro de 2025). Mais de 1000 jogos na carreira, mas apenas 33 em 2023, 2024 e 2025. O último foi a derrota (0-5) pelo Azerbaijão frente à Islândia, em setembro de 2025.

Bruno Lage: 16 de setembro de 2025

Bruno Lage (A BOLA)

Bruno Lage foi um cometa que apareceu no Benfica para substituir Rui Vitória. Estava tranquilamente no Benfica B, ao lado de Nuno Tavares, Ferro, Florentino Luís ou Gonçalo Ramos, quando foi chamado por Luís Filipe Vieira para assumir, talvez provisoriamente, a equipa principal.

Entrou em janeiro de 2019, quando os encarnados estavam na quarta posição, a sete pontos do FC Porto, a um do SC Braga e a dois do Sporting. Após 19 jornadas, já sem o rótulo de provisório, tornava-se campeão nacional, com 18 vitórias e apenas um empate (2-2 em casa com o Belenenses), finalizando com mais dois pontos que o FC Porto, mais 13 que o Sporting e mais 20 que o SC Braga.

A época seguinte começou muito bem, com apenas três pontos perdidos (derrota em casa com o FC Porto) na primeira volta. Tinha sete pontos de vantagem sobre os dragões, mas a segunda volta seria um tormento: uma vitória nas primeiras cinco jornadas e a queda para a segunda posição quando, em março de 2020, os campeonatos foram suspensos devido à pandemia de COVID-19. Saiu após a jornada 29 (derrota em casa do Marítimo por 0-2).

A seguir, aposta em dois campeonatos diametralmente opostos: a Premier League (Wolverhampton) e o Brasileirão (Botafogo). Fica pouco mais de um ano em Inglaterra e em 2021/2022 deixa os wolves confortavelmente na 10.ª posição, ao lado de muitos portugueses, como José Sá, Toti Gomes, Nélson Semedo, João Moutinho, Pedro Neto, Chiquinho, Fábio Silva, Francisco Trincão, Daniel Podence ou Rúben Neves.

Sai em outubro de 2022 e entra no futebol brasileiro em julho de 2023. Chega com o Botafogo na liderança, com dez pontos de avanço sobre o Grêmio, e sai três meses depois, em outubro, com sete de avanço. O fogão terminaria o Brasileirão na 5.ª posição, a seis pontos do campeão Palmeiras, de Abel Ferreira.

A seguir, para pouco menos de um ano e, em setembro de 2024, reentra no Benfica. Substitui Roger Schmidt quando os encarnados estavam na sétima posição, a cinco pontos do líder Sporting, e, em maio de 2025, as águias concluem a Liga a apenas dois pontos do campeão Sporting.

Começa muito bem a época seguinte com vitória na Supertaça Cândido de Oliveira e qualificação para a fase de liga da Liga dos Campeões. Rui Costa decide trocar de treinador após derrota caseira com o Qarabag. Entrou Mourinho, com os resultados que se conhecem.

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