«O primeiro milhão deixei-o no banco»
Se na pista as coisas não estão a correr como seria esperado - é quinto classificado no Mundial, a 36 pontos do líder o italiano Marco Bezzecchi - , fora dos circuitos Marc Márquez não se pode queixar. O espanhol campeão do Mundo de MotoGP surgia como o quarto desportista espanhol mais bem pago, com um património estimado em mais de 80 milhões antes de rumar à Ducati, - atrás do tenista Rafael Nadal (310 milhões de euros) e dos futebolistas Iniesta e Sergio Ramos (100 milhões cada), mas
Com o nono título conquistado na época passada, o seu salário ultrapassa os 17 milhões de euros, mas o piloto de 33 anos não de seixa deslumbrar. «O primeiro milhão deixei-o no banco», revelou num podcast.
Marc Márquez, um dos pilotos mais bem-sucedidos da história do MotoGP, revelou a sua filosofia de gestão financeira, destacando que a prioridade foi sempre a competitividade desportiva em detrimento do dinheiro. O piloto de Cervera, que construiu um património considerável, mantém uma abordagem pragmática tanto na carreira como nas finanças.
Um momento decisivo na sua carreira ocorreu em 2013, quando, com apenas 20 anos, conquistou o seu primeiro título mundial de MotoGP. Foi nessa altura que começou a contar com o apoio de um advogado e de um contabilista para gerir os seus ganhos. Apesar de ter recebido um bónus de um milhão de euros, Márquez recorda o conselho que recebeu: «Parece muito, mas é pouco, deixa-o no banco». O piloto explicou que, após deduzidos os impostos, pagamentos ao manager e outras despesas, o valor líquido era substancialmente menor.
A mentalidade de Márquez sempre privilegiou o desempenho. «Quando chegas ao Mundial, o que procuras: o dinheiro ou a melhor mota?», questiona, antes de partilhar a lição que aprendeu: «Disseram-me: ‘Procuramos a melhor mota, porque o verdadeiro dinheiro ganha-se no MotoGP’». Esta filosofia guiou as suas decisões, como a recente escolha de abdicar do contrato com a Honda em 2024 para competir com uma Ducati na equipa privada Gresini.
Atualmente, o património do piloto espanhol assenta em duas fontes principais: os rendimentos provenientes do MotoGP, incluindo salários e bónus, e os investimentos imobiliários. Um dos seus ativos mais valiosos é uma propriedade com cerca de 1300 metros quadrados em Pozuelo de Alarcón, nos arredores de Madrid, avaliada em aproximadamente dez milhões de euros. «Mas é um investimento. É bom que também a esteja a desfrutar, mas não perdi o dinheiro, está ali. A casa está paga», esclarece.
Apesar do sucesso financeiro, Márquez afirma que o seu estilo de vida não se alterou. «Tenho a sorte de o dinheiro não ter mudado o meu estilo de vida», sublinha. «Com os meus amigos, divirto-me da mesma forma em qualquer lugar, não preciso de me exibir».
No que toca a questões fiscais, o piloto é categórico quanto à sua situação. «Sou um trabalhador independente, não sou uma empresa. Por isso, declaro como trabalhador independente porque, caso contrário, eles vêm e… Não quero acabar nos jornais», concluiu.