Sporting festeja título de voleibol (foto: Miguel Nunes)
Sporting festeja título de voleibol (foto: Miguel Nunes)

O paradigma de Alvalade

«Sou do tamanho do que vejo», espaço de opinião da jornalista Edite Dias

Quase ao mesmo tempo que Edson Valencia & companhia faziam a festa do título de campeão no João Rocha, com o capitão Tiago Pereira a recordar a um pavilhão cheio de adeptos felizes — depois de mais uma vitória implacável frente ao inimigo preferido — que a equipa de voleibol conquistou o triplete, algo que não acontecia há 23 anos, no reino da Dinamarca, a equipa de andebol do Sporting não escondia a desilusão por ter perdido por um golo a hipótese de concretizar o sonho de estar na final four da Liga dos Campeões. Há três dias, o basquetebol verde e branco derrotou o tetracampeão, o Benfica, na final da Taça Hugo dos Santos e o hóquei em patins joga esta noite a presença na final four da Champions e está vivo na discussão do título, que será decidida no play-off.

Na mesma época, os leões chegaram às decisões de praticamente tudo nas modalidades, com presença nas finais da Taça de Portugal em seis modalidades.

No andebol, o Sporting voltou a estar entre os oito melhores da Europa pelo segundo ano consecutivo. Não pode ser um acaso. É um padrão que Ricardo Costa tem vindo a construir, com a qualidade e a ambição que transportou dos seus tempos de jogador. Depois de ter conquistado o tricampeonato, disse uma coisa muito interessante: «Está na hora de deixar de sonhar e começar a concretizar os sonhos». Ainda não foi desta, mas esteve quase.

Durante anos, o discurso sobre o Sporting, e do próprio clube, era intermitente. Hoje, já não é assim. As equipas nas modalidades conquistaram o direito a ser olhadas com admiração pelos adeptos, de lado pelos rivais e com respeito pelos adversários.

E é provavelmente por isto que o critério vai subir. É que se o elogio explica o caminho, a exigência define o próximo passo.

Quando o voleibol leonino ganhou a Taça de Portugal, o seu discreto treinador, João Coelho, lamentou a prestação na Champions, que terminou na primeira fase. Tal como os jogadores.

Tenho para mim que além do trabalho, do talento e de alguma sorte, que faz parte de tudo na vida e o desporto não é exceção, o Sporting tem um novo denominador comum nas modalidades: a coragem de assumir que quer ganhar.

Não ganha sempre? Não, claro que não. Mas o sucesso de tantos, tantas vezes não é coincidência. É consequência.

Mas se isto é muito difícil de construir — e é seguramente — é ainda muito mais difícil de sustentar.

O Sporting construiu uma base competitiva sólida, transversal e coerente. Isso é inegável. Só que essa base não pode servir de almofada. Tem de ser plataforma.

E é precisamente por isso que o momento é interessante.

Porque já não se vai discutir se o Sporting consegue chegar lá. Isso parece resolvido. Vai discutir-se se consegue impor-se.

Ontem, na Dinamarca, o andebol saiu de pé e merece aplausos, até porque chegou à Champions há dois anos!

Mas, um novo paradigma está a instalar-se em Alvalade.

O sucesso já não vai ser medido pela presença nos momentos altos, mas sim pela forma como acabam esses momentos e como se sai deles, quando não se ganha.

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