Bayern é o bicampeão em título - Foto: IMAGO
Bayern é o bicampeão em título - Foto: IMAGO

O monstro precisa de concorrência: arranca a Bundesliga 2026/27

Bayern parte como claro favorito à conquista da prova pela 14.ª vez nos últimos 15 anos. Êxodo de talento de topo compensado com nova fornada que também fala português e quer surpreender

Como é que se luta contra um monstro que, a cada ano, parece cada vez mais indestrutível?

Esta pergunta deve ecoar na mente dos principais concorrentes do Bayern na antecâmara da edição 2026/27 da Bundesliga. Os bávaros conquistaram 13 das últimas 14 edições da prova e só o Bayer Leverkusen conseguiu interromper o domínio impressionante, em 2023/24.

Os bicampeões em título dão o pontapé de saída na 63.ª edição da Bundesliga diante do Estugarda, em casa, esta noite (19h30) três meses depois de terem derrotado o mesmo conjunto na final da Taça da Alemanha (3-0). Os comandados de Vincent Kompany começaram a presente temporada da mesma forma que tinham terminado a anterior: a festejar. O Bayern levou para Munique a Supertaça alemã após ter derrotado o Borussia Dortmund (2-1).

O primeiro golo da temporada teve a assinatura de um dos reforços sonantes para a presente temporada. Nathaniel Brown brilhou na ala esquerda do Eintracht Frankfurt na temporada passada, mas foi no corredor central que deixou bons sinais na estreia pelos bávaros.

O internacional germânico de 23 anos custou 50 milhões de euros, à semelhança de Ismael Saibari. O avançado de 25 anos trocou o PSV pela Baviera após uma grande temporada nos Países Baixos (19 golos e 10 assistências em 37 jogos) e um Mundial de alto nível (três tentos em cinco partidas). O internacional marroquino, que pode atuar como médio ofensivo ou ponta de lança, eleva o nível das segundas linhas de um ataque diabólico.

50 milhões de euros foi quanto custou Saibari ao Bayern, contratado ao PSV Eindhoven
50 milhões de euros foi quanto custou Saibari ao Bayern, contratado ao PSV Eindhoven

Harry Kane (61 golos), Luis Díaz (26 golos e 19 assistências) e Michael Olise (21 golos e 26 assistências) foram os principais obreiros de uma época históricamente produtiva dos bávaros, que fixaram novo recorde de golos marcados (122) na Bundesliga. Os comandados de Kompany sagraram-se campeões em meados de abril, averbaram apenas uma derrota e terminaram a prova com 16 pontos de vantagem para o segundo classificado, Borussia Dortmund.

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Replicar os números individuais e coletivos estratosféricos da última época é o principal desafio para quem o domínio interno é obrigatório e não basta. A conquista da Champions pela primeira vez desde 2020 é objetivo assumido.

A profundidade do plantel neste início de época levanta dúvidas. Lennart Karl está na fase final da recuperação de uma lesão na coxa esquerda que o tirou do Mundial-2026, enquanto Jamal Musiala falhou a Supertaça após ter desmaiado em dois duelos de pré-época, devido a uma disfunção neurológica.

O plantel bávaro perdeu, ainda assim, apenas três peças de relevo médio: Raphael Guerreiro e Leon Goretzka, que terminaram contrato, e Nicolas Jackson, que regressou ao Chelsea após uma temporada de empréstimo. Os excedentários João Palhinha (Benfica) e Bryan Zaragoza (Espanhol) também abandonaram um clube, após longos processos negociais.

A última dança de uma lenda das balizas?

A aposta gradual em jovens talentos, à semelhança do que aconteceu com Karl na temporada passada, pode ser a solução para gerir todas as frentes ao longo da temporada. E nem a baliza deve escapar à rotação.

Manuel Neuer fez jus ao estatuto lendário que adquiriu ao longo da carreira e defendeu-se antes da época começar. O guardião de 40 anos admitiu a probabilidade bastante elevada de pendurar as botas no final desta temporada. «Desta vez, parece que me vou mesmo retirar», revelou a 29 de julho.

Neuer esteve perto de se reformar já este verão, mas decidiu renovar contrato com o Bayern até junho de 2027. O lendário guardião já se despediu definitivamente da seleção alemã, após ter interrompido a primeira reforma internacional para disputar o Mundial-2026.

As exibições intermitentes na América do Norte levantam dúvidas sobre a disponibilidade física de Neuer para segurar o estatuto de indiscutível na (muito provável) última dança nos bávaros. Jonas Urbig, de 23 anos, está à espreita, mas a história ainda entra em campo.

O duelo contra o Estugarda pode ser o 600.º de Neuer com a camisola do clube que representa desde 2011. O campeão do Mundo em 2014 só precisa de disputar 13 partidas na presente edição da Bundesliga para ultrapassar o lendário Oliver Kahn e terminar a carreira no pódio de jogadores com mais desafios disputados na história da prova.

Quem consegue perseguir o Bayern?

O investimento forte dos principais opositores do Bayern pode antecipar uma corrida mais intensa. Mas será que é suficiente para derrotar o monstro?

O Borussia Dortmund investiu mais de 100 milhões de euros para tentar diminuir o fosso para o principal rival. O peso das perdas de Karim Adeyemi para o Barcelona e de Julian Brandt para o Ajax foi mitigado pela aquisição de talento jovem que pode ter impacto imediato.

As transferências mais caras deste verão

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O criativo Giannis Konstantelias, de 23 anos, e o extremo Konstantinos Karetsas, de apenas 18, acrescentam virtuosismo e qualidade técnica no último terço a um ataque que continua a contar com Fábio Silva. Niko Kovac comanda uma equipa que parte para a nova temporada, teoricamente, com mais qualidade e soluções.

Ao contrário do Dortmund, o Bayer Leverkusen mudou de comandante durante o verão após uma temporada atribulada no pós Xabi Alonso. Carles Martínez chega aos farmacêuticos com a responsabilidade de devolvê-los à Champions após um trabalho notável do Toulouse.

Talento individual abunda em Leverkusen, ainda mais após a contratação do Afonso Moreira. O extremo luso traz imprevisibilidade e poder de fogo ao ataque. A saída de Alejandro Grimaldo para Madrid foi compensada com a chegada do compatriota Miguel Gutiérrez. Facundo Medina acrescenta solidez no centro de uma defesa onde pontificam Quansah e Tapsoba.

Leipzig e Eintracht Frankfurt, agora comandados por Martín Demichelis e Adi Hutter, respetivamente, também podem entrar nas contas da perseguição. O clube da esfera da Red Bull apostou no antigo central para comandar um projeto que perdeu a estrela Yan Diomande para o Real Madrid, mas recuperou outra.

A filosofia alemã

A Bundesliga tem talento para dar e vender (caro). A aposta em jovens jogadores, quer dos escalões de formação, quer a partir de um recrutamento sagaz e acessível, tem dado frutos bastantes rentáveis para os clubes alemães. O top-3 das maiores vendas para o estrangeiro neste defeso é composto na totalidade por jogadores com menos de 21 anos: Yan Diomande (19), Johan Manzambi (20) e Bazoumana Touré (20). O extremo costa-marfinense do Real Madrid é o expoente máximo do modelo de negócio germânico. O Leipzig comprou-o por 25 milhões de euros ao Leganés, no verão de 2025, e vendeu-o por €125M um ano depois, após uma época de alto nível no clube (13 golos e 9 assistências em 36 jogos).

Christopher Nkunku regressou ao clube por empréstimo do Milan, de Rúben Amorim, que não contava com ele. O internacional francês assinou 70 golos e 46 assistências em 172 jogos ao serviço do Leipzig, entre 2019 e 2023.

Já o Eintracht apostou no regresso de um técnico que comandou o clube entre 2018 e 2021, após ter falhado o acesso às competições europeias.

O Estugarda é, ainda assim, o primeiro conjunto a desafiar o campeão, na busca por um rasgo de surpresa numa luta cada vez mais previsível.

Portugueses no topo da pirâmide

O topo da Bundesliga fala português. Bayern (David Santos Daiber), Borussia Dortmund (Fábio Silva) e Estugarda (Tiago Tomás), ocupantes do top-4 na última temporada, contam com representação lusa. O Bayer Leverkusen juntou-se à festa com apresentação do primeiro jogador português da história do clube.

Afonso Moreira custou cerca de 30 milhões de euros aos farmacêuticos após ter explodido em Lyon com 8 golos e 10 assistências em 37 jogos. Há dois anos disputava a Liga 3, hoje em dia é uma das caras da nova versão do Bayer na luta pelo regresso à Champions.

O extremo luso é uma das caras novas lusas para a nova temporada, à semelhança de Gil Neves. O campeão europeu sub-17 por Portugal trocou o Benfica pelo Colónia. Rodrigo Ribeiro já conhece os cantos à Bundesliga. O Augsburgo acionou a cláusula de compra no valor de €5M, após o avançado de 21 anos ter representado o clube na segunda metade da época passada por empréstimo do Sporting.

No total, a Bundesliga conta, neste momento, com sete jogadores lusos. Tiago Tomás é quem disputa a prova há mais tempo (cinco temporadas). Daniel Heuer Fernandes continua no Hamburgo, ao contrário de Fábio Vieira, que regressou ao Arsenal e Fábio Baldé, novo extremo do Estrasburgo.

O verão ficou marcado pela saída de pesos pesados lusos na Bundesliga. Raphael Guerreiro terminou contrato com o Bayer e deixou o campeonato que representava desde 2016, enquanto Diogo Leite abandonou o Union Berlim após quatro anos no clube.

O estreante e o histórico de volta

As equipas recém-promovidas à Bundesliga trazem (muitas) histórias para contar.

O Schalke 04 regressa à elite três anos depois, com o estatuto de campeão. Os mineiros avançam para a 55.ª participação na Bundesliga com uma velha raposa na frente de ataque. Edin Dzeko, com 40 anos, vai disputar a Bundesliga pela primeira vez desde 2010, depois de já ter deixado marca no segundo escalão, na segunda metade da temporada passada.

O avançado bósnio já bisou esta temporada, na vitória do Schalke na estreia na Taça da Alemanha diante do Hallescher (5-2). Robin Gosens e Loris Karius também integram o plantel de um histórico se quer voltar a estabilizar na elite.

O Schalke terminou a última edição da Bundesliga 2 no topo, à frente do Elversberg. O segundo lugar foi suficiente para que a história acontecesse. O emblema da vila de Spiesen-Elversberg, com apenas 13 mil pessoas, militava no quarto escalão alemão.

O Elversberg assegurou a subida inédita à elite, ao fim de apenas três épocas na Bundesliga 2. A ascensão meteórica obrigou à remodelação do humilde recinto, que tem agora capacidade para 15 mil espectadores, mais 2 mil do que número total de habitantes. Seguem-se dois testes de fogo a abrir em casa, contra Bayer Leverkusen, na primeira jornada, e o Bayern, na terceira.

Quem também subiu à elite foi o Paderborn, que derrotou o Wolfsburgo no play-off. Esta será a primeira edição da Bundesliga sem os lobos desde 1996/97.

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