O clique no autocarro e o espírito à Porto: Cláudio Ramos explica como a equipa se reencontrou após o Casa Pia
Cláudio Ramos deu uma entrevista de fundo aos canais de comunicação do FC Porto. O guarda-redes recorda um dos momentos que mais o marcou esta época, a primeira derrota na Liga, contra o Casa Pia, por 2-1. Essa desilusão acabou por reforçar o espírito de grupo.
«Acho que a derrota no Casa Pia foi incrível porque chegámos ao autocarro e juntámo-nos — e isso já não é muito comum hoje em dia. Antigamente a malta acabava o jogo e ficava a conversar ou a jogar cartas, agora é cada um com o seu tablet ou os seus fones», começou por contar.
Acho que a derrota no Casa Pia foi incrível porque chegámos ao autocarro e juntámo-nos — e isso já não é muito comum hoje em dia. Antigamente a malta acabava o jogo e ficava a conversar ou a jogar cartas, agora é cada um com o seu tablet ou os seus fones
Mas naquela noite, algo foi diferente: «Senti realmente que a malta chegou lá em cima, sentámo-nos e começámos a falar do jogo. A palavra-chave era: ‘Não podemos entrar em pânico porque perdemos um jogo’. Somos a mesma equipa que estava há vários jogos sem perder, que tinha muitas balizas a zero e que liderava o campeonato. Por isso, não havia motivo para pânico.»
Quando ficas a pensar demasiado numa derrota, crias ansiedade e nervosismo. E, sinceramente, senti ali que no jogo seguinte íamos dar uma boa resposta, só por aqueles minutinhos no autocarro em que toda a gente participou na conversa
O guarda-redes sublinha que esse momento de união foi decisivo para a resposta imediata da equipa: «Dissemos que amanhã seria outro dia, que íamos voltar ao trabalho e preparar o próximo jogo. É essa a mentalidade: perdemos um jogo, acontece, mas não ficamos presos a isso. Quando ficas a pensar demasiado numa derrota, crias ansiedade e nervosismo. E, sinceramente, senti ali que no jogo seguinte íamos dar uma boa resposta, só por aqueles minutinhos no autocarro em que toda a gente participou na conversa. Foi um sinal de que temos — e continuamos a ter — uma grande equipa, apesar dos maus resultados que possam surgir.»
A exigência do Dragão
Confrontado com o ambiente único do Estádio do Dragão, onde por vezes os adeptos se mostram impacientes mesmo com a equipa em vantagem, Cláudio Ramos revelou como os mais experientes ajudam a preparar os novos jogadores para essa realidade.
No ano passado os adeptos até tinham razão para assobiar, mesmo quando ganhávamos por um golo de diferença. Este ano, não têm
«É curioso, porque no ano passado os adeptos até tinham razão para assobiar, mesmo quando ganhávamos por um golo de diferença. Este ano, não têm», admitiu com um sorriso. «Mas é algo que nós falamos muito. Mesmo tendo sido recebidos tantas vezes em festa pelos adeptos, nós, os mais velhos, alertamos os colegas: ‘Cuidado, são os mesmos que estão aqui agora a apoiar e que também virão cobrar se correr mal’.»
Para o guarda-redes, isso faz parte da identidade portista: «Os adeptos do FC Porto gostam que a equipa esteja sempre a atacar, sempre em cima do adversário. É um público exigente, mas apaixonado, que vive o jogo intensamente. Celebram tanto um golo como uma boa recuperação de bola, e isso também nos puxa para dar mais.»
«Farioli é um treinador à Porto»
A terminar, Cláudio Ramos elogiou o trabalho de Francesco Farioli, reforçando que o treinador italiano se encaixou perfeitamente na filosofia do clube.
«O mister Farioli tem muito mérito. Ele não tentou moldar o que é o FC Porto, procurou antes conhecer o clube e adaptar-se à sua identidade», destacou. «Não o conhecia antes, mas hoje digo que é um treinador à Porto pela forma como trabalha, pela intensidade, pela dedicação e até pela maneira como fala connosco e prepara os jogos.»
Farioli não tentou moldar o que é o FC Porto, procurou antes conhecer o clube e adaptar-se à sua identidade
O guardião acredita que a ligação do treinador à estrutura também tem sido determinante: «Ele rodeou-se de pessoas que sabem exatamente o que é ser do FC Porto — o Castro, o Lucho… O Lucho, então, conhece o clube como poucos e consegue transmitir ao mister o que realmente significa jogar aqui. No outro dia, antes de irmos à Madeira, o mister já sabia o que íamos enfrentar: o tempo, a viagem, as dificuldades. Isso mostra que está preparado para a liga portuguesa e para aquilo que o FC Porto representa.»
Artigos Relacionados: