Francesco Farioli e José Mourinho no 0-0 do Dragão (Miguel Lemos/ Kapta+)
Francesco Farioli e José Mourinho no 0-0 do Dragão (Miguel Lemos/ Kapta+)

Nós amamos mesmo estes gajos!

José Mourinho lançou a ideia e A BOLA foi atrás. Amamos Rodrigo Mora e Sudakov; Froholdt e Aursnes; Bednarek e Dedic; Alberto Costa e Prestianni; Samu e Pavlidis. Amamos o azul e o vermelho. Os dragões e as águias. Só não amamos 0-0. Marquem golos, sff!

Há quase 100 anos, desde 28 de junho de 1931, dia em que se realizou o primeiro FC PortoBenfica, que é assim: clássico que encanta Portugal e, sobretudo, encanta Porto e Lisboa. Foram mais de 250 jogos entre dragões e águias, espalhados por 15 estádios (Constituição, Amoreiras, Ameal, Arnado, Lumiar, Campo Grande, 1.º de Maio, Algarve, Cidade de Coimbra, Luz, Antas, Dragão, Lima, Jamor e até o parisiense Parque dos Príncipes).

Esta quarta-feira, no Dragão, será o 259.º jogo entre as duas equipas. E os dados são simples de mostrar: entre Campeonato Nacional, Taça de Portugal, Taça da Liga e Supertaça Cândido de Oliveira, houve 93 vitórias do Benfica, 102 do FC Porto e, claro, 63 empates. A diferença de golos é favorável aos encarnados: 398 marcados e apenas 374 sofridos.

Peguemos agora nas palavras desta terça-feira de José Mourinho, na conferência de imprensa de antevisão ao jogo do Dragão, e adaptemo-las: nós amamos estes gajos! Amamos o talento de Rodrigo Mora e Sudakov, a energia de Froholdt e Aursnes, a estanquicidade de Bednarek e Dedic, a velocidade de Alberto Costa e Prestianni e, sobretudo, os golos de Samu e Pavlidis. Amamos o azul e o vermelho. Os dragões e as águias.

Amamos ainda Francesco Farioli, o italiano que trouxe uma lufada de ar bem fresco ao futebol português e, sobretudo, ao FC Porto. E amamos, claro, o português José Mourinho, o maior dos maiores, seja no banco de suplentes ou nas conferências de imprensa. Amamos o italiano e o português. Não aceitamos, ainda à boleia das palavras do técnico do Benfica, a mediocridade de homens que foram treinadores do Benfica (Graeme Souness ou Ebbe Skovdahl) ou do FC Porto (Martin Anselmi ou Víctor Fernández).

É também em jogos deste calibre que o FC Porto chegou onde chegou: 8-0 (1932/1933), 6-1 (1938/1939), ou o triplo 5-0 (1996/1997, 2010/2011 e 2023/2024). É igualmente em jogos destes que o Benfica chegou onde chegou: 7-0 (1937/1938), 12-2 (1942/1943), 7-2 (1944/1945) ou o duplo 4-1 (2024/2025).

Por fim, ainda parafraseando José Mourinho, não atiremos areia para os olhos: não queremos que se repitam os 0-0 que já houve na história dos jogos entre FC Porto e Benfica. E foram nada menos do que 19. Como o último. Os treinadores não desgostam de um jogo com poucos golos, sim, mas, meus caros Francesco e José, se é para haver empate, que seja com muitos golos. Como em 1938/1939 e 1993/1994: 3-3.

Por fim, os jogadores. Os craques que tudo definem e tudo definiram. Eusébio e Gomes. Araújo e José Águas. Espírito Santo e Pinga. Baía e Bento. Ou, de novo com a justa chancela de José Mourinho: sr. Eusébio e sr. Gomes; sr. Araújo e sr. José Águas; sr. Espírito Santo e sr. Pinga; sr. Baía e sr. Bento. E já agora, haters e pessoas dúbias: sr. Mourinho.