No regresso de Mou foi Mbappé a brilhar
MADRID — Treze anos depois, José Mourinho voltou a dirigir o Real Madrid no Santiago Bernabéu. À entrada em campo, o técnico português foi brindado com uma carinhosa salva de palmas por parte dos adeptos que encheciam por completo as bancadas. Para este segundo jogo da liga, o treinador luso optou por repetir o onze inicial da partida de estreia, no terreno do Espanhol. Por agora, a prioridade de passa por gerir a equipa enquanto os internacionais que estiveram no Mundial progridem no índice físico.
Para já, o objetivo está a ser cumprido na perfeição, com duas vitórias consecutivas.O Real Madrid entrou a bom ritmo e encostou o adversário ao seu meio-campo, embora sem conseguir desmantelar a bem organizada teia defensiva da Real Sociedad. Os bascos foram sacudindo a pressão e chegaram mesmo a ameaçar: Courtois foi obrigado a uma intervenção exigente e, logo a seguir, Sérgio Gómez desferiu um remate perigoso que rasou a trave da baliza guardada pelo guardião belga.
Contudo, na melhor fase da turma visitante e a escassos cinco minutos do descanso, nasceu o golo inaugural. Valverde serviu Mbappé com um bom passe, o avançado francês penetrou na área e, de pé direito, fuzilou as redes de Remiro.
A alegria merengue acabou por ser sol de pouca dura. Numa transição rápida, o visitante Ochieng levou a melhor sobre Konaté; o primeiro remate ainda foi travado pela defensiva madrilena, mas a lentidão no alívio permitiu a Sucic, vindo de trás, rematar sem hipóteses para Courtois.
O empate ao intervalo ajustava-se ao que se vira em campo, mas o filme do jogo mudou radicalmente na segunda parte. Mourinho lançou Cucurella para o lugar de Carreras, o Real imprimiu maior velocidade, alargou a frente de ataque pelas alas e impôs um claro domínio ofensivo.
A superioridade foi coroada ao quarto de hora, com o segundo golo de Mbappé, que concluiu com um excelente arremate uma grande combinação com Bellingham.
Novamente em vantagem, a equipa de Mourinho não permitiu nova reação adversária e procurou com afinco o golo da tranquilidade. A jogada decisiva nasceu nos pés de Bellingham que, após intensa disputa com os centrais bascos, serviu de bandeja Vinícius Júnior para a estreia a marcar no campeonato.
A resistência da Real Sociedad ruiu em definitivo. O Real Madrid, faminto, chegou ao quarto golo: Mbappé, assistido por Vinícius, selou o seu primeiro hat-trick da época. Brahim Diaz ainda viu ser-lhe anulado um tento por fora de jogo, mas a história estava contada.
O 4-1 final traduziu com fidelidade a demonstração de força e a eficácia da equipa na etapa complementar. Mourinho, que ouviu o seu nome ser cantado a plenos pulmões pelas bancadas, não podia ter desejado melhor segunda estreia na Casa Blanca.
Na próxima jornada, os merengues recebem o Málaga, num cenário propício a somar nove pontos em nove possíveis. Quanto aos portugueses em campo, Bernardo Silva voltou a figurar no onze numa partida jogada sobretudo nas áreas.
O seu rendimento subiu de tom com o desenrolar dos minutos, mostrando bom entendimento nas combinações com Güler e Bellingham. Revelou-se solidário no processo defensivo e critério a dar ritmo ao jogo; com o acumular de minutos, dará tudo o que Mourinho dele espera. Por sua vez, Gonçalo Guedes teve uma participação discreta, entrando numa fase em que o desfecho do encontro já estava sentenciado.