Não é só Bakambu: clubes apresentam queixa na FIFA contra a RD Congo
O West Ham apresentou uma queixa formal junto da FIFA contra a Federação de Futebol da República Democrática do Congo. Em causa está a ausência do lateral-direito Aaron Wan-Bissaka no jogo dos quartos de final da Taça de Inglaterra, no qual a sua equipa foi eliminada pelo Leeds no desempate por penáltis (2-2, 2-4).
Segundo o portal The Athletic, o clube londrino acusa a federação congolesa de ter impedido o jogador de regressar a tempo para a partida. O motivo prende-se com as celebrações do apuramento histórico da seleção para o Mundial 2026, o primeiro em 52 anos, após uma vitória por 1-0 sobre a Jamaica no prolongamento da final do play-off intercontinental.
As comemorações decorreram no domingo, nas ruas de Kinshasa, e contaram com a presença do presidente Félix Tshisekedi. A equipa de Nuno Espírito Santo alega que não autorizou a permanência do jogador e que chegou a disponibilizar um avião privado para o seu regresso a Londres na noite de sexta-feira, 3 de abril, ao qual o defesa não compareceu.
Wan-Bissaka, de 28 anos, que já disputou 62 jogos pelo clube desde a sua chegada em 2024, regressou aos treinos na terça-feira e, para já, não foi alvo de qualquer sanção por parte do West Ham. Espera-se que seja titular na receção ao Wolverhampton, na sexta-feira, num jogo crucial para a luta pela permanência, visto que a equipa ocupa o 18.º lugar da tabela classificativa com 29 pontos.
Este não é um caso isolado e exemplo disso é Bakambu, do Betis. Na Ligue 1, os defesas congoleses Arthur Masuaku (Lens) e Chancel Mbemba (Lille) também falharam os compromissos dos seus clubes no fim de semana. O presidente do Lille, Olivier Létang, também recorreu à FIFA devido à ausência do ex-FC Porto, criticando a decisão da federação.
«A Federação congolesa decidiu de forma unilateral bloquear os jogadores até segunda-feira (6 de abril), quando os regulamentos da FIFA são claros: os jogadores devem regressar aos seus clubes 48 horas após o jogo», afirmou Létang.
Este imbróglio poderá fragilizar as relações entre os clubes europeus e a seleção congolesa, primeira adversária de Portugal no Mundial 2026, que se arrisca a enfrentar sanções que podem ir de multas a compensações financeiras aos clubes afetados.