Jesús Ramírez celebra o seu 17.º golo da temporada - Foto: HOMEM DE GOUVEIA/LUSA
Jesús Ramírez celebra o seu 17.º golo da temporada - Foto: HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

Na busca da salvação, há uma fé obstinada em Jesús (crónica)

O Nacional somou três pontos muito importantes para a luta pela manutenção, graças a D... Jesús, que resolveu o encontro com um golaço. Resultado atirou o Aves SAD para a Liga 2

Já não há espanto. O Nacional anda ao sabor dos golos de Jesús Ramírez desde o início da temporada. O venezuelano é o goleador máximo dos insulares (17) e, naturalmente, voltou a ser ele a resolver o desenlace com o Alverca.

Os madeirenses entraram mais fortes na partida, tendo levado a cabo as primeiras aproximações à baliza. No entanto, ainda antes do quarto de hora, a turma continental teve uma oportunidade que a galvanizou. Na sequência de um pontapé de canto, Nabili Touaizi apareceu ao segundo poste, mas Kaique defendeu. Na recarga, o guardião voltou a dizer não ao remate do ala.

O Alverca cresceu, então, e voltaria a ficar muito perto de inaugurar o marcador, aos 23', por Chiquinho. O extremo tentou o golo pela lado esquerdo, já dentro de área, mas Laabidi surgiu para cortar de cabeça uma bola que levava selo de golo.

Na baliza contrária, sete minutos depois, José Gomes cabeceou, mas Matheus Mendes segurou. Enquanto isso, os ribatejanos continuavam com facilidade em criar perigo, seja em bola corrida (tanto pela esquerda, como pela direita), seja em lances de bola parada.

O ritmo abrandou, no reatamento, e o encontro deixou-se amarrar. O primeiro remate do segundo tempo surgiu apenas aos 60', quando Daniel Júnior atirou de fora de área, num lance que Matheus Mendes controlou com facilidade.

Movidos pela tal fé inabalável em Jesús em busca da salvação, os madeirenses acabaram por chegar ao golo (67') por um tal de Ramírez. Sim, esse, o suspeito do costume. E que tento! O ponta de lança beneficiou de Sergi Gómez ter falhado o corte, entrou na área pelo lado esquerdo, tirou um defesa do caminho e rematou com classe para o ângulo contrário, desfazendo o nulo no marcador.

A partir daí, os alvinegros passaram a mandar na partida e, logo a seguir, Paulinho Bóia obrigou Matheus Mendes a uma grande intervenção. O extremo fez um bom remate na ressaca de um pontapé de canto e o guarda-redes, que até estava ligeiramente adiantado, conseguiu chegar à bola, impedindo o segundo dos madeirenses.

A formação do distrito de Lisboa não se voltou a encontrar no desafio e o marcador manteve-se inalterado. No final, um resultado justo na ilha, mas com repercussões no continente. O triunfo dos alvinegros deixou o Aves SAD sem hipóteses matemáticas de permanecer na I Liga. Pelo contrário, o Nacional deu um passo crucial pela salvação.

O melhor em campo: Jesús Ramírez

O quarto melhor marcador do campeonato (15 golos) voltou a fazer felizes os adeptos alvinegros, ao tirar da sua famosa cartola um daqueles que coelhos a que tem habituado o Estádio da Madeira. Lance de génio para dar alívio às contas da equipa. No final do encontro, Jesús agradeceu a... Jesus. «Vivo para ele. Dá-me esta fé de não deixar de acreditar», disse.

As notas dos jogadores do Nacional (4x3x3): Kaique (7); Alan Nuñez (5), Chico Gonçalves (5), Zé Vitor (6); José Gomes (6); Laabidi (6) e Liziero (6) e Daniel Júnior (6); Gabriel Veron (6), Jesús Ramírez (7) e Paulinho Bóia (6); Filipe Soares (5), Matheus Dias (-), João Aurélio (-) e Pablo Ruan (-)

A figura do Alverca: Nabili Touaizi

Ao minuto 14, ficou duas vezes muito perto de fazer o 1-0. No entanto, uma dupla intervenção de Kaique impediu o marroquino de ser feliz e de mudar completamente a história do jogo. O ex-Albacete voltou a atuar durante 90 minutos a alta intensidade. Apesar de o golo do Nacional ter surgido pelo lado dele, Nabil Touaizi não teve culpa do cartório.

As notas dos jogadores do Alverca (3x4x3): Matheus Mendes (6); Naves (5), Sergi Gómez (4) e Meupiyou (5); Nabili Touaizi (6), Rhaldney (6), Lincoln (6) e Isaac James (5); Figueiredo (5), Sandro Lima (5) e Chiquinho (6); Davy Gui (5), Vasco Moreira (5), Mathis Clairicia (5), Marezi (5) e Zakaria Kassary (-)

Tiago Margarido (treinador do Nacional)

Era uma das finais que tínhamos pela frente. Demos uma excelente resposta, contra uma grande equipa. Os meus jogadores estão a impressionar-me pela forma como estão a lidar com a pressão, a tomar boas decisões e a continuar a acreditar na nossa identidade.

Custódio Castro (treinador do Alverca)

Na primeira parte, o Alverca esteve sempre mais perigoso e por cima do jogo. Faltou-nos definição. Na segunda, entrámos da mesma forma, estávamos bem, mas o Nacional acaba por fazer o golo, são coisas que acontecem e, a partir daí, foi difícil correr atrás do resultado.