Palavras de Miguel Cardoso, que relembra o tempo em que voltou a Portugal durante a COVID-19

«Na B-SAD treinávamos em Tróia, em Odivelas, mas isso passou para segundo plano»

Miguel Cardoso, jogador do Kayserispor, da Turquia, recorda os períodos em que esteve regressou a Portugal

Miguel Cardoso, extremo do Kayserispor, esteve na B-SAD antes de rumar à Turquia. O jogador mantém boas memórias do clube, que defendeu durante a COVID-19 e defende que o campeonato português está mais equilibrado.

— Esteve na B-SAD durante o período da COVID-19, num clube que, como era sabido, vivia várias tensões internas. Como foi viver esse período?

— A COVID foi um período difícil para todos nós, um pouco desconhecido, não sabíamos bem aquilo que estávamos a enfrentar. Jogávamos com estádios vazios. As vacinas apareceram durante essa época. E a partir daí as coisas começaram a melhorar. Mas do ponto de vista pessoal foi um ano excelente. A minha prioridade foi voltar a casa para estar perto dos meus. Porque eu tinha estado cinco meses fechado num apartamento em Moscovo, sozinho. E do ponto de vista psicológico, a minha prioridade foi claramente regressar a Portugal, a Lisboa, para perto dos meus. É certo que não tínhamos as melhores condições de trabalho. Tanto treinávamos no Jamor, como em Odivelas, ou mesmo em Tróia. Mas isso acabou passar tudo para o segundo plano, porque do ponto de vista pessoal foi um ano muito positivo mesmo. E foi uma das melhores decisões que tomei na minha carreira. Que fez também com que, a nível desportivo, corresse bem e pudesse vir para a Turquia.

— Não teve mais propostas para voltar para Portugal?

— Sim, felizmente. Todos os anos tenho tido abordagens para regressar. Nesse ano na B-SAD tive mesmo muitas no final da época, mas a minha prioridade sempre foi, pelo menos por agora, continuar no estrangeiro. Penso que há outro nível de condições desportivas e as coisas têm corrido bem. Acho que neste momento não faz sentido regressar a Portugal, mas sem dúvida que não descarto e que é um desejo meu regressar e ainda poder jogar no campeonato português, gosto muito. Nunca tive proposta dos três grandes, a partir daí tive algumas.

— Há quem defenda que o campeonato português parece estar «nivelado por baixo». Concorda com essa opinião?

— Eu gosto de ver as coisas ao contrário. Acho que as equipas pequenas trabalham cada vez melhor. Acho que conseguem equilibrar-se cada vez mais e os próprios jogadores e treinadores estão cada vez mais preparados para conseguirem competir com as equipas grandes. Também já trabalhei em equipas pequenas e sei como se trabalha. E cada vez mais, tanto a nível de treinadores, como de nutrição, departamento médico, o que for, acho que cada vez mais se é profissional nesses clubes, daí também o nível ser cada vez mais equilibrado e o fosso não ser tão grande.

— De todos os clubes que representou a nível profissional, qual reforçaria se tivesse de deixar o Kayserispor?

— Eu diria o Dínamo Moscovo, porque acho que tinha condições para fazer muito mais e não dependeu só de mim. Quando assim é, as coisas tornam-se um pouco mais complicadas. Como costumo dizer, ficou aqui uma ‘espinha encravada’ relativamente ao Dínamo. Foi um clube onde gostei muito de estar.