Não haverá ‘novo’ campeão
Antes do início deste Mundial escrevi que havia um lote de oito ou nove equipas, de valor comparável - com um ligeiro favoritismo para a França - de onde sairia o campeão do mundo de 2026.
Chegados às meias-finais, que nos garantem não haver, em 2026, um ‘novo’ campeão do Mundo (Inglaterra, 1966; Espanha, 2010; França, 1998 e 2018 e Argentina, 1978, 1986 e 2022), verificamos que vão defrontar-se quatro equipas que integravam esse lote. Das outras, a Alemanha, eliminada pelo Paraguai, foi desilusão absoluta; o Brasil, derrotado pela Noruega, também ficou aquém do esperado; e Portugal e Bélgica caíram frente à Espanha, após jogos equilibrados. Marrocos foi uma excelente confirmação e a Noruega a principal nota positiva entre os ‘underdogs’.
Alguma surpresa entre os semifinalistas? Não. Neste século (sete mundiais), será a quarta meia-final da França, a terceira da Argentina, e a segunda da Inglaterra e da Espanha. Entretanto, destas quatro seleções apenas a Inglaterra (finalista do Euro/20, onde perdeu nos penáltis com a Itália), não conquistou qualquer título neste século. A Espanha foi campeã mundial em 2010, campeã da Europa em 2008, 2010 e 2024 e vencedora da Liga das Nações de 2023; a França foi campeã mundial em 2018, conquistou a Taça das Confederações em 2001 e 2003 e a Liga das Nações em 2021; e a Argentina, sagrou-se campeã mundial em 2022, e arrecadou a Copa América em 2021 e 2024.
Podemos estar a caminho da reedição da final de 2022? É uma hipótese bastante consistente, com paralelo apenas nas finais entre Argentina e Alemanha de 1986 e 1990. No México mandou a ‘Albiceleste’, e em Itália a ‘Mannschaft’. Se a Argentina não for campeã do Mundo em 2026, será apenas a segunda vez que uma seleção europeia levanta o troféu do outro lado do Atlântico, depois da Alemanha, em 2014, no Brasil.
Sobre este Mundial, temos visto grandes jogos, disputados em estádios magníficos com relvados excelentes e bancadas a transbordar de público. A nódoa (além de arbitragens inenarráveis, de que o França-Paraguai foi o expoente máximo) caiu no pano da FIFA (e não haverá detergente que a limpe) pela forma como foi gerido o caso/Balogun, criando-se a perceção de um Infantino às ordens de Trump.
Voltarei a este tema: Mundial com 48 seleções, ok, com 64 é desrespeitar a competição e os adeptos.
* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minutemen, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…