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Mundial 2026: perfis dos jogadores do Uruguai
23. FERNANDO MUSLERA
Data de nascimento: 16 de junho de 1986
Clube: Estudiantes de La Plata (Arg)
Posição: Guarda-redes
Muslera nasceu em Buenos Aires, no dia em que uma Argentina inspirada por Maradona bateu o Uruguai nos oitavos de final do Mundial-1986, mas nunca houve dúvidas sobre qual o país que ganharia a eliminatória pela sua lealdade — recebeu o nome em homenagem ao avançado uruguaio Fernando Morena e a família mudou-se para o Uruguai quando ainda era bebé. «O meu passaporte diz que tenho nacionalidade argentina, mas sinto-me cem por cento uruguaio», afirma. A sua vida mudou aos oito anos, quando já era um futebolista empenhado e um goleador prolífico, no dia em que o guarda-redes da sua equipa faltou a um jogo. «Como qualquer miúdo, eu só queria era jogar», recordou. «Não me importava com a posição — embora, naquela altura, não gostasse nada de jogar na baliza». Seria justo dizer que não tinha o temperamento adequado para o posto. «Sempre que sofria um golo, começava a chorar», disse. «Não queria que a minha equipa perdesse. Levava as coisas muito a peito, como se a culpa fosse minha». Agora faz história como o primeiro uruguaio a participar em cinco Mundiais.
1. SERGIO ROCHET
Data de nascimento: 23 de março de 1993
Clube: Internacional (Bra)
Posição: Guarda-redes
Era praticamente um desconhecido quando apareceu nas celebrações do título de campeão do Danubio, em 2014. Sendo então o terceiro guarda-redes, aos 21 anos, Rochet depressa fez as malas para os Países Baixos e para o AZ Alkmaar. Em 2019, foi resgatado para o Uruguai, pelo Nacional, para ser o suplente de Luis Mejía. «Estava de férias em casa, na sua casa sobre a água, quando nos disse que a mudança para o Nacional estava confirmada. Era o sonho dele», contou a mãe, Graciela. Ela própria mal pôde acreditar quando o viu jogar pelo Uruguai no Mundial-2022. «O dia em que o vi no primeiro jogo foi um choque. Parei em frente à televisão e a única coisa que fiz foi chorar», revelou.
12. SANTIAGO MELE
Data de nascimento: 6 de setembro de 1997
Clube: Monterrey (Mex)
Posição: Guarda-redes
Mele saltou para as primeiras páginas da imprensa uruguaia quando fez duas defesas num desempate por grandes penalidades contra Portugal, no Mundial Sub-20 de 2017. Após o jogo, revelou o seu segredo: «Estava a observá-los. Queria entrar em jogos psicológicos porque sei que isso tem uma influência muito grande». Seguiu-se uma mudança para a Europa, pouco depois, mas jogou muito pouco durante passagens pela Turquia e Espanha. O Plaza Colonia ofereceu-lhe a oportunidade de recomeçar e, após passagens pela Argentina e Colômbia, a seleção nacional começou a prestar atenção. «Aqueles três anos na Turquia foram difíceis — tal como foi o regresso ao Uruguai para retomar as rédeas da minha carreira. Além de me entregar a Deus e de confiar n’Ele, estas são as razões fundamentais para estar onde estou», disse em 2023, após a sua primeira internacionalização AA.
13. GUILLERMO VARELA
Data de nascimento: 24 de março de 1993
Clube: Flamengo (Bra)
Posição: Lateral-direito
Ressuscitou a carreira no Brasil após ter deixado a Europa debaixo de uma nuvem de polémica. As suas exibições no Mundial Sub-20 em 2013, onde o Uruguai chegou à final, foram suficientes para atrair o interesse do Manchester United. Daí, seguiu por empréstimo para o Real Madrid — jogando apenas na equipa B — e para o Eintracht Frankfurt. A sua passagem pela Alemanha terminou de forma amarga devido a uma tatuagem que inflamou, feita pouco antes da final da Taça da Alemanha. «Todos os outros jogadores tinham tatuagens», disse. «No meu caso, não tive uma infeção, mas o treinador disse que lhe tinha faltado ao respeito porque faltei a um treino uns dias antes da final». Após passagens pela Dinamarca e Rússia, o defesa conquistou duas Taças Libertadores com o Flamengo.
25. JUAN MANUEL SANABRIA
Data de nascimento: 29 de março de 2000
Clube: Real Salt Lake (EUA)
Posição: Lateral-esquerdo/Médio
Polivalente
Depois de vencer a Taça Libertadores Sub-20 com o Nacional, Sanabria assinou pelo Atlético Madrid aos 18 anos. Foi uma grande mudança para um miúdo que costumava viajar 100 km para o treino e outros tantos de volta para Montevideu, para poder «relaxar em casa», na Florida, durante o tempo na academia do Nacional. Num país como o Uruguai, esse tipo de deslocação diária é um esforço imenso. Sanabria jogou na equipa B do Atlético antes de sair para o clube satélite no México, o Atlético San Luis, onde trocou o meio-campo pela lateral-esquerda. «É tecnicamente excelente. Ninguém tem mais ritmo do que ele e pode jogar como lateral, no meio-campo central ou como extremo», disse Marcelo Bielsa, que o convocou pela primeira vez no ano passado.
4. RONALD ARAÚJO
Data de nascimento: 7 de março de 1999
Clube: Barcelona (Esp)
Posição: Defesa-central
Rocha defensiva
Araújo superou um período difícil na sua vida. Estreou-se como sénior pelos Rentistas aos 16 anos e tem estado sob os holofotes desde então. No final do ano passado, após um cartão vermelho contra o Chelsea na Liga dos Campeões, decidiu que precisava de se afastar do jogo para receber tratamento para a depressão, que já o afetava há mais de um ano. «Temos de compreender que, além de futebolistas, somos pessoas», afirmou quando regressou, 47 dias depois. O central, que treinava no Boca Juniors aos 10 anos, estreou-se na seleção aos 21. Esteve no último Mundial, mas uma lesão impediu-o de somar minutos no Qatar. Bicampeão da La Liga, faz agora parte do grupo de capitães do Barcelona.
2. JOSÉ MARÍA GIMÉNEZ
Data de nascimento: 20 de janeiro de 1995
Clube: Atlético Madrid (Esp)
Posição: Defesa-central
Capitão
Quando jogava na academia do Danubio, aos 17 anos, a sua irmã Agustina, de 14, ficou grávida. «Josema», de olhos lavados em lágrimas, disse aos pais que ele sustentaria o bebé. Considerou deixar o futebol e procurar um emprego, mas o Danubio ajudou-o a continuar a jogar. Aos 18 anos, assinou pelo Atlético Madrid e somou a primeira internacionalização, enfrentando o colombiano Radamel Falcao na estreia. «Dizia-lhe coisas para o distrair. Por exemplo, durante um ataque, perguntei-lhe: "Tens carro em Madrid?"». Dias depois, Giménez tatuou a data da estreia no corpo. Agora com mais de 100 internacionalizações e três Mundiais no currículo, o central parte para este verão como capitão após a retirada de Diego Godín, o seu «parceiro de mil batalhas» e colega na conquista da liga espanhola pelo Atlético.
3. SEBASTIÁN CÁCERES
Data de nascimento: 18 de agosto de 1999
Clube: América (Mex)
Posição: Defesa-central
Dias antes da final do Torneio Intermédio, que decorre entre as duas metades da época uruguaia, Cáceres tinha uma proposta em cima da mesa do América do México. Em vez de aceitar a mudança e os milhões que o deixariam orientado para a vida, decidiu ficar no seu clube de infância, o Liverpool de Montevideu. A final terminou em glória. «Queria ser campeão com o Liverpool. Queria jogar aquele jogo pelo clube que me formou», disse. O América voltou à carga no ano seguinte e o central já conquistou três títulos de campeão por lá. Representou o Uruguai em todos os escalões desde os Sub-17, estreando-se na seleção principal em 2022.
24. SANTIAGO BUENO
Data de nascimento: 9 de novembro de 1998
Clube: Wolves (Ing)
Posição: Defesa-central
Em pleno Mundial Sub-20 de 2017, enquanto era titular no centro da defesa do Uruguai, Bueno assinou contrato com o Barcelona. Foi um salto gigante para um jogador que ainda não se tinha estreado como sénior pelo Peñarol, na Primeira Divisão. Chegou à Catalunha como campeão sul-americano de Sub-20, mas teve dificuldades em afirmar-se no futebol europeu. Dois anos depois, deixou o Barcelona como jogador livre e rumou ao Girona. «Tive de dar um passo atrás para dar dois passos em frente», afirmou. A aposta resultou e, em poucos anos, Bueno estava a jogar na La Liga. Seguiu-se a mudança para a Premier League com os Wolves e tem sonhado «todos os dias» com um lugar no avião para o Mundial.
17. MATÍAS VIÑA
Data de nascimento: 9 de novembro de 1997
Clube: River Plate (Arg)
Posição: Lateral-esquerdo
Resiliente
A resiliência é um dos seus maiores trunfos. Quando estava prestes a assinar o seu primeiro contrato profissional, com o Nacional, o defesa partiu a clavícula. O clube suspendeu o negócio, mas esperou que completasse a recuperação. Disputou o lugar de lateral-esquerdo nos tempos da formação com Mathías Olivera, o seu atual concorrente na seleção do Uruguai. Por consequência, teve dificuldades em afirmar-se na equipa principal do Nacional, jogando por vezes a central, mas muitas vezes nem jogando, e só se tornou titular aos 22 anos. «Ficava em baixo às vezes, por não jogar, mas a minha família e amigos ajudaram-me muito. Diziam-me sempre que a minha hora chegaria», contou. Em 2019 estreou-se na seleção e deu o salto na carreira. É tricampeão da Taça Libertadores e foi contratado por José Mourinho para a Roma, tendo passado também pelo Bournemouth por empréstimo.
22. JOAQUÍN PIQUEREZ
Data de nascimento: 24 de agosto de 1998
Clube: Palmeiras (Bra)
Posição: Lateral-esquerdo
Nove meses após a estreia sénior pelo Defensor Sporting, Piquerez, de 19 anos, avançou para marcar uma grande penalidade na final do campeonato uruguaio contra o Peñarol e falhou; o Defensor perdeu o desempate por 4-2. Dois anos mais tarde, aos 21 anos, foi dispensado. «Cresci no Defensor e não era desta forma que queria sair», desabafou. Poderia ter-se perdido, mas usou esse revés como combustível. Seis meses no River Plate do Uruguai abriram-lhe as portas do Peñarol e a sua apetência para marcar de longe despertou o interesse do Palmeiras. Em 2021 fechou o círculo ao levantar a Taça Libertadores no Estádio Centenário, em Montevideu, onde tinha falhado aquele penálti quatro anos antes. Tornou-se presença assídua com Marcelo Bielsa, mas sofreu uma lesão no tornozelo no amigável de março frente a Inglaterra.
16. MATHÍAS OLIVERA
Data de nascimento: 31 de outubro de 1997
Clube: Nápoles (Ita)
Posição: Defesa
Embora se tenha notabilizado como lateral-esquerdo, Bielsa utiliza-o como central. «É um central algo franzino, que se sente confortável em zonas laterais, e eu gosto deste tipo de central com uma vida passada como lateral», explicou o selecionador em 2024. Olivera, filho de pais adolescentes, destacou-se desde cedo pela velocidade natural, potência e qualidade de remate. Os seus primeiros passos na Europa foram dificultados pelas saudades de casa. Passou nos exames médicos no Galatasaray aos 19 anos, mas não assinou contrato, acabando por rumar ao Getafe, em Espanha. «Tinha muitas saudades de casa. Chorava todos os dias e queria voltar, mas obviamente não podia». Tornou-se uma peça fundamental sob as ordens de José Bordalás e estreou-se pelo Uruguai em 2019. Desde que jogou no Mundial-2022 — «um sonho» — conquistou dois títulos da Serie A com o Nápoles.
8. FEDERICO VALVERDE
Data de nascimento: 22 de julho de 1998
Clube: Real Madrid (Esp)
Posição: Médio
Talismã
Um dos melhores do mundo teve origens humildes. Não gosta de o admitir, dizendo apenas que os pais «eram muito trabalhadores». Acompanhava a mãe na sua banca de mercado e começou a jogar futebol tão cedo que ainda usava fraldas. Quando chegou ao Real Madrid, em 2016, sentindo-se como «o Cristiano Ronaldo e o Messi juntos», sentiu-se constrangido ao comparar a sua roupa com a dos colegas. «Estás a usar uma t-shirt de 2 euros», dizia para si mesmo. Ironicamente para um jogador que costumava irritar os treinadores da formação por não gostar de correr, o médio subiu na hierarquia do Madrid graças aos seus dotes físicos excecionais. Marcou na estreia pelo Uruguai, aos 19 anos, mas falhou o Mundial-2018, o que foi um duro golpe. Chega a este torneio como o talismã do seu país. Um hat-trick contra o Manchester City na Liga dos Campeões em março confirmou o seu estatuto de elite. A época 2025-26 terminou, no entanto, em baixa, ao ser levado para o hospital após um altercação com o colega de equipa Aurélien Tchouaméni. Em comunicado, Valverde afirmou: «Em momento algum o meu colega me agrediu, e eu também não o agredi.»
6. RODRIGO BENTANCUR
Data de nascimento: 25 de junho de 1997
Clube: Tottenham (Ing)
Posição: Médio
Aos 12 anos deixou a sua pequena cidade de província com 11 mil habitantes para se aventurar em Buenos Aires. O Boca Juniors achou que tinha encontrado um talento especial naquele miúdo alto e magro. «Foi difícil. Não queria saber daquilo para nada, mas o meu pai convenceu-me», disse. Fez parte da equipa do Uruguai que venceu o Sul-Americano de Sub-20 em 2017 e, no final desse ano, já era internacional AA e jogador da Juventus. No seu primeiro Mundial, assistiu o golo da vitória de Edinson Cavani contra Portugal nos oitavos de final. «Celebrei como se tivesse sido eu a marcar», afirmou. Problemas de lesões travaram a sua carreira promissora, mas o médio dos Spurs é agora um membro sénior do plantel de Marcelo Bielsa. «Tem qualidade para jogar em qualquer zona do campo», diz o selecionador.
14. AGUSTIN CANOBBIO
Data de nascimento: 1 de outubro de 1998
Clube: Fluminense (Bra)
Posição: Médio
Canobbio tem uma história muito particular. Teve um crescimento tardio e foi deixado de fora dos escalões de formação da seleção nacional, apesar dos seus talentos óbvios. Os contratempos continuaram a surgir: aos 22 anos, sofreu uma dupla fratura na perna. No entanto, recusou-se a desistir e, após regressar aos relvados, afirmou: «Um ano após a minha lesão, lembro-me do que passei e do caminho que percorri, e agora valorizo mais do que nunca a oportunidade de poder desfrutar novamente deste belo desporto.» E isso refletiu-se em campo. Aos 23 anos, foi eleito o melhor jogador da liga uruguaia e transferiu-se para o Brasil, após o qual se estreou pela sua seleção principal. É filho do antigo avançado uruguaio Osvaldo e tem um lema que o inspira diariamente: «É preciso viver para o futebol e depois viver do futebol.»
15. EMILIANO MARTÍNEZ
Data de nascimento: 17 de agosto de 1999
Clube: Palmeiras (Bra)
Posição: Médio
Chegou à academia do Nacional como um "camisola 10", tendo Bruno Fornaroli como ídolo, e integrou a equipa principal como médio-defensivo, inspirando-se em Sergio Busquets. Martínez pedia boleia à mãe de um colega de equipa para percorrer os 130 km de Maldonado a Montevideu, ida e volta, para treinar todos os dias. Foi campeão da Taça Libertadores em Sub-18 e estreou-se como sénior um ano depois, vencendo a Primeira Divisão. Manteve a frieza num desempate por penáltis para colocar o Nacional nos quartos de final da Libertadores de 2020, admitindo: «Nunca tinha batido um penálti, nem nos treinos». Uma passagem impressionante pelo Midtjylland, na Dinamarca, abriu-lhe as portas da seleção, onde jogou com Luis Suárez. «Foi um sonho para mim — partilhar o balneário com ele», disse Martínez.
5. MANUEL UGARTE
Data de nascimento: 11 de abril de 2001
Clube: Manchester United (Ing)
Posição: Médio
«El Poeta»
Este ano marca o 25.º de Ugarte no planeta e o 10.º no futebol profissional. Era um prodígio de 15 anos no Fénix e, em quatro anos na Europa, passou do Famalicão, em Portugal, para o Manchester United, com passagens pelo Sporting e pelo PSG. O médio estreou-se na seleção principal aos 20 anos, com a mãe a contar: «O Manuel ligou-me e a voz dele tremia porque estava a partilhar o balneário com colegas com quem, até há poucos dias, ele jogava na PlayStation». El Poeta (o poeta), como lhe chamam, já apareceu nas redes sociais ao lado da mãe a dançar plena, um género musical com raízes afro-caribenhas. No campo de futebol, a sua característica definidora é o trabalho árduo. «Temos de deixar tudo lá dentro», afirma.
7. NICOLÁS DE LA CRUZ
Data de nascimento: 1 de junho de 1997
Clube: Flamengo (Bra)
Posição: Médio
Foi oferecido um contrato a De la Cruz pela equipa do Liverpool de Montevideu antes mesmo de ele ter tocado na bola no seu primeiro treino. A sua capacidade e atitude foram óbvias desde o início. «Ele adorava levar pancada», disse um antigo colega de equipa juvenil. Era tão astuto fora de campo como dentro dele. Em reuniões que decorriam no centro de treinos, sentava-se na cadeira do histórico presidente do Liverpool, José Luis Palma, com tal atrevimento que, em vez de se ressentir com o jovem, Palma só conseguia sorrir. O seu maior ídolo era o seu meio-irmão, o antigo extremo uruguaio Carlos Sánchez, e ambos jogaram pelo River Plate. De la Cruz esteve no Mundial-2022 e, desde então, recuperou de uma lesão no joelho que um médico do Flamengo disse ser impossível de ultrapassar. «Nunca deixem ninguém dizer-vos que não conseguem fazer nada», afirmou.
10. GIORGIAN DE ARRASCAETA
Data de nascimento: 1 de junho de 1994
Clube: Flamengo (Bra)
Posição: Médio-ofensivo
Ídolo no Brasil
Uma mudança para a Europa é o objetivo máximo para a maioria dos futebolistas na América do Sul. Não para De Arrascaeta. O jogador de 32 anos é um dos melhores de um continente que nunca abandonou. Venceu duas Taças do Brasil pelo Cruzeiro e é agora um ídolo no Flamengo, depois de amealhar 20 troféus em sete anos, incluindo três Taças Libertadores. Apesar destes feitos, teve a sua quota-parte de críticos na seleção nacional, porque muitas vezes não consegue replicar a forma do clube com a camisola celeste. «As críticas fazem parte do futebol e habituamo-nos com a experiência», afirma. Marcou dois golos contra o Gana no último jogo da fase de grupos do Mundial-2022, mas os acontecimentos noutras paragens ditaram a eliminação precoce do Uruguai.
26. RODRIGO ZALAZAR
Data de nascimento: 12 de agosto de 1999
Clube: SC Braga (Por)
Posição: Médio-ofensivo
José Zalazar foi um de vários futebolistas uruguaios dos anos 80 que iniciaram a tendência de se mudarem para a Europa. No centro do seu jogo estava o remate potente, exibido em Espanha durante mais de 10 anos. Rodrigo nasceu na cidade de Albacete, clube pelo qual o seu pai fez mais de 200 jogos. Passou a carreira juvenil em Espanha antes de passagens como sénior pela Alemanha e Polónia. Ao contrário do seu irmão, Kuki, que jogou nas seleções jovens de Espanha, a lealdade nacional de Rodrigo nunca esteve em dúvida. «Nunca pensei em jogar pela Espanha. Sempre sonhei jogar pelo Uruguai», disse Zalazar quando chegou a Montevideu após a primeira convocatória, na primeira lista de Bielsa em 2023. Desde que marcou dois golos na estreia frente à Nicarágua, os minutos na seleção têm sido escassos.
11. FACUNDO PELLISTRI
Data de nascimento: 20 de dezembro de 2001
Clube: Panathinaikos (Gre)
Posição: Extremo
O Manchester United pagou 10 milhões de dólares para contratar Pellistri ao Peñarol, com 18 anos, em 2020. Não atingiu os picos que outrora se esperavam dele, quando o ex-internacional uruguaio Carlos Aguilera disse que ele tinha potencial para ser «um dos melhores do mundo». Filho de um contabilista e de uma pediatra, cujo padrinho é cantor numa famosa banda de rock uruguaia, Pellistri tocou as notas certas no seu primeiro Mundial. Brilhou como titular inesperado na equipa de Diego Alonso em 2022, mas viu a carreira no clube estagnar em vários empréstimos pouco conseguidos em Espanha. Está agora na Grécia a título definitivo, jogando sob as ordens de Rafa Benítez.
18. BRIAN RODRÍGUEZ
Data de nascimento: 20 de maio de 2000
Clube: América (Mex)
Posição: Extremo
Rodríguez deixou a sua cidade natal de Tranqueras, com 7.000 habitantes, na fronteira norte com o Brasil, para se juntar às camadas jovens do Tacuarembó, conseguindo um teste no Peñarol aos 15 anos. O primeiro treino foi duro. «Deram-lhe pancada e roubaram-lhe a bola, mas ele aguentou-se bem», recordou o seu treinador, José Perdomo. A conduta de Rodríguez custou-lhe caro, por vezes. Foi obrigado a treinar com escalões mais jovens por duas vezes devido a mau comportamento, mas estreou-se na equipa principal do Peñarol em 2018. «Ele reconhece e aprende com os erros», disse Alejandro Valenzuela, o seu treinador pessoal desde jovem. Quando jogava na MLS pelos LAFC, aos 19 anos, recebeu a primeira convocatória sénior para o Uruguai. Venceu três campeonatos no México. «Quem me conhece sabe o que me custou chegar aqui», afirma.
20. MAXI ARAÚJO
Data de nascimento: 15 de fevereiro de 2000
Clube: Sporting (Por)
Posição: Extremo
Em 2012 um vídeo tornou-se viral no Uruguai, mostrando uma criança pequena com o número 10 nas costas a correr pela ala esquerda e a assistir para um golo num jogo de futebol juvenil. Era Maximiliano Araújo a cruzar para o seu irmão, César, vencer a prestigiada Taça Danone. O vídeo mostra César a conter as lágrimas após celebrações efusivas. Ambos os rapazes são agora futebolistas profissionais e já partilharam balneário na seleção. «Maxi» continua a correr pela ala esquerda. Marcelo Bielsa foi uma vez convidado a descrever o jogador do Sporting: «Acho que o Maxi é um jogador terrível que chegou onde chegou por sorte. Não vai chegar mais longe. Nunca o vi jogar — foi-me recomendado». Era uma piada, embora ninguém a tenha percebido. «Gosto de jogadores que criam problemas, que correm diretamente de uma área à outra, que fazem muitos cruzamentos, e o Maxi tem todas essas características», esclareceu.
9. DARWIN NÚÑEZ
Data de nascimento: 24 de junho de 1999
Clube: Al-Hilal (Arábia Saudita)
Posição: Avançado
Trunfo
«Um dia hão de ver-me a jogar na Europa», costumava dizer Núñez aos seus treinadores nas camadas jovens em Artigas, no norte do Uruguai. Os seus pais faziam horas extraordinárias para tentarem sustentar o filho, incluindo a compra de chuteiras para ele jogar futebol. «Não esqueço de onde vim... A minha mãe costumava sair para recolher garrafas na rua para as poder vender», contou. Lesões graves no joelho enquanto adolescente fizeram Núñez considerar abandonar o futebol, mas preferiu lutar. Seguiu-se uma ascensão meteórica pelo Peñarol, Almería e Benfica antes da transferência milionária para o Liverpool. Em três anos em Anfield, venceu a Premier League e a Taça da Liga. O jogador de 26 anos está agora na Arábia Saudita. Passou meses sem jogar na liga profissional depois de Karim Benzema ter ocupado o seu lugar como jogador estrangeiro designado em janeiro. Este será o seu segundo Mundial.
19. RODRIGO AGUIRRE
Data de nascimento: 1 de outubro de 1994
Clube: Tigres (Mex)
Posição: Avançado
Já passou por tudo na carreira. No Mundial Sub-17 de 2011 o avançado ficou inconsciente na final contra o México e acordou no hospital. «A primeira coisa que me lembro foi quando os médicos me perguntaram como me chamava e em que dia tinha nascido», contou. Dois anos mais tarde falhou o Mundial Sub-20 devido a um problema cardíaco. Aguirre é um viajante do futebol, mas só num período de grande forma no América do México é que saltou à vista de Marcelo Bielsa. Estreou-se na seleção principal aos 30 anos e marcou contra a Colômbia, num jogo de qualificação para o Mundial no Estádio Centenário. «Não poderia ter sonhado melhor», afirmou.
21. FEDERICO VIÑAS
Data de nascimento: 30 de junho de 1998
Clube: León
Posição: Avançado
«Sou o Federico Viñas, é possível que me tenham confundido com o Matías Viña», disse o avançado quando foi convocado pelo Uruguai pela primeira vez – nem queria bem acreditar. Jogar futebol internacional está muito longe do bairro de Casabó, em Montevideu, onde Viñas ganhava a vida a distribuir produtos de carne. Um dia foi fazer testes à equipa amadora do Mar de Fondo. Dali seguiu para o Juventud, em Las Piedras. O avançado, apelidado de «El Tanque» (o tanque) chegou com 15 kg de peso a mais, mas estreou-se na equipa principal um ano mais tarde, no segundo escalão do Uruguai. O interesse do América, do México, foi quase tão inesperado como a convocatória internacional que se seguiu escassos anos depois. Passou as últimas duas temporadas emprestado ao Real Oviedo, conquistando a promoção à La Liga na primeira.
Textos de Luiz Inzaurralde, El Observador. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.