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Mundial 2026: perfis dos jogadores do México
13. GUILLERMO OCHOA
Data de nascimento: 13 de julho de 1985
Clube: Limassol
Posição: Guarda-redes
Lenda
Guillermo Ochoa fez carreira a aparecer quando o mundo está a ver. Desde as suas exibições inesquecíveis em Mundiais, especialmente no Brasil 2014, onde parecia repelir tudo, até a uma viagem por clubes de todo o planeta, passando por França, Espanha, Itália e agora Chipre, «Paco Memo» construiu um legado assente em reflexos e resiliência. «O Mundial é onde me sinto mais vivo», disse outrora. Conhecido pelas suas defesas felinas e pela capacidade de se agigantar nos grandes momentos, tem sido muitas vezes a última linha e a maior esperança do México. Fora dos relvados, Ochoa é calmo, quase reservado, contrastando com o seu estilo explosivo na baliza. Pai e homem de família, tem sabido conciliar a longevidade com a consistência, mantendo-se relevante através de gerações. Poucos guarda-redes definem uma era como Ochoa, e menos ainda continuam a fazê-lo na casa dos 40 anos — Ochoa completa 41 anos durante a fase a eliminar —, mesmo que, à data em que este texto foi escrito, tenha sido titular em apenas um jogo internacional nos últimos dois anos.
1. RAÚL RANGEL
Data de nascimento: 25 de fevereiro de 2000
Clube: Guadalajara
Posição: Guarda-redes
A ascensão de Rangel no Chivas foi construída com paciência e presença. Apelidado de «Tala», exibe-se com a autoridade calma de um guarda-redes mais velho do que os seus 26 anos indicam, comandando a sua área e confiando nos seus instintos. A sua afirmação surgiu quando o Chivas precisava de segurança e ele correspondeu, combinando reflexos apurados com um forte sentido posicional. Ao contrário do tradicional guarda-redes ruidoso e que passa o tempo a gritar, o estilo de Rangel é mais ponderado, escolhendo os momentos certos para fazer a diferença. Fora das quatro linhas, é conhecido por manter um perfil discreto, focado numa evolução constante e longe do mediatismo. Essa mentalidade reflete-se no seu jogo: raramente se precipita, raramente treme. Pode ainda não ter os holofotes mundiais apontados a si, mas Rangel parte para o Mundial como a provável primeira escolha do México, possuindo as ferramentas e o temperamento necessários para atingir patamares muito superiores.
12. CARLOS ACEVEDO
Data de nascimento: 19 de abril de 1996
Clube: Santos Laguna
Posição: Guarda-redes
Vocal
Acevedo não se limita a guardar a baliza; ele vive nela. Apaixonado, vocal e muitas vezes espetacular, o capitão do Santos Laguna construiu a reputação de ser um dos guarda-redes mais empolgantes da Liga MX. As suas defesas por instinto e a propensão para se lançar a situações impossíveis tornaram-no num dos favoritos dos adeptos em Torreón. «Gosto de sentir o jogo, de o viver intensamente», afirmou. Essa intensidade é constante: grita instruções, festeja desvios e reage a cada lance. Fora do campo, Acevedo é igualmente focado, sendo conhecido pela sua liderança e pela forte ligação com os companheiros de equipa. É também aberto relativamente às exigências mentais da sua posição, preferindo abraçar a pressão em vez de a evitar. Numa função onde os erros são ampliados, Acevedo opta por jogar no limite e, na maioria das vezes, resulta.
5. JOHAN VÁSQUEZ
Data de nascimento: 22 de outubro de 1998
Clube: Génova
Posição: Defesa
Se Vásquez joga como se nunca nada lhe tivesse sido oferecido, é porque nunca foi. Criado em Navojoa, longe dos tradicionais polos do futebol mexicano, subiu passo a passo nos escalões inferiores, antes de chegar à Europa. No Génova, conquistou o respeito da forma mais difícil, adaptando-se às exigências tácticas da Serie A com garra e inteligência. «Pensava que sabia defender no México, mas não sabia», admitiu. «Quando cheguei aqui, havia coisas que nunca me tinham ensinado. Lá, perdoam-te. Aqui, não perdoam um único erro». Defesa-central canhoto, é agressivo nos duelos mas composto com a bola nos pés, saindo frequentemente a jogar para iniciar os ataques. Fora dos relvados, mantém um perfil discreto, amparado pela família e pelas suas raízes, raramente se deixando atrair pelas luzes da ribalta. Essa humildade transparece no seu jogo: sem fitas, apenas com coordenação, posicionamento e consistência. Vásquez não é exuberante, mas as suas exibições falam por si, tratando-se de um defesa que lê o perigo cedo e encara cada lance como se fosse decisivo. Fez parte da seleção mexicana que conquistou a medalha de bronze olímpica em 2021.
2. JORGE SÁNCHEZ
Data de nascimento: 10 de dezembro de 1997
Clube: PAOK
Posição: Defesa
O maratonista
Sánchez construiu a sua carreira com base na velocidade, na intensidade e na recusa em baixar os braços. Desde os seus primeiros dias no Santos Laguna até se tornar uma figura fulcral no Club América, afirmou-se como um lateral-direito dinâmico que vive do movimento constante. A sua aventura europeia levou-o a passar por Ajax, FC Porto e agora PAOK, onde continua a adaptar-se a diferentes exigências tácticas. Sánchez surge no seu melhor quando faz desmarcações ofensivas em sobreposição e combinações rápidas, demonstrando uma energia assinalável. «Nunca paro de correr, esse é o meu jogo», disse uma vez. Fora do campo, é conhecido pela sua confiança e personalidade vincada, traços que por vezes espelham o seu estilo agressivo nas quatro linhas. Quando encontra o equilíbrio entre o ataque e a defesa, torna-se uma arma interessante no corredor direito.
3. CÉSAR MONTES
Data de nascimento: 24 de fevereiro de 1997
Clube: Lokomotiv Moscovo
Posição: Defesa
Ameaça nas bolas paradas
Montes pode ser chamado de «El Cachorro» — uma alcunha dada por um tio pouco antes da sua estreia profissional —, mas há uma autoridade tranquila em tudo o que faz. Alto, dominante no jogo aéreo e composto sob pressão, construiu a sua reputação no Monterrey antes de levar o seu jogo para o estrangeiro, sendo agora o esteio da defesa do Lokomotiv de Moscovo. O seu estilo combina a força tradicional de um defesa-central com a capacidade moderna de sair a jogar, surgindo raramente apressado e sempre ciente do espaço. «Sempre gostei de defender de forma dura, mas leal», afirmou outrora, e esse equilíbrio define-o. Fora das quatro linhas, Montes é conhecido pela sua postura calma e pela vida familiar reservada, muito distante do ruído que envolve muitos profissionais. No relvado, porém, é decisivo: uma ameaça constante nas bolas paradas e um defesa que organiza quem o rodeia. Não corre atrás das atenções, deixa que elas venham ter consigo.
15. ISRAEL REYES
Data de nascimento: 23 de maio de 2000
Clube: América
Posição: Defesa
Reyes tornou-se, sem alarido, num dos defesas mais polivalentes do futebol mexicano. Sentindo-se confortável tanto como defesa-central como a lateral, construiu a sua reputação no Puebla antes de entrar na panela de pressão que é o Club América. Ali, as expectativas são implacáveis, mas Reyes adaptou-se rapidamente. Calmo com a bola, tacticamente esclarecido e raramente apressado, lê bem as situações e prefere a antecipação ao desarme de último recurso. Fora dos relvados, é conhecido pela sua personalidade reservada, mantendo um perfil discreto apesar de alinhar num dos clubes mais escrutinados do país. Essa compostura transita para o seu jogo: sem riscos desnecessários, sem pânico. Reyes pode não fazer sempre as manchetes, mas os treinadores valorizam-no exatamente por essa razão: traz equilíbrio, disciplina e fiabilidade onde quer que jogue.
23. JESÚS GALLARDO
Data de nascimento: 15 de agosto de 1994
Clube: Toluca
Posição: Defesa
Gallardo já se reinventou mais do que uma vez. Originalmente um extremo ao serviço do Pumas, evoluiu para um lateral-esquerdo capaz de cobrir todo o corredor, combinando os instintos ofensivos com a responsabilidade defensiva. Essa transformação transformou-o numa presença assídua na seleção do México ao longo dos anos. Veloz, direto e incansável nas suas corridas, Gallardo vive da repetição: sprinta para a frente, recupera a posição defensiva e faz tudo de novo. «Gosto de subir e descer o jogo todo», assumiu, e poucos personificam isso tão bem. Fora dos relvados, é conhecido pela sua personalidade genuína e pela forte ligação às suas raízes, nunca se afastando dos valores que o moldaram. No Toluca, a sua experiência complementa agora os seus atributos físicos, tornando-o numa opção fiável numa função que exige tanto resistência como disciplina.
20. MATEO CHÁVEZ
Data de nascimento: 12 de maio de 2004
Clube: AZ Alkmaar
Posição: Defesa
O futebol nunca foi um sonho distante para Mateo Chávez; fazia parte do dia a dia. Filho do antigo jogador profissional Tilón Chávez, cresceu rodeado pelo jogo, absorvendo os seus ritmos muito antes de pisar o relvado propriamente dito. Essa bagagem reflete-se na sua forma de jogar: composto, consciente e raramente pressionado, mesmo sob coação. No Alkmaar, um clube conhecido por potenciar jovens talentos, Chávez está a refinar um estilo defensivo moderno, assente no posicionamento e numa distribuição limpa a partir de trás. A mudança para a Europa em tenra idade — deixou o Chivas rumo aos Países Baixos no verão passado, aos 21 anos — exigiu adaptação, mas também acelerou o seu crescimento. Fora dos relvados, carrega essa linhagem futebolística com um orgulho silencioso, longe do ruído mediático. Ainda no início do seu percurso, Chávez não está apenas a seguir um caminho, está a tentar acrescentar algo a um legado.
4. EDSON ÁLVAREZ
Data de nascimento: 24 de outubro de 1997
Clube: Fenerbahçe
Posição: Médio
Trabalho sujo
Álvarez joga futebol como se tratasse de uma batalha pessoal. Desde a sua afirmação no Club América, onde chegou a marcar dois golos numa finalíssima pelo título, até à sua ascensão na Europa, construiu uma reputação baseada na intensidade e na presença física. No Ajax, West Ham e agora Fenerbahçe, tornou-se o tipo de médio que os adversários notam de imediato: forte nos desarmes, dominante nos duelos e incansável na proteção da linha defensiva. «Gosto do trabalho sujo», assumiu, abraçando o lado menos vistoso do jogo. Fora dos relvados, Álvarez carrega a história de um jogador que lutou para subir a partir de origens humildes em Tlalnepantla, mantendo-se profundamente ligado à família e às suas raízes. No campo, traz agressividade, liderança e a sensação de que nada se consegue facilmente — porque, para ele, nunca nada foi fácil.
6. ERIK LIRA
Data de nascimento: 8 de maio de 2000
Clube: Cruz Azul
Posição: Médio
O trinco moderno
Lira é o tipo de jogador em quem os treinadores confiam cegamente. Formado no Pumas, construiu a sua reputação com base na disciplina, na perceção posicional e numa ética de trabalho incansável que raramente esmorece. No Cruz Azul, evoluiu para um médio-centro moderno, sempre bem posicionado, sempre oferecendo uma linha de passe. O seu jogo baseia-se em ler as situações com antecedência em vez de reagir tarde. Fora dos relvados, Lira é conhecido pela sua personalidade tranquila e mentalidade analítica, sendo o género de jogador que estuda os jogos e os adversários ao pormenor, quase como um xadrezista que antecipa as jogadas. Não depende do virtuosismo, mas sim do controlo e do equilíbrio. Numa equipa recheada de talento ofensivo, Lira é quem garante que tudo se mantém unido, passando despercebido para alguns, mas sendo indispensável para quem entende o jogo.
8. ÁLVARO FIDALGO
Data de nascimento: 9 de abril de 1997
Clube: Real Betis
Posição: Médio
Formado no Real Madrid
Fidalgo nunca seguiu propriamente o guião esperado de um produto da academia do Real Madrid, e é isso que torna a sua história tão interessante. Após fazer a formação em Espanha, foi no México, ao serviço do Club América, que verdadeiramente encontrou a sua identidade: um médio definido pela elegância, inteligência e movimentação constante. Agora no Real Betis, transporta esse mesmo ritmo para a La Liga, ditando o jogo com toques rápidos e um posicionamento perspicaz, em detrimento do domínio físico. Apelidado de «El Maguito» pela sua capacidade de fazer a bola desaparecer sob pressão, Fidalgo brilha em espaços curtos. Fora dos relvados, é ponderado e articulado, refletindo frequentemente de forma profunda sobre o jogo e o seu percurso. «O futebol consiste em compreender os espaços», afirmou uma vez — e poucos os leem de forma tão natural como ele.
26. BRIAN GUTIÉRREZ
Data de nascimento: 17 de junho de 2003
Clube: Guadalajara
Posição: Médio
Gutiérrez representa o protótipo do médio moderno de pendor ofensivo, moldado pela confiança e pela criatividade. Desenvolvido num sistema que fomenta a expressão técnica, destaca-se pela facilidade com que ultrapassa os adversários e encontra bolsas de espaço entre as linhas. Ainda numa fase precoce da carreira profissional — completa 23 anos na véspera de o México defrontar a Coreia do Sul —, joga com uma sensação de liberdade, sempre a olhar para a frente, sempre a tentar criar perigo. Essa audácia significa que pode ser inconsistente, mas é também o que o torna perigoso. Fora dos relvados, Gutiérrez faz parte de uma nova geração mais confortável com a exposição, abraçando as redes sociais e o mediatismo que advém de jogar num clube como o Chivas. O seu desafio passa agora por transformar rasgos de brilhantismo em excelência regular, mas o talento puro — pés rápidos, visão e instinto — já lá está.
19. GILBERTO MORA
Data de nascimento: 14 de outubro de 2008
Clube: Club Tijuana
Posição: Médio
Em ascensão
Mora está a aprender rapidamente o que significa estar sob observação. Após as suas exibições no Mundial de Sub-20, o seu nome começou a circular muito para lá da Liga MX, com relatos de que olheiros de clubes como Barcelona, Real Madrid, Arsenal e Manchester United estariam a acompanhar o seu progresso. É um nível de atenção que pode assoberbar os jovens jogadores, mas, até ver, Mora tem lidado bem com isso. No Xolos, como é conhecido o Club Tijuana, joga com uma maturidade invulgar: tecnicamente limpo, confiante sob pressão e sempre a tentar colocar o jogo a andar para a frente. Não se esconde, mesmo quando as partidas se tornam cinzentas. Fora de campo, «o Pedri mexicano» mantém-se humilde. Mora continua em desenvolvimento, mas a trajetória é clara e, agora, os holofotes também.
17. ORBELÍN PINEDA
Data de nascimento: 24 de março de 1996
Clube: AEK Atenas
Posição: Médio
Pineda joga futebol com um sorriso e isso não é apenas um cliché. Seja na Liga MX ou agora na Grécia, ao serviço do AEK de Atenas, a sua energia e alegria são uma constante, refletidas na forma como se movimenta pelo terreno. Polivalente, tecnicamente evoluído e incansável, pode desempenhar várias funções no miolo, procurando sempre ligar os setores. A sua carreira levou-o a passar por clubes de topo no México, como Chivas e Cruz Azul, e a dar o salto para a Europa, inicialmente no Celta de Vigo, adaptando-se de cada vez sem perder a sua identidade. «Limito-me a desfrutar do jogo, onde quer que esteja», afirmou outrora. Fora das quatro linhas, essa mesma leveza de espírito define-o: acessível, descontraído e consensual em qualquer balneário. No relvado, porém, é implacável, pressionando, criando e oferecendo soluções de forma constante. Poucos jogadores combinam capacidade de trabalho e criatividade de forma tão natural como Pineda.
18. OBED VARGAS
Data de nascimento: 5 de agosto de 2005
Clube: Atlético de Madrid
Posição: Médio
Vargas está a chegar mais cedo do que a maioria e a aprender mais rápido do que muitos. Aos 20 anos, já experienciou o tipo de desafios que moldam carreiras, incluindo momentos de destaque contra oponentes de topo como o Barcelona. No Atlético de Madrid, trabalhar sob as ordens de Diego Simeone, acrescentou outra camada à sua evolução: disciplina, rigor táctico e a compreensão do que é preciso para competir ao mais alto nível. «Aqui tens de conquistar tudo» é uma mensagem frequentemente associada às equipas de Simeone, e Vargas vive-a diariamente. Sendo um médio composto que lê bem o jogo e mantém a bola em circulação, combina a serenidade técnica com uma agressividade física em crescimento. Fora dos relvados, exibe uma confiança tranquila. O talento é evidente, mas é o ambiente onde se insere que poderá ditar quão longe conseguirá chegar.
7. LUIS ROMO
Data de nascimento: 5 de junho de 1995
Clube: Guadalajara
Posição: Médio
O rei da polivalência
A carreira de Romo é a prova de que a versatilidade pode ser uma força e não um entrave. Já jogou como médio-defensivo, médio box-to-box e até como defesa-central quando necessário, adaptando-se sempre e correspondendo com exibições seguras. A sua afirmação no Cruz Azul, onde foi instrumental para colocar fim ao longo jejum de títulos do clube, evidenciou o seu discernimento na área e a capacidade de aparecer nos momentos decisivos. «Limito-me a tentar ajudar onde a equipa precisar de mim», referiu uma vez. Fora do campo, Romo é conhecido pela sua postura humilde e forte ética de trabalho, sendo um jogador que construiu o seu trajeto degrau a degrau. No relvado, a sua inteligência e sentido posicional permitem-lhe influenciar os jogos de forma subtil, mas fulcral.
24. LUIS CHÁVEZ
Data de nascimento: 15 de janeiro de 1996
Clube: Dínamo Moscovo
Posição: Médio
Chávez sabe bem o que é esperar. Na infância, passou nove anos separado do pai, que emigrou para os Estados Unidos em busca de trabalho. O reencontro deu-se finalmente anos mais tarde, numa estação de serviço, um momento que Chávez descreveu recentemente num documentário da Claro Sports como algo que jamais esquecerá. O seu trajeto no futebol foi igualmente exigente. Lutou para singrar no futebol mexicano antes de emergir como figura de proa no Pachuca, rejeitando depois propostas lucrativas da Liga MX para perseguir o sonho europeu no Dínamo Moscovo. À semelhança de César Huerta, as lesões ameaçaram deitar por terra as suas aspirações de marcar presença no Mundial, afastando-o dos relvados por mais de 300 dias esta temporada. Ainda assim, Chávez nunca foi de escolher o caminho mais fácil. Os adeptos do México ainda têm bem fresco na memória o fantástico golo de livre que apontou frente à Arábia Saudita no Catar 2022, um dos tentos mais belos da história do país em Mundiais. Um pé esquerdo dotado, uma determinação implacável e uma vida moldada pelo sacrifício fazem dele uma das figuras mais cativantes da comitiva mexicana.
10. ALEXIS VEGA
Data de nascimento: 25 de novembro de 1997
Clube: Toluca
Posição: Avançado
Explosivo
Vega sempre jogou por instinto. Explosivo, imprevisível e capaz de momentos que outros nem sequer tentam, construiu a sua reputação como um dos atacantes com maior virtuosismo natural do México. Desde os seus primeiros dias no Toluca até à sua passagem pelo Chivas e posterior regresso, Vega tem sido o tipo de jogador capaz de resolver uma partida em segundos: um drible repentino, um remate potente, uma decisão inesperada. «Gosto de desfrutar do futebol, de jogar de forma livre», afirmou, e essa liberdade define tanto os seus melhores momentos como as suas inconsistências. Fora do campo, enfrentou escrutínio e pressão, parte da realidade de ser um talento de grande perfil no México. Mas quando está focado e confiante, Vega continua a ser um desequilibrador que poucos defesas conseguem travar com conforto.
25. ROBERTO ALVARADO
Data de nascimento: 7 de setembro de 1998
Clube: Guadalajara
Posição: Extremo
Roberto Alvarado, que herdou a alcunha de «El Piojo» do seu herói argentino Claudio López, joga com a liberdade de quem nunca perdeu os instintos do futebol de rua. Desde os seus primeiros dias no Necaxa, os seus pés rápidos e o drible destemido saltaram à vista, e no Chivas assumiu a responsabilidade de ser um elemento diferenciador. Canhoto, explosivo e procurando sempre encarar os defesas, aparece transfigurado nos momentos de maior fulgor ofensivo. «Gosto de jogar sem medo», sublinhou. Fora das quatro linhas, Alvarado é conhecido pela sua personalidade descontraída, sentido de humor e gosto pela música, partilhando frequentemente detalhes de um lado mais leve e relaxado que contrasta com a sua intensidade nos jogos, listando como passatempos passear os seus cães e ver filmes. Tenta lances que outros evitam e por vezes falha, mas essa imprevisibilidade é precisamente o que o torna perigoso. Em dia sim, pode inclinar o jogo sozinho.
16. JULIÁN QUIÑONES
Data de nascimento: 24 de março de 1997
Clube: Al-Qadsiah
Posição: Avançado
Guerreiro da frente de ataque
Nascido na Colômbia mas naturalizado mexicano, com esposa natural de Monterrey, Quiñones recusou uma convocatória do país de nascimento em 2023 por se sentir plenamente integrado no futebol mexicano, com a imprensa local a relatar que estaria «cansado de ser ignorado». O seu trajeto sempre carregou o sentido de ter de provar o seu valor, e isso nota-se no seu jogo. Poderoso, direto e implacável, construiu a sua reputação na Liga MX como um avançado que ataca o espaço com agressividade e nunca para de pressionar os defesas. O Atlas e o Club América transformaram-no num vencedor de títulos e numa ameaça constante. «Gosto de disputar cada bola», afirmou outrora, e essa mentalidade define-o. Fora do campo, Quiñones mantém um perfil relativamente discreto, mas a sua história de superação de fronteiras e adaptação cultural acrescenta outra camada à sua identidade. No relvado, traz intensidade, força e um instinto de avançado que nunca se desliga.
11. SANTIAGO GIMENEZ
Data de nascimento: 18 de abril de 2001
Clube: Milan
Posição: Avançado
Gimenez cresceu rodeado de futebol, mas a sua ascensão esteve longe de ser automática. Filho do antigo internacional mexicano Christian «Chaco» Gimenez, teve de traçar o seu próprio caminho, primeiro no Cruz Azul e depois na Europa, onde o seu faro de golo dentro da área saltou rapidamente à vista. No Milan, continua a refinar a arte de ser avançado-centro assente na movimentação, na antecipação e na finalização clínica, embora chegue ao Mundial na ressaca de uma temporada difícil. «Os golos surgem por estarmos no sítio certo à hora certa», afirmou, e esse é normalmente o local onde o podemos encontrar. Profundamente religioso, Gimenez fala frequentemente da fé como uma força orientadora na sua vida, celebrando os golos com gestos que espelham essa crença.
14. ARMANDO GONZÁLEZ
Data de nascimento: 20 de abril de 2003
Clube: Guadalajara
Posição: Avançado
«A Formiga»
González é conhecido como «La Hormiga», uma alcunha que começou devido a um medo de infância e não por uma questão de força. «Quando era muito pequeno, achava que as formigas eram algo muito mau, do género que te matavam ou eram venenosas ou algo assim», explicou. «Tinha medo, e depois um tio começou a chamar-me Formiga e ficou. Ninguém me trata por Armando, mas gosto muito que me chamem Formiga». A ironia é evidente: no relvado, González joga como alguém que não tem medo de nada. Enérgico, persistente e em constante pressão, vive de perseguir os defesas e esticar as linhas recuadas. No Chivas, começa a conquistar oportunidades devido à sua entrega total. A sua evolução também não passa despercebida, com clubes como o Borussia Dortmund e o Feyenoord apontados como estando atentos ao seu progresso. Fora do campo, mantém-se humilde, ciente de que a atenção é apenas o começo. «La Hormiga» pode ter começado como uma piada, mas agora assenta que nem uma luva a um jogador que nunca para de se mexer.
22. GUILLERMO MARTÍNEZ
Data de nascimento: 15 de março de 1995
Clube: Pumas
Posição: Avançado
O percurso de Martínez até ao patamar de elite esteve longe de ser linear. Conhecido como «Memote», passou anos a saltar de equipa em equipa, principalmente no segundo escalão do México, antes de finalmente se fixar na Liga MX com a camisola do Pumas. «Achava que estava a jogar bem, mas nunca recebia a oportunidade e muitas vezes pensei em desistir», revelou. «Não sabia se era bom o suficiente». Esse processo moldou um avançado que valoriza cada oportunidade de que dispõe atualmente. Alto, forte, físico e sempre pronto para a batalha com os defesas, o seu estilo é direto: jogo de costas para a baliza, duelos aéreos e uma enorme disponibilidade para o trabalho duro na grande área. «Nada me surgiu fácil», assumiu, refletindo sobre uma carreira construída a pulso. Pode não encaixar no molde de uma estrela tradicional, mas a sua determinação tornou-o impossível de ignorar.
9. RAÚL JIMÉNEZ
Data de nascimento: 5 de maio de 1991
Clube: Fulham
Posição: Avançado
Regressado do abismo
Após a fratura craniana sofrida em 2020 que ameaçou a sua carreira e o afastou dos relvados durante oito meses, Raúl Jiménez reapareceu com uma fita protetora na cabeça e uma perspetiva de vida completamente diferente. «Quase perdi tudo, até a vida. Por isso, procuro desfrutar do futebol o máximo que posso», explicou. «Tudo, não apenas o futebol. Procuro desfrutar mais de tudo». Em Inglaterra é admirado pela sua compostura e capacidade de ligação, mas a sua história acarreta mais peso do que os golos por si só. No entanto, têm surgido algumas críticas recentemente, por entre os maus resultados da seleção nacional e um jejum pessoal de golos (excetuando penáltis) — o avançado criticou os adeptos pelos assobios, enquanto José Ramón Fernández, o decano do jornalismo desportivo mexicano, o apontou recentemente como o jogador mais sobrevalorizado da convocatória.
CÉSAR HUERTA
Data de nascimento: 3 de dezembro de 2000
Clube: Anderlecht
Posição: Extremo
A carreira de Huerta nunca seguiu uma linha reta. Produto da academia do Chivas, não conseguiu afirmar-se no maior clube do México e passou anos à procura de uma oportunidade através de empréstimos ao Atlético Morelia e ao Mazatlán. Para muitos jogadores, esses desvios tornam-se becos sem saída. Para Huerta, serviram de motivação. Tudo mudou no Pumas, onde a sua irreverência no drible, energia e personalidade o transformaram num dos avançados mais entusiasmantes da Liga MX. As suas exibições valeram-lhe, eventualmente, a ambicionada mudança para a Europa. As lesões tornaram a sua primeira época no Anderlecht, da Bélgica, frustrante, afastando-o dos relvados durante grande parte da campanha, mas Huerta recusou-se a deixar que a adversidade o definisse. «Temos de continuar a acreditar, mesmo quando mais ninguém acredita», afirmou na série documental da Claro Sports La Selección en Tus Manos. Vertical, imprevisível e cheio de confiança, «Chino» chega a um Mundial disputado (em grande parte) em casa como a prova viva de que a perseverança pode, por vezes, ser o maior talento de todos.
Textos de Jesús Valdéz for Claro Sports. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.