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Mundial 2026: perfis dos jogadores do Irão
1. ALIREZA BEIRANVAND
Data de nascimento: 21 de setembro de 1992
Clube: Tractor
Posição: Guarda-redes
Guarda-redes número 1
Passou quase uma década desde que Beiranvand se estabeleceu como a primeira escolha para a baliza do Irão, tendo ganho enorme popularidade após defender um penálti de Cristiano Ronaldo no Mundial de 2018. Nos últimos anos, porém, tem estado rodeado de polémica devido a algumas declarações invulgares e à sua saída do Persepolis. As suas exibições pela seleção nacional pioraram desde a mudança para o Tractor, levando alguns críticos a exigir a sua retirada do onze inicial do Irão. A sua famosa defesa do penálti contra Ronaldo ficou tão enraizada na cultura popular que foi recriada, nos últimos anos, em duas séries da televisão iraniana, The Rebel e The Savage, como parte do enredo. Além disso, na sequência das suas exibições de destaque no Rússia 2018, foi produzido um filme baseado na sua turbulenta história de vida — uma nova boa prestação este verão poderá inspirar uma sequela.
12. PAYAM NIAZMAND
Data de nascimento: 6 de abril de 1995
Clube: Persepolis
Posição: Guarda-redes
O quarto guarda-redes do Irão no Mundial de 2022 (o Irão foi a única equipa a convocar quatro guardiões) reduziu a desvantagem para Alireza Beiranvand a tal ponto que, agora, um único deslize do homem do Tractor poderá fazer de Niazmand o número 1 do Irão. Tendo-se transferido para o Persepolis no início da época 2025/26, Niazmand afirmou na sua primeira entrevista: «O maior sonho de qualquer guarda-redes é jogar no Mundial. Estive no último Mundial, mas não tive a oportunidade de jogar. Desta vez estou muito mais motivado e espero somar minutos em campo». Esta temporada, sob a orientação de Emilio Álvarez — antigo treinador de guarda-redes de David de Gea no Manchester United —, o guardião mostrou melhorias significativas. No entanto, o que tem impedido Niazmand de se tornar o dono da baliza do Irão é uma quebra de confiança nos jogos internacionais. Será diferente este ano?
22. SEYED HOSSEIN HOSSEINI
Data de nascimento: 30 de junho de 1992
Clube: Sepahan
Posição: Guarda-redes
«Já tinha idealizado isto e estava muito feliz por jogar no Mundial. Tinha trabalhado arduamente e estava contente por ter alcançado o meu objetivo», disse Hosseini sobre o jogo contra a Inglaterra no Mundial de 2022. Mas a maior lição que retirou dessa partida foi a rapidez com que um sonho se pode transformar num pesadelo: após entrar para o lugar do lesionado Alireza Beiranvand, a sua participação de 70 minutos terminou com seis golos sofridos, naquele que foi o desaire mais pesado do Irão na história dos Mundiais. Hosseini também jogou os 90 minutos completos no segundo jogo, contra o País de Gales — mantendo a baliza a zeros —, mas caiu agora para terceira escolha. Ainda assim, não lhe falta confiança: «Tenho sido o guarda-redes em melhor forma no Irão nos últimos anos. Os outros não têm sido nada de excecional.»
25. DANIAL IRI
Data de nascimento: 26 de outubro de 2003
Clube: Malavan
Posição: Defesa-central
Iri tem sido uma das revelações do futebol iraniano nas últimas duas temporadas e já despertou um interesse significativo de outros clubes. É um defesa forte, capaz de construir jogo a partir de trás, e a sua apetência no jogo aéreo torna-o uma ameaça em ambas as áreas — marcou dois golos num recente jogo de treino à porta fechada com a seleção do Irão. O jovem defesa esteve tão bem na última época que Mehdi Pashazadeh, antigo defesa do Bayer Leverkusen que jogou pelo Irão no Mundial de 1998, pediu publicamente não só a sua convocatória para o Mundial, mas a sua titularidade. Após uma das vitórias do Malavan na Taça, esta temporada, surgiu um vídeo que mostrava Iri a dançar efusivamente no balneário. Assim, mesmo que Iri não tenha a oportunidade de jogar, caso o Irão vença algum dos seus jogos no Mundial, poderá sempre demonstrar os seus dotes fora das quatro linhas.
4. SHOJA KHALILZADEH
Data de nascimento: 14 de maio de 1989
Clube: Tractor
Posição: Defesa-central
Sem rodeios
Shoja — cujo nome em persa significa «corajoso» ou «destemido» — é o tipo de defesa que nunca se deixa intimidar, seja em batalhas dentro de campo ou em confrontos fora dele. Tem sido consistentemente um dos jogadores com mais cartões amarelos e vermelhos na liga iraniana. Recentemente, envolveu-se numa disputa mediática com o seu amigo de longa data e antigo colega de equipa Hossein Kanaani-Zadegan, o que levou a que ambos deixassem de se seguir no Instagram. A dupla, que durante muito tempo formou a espinha dorsal da defesa do Irão, trocou provocações durante um jogo entre o Tractor e o Persepolis na Taça Hazfi, imitando as celebrações de golo um do outro. Depois de ter sido remetido ao banco por Carlos Queiroz no Qatar 2022, espera-se que Khalilzadeh seja um titular fulcral sob as ordens de Amir Ghalenoei este verão.
19. ALI NEMATI
Data de nascimento: 7 de fevereiro de 1996
Clube: Foolad Khuzestan
Posição: Defesa-central, lateral-esquerdo
Ajudar o próximo
Nemati poderá não ter muitas hipóteses de jogar no Mundial, mas o simples facto de integrar a convocatória é uma conquista assinalável para um jogador que esteve perto de desistir do futebol aos 18 anos. Quase falhou as captações para as seleções jovens do Irão por chegar atrasado e, pouco tempo depois, um acidente de mota resultou numa fratura no braço e na clavícula, afastando-o dos relvados durante um ano inteiro. No entanto, trabalhou para regressar ao nível máximo e somou a sua primeira internacionalização aos 29 anos, durante a qualificação para o Mundial de 2026. Fora de campo, o polivalente defesa também tem demonstrado um lado solidário. Há algum tempo, ajudou a libertar cidadãos detidos devido a dívidas financeiras, pagando o valor que estes deviam.
13. HOSSEIN KANANI-ZADEGAN
Data de nascimento: 23 de março de 1994
Clube: Persepolis
Posição: Defesa-central
Polémico
Defesa fisicamente imponente, Kanani-Zadegan é conhecido por fazer manchetes não só pelas suas exibições, mas também pelas suas entrevistas polémicas. Um desses momentos aconteceu quando uma mensagem de voz divulgada o apanhou a convidar uma mulher não identificada para partilhar um momento romântico no autocarro da seleção nacional. A onda de indignação resultou numa suspensão de dois jogos. À semelhança de Shoja Khalilzadeh, perdeu a titularidade após o regresso de Carlos Queiroz, antes do Mundial de 2022, jogando apenas 45 minutos contra a Inglaterra. Após a saída de Queiroz, comentou na publicação de despedida do treinador no Instagram: «Tu traíste o Irão, não a mim e ao Shoja». Mais tarde, quando Queiroz assumiu o comando do Qatar, Kanani-Zadegan marcou duas vezes na vitória por 4-0 do Irão, consumando o que muitos viram como uma vingança. Ao recordar a sua única aparição no Mundial de 2022, afirmou uma vez: «Se o Rashford tivesse jogado pelo meu lado, tinha-o matado.»
23. RAMIN REZAEIAN
Data de nascimento: 21 de março de 1990
Clube: Foolad Khuzestan
Posição: Lateral-direito
Showman
Nenhum jogador no futebol iraniano adora tanto o espetáculo como Rezaeian. Tendo jogado nos três maiores clubes do Irão — Persepolis, Esteghlal e Sepahan —, raramente faz algo sem acrescentar um toque de irreverência. Inscreveu o seu nome na história do futebol iraniano no Mundial de 2022 ao marcar o segundo golo do Irão contra o País de Gales. Ainda assim, a julgar pela sua publicação fixada no Instagram, o seu confronto com Cristiano Ronaldo no Mundial de 2018 parece ter uma importância pessoal ainda maior. Ao falar sobre esse jogo num programa de televisão, disse: «Gosto muito do Ronaldo e foi estranho jogar contra ele. Meti-me um bocado com ele... Até lhe disse: "Se não estás a gostar, troca de lado e vai jogar para ali".» Rezaeian é um lateral-direito de pendor ofensivo, o que muitas vezes deixa espaço nas suas costas para os adversários explorarem.
2. SALEH HARDANI
Data de nascimento: 26 de dezembro de 1998
Clube: Esteghlal
Posição: Lateral-direito
Uma das muitas tatuagens de Hardani reflete a sua abordagem à vida: paciência, silêncio e esforço. No início da presente temporada, viu-se remetido ao banco no Esteghlal e parecia improvável que garantisse um lugar na seleção nacional para o Mundial. No entanto, lutou para regressar ao onze inicial, tornando-se um dos capitães de equipa e garantindo uma vaga na comitiva de Amir Ghalenoei. Apesar da sua estatura relativamente baixa, Hardani possui uma fisionomia forte e musculada. Esta força física ajudou-o a rubricar uma exibição de gala contra Sadio Mané num jogo frente ao Al-Nassr, na Liga dos Campeões Elite da AFC, o ano passado. Em março, enquanto Hardani estava concentrado com a seleção, a sua casa em Teerão foi gravemente danificada num bombardeamento atribuído aos Estados Unidos e a Israel. Em resposta, declarou: «Que seja sacrificada pelo povo amado do meu país.»
3. EHSAN HAJSAFI
Data de nascimento: 25 de fevereiro de 1990
Clube: Sepahan
Posição: Lateral-esquerdo
Joga com raiva
Hajsafi participou em todos os nove jogos do Irão nos últimos três Mundiais, mas, quando deixou de ser convocado para a seleção nacional nos últimos dois anos, pareceu que a sua carreira internacional poderia ter chegado ao fim. Contudo, as exibições frouxas de outros candidatos a lateral-esquerdo convenceram Amir Ghalenoei a resgatá-lo a escassos meses do Mundial, dando a Hajsafi a oportunidade de, aos 36 anos, se tornar o primeiro jogador iraniano a atingir os dois dígitos de internacionalizações em Mundiais. Uma das principais razões para a longa e bem-sucedida carreira de Hajsafi é o seu estilo de vida calmo, disciplinado e livre de polémicas. No relvado, porém, é conhecido pela sua intensidade, comparando o seu estilo de jogo com um emoji em particular: «Sou agressivo em campo e não brinco com ninguém. Isso vem das exigências do jogo — todos têm de vir com 100% de foco e preparação. Podem usar o emoji vermelho zangado para me descrever nos jogos, porque sou muito sério e intenso».
5. MILAD MOHAMMADI
Data de nascimento: 29 de setembro de 1993
Clube: Persepolis
Posição: Lateral-esquerdo
Após oito anos a jogar por clubes na Rússia, Bélgica, Grécia e Turquia, Mohammadi — cujo irmão gémeo, Mehrdad, joga no Irão, ao serviço do Tractor — regressou à liga iraniana em 2024 para representar o Persepolis. No entanto, jogar pela equipa da sua infância não lhe correu bem e, após uma década como titular indiscutível na seleção nacional, perdeu o seu lugar na comitiva durante algum tempo. Esse período de quebra coincidiu com a decisão do então treinador do Persepolis, o antigo avançado do Bayern Munique Vahid Hashemian, de o colocar a jogar como lateral-direito. Após a saída de Hashemian, Mohammadi foi recolocado na esquerda, onde reencontrou a sua forma e, consequentemente, o seu lugar na seleção. Mohammadi pode, por vezes, hesitar em momentos cruciais, mas, sendo um lateral-esquerdo rápido e combativo, pode ser um grande trunfo quando está na máxima forma. Com a sua capacidade de contribuir no ataque e defender com solidez, pode complicar a vida aos extremos-direitos adversários.
17. ARYA YOUSEFI
Data de nascimento: 22 de abril de 2002
Clube: Sepahan
Posição: Lateral-direito
Yousefi é um dos três laterais-direitos na convocatória do Irão, mas o último amigável antes do anúncio da lista final sugeriu que Amir Ghalenooei poderá utilizá-lo em múltiplas posições. Nesse jogo contra a Gâmbia, Yousefi começou como lateral-direito, mas na segunda parte subiu para o meio-campo e até marcou um golo. Falando sobre as suas mudanças posicionais e sobre jogar como extremo, afirmou: «Sou um jogador que, desde os meus 18 anos, tem jogado em diferentes posições, com base nas decisões dos treinadores. Agora, com a aprovação do Sr. Ghalenooei e da equipa técnica, foi-me atribuída uma nova posição. Onde quer que o treinador decida, é meu dever jogar.» Yousefi foi incluído na comitiva apesar de não ter sido chamado para os amigáveis do Irão em março. No entanto, após Danial Eiri ter ficado impossibilitado de se juntar à equipa devido a problemas com o visto, Ghalenooei convocou Yousefi, e este acabou por conseguir garantir um lugar.
15. ROUZBEH CHESHMI
Data de nascimento: 24 de junho de 1993
Clube: Esteghlal
Posição: Médio-defensivo
Com 1,94m de altura, este médio-defensivo é mais conhecido pelo seu olhar severo e sobrancelhas franzidas — a menos que se mencione o momento mais inesquecível da sua carreira: o golo soberbo contra o País de Gales no Mundial de 2022, um remate espetacular de longa distância de fora da área. «Eu nem sequer remato assim no PlayStation», disse Cheshmi. «Mas quando a bola me chegou, não conseguia ouvir nada — nem o estádio, nem os meus colegas de equipa a pedir o passe. Foi verdadeiramente obra de Deus». Antigo capitão da seleção sub-23 do Irão, também é capaz de jogar como defesa-central. Contra a Inglaterra, também em 2022, foi colocado no coração da defesa de cinco elementos do Irão, mas assinou uma exibição modesta: «Sim, fui responsável por dois golos», admitiu. Quer tenha outra noite difícil ou marque outro golo decisivo no Mundial de 2026, Cheshmi tem agora motivos ainda mais importantes para sorrir: os seus gémeos, Salman e Mila, que nasceram escassos meses após o Mundial do Qatar.
6. SAEID EZATOLAHI
Data de nascimento: 1 de outubro de 1996
Clube: Shabab Al-Ahli
Posição: Médio-defensivo
Se o golo de Ezatolahi contra a Espanha no Mundial de 2018 não tivesse sido anulado por fora de jogo, ter-se-ia tornado o autor de um dos golos mais importantes da história do futebol iraniano, com apenas 22 anos. Mas a bandeira subiu, e essa não seria a única desilusão para um jogador outrora considerado um dos talentos mais brilhantes da sua geração. Ezatolahi transferiu-se para o Atlético Madrid aos 17 anos, mas, em vez de atingir o topo do futebol europeu, teve uma carreira itinerante. Em outubro de 2025, Ezatolahi capitaneou a seleção nacional do Irão pela primeira vez num jogo particular contra a Tanzânia. Após a partida, escreveu no Instagram: «Fiz um pacto comigo mesmo de lutar sempre pelos meus sonhos, não temer nenhum jogo e colocar sempre a honra do Irão acima de tudo». Médio alto e elegante, Ezatolahi combina tarefas defensivas e organização recuada com a propensão para se juntar ao ataque e contribuir com golos. Quando foi afastado da Taça das Nações Asiáticas de 2019 devido a lesão, gravou um rap para a canção Balatar, em apoio à equipa.
14. SAMAN GHODDOS
Data de nascimento: 6 de setembro de 1993
Clube: Al Ittihad Kalba (EAU)
Posição: Médio-ofensivo
A década de Carlos Queiroz à frente do Irão teve um impacto significativo na seleção nacional, e um dos seus legados duradouros é a integração de jogadores com dupla nacionalidade ou de segunda geração de iranianos nascidos fora do país. Um desses jogadores é Saman Ghoddos, nascido em Malmö, na Suécia, de pais iranianos. Chegou mesmo a representar a Suécia em duas internacionalizações AA, mas, ao perceber que não seria incluído na comitiva sueca para o Mundial de 2018, aceitou o convite de Queiroz para jogar pelo Irão. Essa decisão marcou um ponto de viragem histórico. Um dos seus cruzamentos de bola parada contra Marrocos, no Mundial de 2018, resultou num autogolo, ajudando o Irão a garantir uma das suas vitórias mais memoráveis na história dos Mundiais. A nível de clubes, Ghoddos destacou-se no Östersund sob o comando de Graham Potter, onde ajudou o clube a vencer a Taça da Suécia e foi eleito Avançado Sueco do Ano. À medida que a carreira progrediu, recuou gradualmente no terreno. No Brentford de Thomas Frank, chegou a ser utilizado como lateral. Na seleção nacional, contudo, Ghoddos é habitualmente utilizado como um médio-centro trabalhador que apoia o ataque, munido de um potente remate de meia-distância.
21. MOHAMMAD GHORBANI
Data de nascimento: 21 de maio de 2001
Clube: Al Wahda (EAU)
Posição: Médio-defensivo
Ghorbani integrou os estágios da seleção nacional do Irão na preparação para o Mundial de 2022, mas acabou por não entrar na lista final. No entanto, nos últimos quatro anos, com a experiência adquirida nas ligas russa e emirati, tornou-se uma presença assídua na estrutura da seleção nacional, e nunca houve dúvidas de que Amir Ghalenoei o incluiria na sua convocatória final, mesmo que o seu lugar no onze inicial não esteja assegurado. Ghorbani é um daqueles jogadores polivalentes que, ao longo da carreira, já desempenhou várias funções, incluindo lateral-esquerdo, defesa-central e até atrás do avançado, mas na seleção nacional joga apenas como médio-defensivo. À semelhança de muitos membros da comitiva, Ghorbani expressou o seu otimismo quanto às hipóteses de o Irão ir além da fase de grupos. Após o sorteio, afirmou que o Irão poderia vencer a Nova Zelândia por 1-0 ou 2-0, conseguir pelo menos um empate contra a Bélgica e o Egito, e qualificar-se para a eliminatória seguinte.
26. AMIRMOHAMMAD RAZZAGHINIA
Data de nascimento: 11 de abril de 2006
Clube: Esteghlal
Posição: Médio-centro
Estrela do futuro
O membro mais jovem da seleção nacional do Irão neste Mundial é um jovem médio que, após passar pelas seleções de sub-16, sub-17, sub-20 e sub-23, rubricou exibições de alto nível na liga iraniana nas últimas duas temporadas, conseguindo cavar o seu espaço na seleção AA com apenas 20 anos. Estreou-se como titular contra a Coreia do Norte em junho passado e prefere jogar como médio-defensivo, embora, caso surja à vista da baliza, disponha também de um remate forte e perigoso. Numa das suas raras entrevistas na televisão, realizada escassos dias antes do anúncio da convocatória final para o Mundial, Razzaghinia não conseguiu responder às perguntas de cultura geral do apresentador sobre as participações anteriores do Irão em Mundiais, e o vídeo rapidamente se tornou viral nas redes sociais. Nessa mesma entrevista, afirmou: «O jogo contra a Nova Zelândia é o nosso desafio mais difícil porque é a partida de estreia. Temos de vencer este jogo obrigatoriamente e, depois disso, pensaremos nos encontros seguintes».
7. ALIREZA JAHANBAKHSH
Data de nascimento: 11 de agosto de 1993
Clube: Dender (Bélgica)
Posição: Extremo-direito
Viajado
Jahanbakhsh é uma das poucas estrelas iranianas que nunca jogou por nenhum dos dois grandes clubes de Teerão, o Persepolis ou o Esteghlal. Aos 19 anos rejeitou o Persepolis em detrimento de uma mudança para os Países Baixos, rumo ao NEC Nijmegen. Essa decisão explica, em parte, a sua popularidade relativamente dividida entre alguns adeptos de futebol no Irão. Jahanbakhsh é natural da província de Gilan, no norte do Irão, uma região cujos habitantes são frequentemente associados a traços faciais proeminentes. Durante a sua passagem pelo Brighton, envolveu-se num desentendimento com o defesa do Manchester City, Kyle Walker. Ao recordar o incidente, contou: «Ele tocou-me e bateu-me no nariz. Sou do norte do Irão e nós temos narizes grandes — é difícil falhar!». Aos 32 anos, Jahanbakhsh é mais uma arma vinda do banco do que propriamente um titular indiscutível, tendo perdido parte da velocidade explosiva que exibiu nos seus anos áureos no Alkmaar, entre 2015 e 2018, quando as suas arrancadas incisivas e golos espetaculares de fora da área faziam dele um dos jogadores mais temidos da Eredivisie.
10. MEHDI GHAYEDI
Data de nascimento: 5 de dezembro de 1998
Clube: Al Nassr (EAU)
Posição: Extremo-esquerdo
Pode decidir um jogo
Pouco depois de Ghayedi se ter transferido para o Esteghlal, em julho de 2017, tornou-se num dos jogadores mais jovens da história da Pro League do Irão, mas rapidamente ficou claro que o seu percurso rumo ao topo não seria fácil: no mês de janeiro seguinte, ao conduzir em alta velocidade, o seu carro despistou-se, provocando a morte de um amigo e enviando o jogador para os cuidados intensivos. Desde então, uma combinação de lesões e problemas extra-futebol limitaram as internacionalizações de um jogador conhecido pela alcunha de Bashu, inspirada numa famosa personagem do cinema iraniano. Ghayedi mede 1,66m de altura, facto para o qual o seu amigo de infância e ocasional internacional iraniano Mohammad Mohebi tem a seguinte explicação: «Se não estou em erro, tínhamos 12 ou 13 anos e jogávamos nas camadas jovens», recordou. «Fiz-lhe um passe de rutura, ele isolou-se, fintou o guarda-redes, mas o guarda-redes fez-lhe falta atingindo-o no tornozelo. Foi aí que o Mehdi partiu o tornozelo e isso afetou o seu crescimento. É por isso que ele parou de crescer e ficou baixo». Apesar disso, Ghayedi continua a ser um extremo capaz de decidir jogos num dia inspirado, graças à sua combinação de técnica e velocidade explosiva.
9. MEHDI TAREMI
Data de nascimento: 18 de julho de 1992
Clube: Olympiakos
Posição: Avançado
Inspiração
Durante anos, pareceu que Mehdi Taremi ficaria mais conhecido pelas peripécias fora de campo — uma suspensão global do futebol de quatro meses devido a um litígio contratual com o clube turco Rizespor, um romance com a famosa atriz iraniana Sahar Ghoreyshi — do que por qualquer feito nos relvados. Mas a sua mudança para o Rio Ave em 2019 mudou tudo, tendo transitado mais tarde para o FC Porto e para o Inter, onde conseguiu demonstrar plenamente as suas qualidades. Conquistou campeonatos e taças ao serviço do FC Porto e atingiu a final da Liga dos Campeões com o Inter, sendo que o seu espetacular golo de bicicleta pelo FC Porto frente ao Chelsea foi nomeado para o Prémio Puskás e eleito o Golo da Época na Liga dos Campeões. Taremi é um avançado que se destaca a explorar as costas das linhas defensivas, bastando muitas vezes um contacto mínimo para cair e conquistar grandes penalidades — um traço que lhe valeu uma reputação polémica em Portugal. É o capitão e a grande estrela do Irão. Com dois golos apontados à Inglaterra no Mundial de 2022, já é o melhor marcador de sempre do Irão na história da competição.
24. DENIS ECKERT DARGAHI
Data de nascimento: 9 de janeiro de 1997
Clube: Standard de Liège
Posição: Avançado
Chamada de última hora
Eckert é o quinto germano-iraniano a ser convocado pelo Irão, mas o primeiro cujas ligações ao país remontam não aos pais, mas aos avós: a mãe é espanhola, o pai é alemão, mas o avô paterno nasceu no Irão e a famosa atriz iraniana Anahita Dargahi é sua tia. «A minha tia Anahita apoia-me em tudo», referiu no Instagram. «Tenho orgulho em ter uma tia tão fantástica». Antigo internacional sub-19 pela Alemanha, Eckert só foi associado ao Irão em setembro passado. «O meu pai é meio iraniano, mas não tem passaporte. O meu avô é iraniano, mas já faleceu. Portanto, isso dificulta as coisas», explicou. «Nem saberia por onde começar para pedir a nacionalidade». Mas, em março, já tinha dupla nacionalidade e uma chamada internacional — embora sem a autorização da FIFA, pelo que não pôde jogar — e, no início de maio, o seu passaporte foi emitido. Aos 29 anos, e sendo um avançado que apenas uma vez atingiu os dois dígitos de golos numa liga, ao serviço do Ingolstadt na terceira divisão alemã há seis épocas, é uma presença improvável mas intrigante neste Mundial.
16. MEHDI TORABI
Data de nascimento: 10 de setembro de 1994
Clube: Tractor
Posição: Extremo-esquerdo
Torabi integrou os convocados do Irão para o Mundial de 2018, mas nunca chegou a pisar o relvado, e quatro anos mais tarde regressou à comitiva e novamente ao banco, embora desta vez tenha sido utilizado por Carlos Queiroz nas três partidas. No entanto, até há bem pouco tempo, as suas hipóteses de integrar a comitiva para o Mundial de 2026 pareciam extremamente reduzidas. Contudo, Amir Ghalenoei incluiu o seu nome na lista, quase dois anos após a última internacionalização de Torabi. É um dos poucos futebolistas iranianos que expressa abertamente as suas convicções religiosas e políticas. Ficou famoso ao celebrar um golo pelo Persepolis em 2019 levantando a camisola para exibir a mensagem: «A única forma de salvar o país = obediência ao Líder Supremo», gerando considerável polémica. «Esta celebração foi inteiramente ideia minha e podem ter a certeza de que ninguém me deu ordens para o fazer ou me influenciou de lado nenhum», afirmou. «Antes de decidir fazer esta celebração, tinha pensado em tudo muito bem e sabia que haveria reações tanto positivas como negativas.»
8. MOHAMMAD MOHEBBI
Data de nascimento: 20 de dezembro de 1998
Clube: Rostov
Posição: Extremo-direito
Mohebbi pode ser considerado um dos extremos mais singulares — e ao mesmo tempo um dos mais azarados — nesta comitiva. É um jogador que, caso certos momentos no seu trajeto futebolístico tivessem corrido de outra forma, poderia ter muito mais internacionalizações no currículo. Ainda assim, as suas estatísticas num número limitado de jogos são impressionantes: 34 internacionalizações, 13 golos e nove assistências, o que significa uma participação direta em 22 golos à data em que este texto foi escrito. Para um extremo, especialmente ao nível da seleção nacional, é um registo assinalável. Mohebbi foi convocado pela primeira vez para a seleção nacional em 2019 e viveu uma estreia de sonho contra o Camboja ao registar dois golos e uma assistência, mas depois de jogar três vezes em escassas semanas, esteve mais de três anos sem voltar a ser utilizado. Mohebbi é amigo de infância do extremo-esquerdo Mehdi Ghayedi, também ele natural da cidade costeira de Bushehr, e a presença simultânea dos dois no onze pode ser um espetáculo particularmente emocionante de assistir.
18. AMIRHOSSEIN HOSSEINZADEH
Data de nascimento: 30 de outubro de 2000
Clube: Tractor
Posição: Avançado
Goleador em forma
Hosseinzadeh tem sido o melhor jogador da liga iraniana nas últimas duas temporadas. Em 2024/25, terminou como o melhor marcador do campeonato com 14 golos e desempenhou um papel fulcral no primeiro título de sempre do Tractor na liga. Esta época, liderava a tabela de marcadores quando a eclosão da guerra forçou uma pausa na competição. Ao longo do último ano, marcou também cinco golos pela seleção nacional, demonstrando que está pronto para brilhar em palcos maiores. Considerado uma das principais esperanças ofensivas do Irão para o Mundial, acredita que a equipa pode ir longe no torneio: «Exatamente desde o dia em que o sorteio do Mundial foi anunciado, o mister Ghalenoei disse-nos que o nosso objetivo tem de ser passar o grupo — e não apenas uma eliminatória, mas devemos visar ir ainda mais longe, duas etapas além disso. Todos os jogadores juraram juntos que, se Deus quiser, vamos passar o grupo desta vez e criar uma surpresa.»
11. ALI ALIPOUR
Data de nascimento: 11 de novembro de 1995
Clube: Persepolis
Posição: Avançado
Antigo melhor marcador da Pro League do Golfo Pérsico no Irão, Alipour passou a maior parte da sua carreira dividida em duas passagens pelo Persepolis, interrompidas por quatro anos em Portugal ao serviço do Marítimo e do Gil Vicente. Tem sido um marcador de golos regular, particularmente quando joga no Irão, mas as oscilações de forma impediram-no de fixar um lugar permanente na seleção nacional e, mais de oito anos após a sua estreia, conta apenas com uma dúzia de internacionalizações, a maioria no último ano. No entanto, a polémica exclusão de Sardar Azmoun deste Mundial abriu uma oportunidade para Alipour cavar o seu lugar na convocatória final. Poderá não somar muito tempo de jogo, mas já tem estado a pensar na sua celebração de golo: «Nos jogos internacionais não é permitido revelar nada por baixo da camisola, mas se fosse autorizado, exibiria sem dúvida a bandeira do meu país, o Irão. E se Deus quiser, se tiver a oportunidade e puder ser um dos soldados do meu país, vou beijar o emblema do Irão depois de marcar.»
20. SHAHRIYAR MOGHANLOO
Data de nascimento: 21 de dezembro de 1994
Clube: Kalba (EAU)
Posição: Avançado
Moghanloo é o membro mais invulgar da comitiva do Irão para o Campeonato do Mundo de 2026. Não foi incluído na lista inicial de 30 convocados de Amir Ghalenooei. No entanto, após o susto com a lesão de Roozbeh Cheshmi, foi chamado para o substituir – e, no final, embora Cheshmi não tenha sido cortado, Moghanloo manteve-se na lista final. É um avançado alto e Ghalenooei irá provavelmente utilizá-lo nos minutos finais, especialmente quando a equipa depender de cruzamentos das alas para atacar. Há duas temporadas, foi o melhor marcador da liga iraniana, mas ainda não replicou esse brilho ao serviço do Kalba. Ainda assim, a ausência de uma forte ameaça aérea na lista inicial explica a escolha de Ghalenooei. Moghanloo é natural de Zanjan, uma cidade famosa pelas suas facas afiadas. Para conquistar tempo de jogo no Campeonato do Mundo, precisará de ser tão afiado como as facas da sua terra natal.
Textos de Behnam Jafarzadeh para o the Guardian. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.