1. ELOY ROOM


Data de nascimento: 6 de fevereiro de 1989

Clube: Miami FC

Posição: Guarda-redes

Lenda

Foi durante a época 2014-2015 que Eloy Room recebeu uma chamada telefónica de Patrick Kluivert, o então selecionador de Curaçau, que convidou o guarda-redes a representar a «Blue Wave». Muitos outros jogadores nascidos nos Países Baixos viriam a seguir-se. O guardião, conhecido pelos seus reflexos apurados, já viveu muitos momentos memoráveis ao serviço da seleção. Veja-se o dia em que Lionel Messi lhe pediu a camisola. Enquanto a maioria dos jogadores tem de correr atrás da camisola do astro argentino, nesta ocasião foi o próprio Messi — que tinha acabado de marcar um hat-trick a Room — quem se aproximou do guarda-redes. «Quando o jogo terminou, ele estava praticamente à minha frente e fez o gesto de trocar de camisola», recorda Room. É possível que estivesse relacionado com o facto de Messi ter acabado de marcar o seu 100.º golo pela Argentina e querer a camisola de Room como recordação desse marco histórico, mas a verdade é que elogiou o guarda-redes por «algumas boas defesas» durante a partida.

25. TYRICK BODAK


Data de nascimento: 15 de maio de 2002

Clube: Telstar

Posição: Guarda-redes

Futuro dono de um B&B

Após passagens pelas academias do PSV Eindhoven e do De Graafschap, Bodak está agora no Telstar, mas continua à espera da sua estreia pela equipa principal do clube. No entanto, já soma várias internacionalizações por Curaçau, tendo — ao contrário de muitos dos seus companheiros de equipa — passado pelas camadas jovens do país até se estrear na seleção AA aos 19 anos, numa altura em que jogava pelas reservas do PSV e estudava gestão hoteleira e de eventos. «Quero abrir o meu próprio Bed & Breakfast desde o ensino secundário», revelou à TIO Business School, delineando os seus planos para além do futebol. Bodak chegou a fazer um estágio na rulote de batatas fritas do seu antigo companheiro de equipa Mitch Apau, que se situa no estádio do Telstar, onde Bodak se encontra atualmente atrás de Ronald Koeman Jr. na hierarquia das escolhas. O desporto corre na família: o seu pai e dois dos seus irmãos focaram-se no basebol, enquanto outro irmão também é um desportista ativo.

26. TREVOR DOORNBUSCH


Data de nascimento: 6 de julho de 1999

Clube: VVV-Venlo

Posição: Guarda-redes

Quando Trevor Doornbusch se estreou pelas seleções nacionais no verão de 2023, foi uma espécie de surpresa, já que não tinha disputado um único jogo pelo FC Dordrecht nessa temporada. Enquanto jovem, estudava vídeos de Iker Casillas no YouTube e passou quatro anos na academia do Ajax antes de cair no futebol amador. A sua forma valeu-lhe a transferência para o Heerenveen e, embora nunca tenha chegado à equipa principal, representou os Países Baixos nos escalões de formação durante esse período. Eventualmente, Doornbusch — conhecido pelo seu bom jogo de pés e pelo passe longo — afirmou-se no Telstar, onde fez a sua estreia profissional e continuou a sua evolução como um guarda-redes moderno.

2. SHURANDY SAMBO


Data de nascimento: 19 de agosto de 2001

Clube: Burnley

Posição: Lateral-direito/Ala-direito

Combatente

A maioria das pessoas teria desistido se tivesse sofrido uma segunda rotura do ligamento cruzado anterior com apenas 19 anos — mas não Sambo. Impressionantemente, ele inspirou-se na paragem da sua primeira lesão. «Durante a minha segunda recuperação, ainda tinha as notas da primeira. Passava o tempo a comparar os números, tentando sempre fazer melhor — nem que fosse remar mais 15 metros», contou ao Sportnieuws. Nascido em Geldrop, nos Países Baixos, e formado na academia do PSV Eindhoven, Sambo cresceu numa família ligada ao desporto. «O meu irmão fazia boxe e a minha irmã ginástica», explica. «O meu pai jogou futebol em Curaçau, por isso, para ele, é extra especial termos conseguido a qualificação para o Mundial». O progenitor também desempenhou um papel fundamental na sua evolução. «Treinava sempre mais com ele», diz o lateral, que alia a capacidade técnica à força no um contra um e a uma constante apetência para subir no terreno.

3. JURIËN GAARI


Data de nascimento: 23 de dezembro de 1993

Clube: Abha

Posição: Defesa-central/Lateral-direito

Depois de começar no futebol amador neerlandês, ele e um companheiro de equipa tiveram uma ideia original: decidiram enviar e-mails para clubes profissionais à procura de uma oportunidade. «Redigimos uma mensagem em casa dele, procurámos os endereços de e-mail nos sites dos clubes e depois foi copy e paste», revelou à Voetbal International. «Às vezes recebíamos resposta, muitas vezes não». A abordagem acabou por dar frutos, uma vez que Gaari foi convidado a treinar no Excelsior Roterdão e acabou por conseguir um lugar na academia. Após vários anos ali, regressou ao futebol amador. E foi durante o seu período no Kozakken Boys que a sua caminhada internacional começou. Depois de um jogo contra o BVV Barendrecht, o seu colega de equipa Raily Ignacio informou-o de que o então selecionador de Curaçau, Remko Bicentini, estava lá fora à espera. Os dois conversaram e Garri tornou-se subitamente internacional. Fez parte da conquista da Taça das Caraíbas por parte de Curaçau e da primeira participação de sempre na Gold Cup em 2017 — ainda como amador. Joga na Arábia Saudita desde 2024 e representa atualmente o Abha, da segunda divisão.

4. ROSHON VAN EIJMA


Data de nascimento: 9 de junho de 1998

Clube: RKC Waalwijk

Posição: Defesa-central

Presença imponente

Quando Van Eijma assinou o seu primeiro contrato profissional com o Roda JC, arranjou um trabalho extra a entregar pizzas para complementar o ordenado. «Às vezes aparecia à porta de alguém com uma pizza e reconheciam-me de um jogo. Ao início foi um bocado difícil habituar-me, mas também é engraçado», partilhou o defesa-central à ELF Voetbal. Teve de ser criativo, tal como nos seus primeiros tempos no Roda, onde começou a ganhar 150 euros por mês, conseguindo fazer face às despesas com a ajuda do seu empresário e dos pais. «O clube deu-nos um estúdio para vivermos. Ficava lá com outros jogadores, parecia mais uma residência de estudantes», recorda. Uma presença física e imponente na retaguarda de Curaçau, Van Eijma jogou no Preußen Münster e no TOP Oss antes de aterrar no RKC Waalwijk em 2024.

5. SHEREL FLORANUS


Data de nascimento: 23 de agosto de 1998

Clube: PEC Zwolle

Posição: Lateral-esquerdo/Lateral-direito

Polivalente

Depois de ter representado várias seleções jovens dos Países Baixos, mudou a sua preferência para a seleção nacional de Curaçau em 2023. A decisão rapidamente deu frutos, já que a qualificação para o Mundial foi assegurada após um empate 0-0 fora de casa frente à Jamaica no ano passado, espoletando aquela que descreveu como «verdadeiramente a melhor festa de sempre». Depois do jogo, surgiram imagens dos companheiros de equipa a tentarem acordá-lo usando uma buzina no voo da Jamaica para Curaçau. «Sabia que ia ser um dia longo, por isso disse a toda a gente que ia dormir uma hora», contou Floranus à ESPN. A ideia não resultou, mas ele teve outra oportunidade para recuperar o sono. «Felizmente consegui dormir nove horas no voo de regresso aos Países Baixos», acrescentou. Primo do antigo defesa do Newcastle United, Jetro Willems, Floranus é um jogador polivalente, capaz de atuar como lateral-direito, lateral-esquerdo e defesa-central.

24. DEVERON FONVILLE


Data de nascimento: 16 de maio de 2003

Clube: NEC

Posição: Defesa-central/Lateral-esquerdo

Ainda na época passada jogava futebol amador no IJsselmeervogels, oriundo de outro clube amador, o USV Hercules — que protagonizou uma das maiores surpresas da Taça de que há memória recente ao eliminar o Ajax em 2023. Produto das academias do PSV Eindhoven e do FC Utrecht, Fonville teve de traçar planos de contingência caso não singrasse como futebolista. «De repente tive de olhar para lá do futebol e começar a trabalhar para ganhar dinheiro», disse ao De Gelderlander. «Primeiro trabalhei num armazém e, mais tarde, como consultor de recrutamento». Tudo mudou no verão passado, quando assinou pelo FC Dordrecht. Após apenas quatro exibições, garantiu a transferência para o NEC Nijmegen, o clube onde tinha estado à experiência em 2023, mas que na altura não se concretizou devido a um problema de inscrição. O círculo fechou-se — com dois anos valiosos de futebol amador pelo meio, que lhe deram experiência no futebol sénior antes de continuar a subir no futebol profissional.

18. ARMANDO OBISPO


Data de nascimento: 5 de março de 1999

Clube: PSV

Posição: Defesa-central

Rocha defensiva

Ingressando no PSV em jovem, jogou ao lado de nomes como Cody Gakpo (Liverpool) e Jordan Teze (Mónaco), entre outros. Dotado de um enorme talento, enfrentou vários problemas de lesões, mas regressou mais forte de cada uma delas. É agora um defesa-central de confiança na equipa principal, onde se sagrou campeão três anos consecutivos e somou uma valiosa experiência na Liga dos Campeões. Tendo representado os Países Baixos em todos os escalões jovens a partir dos sub-15, o caminho para a seleção principal parecia ao alcance, mas a chamada nunca surgiu e optou por jogar por Curaçau, o país do seu pai. Obispo destaca-se pela sua força no um contra um e na construção de jogo. «Ele também é excelente no jogo aéreo e tem um pé esquerdo fantástico», elogia o seu treinador no PSV, Peter Bosz.

8. LIVANO COMENENCIA


Data de nascimento: 3 de fevereiro de 2004

Clube: FC Zurique

Posição: Lateral-direito/Médio-direito/Médio-defensivo

Não muito tempo depois de marcar um dos golos mais cruciais na campanha de qualificação de Curaçau para o Mundial, Livano Comenencia fez questão de que o momento ficasse preservado para as gerações futuras. Tendo marcado o golo inaugural na vitória crucial por 2-0 sobre a Jamaica, deslocou-se ao Museu da FIFA em Zurique — onde joga a nível de clubes — para doar a camisola que utilizou nesse jogo. «A camisola de Livano representa um capítulo novo e incrível no futebol mundial», afirmou o diretor do Museu da FIFA, Marco Fazzone. Tal como a caminhada de Curaçau, a carreira de Comenencia já incluiu uma grande variedade de experiências, com uma sólida formação no PSV e na equipa Next Gen da Juventus, antes de se fixar na Suíça.

6. GODFRIED ROEMERATOE


Data de nascimento: 19 de agosto de 1999

Clube: RKC Waalwijk

Posição: Médio-defensivo

Quando Godfried Roemeratoe tinha 14 anos, deixou a casa da família na província da Zelândia para se juntar à academia do FC Twente, no leste dos Países Baixos. Nos tempos livres, passava horas intermináveis em autocarros e comboios para fazer a viagem de regresso a casa, onde o seu irmão Renzo jogava no Sparta Roterdão. Tecnicamente dotado e fisicamente forte, Roemeratoe afirmou-se no Twente e, após um período de empréstimo ao Willem II, jogou nos israelitas do Hapoel Tel Aviv. Durante esse período, estreou-se por Curaçau, onde o seu segundo jogo foi contra a recém-coroada campeã mundial, a Argentina. «Jogar contra Lionel Messi foi algo com que nunca ousei sonhar», confessou Roemeratoe à Omroep Zeeland, recordando o momento em que estava a aquecer e o camisola 10 argentino entrou em campo. «Sinceramente, parecia que estava num filme, mas depois percebes que é real e vês-o realmente a caminhar ali. Foi surreal.»

22. KEVIN FELIDA


Data de nascimento: 11 de novembro de 1999

Clube: FC Den Bosch

Posição: Médio-defensivo

O N'Golo Kanté de Curaçau

Considerado uma grande promessa no FC Den Bosch, do segundo escalão, pelo qual realizou mais de 130 jogos antes de garantir a transferência para o RKC, na Eredivisie. No entanto, o médio-defensivo não se conseguiu afirmar e regressou ao seu antigo clube. Um jogador recuperador de bolas e com enorme resistência, foi apelidado de «o N'Golo Kanté de Den Bosch». Um dos seus melhores amigos no futebol é o avançado do Manchester United, Joshua Zirkzee. Ambos cresceram em Spijkenisse e passavam muito tempo juntos, tanto na escola como fora dela. Logo após Zirkzee se ter estreado pelo Bayern Munique, em dezembro de 2019, os dois encontravam-se durante a pausa de Natal para irem correr à noite. Felida estreou-se por Curaçau em 2021, após receber uma chamada do então selecionador Guus Hiddink, e acabou por somar a primeira internacionalização sob o comando de Patrick Kluivert.

23. RIECHEDLY BAZOER


Data de nascimento: 12 de outubro de 1996

Clube: Konyaspor

Posição: Médio-defensivo/Defesa-central

Um dia, em 2012, Bazoer esteve nas instalações de treino do Manchester City para conhecer a sua academia. «Fui a Manchester com o meu irmão e a ideia era finalizarmos tudo lá. Fizeram-nos uma visita guiada ao clube e o diretor da academia, Patrick Vieira, veio falar connosco, uma verdadeira lenda. Foi tudo muito impressionante», contou o médio-defensivo à Voetbal International. A transferência acabou por não se realizar porque a pessoa mais importante não se tinha pronunciado: a sua mãe. Ela sentia que o filho beneficiaria de uma evolução mais gradual nos Países Baixos, pelo que Bazoer se juntou ao Ajax, trabalhando com treinadores como Frank de Boer e Dennis Bergkamp. Dali transitou para o Wolfsburgo, FC Porto, Vitesse e AZ Alkmaar, antes de se mudar para o Konyaspor em 2024. Após seis internacionalizações em jogos particulares pelos Países Baixos, mudou a sua nacionalidade desportiva para Curaçau no ano passado.

13. TYRESE NOSLIN


Data de nascimento: 11 de setembro de 2002

Clube: Telstar

Posição: Médio-defensivo

Noslin sabe perfeitamente quão rápido as coisas podem mudar. No final da época de 2023-24, foi-lhe comunicado que continuar a jogar pelas reservas do Almere City, na Tweede Divisie, não era uma opção. Decidiu então tomar as rédeas do seu destino e contactou o treinador do Telstar, Anthony Correia. «O Tyrese enviou-me subitamente uma mensagem», revelou Correia à Voetbal International. «Convidámo-lo então para prestar provas no Telstar. Rapidamente provou ser o tipo de jogador de que gosto: um rapaz com um empenho incansável. E um miúdo mesmo porreiro. Mas ainda precisava de melhorar a nível de qualidade de jogo. Por isso, começámos a trabalhar nisso.» E assim fizeram, com Noslin a ajudar o Telstar a conseguir a subida à Eredivisie antes de marcar o golo da vitória na sua estreia em casa por Curaçau, num triunfo por 3-2 frente às Bermudas.

16. JEARL MARGARITHA


Data de nascimento: 10 de abril de 2000

Clube: Beveren

Posição: Extremo-esquerdo/Extremo-direito

Persistente

Margaritha sabia que era necessário muito trabalho duro para singrar no futebol profissional. No final, também teve de ser paciente. Depois de ser dispensado das academias do Groningen e do Emmen, caiu no futebol amador ao serviço do VV Hoogeveen, aos 19 anos. «Foi um período difícil, mas pensei: OK, se eu quero mesmo isto, tenho de mostrar que me destaco a este nível e que quero subir», partilhou no site da Keuken Kampioen Divisie. No espaço de seis meses, garantiu a transferência para o Almere City FC. Manteve-se no rumo certo com passagens pelo TOP Oss e pelo Sabah, antes de se mudar para o Phoenix Rising em 2024. Um extremo criativo com uma aceleração forte, Margaritha juntou-se ao Beveren esta temporada, onde desempenhou um papel fundamental na subida de divisão, com sete golos e 12 assistências. O título ficou garantido logo a 22 de fevereiro, tornando-se a subida de divisão mais precoce da história do segundo escalão belga.

15. AR'JANY MARTHA


Data de nascimento: 4 de setembro de 2003

Clube: Rotherham United

Posição: Lateral-esquerdo/Extremo-direito

Imprevisível

Formado como extremo na academia do Ajax, Martha foi subitamente adaptado a lateral-esquerdo durante uma temporada nas reservas — uma mudança que acabou por ditar a sua estreia na equipa principal. Adaptou-se rapidamente e realizou os seus primeiros cinco jogos na Eredivisie com a equipa principal nessa posição. «Acho que jogar a lateral-esquerdo é perfeitamente OK», disse com um sorriso após um jogo contra o Heerenveen. «O difícil é recuar duas linhas. No início, achei um bocado complicado». Após conversar com o seu treinador, família e amigos, foi aconselhado a «simplesmente mudar o chip e jogar ali», referindo que acabou por sentir: «Tenho isto em mim». Depois de evoluir, mudou-se para o Beerschot em 2024 e agora joga na League One ao serviço do Rotherham United.

20. JOSHUA BRENET


Data de nascimento: 20 de março de 1994

Clube: Kayserispor

Posição: Lateral-direito

Criador de história

Brenet estabeleceu outrora um recorde notável durante a sua passagem pelo PSV Eindhoven, completando 53 jogos consecutivos no campeonato sem conhecer o sabor da derrota. Na altura, chegou mesmo a estrear-se pela seleção dos Países Baixos ao lado de Wesley Sneijder, Arjen Robben, Virgil van Dijk e Memphis Depay. Conquistou três campeonatos e duas Supertaças neerlandesas pelo PSV antes de se transferir para o Hoffenheim, onde jogou sob as ordens de Julian Nagelsmann. Brenet perdeu espaço após a saída do futuro selecionador da Alemanha e regressou aos Países Baixos para revitalizar a carreira no Twente, antes de rumar novamente ao estrangeiro para o Qatar (Al-Rayyan), Escócia (Livingston) e Turquia (Kayserispor). O lateral ofensivo, conhecido pela sua velocidade e qualidade técnica, faz parte das escolhas da seleção nacional de Curaçau desde 2024.

21. TAHITH CHONG


Data de nascimento: 4 de dezembro de 1999

Clube: Sheffield United

Posição: Médio-ofensivo

Prodígio

Um dos poucos jogadores da seleção realmente nascidos em Curaçau, o médio criativo mudou-se com a família de Willemstad para Roterdão aos nove anos, após receber uma proposta para integrar a academia do Feyenoord. Sete anos mais tarde, mudou-se novamente com a família — desta vez para Inglaterra — depois de o Manchester United lhe oferecer um lugar na sua academia. Continuou a evoluir e, mais tarde, treinou com a equipa principal sob o comando de José Mourinho, que lhe deu a primeira oportunidade no escalão sénior num jogo particular. Os minutos em jogos oficiais surgiram com Ole Gunnar Solskjær, incluindo uma entrada em campo na famosa reviravolta por 3-1 diante do Paris Saint-Germain. «Tem sido uma caminhada especial», revelou Chong à Voetbal International há alguns anos. «Os meus pais deixaram tudo para trás em Curaçau pelo meu sonho». Agora, o círculo fecha-se com Chong de regresso à ilha para jogar pela seleção nacional, enquanto representa o Sheffield United no Championship.

14. KENJI GORRÉ


Data de nascimento: 29 de setembro de 1994

Clube: Maccabi Haifa

Posição: Extremo-esquerdo/Extremo-direito

A carreira de Gorré mostra como os reveses podem ditar o crescimento. Depois de passar mais de uma década na academia do Manchester United e, mais tarde, jogar pelo Swansea City, tornou-se viciado no jogo. «Fui uma vez, depois duas e, de repente, percebi: espera lá, agora vou todos os dias», relatou à Voetbal International. Gorré percebeu que tinha um problema e trabalhou nele, um processo que acabou por inspirá-lo a ajudar os outros, através de uma plataforma de coaching mental onde ele e outros futebolistas podiam discutir abertamente os desafios da saúde mental e a vida além dos relvados. No campo, reconstruiu a sua carreira, passando cinco anos em Portugal, e está atualmente vinculado ao Maccabi Haifa. O extremo tecnicamente dotado é membro da seleção nacional de Curaçau, onde o seu pai, Dean Gorré, é o treinador adjunto, desde 2019.

10. LEANDRO BACUNA


Data de nascimento: 21 de agosto de 1991

Clube: Igdir

Posição: Médio/Lateral-direito

Líder

Um dos jogadores com mais internacionalizações — e mais experientes — do plantel, tendo optado por representar Curaçau em 2016, quando ainda jogava na Premier League ao serviço do Aston Villa. Patrick Kluivert era o selecionador na altura e Bacuna seguiu as pisadas do guarda-redes Eloy Room, que tinha optado por jogar por Curaçau no ano anterior. A equipa tornou-se incrivelmente unida, algo que se reflete na forma como homenageiam Jairzinho Pieter, um antigo guarda-redes da seleção que faleceu quando viajava com a comitiva. Pieter era conhecido por liderar as orações diárias da equipa — um ritual que ainda hoje é cumprido, com Bacuna a colocar um colar que lhe pertencia no centro da roda da equipa. «A sua partida foi muito difícil na altura e continua a ser muito difícil», afirmou Room. «Isso fez com que o sonho de chegar ao Mundial ganhasse ainda mais vida, porque era verdadeiramente o sonho dele também. Deu-nos ainda mais motivação.»

7. JUNINHO BACUNA


Data de nascimento: 7 de agosto de 1997

Clube: Gaziantep

Posição: Médio-centro

Irmão de Leandro, Juninho assegura que a família Bacuna está bem representada na convocatória, sendo que o irmão mais velho, Johnsen, jogou a um nível amador muito bom. Os irmãos alcançaram um feito especial em 2015, quando todos jogaram finais de Taças. Juninho (Groningen) e Johnsen (Harkemase Boys) venceram as suas partidas contra o PEC Zwolle e o Staphorst, respetivamente, enquanto Leandro (Aston Villa) perdeu com o Arsenal. Todos gostam de jogar com o número 7, embora Leandro tenha optado pela camisola 10 em Curaçau. O pai, John, também realizou cerca de 30 jogos pelas Antilhas Neerlandesas. Um verdadeiro viajante e polivalente, Juninho deixou o Groningen rumo à Premier League e ao Huddersfield em 2018, tendo jogado no Rangers e no Birmingham antes de passagens pela Arábia Saudita, Turquia e Países Baixos.

12. SONTJE HANSEN


Data de nascimento: 18 de maio de 2002

Clube: Middlesbrough

Posição: Extremo-direito/Extremo-esquerdo/Avançado-centro

A última vez que os Países Baixos venceram o Europeu de Sub-17, em 2019, Hansen liderava o ataque e marcou na final frente à Itália (4-2). Era visto como uma enorme promessa na academia do Ajax, mas as coisas não se proporcionaram em Amesterdão, pelo que se mudou para o NEC Nijmegen, onde impressionou ao ponto de o Middlesbrough lhe oferecer um contrato de quatro anos. Foi Dick Advocaat quem o convenceu a representar a seleção de Curaçau e ele marcou logo na sua segunda internacionalização, numa vitória por 7-0 na qualificação para o Mundial, fora de portas, contra as Bermudas. Prepara-se agora para o seu primeiro grande torneio com Curaçau, tendo também o seu primo Ar'jany Martha nas escolhas.

19. GERVANE KASTANEER


Data de nascimento: 9 junho de 1996

Clube: Terengganu FC

Posição: Avançado-centro

Ultrapassou lesão grave

Kastaneer era um talento promissor no ADO Den Haag e já tinha assinado um pré-contrato com os alemães do FSV Mainz quando o desastre bateu à porta num jogo frente ao PEC Zwolle. Pouco depois de abrir o marcador, a bola atingiu o seu olho, provocando um descolamento da retina. O médico da equipa retirou-o imediatamente de campo, mas Kastaneer não ficou satisfeito e disse: «Posso perfeitamente jogar só com um olho, ou não?» — acreditando que tinha apenas ficado com borrachas do sintético no olho. A lesão revelou-se muito mais grave, resultando numa paragem prolongada e no cancelamento da sua transferência para o Mainz. Desde então, joga com apenas 30% de visão num dos olhos, mas continuou a carreira e esta não tem sido nada má. Jogou em clubes como Kaiserslautern, Coventry City e Hearts, antes de rumar a Espanha, Indonésia e Malásia, onde alinha pelo Terengganu FC.

9. JÜRGEN LOCADIA


Data de nascimento: 7 de novembro de 1993

Clube: Miami FC

Posição: Avançado-centro

Quando Locadia se mudou do PSV para o Brighton por 15 milhões de libras em 2018, parecia destinado a uma longa e bem-sucedida carreira na Premier League. No entanto, as coisas não correram bem assim e acabou por deixar o clube do sul de Inglaterra a custo zero quatro anos — e vários empréstimos — mais tarde. Jogou no Irão, na China e em Espanha antes de se ver subitamente sem clube após a época de 2024-25. Poucos meses depois, antes do jogo decisivo de Curaçau na qualificação para o Mundial contra a Jamaica, recebeu uma chamada telefónica do diretor da seleção nacional, Wouter Jansen. «Ele não estava nos convocados inicialmente, mas depois o Gervane Kastaneer lesionou-se e eu sabia que o Jürgen tinha estado a treinar por conta própria», recorda Jansen. «Estávamos a caminho das Bermudas para a Jamaica e [o selecionador] Dick Advocaat disse: 'liga-lhe, ele pode juntar-se a nós'. Ele acabou por ser titular nesse jogo e esteve muito bem no nosso empate 0-0, que nos apurou para o Mundial». Enquadra-se na história marcante de Locadia nos últimos anos, que incluiu fugir do Irão durante os protestos de Mahsa Amini e ser servido por robôs num restaurante na China.

11. JEREMY ANTONISSE


Data de nascimento: 29 de março de 2002

Clube: Kifisia

Posição: Extremo-esquerdo

Quando Curaçau se qualificou para o Mundial após empatar 0-0 na Jamaica, Antonisse deve ter ficado particularmente aliviado. Nos descontos, cometeu uma grande penalidade devido a uma falta sobre o jamaicano Dujuan Richards — ou pelo menos pensou que sim, antes de a decisão ser revertida pelo VAR. Momentos depois, soou o apito final e pôde juntar-se aos seus companheiros nas celebrações, que continuaram no dia seguinte, quando a comitiva foi homenageada durante várias horas num autocarro panorâmico pelas ruas de Willemstad. O extremo criativo, que também pode ser utilizado como médio-ofensivo, passou mais de 10 anos na academia do PSV. Após um empréstimo ao Emmen, rumou ao Moreirense em Portugal, antes de assinar pelos gregos do Kifisia no ano passado.

17. BRANDLEY KUWAS


Data de nascimento: 19 de setembro de 1992

Clube: Volendam

Posição: Extremo-direito

Dá nome a canção rap

Há nove anos, Kuwas tornou-se o tema de uma música com o seu próprio nome, produzida pelo seu amigo próximo e rapper Jonna Fraser. A canção era um tributo à amizade de ambos, detalhando como passaram a juventude juntos, partilhando o sonho de se tornarem artista e futebolista. Ambos alcançaram esses objetivos e, quando a música foi lançada, Kuwas brilhava no Heracles Almelo, na Eredivisie. Chegou a receber um telefonema de Danny Blind, o então selecionador dos Países Baixos, referindo que estava a ser observado para uma convocatória. No final, acabou por não ser selecionado e, pouco tempo depois, optou por representar Curaçau. Acabou, no entanto, por vestir de laranja a nível de clubes, jogando no Volendam, onde começou a sua carreira.

Textos de Arthur Renard, do The Guardian. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.

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