23. KRISTOFFER NORDFELDT


Data de nascimento: 23 de junho de 1989

Clube: AIK

Posição: Guarda-redes

O «eterno n.º 2» da seleção da Suécia deverá ser, finalmente, o n.º 1 no Campeonato do Mundo, depois de ter agarrado a oportunidade com as duas mãos no play-off. Chegou a ponderar a retirada do futebol internacional após anos passados no banco a ver Robin Olsen. «Essa conversa chegou a surgir», revelou. Nordfeldt passou vários anos no estrangeiro, incluindo cinco temporadas no Swansea, onde foi, durante um período, orientado por Graham Potter, atual selecionador sueco. «Potter devolveu-me o amor pelo futebol», diz o jogador de 36 anos. Tendo jogado hóquei no gelo pelo AIK até aos 13 anos, é agora o capitão da equipa de futebol do clube.

12. VIKTOR JOHANSSON


Data de nascimento: 14 de setembro de 1998

Clube: Stoke City

Posição: Guarda-redes

O «Viking»

A carreira de Johansson descolou durante um empréstimo ao Alfreton Town, na National League North – o sexto escalão do futebol inglês –, quando tinha 18 anos. «Tratava-se de ir à luta e usar os cotovelos», recorda. «Fez de mim o guarda-redes que eu queria ser». O seu percurso levou-o também ao Rotherham, onde ganhou a alcunha de «Viking» após levar um pontapé na cara. Quando estava prestes a deixar o clube, brindou os adeptos com 600 cervejas, cada uma acompanhada por uma mensagem pessoal. Custou quase 2500 libras. «Uma quantia muito pequena por tudo o que eles [os adeptos] fizeram por mim e pela minha família». As cervejas foram distribuídas num bar de apoiantes, onde o pai de Johansson tinha saltado, uma vez, para trás do balcão para começar a servir imperiais quando visitou a cidade. «O meu pai foi o rei do bar nessa noite – já na manhã seguinte, nem por isso». É frequentemente descrito como a pessoa «mais doce» da seleção nacional.

1. JACOB WIDELL ZETTERSTRÖM


Data de nascimento: 11 de julho de 1998

Clube: Derby County

Posição: Guarda-redes

Devorador de livros

Widell Zetterström tirou um ano sabático em 2020, após sofrer duas concussões cerebrais num curto espaço de tempo. «Quando as coisas estavam no pior momento, não me atrevia a acreditar que pudesse existir um futuro no futebol», confessa. Regressou no ano seguinte, assumiu-se como o n.º 1 do Djurgården e, ao rumar ao Derby em 2025, despediu-se dos adeptos com lágrimas nos olhos. «Há muitas emoções, mas também é um sonho para mim jogar em Inglaterra», afirmou. Widell Zetterström não é o típico futebolista. Entre outras coisas, estudou medicina e frequentou a prestigiada Escola de Economia de Estocolmo. Também adora ler: «As pessoas levantam sempre as sobrancelhas quando pego num livro grosso no autocarro da equipa, mas para mim é apenas divertido», diz.

6. HERMAN JOHANSSON


Data de nascimento: 16 de outubro de 1997

Clube: FC Dallas

Posição: Lateral-direito

O caminho até à seleção nacional tem sido longo e sinuoso para o simpático ala. A dada altura, Johansson considerou afastar-se do futebol. Nessa época, a sua mãe fez o que qualquer progenitor que se preze faria: subornou o filho para continuar. «A mãe dava-me 20 coroas (agora cerca de 1,60 libras) por cada sessão de treino», revelou. Johansson foi um talento de afirmação tardia e, aos 22 anos, ainda trabalhava a tempo inteiro como assistente de ensino enquanto jogava no terceiro e quarto escalões da Suécia, ao serviço do Friska Viljor, na cidade nortenha de Örnsköldsvik. Alguns anos mais tarde, alcançou o estrelato no Mjällby, do escalão principal, onde venceu o campeonato sueco (Allsvenskan) no ano passado. Tendo voado de Dallas para somar apenas a sua segunda internacionalização, superou os efeitos do jet lag para dar um contributo decisivo na vitória da Suécia no play-off contra a Ucrânia. «Achei que conseguiria ajustar os meus horários de sono com bastante facilidade, mas tive de tomar comprimidos para dormir», revelou.

24. ELLIOT STROUD


Data de nascimento: 22 de junho de 2022

Clube: Mjällby

Posição: Defesa/Ala

Indiscutivelmente o melhor jogador do principal escalão sueco, o defesa/ala explodiu no ano passado quando o seu clube, o Mjällby – vindo praticamente do nada –, conquistou o campeonato pela primeira vez. O treinador do Mjällby, Karl Marius Aksum, diz que o céu é o limite para o jogador que completará 24 anos durante o Campeonato do Mundo. «Espero que ele consiga uma transferência para uma das cinco principais ligas imediatamente; está pronto para isso», afirma Aksum. Stroud nunca tinha representado a Suécia em nenhum escalão de formação, muito menos na seleção AA, quando foi incluído na convocatória para o Mundial. Mats Winblad, antigo diretor desportivo do Oddevold, clube de infância de Stroud, diz que o jogador é «extraordinariamente competitivo», acrescentando: «Tanto na escola como no campo de treinos, dava sempre 100 por cento em tudo o que fazia».

4. ISAK HIEN


Data de nascimento: 13 de janeiro de 1999

Clube: Atalanta

Posição: Defesa

Começou como avançado, mas no Vasalund um treinador dos sub-19 converteu-o em defesa-central. «O treinador disse que me ia meter a jogar a central, quer eu quisesse, quer não», recorda Hien. «Fiquei um pouco surpreendido ao início, mas ele acabou por ter razão». Após a bem-sucedida mudança de posição, Hien mudou-se do terceiro escalão da Suécia para o primodivisionário Djurgården, onde se impôs como um defesa possante e de «excelente capacidade física», de acordo com o seu treinador de então, Thomas Lagerlöf. «Ele é como um motor de Ferrari num carro pequeno». Curiosidade: Isak tem um irmão mais novo, Leon, que joga atualmente no Djurgården e que também foi convertido de avançado a defesa-central.

15. CARL STARFELT


Data de nascimento: 1 de junho de 1995

Clube: Celta de Vigo

Posição: Defesa

Recebeu recentemente rasgados elogios de Williot Swedberg, compatriota e colega de equipa no Celta de Vigo. «O Carl talvez fique irritado agora, mas acho que ele é um dos cinco melhores centrais da La Liga esta época», afirmou o avançado. «Na verdade, talvez do top 3. Ele é realmente subestimado». Starfelt passou anos nas ligas inferiores da Suécia antes de explodir. In 2021, Ange Postecoglou contratou-o para o Celtic e disse que o sueco se adequava ao seu estilo de futebol. Durante a Covid, Starfelt ficou alojado no mesmo hotel que Brendan Rodgers. «Ele chamou-me para uma conversa e depois tomámos um café», conta Starfelt. «Ele parecia saber quem eu era». Alguns anos mais tarde, Rodgers treinou Starfelt no Celtic antes da mudança do defesa para Espanha.

20. ERIC SMITH


Data de nascimento: 8 de janeiro de 1997

Clube: St. Pauli

Posição: Defesa

Não fazia parte das contas da seleção antes de Jon Dahl Tomasson assumir o comando, em fevereiro de 2024. O polivalente central, que também pode jogar no meio-campo, foi convocado para quatro estágios consecutivos, mas teve de falhar todos por lesão. «Foi horrível, nada divertido», lamenta. «Foi tão mau que quase se tornou um bocado cómico no final». Acabou por ser incluído na convocatória para o play-off do Mundial – mas lesionou-se e teve de ser dispensado. Mantém-se fiel ao St. Pauli há cinco anos, após uma passagem turbulenta pelo Gent, onde foi encostado. «Nem me deixavam tocar na bola», recorda. «Tinha de correr à volta do relvado até que a equipa B – nem sequer era a equipa A – terminasse o treino, e só depois podia ir para casa. Fiquei quase em choque.»

3. VICTOR LINDELÖF


Data de nascimento: 17 de julho de 1994

Clube: Aston Villa

Posição: Defesa

Veterano

Apelidado de «The Iceman» (Homem de Gelo) pela sua compostura em campo - uma designação que conquistou durante os seus anos em Old Trafford. Apesar de várias temporadas desafiantes, Lindelöf ocupa um honroso 56.º lugar na lista de jogadores com mais jogos de sempre pelo Manchester United, com 284 partidas – nada mau para o rapaz de Västerås. Jogou como lateral-direito quando a Suécia se sagrou campeã europeia de sub-21 em 2015 – um torneio no qual ele nem sequer devia ter participado. Lindelöf não estava nos convocados originais, mas foi chamado à última hora para render o lesionado Emil Krafth. Um ano mais tarde, era titular da seleção e do Benfica. «Aconteceu tudo muito rápido, mas eu quero jogar ao mais alto nível», afirma. Elogiado pela sua atitude positiva por José Mourinho, entre outros, já teve uma relação fraturante com a imprensa sueca.

2. GUSTAF LAGERBIELKE


Data de nascimento: 10 de abril de 2000

Clube: SC Braga

Posição: Defesa

De família nobre

Tem uma rotina algo invulgar com os seus amigos da seleção, Noel Törnqvist e Benjamin Nygren: «Vamos para a praia, olhamos para as estrelas e discutimos as grandes questões da vida. Torna-se profundo – desde discussões sobre o onze inicial até teorias da conspiração, se a ida à Lua foi falsa ou não, e por aí fora». O apelido Lagerbielke pertence a uma família nobre com brasão próprio e o próprio Gustaf detém o título de «friherre» (barão). «Para mim, não é nada de especial, mas percebo que as pessoas achem interessante – não é muito comum no futebol», assume. Salpicou acidentalmente com champanhe o primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, depois de a Suécia ter carimbado a qualificação para o Mundial com uma vitória sobre a Polónia. «Ele pediu desculpa, mas não era preciso», desvalorizou Kristersson.

14. HJALMAR EKDAL


Data de nascimento: 21 de outubro de 1998

Clube: Burnley

Posição: Defesa

Seguiu um caminho pouco convencional através do futebol universitário até chegar à elite: «É invulgar, mas não me arrependo nem por um segundo», garante. Na Suécia, tomou a corajosa decisão de se mudar entre dois rivais de Estocolmo – do Hammarby para o Djurgården – em 2021. Os adeptos do Hammarby não aceitaram bem a mudança e Ekdal foi alvo de insultos. «Nunca tive medo, mas foi um bocado desagradável». É o irmão mais novo de Albin Ekdal, que jogou no Cagliari, Hamburgo e Sampdória, entre outros, e ambos estiveram perto de fazer história pela seleção. No último jogo internacional de Albin, Hjalmar estava no banco mas nunca chegou a entrar. Em vez disso, teve de confortar o irmão mais velho, que desabou em lágrimas quando foi substituído. «Foi uma noite muito bonita», diz o pai dos irmãos, Lennart, jornalista e apresentador de televisão.

5. GABRIEL GUDMUNDSSON


Data de nascimento: 29 de abril de 1999

Clube: Leeds

Posição: Defesa

O lateral do Leeds é filho de Niklas Gudmundsson, que jogou no Blackburn e no Ipswich nos anos 90. Gabriel foi treinado pelo pai até à equipa de sub-19 no Halmstad: «Temos de aceitar algumas críticas em casa, mas ele era muito bom. Aprendi muitas coisas valiosas com ele», diz o jogador de 27 anos. Apesar de vir de uma família do futebol, Gabriel não tem qualquer interesse em ver jogos na TV quando não está a jogar. Desliga completamente: «Sinto-me melhor assim, e ajuda-me a manter o foco». Gudmundsson é articulado e educado com os meios de comunicação, mas dificilmente fará parangonas com o que diz. Depois de deixar o Halmstad em 2019, jogou no Groningen e no Lille antes de se juntar ao Leeds em 2025.

8. DANIEL SVENSSON


Data de nascimento: 12 de fevereiro de 2002

Clube: Borussia Dortmund

Posição: Defesa

Máquina de correr

Svensson continua a ser algo desconhecido na Suécia, apesar de jogar pela seleção e pelo Borussia Dortmund. Isso deve-se em parte ao facto de ter trocado muito jovem o Brommapojkarna pelo Nordsjælland, na Dinamarca. Pode agora jogar na Liga dos Campeões por um colosso da Bundesliga, mas dizia no ano passado que ainda consegue caminhar pela Suécia sem ser notado. «Até agora, ninguém se aproximou de mim, pelo menos», atira. Em Dortmund, tem sido elogiado pelo seu fulgor incansável no flanco esquerdo, bem como pela sua criatividade. O seu treinador no Dortmund, Niko Kovac, refere: «Ele é como o Pardal [a personagem de banda desenhada da Disney]. É um jogador que não se importa de correr 13 km de três em três dias». Na seleção, Svensson é amigo chegado de Roony Bardghji e partilham o interesse por perfumes. «Ele fez-me ficar mais interessado nisso. É divertido.»

18. YASIN AYARI


Data de nascimento: 6 de outubro de 2003

Clube: Brighton

Posição: Médio

Ayari teve o seu ano de afirmação pela Suécia na época passada, depois de impressionar no Brighton sob as ordens de Fabian Hürzeler. Mas tudo poderia ter sido muito diferente, dado que a Tunísia tentou garantir os seus serviços. Ayari, contudo, não teve dúvidas. «Nasci na Suécia e sinto-me sueco, e a Suécia é o país que quero representar», vinca. O polivalente tecnicamente evoluído, que tem sido associado a uma transferência do Brighton, confessa que gostaria de jogar um dia para Pep Guardiola. «Adoro-o. O meu sonho é jogar na equipa dele. Isso seria absolutamente fantástico», assume. Ayari é um amigo íntimo de Dejan Kulusevski e namora com a irmã do extremo do Spurs, Sandra.

7. LUCAS BERGVALL


Data de nascimento: 2 de fevereiro de 2006

Clube: Tottenham

Posição: Médio

Em ascensão

O médio do Tottenham foi rotulado como um supertalento desde muito jovem. Ao longo do seu crescimento, eram frequentemente partilhados vídeos seus a dominar jogos e, quando a sua equipa de juvenis do Brommapojkarna venceu a Gothia Cup, eram vistos como uma das melhores equipas da Europa naquele escalão. «Foi por volta de 2019 [quando Bergvall tinha 13 anos] que as pessoas começaram a reparar em mim e na minha equipa. A nossa equipa do BP, com jogadores nascidos em 2006, ganhou praticamente tudo. Éramos muitas vezes dominantes». Bergvall teve simplesmente de se habituar à atenção. O Barcelona esteve perto de o contratar ao Djurgården, mas foi o Tottenham que ganhou a corrida. «Acho que eles [Barcelona] ficaram extremamente desiludidos por ele ter escolhido o Tottenham», revelou o diretor desportivo do Djurgården, Bosse Andersson. Após uma temporada sensacional em 2024/25 pelos Spurs, a presente campanha foi interrompida por uma operação ao joelho, mas o médio regressou a tempo de saltar do banco e ser decisivo pela Suécia no play-off do Mundial contra a Polónia, em março.

16. JESPER KARLSTRÖM


Data de nascimento: 21 de junho de 1995

Clube: Udinese

Posição: Médio

Um talento tardio que passou muitas temporadas na liga sueca antes de finalmente fazer a sua estreia na Serie A aos 29 anos, após três anos e meio no Lech Poznan, na Polónia. «Tento desfrutar ao máximo e lembrar-me genuinamente de que este é o sonho que estou a viver neste exato momento», sublinha. O que muitos não sabiam era que o jogador lutava contra o vício do jogo enquanto jogava no Djurgården. Começou nas apostas aos 15 anos e a situação agravou-se. «No final, estava de tal forma atolado na m**** que não conseguia sair sozinho», admitiu em 2021. Com a ajuda de pessoas do clube e da sua família, deixou de jogar. Karlström foi importante na qualificação da Suécia para o Mundial deste ano, mas há quatro anos as coisas foram bem diferentes, após cometer uma grande penalidade no play-off contra a Polónia. Alvo de insultos online na altura, a Federação Sueca acabou por fazer queixa à polícia.

19. MATTIAS SVANBERG


Data de nascimento: 5 de janeiro de 1999

Clube: Wolfsburgo

Posição: Médio

Surgiu como uma jovem promessa no Malmö, mas as coisas podiam perfeitamente ter tomado outro rumo: poderia ter escolhido o hóquei no gelo. O seu pai, Bo Svanberg, foi jogador profissional de hóquei no gelo e venceu a liga sueca por várias vezes, mas o filho seguiu um caminho diferente. Depois de Mattias conquistar o seu primeiro título de campeão com o Malmö, em 2016, Bo disse não estar desiludido com a escolha de carreira do filho. «O futebol é um grande desporto e estou incrivelmente orgulhoso dele agora», declarou. Svanberg, que construiu uma carreira de sucesso em Itália e na Alemanha, tem a mesma idade que Alexander Isak e ambos jogam juntos em várias seleções da Suécia há muito tempo. No Euro 2020, Svanberg provocou gargalhadas após confundir momentaneamente Isak com Kylian Mbappé: «Jogo com o Kylian… ui, desculpem, com o Alex há muito tempo», disse, para grande surpresa dos companheiros de equipa.

22. BESFORT ZENELI


Data de nascimento: 21 de novembro de 2002

Clube: Union Saint-Gilloise

Posição: Médio

Uma estrela em ascensão no Union SG que poderia ter defrontado o seu irmão mais velho, Arber, no Mundial. À semelhança de Kevin-Prince e Jérôme Boateng, que representaram o Gana e a Alemanha, Besfort optou por representar a Suécia, enquanto o irmão Arber conta com mais de 30 internacionalizações pela seleção AA do Kosovo (que não se qualificou). «Esteve mesmo taco a taco entre o Kosovo e a Suécia, mas o meu coração bateu mais forte pela Suécia», confessa Besfort. Como resultado, não ficou popular no Kosovo: «Recebi muitas ameaças e coisas do género. Mas, sim, isso faz parte do futebol». O virtuoso médio-ofensivo jogou com Anthony Elanga no Elfsborg e agora desfruta do reencontro com o avançado na seleção nacional. «Falamos muitas vezes sobre isso e sobre os tempos que passámos juntos. Relembramos as memórias», conta.

26. TAHA ALI


Data de nascimento: 1 de julho de 1998

Clube: Malmö

Posição: Avançado

A provar que os críticos estavam errados

Um artista do drible que fez uma viagem notável desde internacional de futsal até se tornar um jogador de topo na primeira divisão sueca. Popular pela sua habilidade individual, inspirou-se em Hatem Ben Arfa na juventude. «Ronaldinho, Neymar, claro… mas Ben Arfa – que jogador ele era», evoca. Quando era jovem, disseram-lhe que não tinha físico para triunfar no futebol, mas ainda assim chegou à seleção. «Sempre me disseram: “És muito pequeno, és muito mau, não tens qualidade suficiente, driblas demasiado”». Quer ser um modelo para a comunidade sueca-somali: «Apenas espero ser uma inspiração e mostrar que não importa o caminho que escolheste – seja através de uma academia ou das divisões inferiores – é possível lá chegar».

11. ANTHONY ELANGA


Data de nascimento: 27 de abril de 2002

Clube: Newcastle

Posição: Avançado

Veloz

Nascido em Malmö, mudou-se para Inglaterra com a mãe e as irmãs aos 11 anos. «A mãe dizia sempre que as oportunidades estavam em Inglaterra. Confiei no que ela disse». Provou-se verdade para Elanga, que ingressou na academia do Manchester United, chegou à equipa principal e até ganhou um cântico próprio – «Rhythm is a dancer, Anthony Elanga» – antes de rumar ao Nottingham e ao Newcastle. O futebol corre-lhe nas veias, já que o seu pai, Joseph, venceu o campeonato sueco com o Malmö e jogou pelos Camarões no Mundial de 1998. Apesar da diferença de 23 anos, pai e filho foram uma vez confundidos quando Anthony estava com a seleção em Malmö. «Muita gente queria tirar fotografias e coisas do género. Pensavam que eu era o meu pai. Eu dizia: “Esse não sou eu”». Elanga diz dever muito ao pai e que a sua maior força não é a velocidade: «A minha principal arma é a minha mentalidade. Sou muito grato por ter tido um pai com essa mentalidade.»

9. ALEXANDER ISAK


Data de nascimento: 21 de setembro de 1999

Clube: Liverpool

Posição: Avançado

A estrela da companhia

«Foi mágico, eles cantaram para mim». A 21 de setembro de 2016, Alexander Isak completou 17 anos e tornou-se o herói do dérbi. Marcou dois golos contra o grande rival Djurgården (numa vitória por 3-0) e os adeptos cantaram-lhe os parabéns. Um supertalento que tem subido de patamar de forma sustentada e que, no ano passado, se tornou o jogador mais caro da história da Premier League. Apesar de estar no topo, é descrito como uma pessoa calma e humilde que não esqueceu as suas raízes. Thania Guanoluisa, a sua professora de espanhol na escola, recebeu uma chamada sua quando jogava na Real Sociedad: «O Alexander disse: “Thania, foste tu que me deste as bases do espanhol”. Fiquei tão feliz por ele se ter lembrado e valorizado.» Enfureceu os adeptos do Newcastle após fazer greve para forçar a mudança para o Liverpool, e a sua primeira campanha em Anfield foi para esquecer devido às lesões. Continua, ainda assim, a ser uma peça-chave para a Suécia.

21. ALEXANDER BERNHARDSSON


Data de nascimento: 8 de setembro de 1998

Clube: Holstein Kiel

Posição: Médio

A caminhada de Bernhardsson até ao topo não foi linear, mas aqui está ele, convocado para o Campeonato do Mundo após uma temporada fustigada por lesões ao serviço do Holstein Kiel, da 2. Bundesliga. «Ele é muito polivalente e tem um grande carisma», apontou o selecionador sueco, Graham Potter. Bernhardsson jogou em seis posições diferentes pelo Holstein em 2025/26, mas é algo desconhecido na Suécia após passar quatro anos no Elfsborg antes de se mudar para a Alemanha. Depois da escola, trabalhou numa fábrica e jogava na quarta divisão sueca. Nessa altura, é justo dizer que não passava muito tempo a pensar na seleção nacional. «Trabalhei numa fábrica durante dois anos e foi muito pedagógico», partilhou. «Não mudaria nada. Mas agora gosto de poder dizer que o futebol é o meu trabalho a tempo inteiro.» Bernhardsson é conhecido por ser extremamente humilde.

17. VIKTOR GYÖKERES


Data de nascimento: 4 de junho de 1998

Clube: Arsenal

Posição: Avançado

Em grande forma

O avançado do Arsenal com a característica celebração de golo ressuscitou Bane, o vilão do Batman, e é atualmente a estrela mais brilhante da Suécia. Quando catapultou a Suécia para o Mundial, os adeptos celebraram cantando o seu nome e imitando o seu festejo. «É difícil traduzir em palavras exatamente o que se sente neste momento. É extremamente bom e um alívio», desabafou após marcar o golo que eliminou a Polónia na final do play-off. O craque teve um caminho sinuoso até ao topo, com minutos contados no Brighton, empréstimos sucessivos e, finalmente, um período de enorme sucesso no Sporting antes de carimbar a transferência de sonho para o Arsenal. Subiu de rendimento gradualmente após a mudança de 64 milhões de libras para o Norte de Londres, depois de ter enfrentado duras críticas durante a primeira metade da época 2025/26.

10. BENJAMIN NYGREN


Data de nascimento: 8 de julho de 2001

Clube: Celtic

Posição: Avançado

Nygren apontou três golos e fez três assistências em quatro jogos pelo IFK Gotemburgo quando explodiu aos 17 anos, na primavera de 2019. Bastou isso para que aceitasse rumar ao Genk numa transferência recorde. «É de loucos. Passar de ir à escola todos os dias e viver em casa para me mudar para o estrangeiro - longe da família, dos amigos, da namorada. De tudo», recordou. O caminho para a seleção foi mais acidentado e só se estreou na equipa AA no ano passado. No seu segundo jogo pela Suécia, contra a Irlanda do Norte, faturou e conseguiu festejar com o seu amigo chegado Emil Holm, que também balançou as redes nessa noite. «Viver isto com um amigo de infância… quase tenho de me beliscar», atirou Holm. Nygren é agora presença regular na seleção e, tal como no Celtic, continua a somar golos e assistências.

25. GUSTAF NILSSON


Data de nascimento: 23 de maio de 1997

Clube: Club Brugge

Posição: Avançado

«A primeira coisa em que pensamos é no Peter Crouch - como ele alia a altura à técnica». Foi desta forma que o antigo internacional sueco Stefan Selakovic descreveu Nilsson após o jovem de 18 anos ter explodido e marcado um golo espetacular de pontapé de bicicleta no campeonato sueco, em 2015. Já nessa altura, há 11 anos, falava-se dele como um jogador de seleção, mas as coisas não correram bem assim. Após vários anos na Dinamarca, empréstimos de volta à Suécia e até uma passagem pelo Wehen Wiesbaden na terceira divisão alemã, encontra-se agora no Club Brugge (embora o tempo de jogo tenha sido limitado em 2025/26). «Nunca pensei uma única vez em desistir», assegura. Nilsson é uma excelente cartada a sair do banco caso a Suécia precise de correr atrás do prejuízo.

13. KEN SEMA


Data de nascimento: 30 de setembro de 1993

Clube: Pafos

Posição: Defesa/Ala

A grande surpresa na convocatória para o Mundial. O antigo extremo do Watford tem entrado e saído do onze inicial do Pafos na liga cipriota e não tinha sido chamado para os jogos do play-off de acesso ao torneio. Contudo, Graham Potter conhecia o jogador de 32 anos do tempo em que estiveram juntos no Östersund, surgindo esta chamada como uma doce vingança para o ala, depois de ter sido o último jogador a ser cortado da lista para o Mundial de 2018. «Essa foi a escolha mais difícil para mim», confessou o então selecionador nacional Janne Andersson. Os seus pais, Ndongala e Kia, cresceram em Kinshasa, mas fugiram do país após terem o primeiro filho. Ken nasceu na Suécia juntamente com o seu irmão Maic, que também foi futebolista profissional. Ken é uma figura positiva que parece ter sempre um sorriso no rosto. Uma vez tornou-se viral – após uma entrevista nos canais do Watford – onde abordou a sua gaguez. «Nunca vi isso como um obstáculo», garante. «Não sou o tipo de pessoa que é tímida ou que fica na sombra.»

Textos de Sebastian Pearson e Tobias Hellgren, do fotbollskanalen.se. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.

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