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Mundial 2026: perfis dos jogadores da Noruega
1. ØRJAN HÅSKJOLD NYLAND
Data de nascimento: 10 de setembro de 1990
Clube: Sevilha
Posição: Guarda-redes
O guarda-redes número um
Pode não ser o membro mais famoso da seleção norueguesa, mas Nyland é um dos mais antigos e destaca-se pela sua calma e fiabilidade. Estreou-se contra a Escócia, em novembro de 2013, e tem sido a primeira escolha nos últimos cinco anos. Antes disso, Nyland era um atleta multifacetado que poderia ter brilhado noutras modalidades. Além de figurar entre os maiores talentos do país na baliza, tanto no futebol como no andebol, integrou a seleção nacional de esqui alpino aos 13 anos. «Houve um cabo de guerra e uma competição feroz pelo Ørjan, especialmente entre as equipas de futebol e de andebol. Toda a gente o queria e toda a gente tinha de o ter», recordou o seu pai, Jostein. Nyland teve de se conformar com o estatuto de suplente em vários dos seus clubes e, no último ano, somou mais titularidades pela Noruega do que pelo Sevilha.
13. EGIL SELVIK
Data de nascimento: 30 de julho de 1997
Clube: Watford
Posição: Guarda-redes
A história de Selvik é um pouco invulgar. Quando assinou pelo FK Haugesund em 2021, tinha 23 anos e somava apenas um jogo na primeira divisão da Noruega. No entanto, afirmou-se muito rapidamente como um dos melhores guarda-redes do país. Agora com 28 anos, vive o sonho profissional em Inglaterra ao serviço do Watford, onde é o número um do clube. A nível internacional, tem sido o suplente de Ørjan Håskjold Nyland há vários anos, mas, devido ao tempo de jogo limitado do titular no Sevilha, surgiram debates de que Selvik poderá ser o titular no Mundial. Passou parte da infância em Aberdeen, uma vez que o seu pai trabalhava na Escócia na indústria petrolífera, aprendendo inglês enquanto frequentava a escola primária. Quando se juntou ao Watford, admitiu que demorou algum tempo a habituar-se ao seu novo carro. «Acho muito diferente. Se conduzir em piloto automático, costumo entrar pelo lado esquerdo e depois lembro-me de que o volante está no lado direito! Tenho a certeza de que me vou habituar», revelou ao site do Watford.
12. SANDER TANGVIK
Data de nascimento: 29 de novembro de 2002
Clube: Hamburgo
Posição: Guarda-redes
Tangvik tem sido visto como o futuro guarda-redes titular da Noruega há já alguns anos. Com apenas 23 anos, realizou 85 jogos pelo Rosenborg antes de se mudar para o Hamburgo, em janeiro. Detém reflexos fantásticos e é excelente entre os postes, o que ajuda a explicar o seu registo notável nos penáltis: à data em que este texto foi escrito, defendeu um em cada três castigos máximos que enfrentou. Como se exige a um guarda-redes moderno, também é muito forte no jogo de pés, tendo crescido com Pepe Reina como modelo. É pouco provável que some minutos no Mundial, mas o simples facto de integrar o plantel constituirá uma experiência valiosa. Em 2025, sofreu um toque no nariz e sangrou abundantemente, mas o médico da equipa aplicou pontos na ferida e o jogador continuou em campo. «Isto é a Eliteserien, é suposto haver choques durante o jogo, especialmente contra o Bryne.»
25. HENRIK FALCHENER
Data de nascimento: 8 de maio de 2003
Clube: Viking
Posição: Defesa-central
Chamada surpresa
Falchener admitiu ter derramado algumas lágrimas após a sua inclusão surpresa por parte de Ståle Solbakken. «Nunca pensei que acontecesse tão depressa. Não tenho mesmo palavras», confessou à TV2. O jogador de 23 anos soma apenas uma internacionalização e esta aconteceu em março, depois de a Noruega se ter qualificado para o Campeonato do Mundo. O caminho até ao topo foi longo para Falchener, embora tenha avançado muito rapidamente nos últimos anos. Depois de ter sido rejeitado por uma academia aos 16 anos, rumou ao Sandefjord, mas sentiu dificuldades para ter tempo de jogo, o que o fez descer até ao terceiro escalão. Acabou por garantir uma transferência para o Viking e tornou-se imediatamente um dos melhores defesas do principal escalão, talvez mesmo o melhor. O jovem de 23 anos também deu o seu contributo na outra área, marcando por seis vezes na campanha em que o Viking conquistou a Eliteserien de 2025, na sua primeira temporada no clube.
26. JULIAN RYERSON
Data de nascimento: 17 de novembro de 1997
Clube: Borussia Dortmund
Posição: Defesa
Irreverente
Ryerson é o elemento mais próximo de uma 'bomba-relógio' no plantel da Noruega. «Preferia não comentar sobre o cérebro dele, mas acho que será examinado após a sua morte. As coisas que se passam ali dentro não são normais», brincou em tempos o selecionador da Noruega, Ståle Solbakken, antes de acrescentar: «Mas isso é bom.» Referia-se às qualidades específicas que conduziram Ryerson ao topo: destemor, foco e uma paixão pelo desarme à antiga. Tendo trocado o Viking pelo Union Berlim em 2018, permaneceu na capital alemã durante cinco anos antes de rumar ao Borussia Dortmund, onde uma das suas exibições mais conseguidas aconteceu diante do PSG, nas meias-finais da Liga dos Campeões de 2023/24. Conseguiram anular Kylian Mbappé, Bradley Barcola e Ousmane Dembélé, não sofrendo golos em nenhuma das mãos. «Não tínhamos um plano especial para travar o Mbappé», revelou Ryerson na altura. «Eles também tinham o Dembélé e o outro rapaz cujo nome não sei [Barcola]. Tínhamos de ser os melhores no um contra um, e fomos.» Essa mentalidade será preciosa quando Ryerson voltar a defrontar as superestrelas francesas no Mundial.
17. TORBJØRN HEGGEM
Data de nascimento: 12 de janeiro de 1999
Clube: Bolonha
Posição: Defesa
«Costumava dizer a mim próprio que são precisas 10.000 horas para ser bom em alguma coisa», revelou Heggem à TV 2, sobre uma premissa que adotou no seu crescimento. No entanto, se treinar «apenas» uma hora por dia, demorará mais de 27 anos a atingir essa marca – e é pouco provável que tenha começado no primeiro dia de vida. Heggem não dispunha de 27 anos para alcançar as suas metas, pelo que treinou o máximo que pôde e no maior número de disciplinas possível, tudo com o propósito de se tornar futebolista profissional. Praticou esqui de fundo, salto em comprimento e lançamento do dardo, mantendo sempre uma bola de futebol por perto. O seu pai, Trond, admitiu que pensou muitas vezes: «Se o Torbjørn não se tornar atleta, então não percebo nada disto». O resultado deste treino direcionado é um defesa-central de 1,92m que raramente perde uma corrida em velocidade e surge quase imbatível no jogo aéreo.
15. FREDRIK ANDRÉ BJØRKAN
Data de nascimento: 21 de agosto de 1998
Clube: Bodø/Glimt
Posição: Defesa
Bjørkan sabe perfeitamente o que significa a palavra 'pressão'. O lateral-esquerdo de pendor muito ofensivo cresceu em Bodø, uma localidade projetada para a ribalta graças ao Bodø/Glimt. Residem ali cerca de 50.000 pessoas e Fredrik cresceu como filho de uma das figuras mais célebres da terra. O seu pai, Aasmund Bjørkan, é uma lenda do Bodø/Glimt e, quando Fredrik revelou qualidade e idade suficientes para integrar a equipa principal, o seu progenitor era o treinador do clube. Numa entrevista ao jornal VG, recordou que quando o seu filho realizava um jogo menos conseguido, ouvia os sussurros de que Fredrik só jogava porque o pai era o técnico. «Achei uma situação muito difícil», confessou Aasmund. «Especialmente em 2016. Houve várias vezes em que não o convoquei porque não aguentava os falatórios. Mas ele já era decididamente bom o suficiente na altura». Apresenta-se no Mundial após integrar o trajeto notável do Bodø/Glimt na Liga dos Campeões em 2025/26.
3. KRISTOFFER AJER
Data de nascimento: 17 de abril de 1998
Clube: Brentford
Posição: Defesa
Líder defensivo
Se acompanha a Premier League, provavelmente já reparou que os lançamentos de linha lateral longos se tornaram populares. O Brentford explora essa arma com eficácia e, com frequência, a bola é projetada na direção da cabeça de um esguio defesa norueguês que a desvia em direção à baliza contrária. Com 1,98m, Ajer é o jogador de campo mais alto do seu clube e da seleção – surgindo como uma ameaça constante em lances de bola parada. Na juventude, Ajer exibia o mesmo aproveitamento na escola e no futebol, obtendo frequentemente as notas mais elevadas – um forte contraste com a forma como a imprensa avaliou a sua exibição no primeiro jogo de Ståle Solbakken ao comando da Noruega, uma derrota por 3-0 frente à Turquia. Ajer recebeu uma nota de 2 em 10 pela maioria dos analistas. «A nota foi merecida. Joguei mesmo muito mal», reconheceu após o encontro. O panorama melhorou para o atleta de 29 anos desde então e, no ano passado, afirmou-se como o líder do setor recuado norueguês – papel que desempenhará no Mundial.
4. LEO ØSTIGÅRD
Data de nascimento: 28 de novembro de 1999
Clube: Génova
Posição: Defesa
Forte no jogo aéreo
Østigård figura entre os jogadores mais baixos da equipa, mas assume-se talvez como o melhor no cabeceamento. «O meu pai e eu praticámos muito o cabeceamento. Cabeceio bolas desde os três anos de idade, por isso, a esta altura, convém ser bom nisso», revelou Østigård à NRK Sport. Surgiram sinais precoces de que o jovem natural da pequena cidade de Åndalsnes, na costa oeste, estava destinado a ser um defesa de topo. Assistiu ao seu primeiro Mundial em 2006 e um jogador em particular causou-lhe forte impressão. «O Fabio Cannavaro não é o mais alto, mas era 'louco' na disputa de lances e vencia todos os duelos. Inspirou-me.» Curiosamente, Østigård acabou por se transferir para um dos antigos clubes de Cannavaro, o Nápoles, em 2022, conquistando o 'Scudetto' no ano seguinte. Na seleção, perdeu a titularidade em 2025 após alguns erros comprometedores, mas assume-se como um lutador e fará tudo ao seu alcance para recuperar o seu espaço na equipa.
5. DAVID MØLLER WOLFE
Data de nascimento: 23 de abril de 2002
Clube: Wolverhampton
Posição: Defesa
David Møller Wolfe constitui a prova viva de que não é obrigatório ingressar cedo numa academia de elite para atingir a Premier League. Enquanto a maioria dos principais talentos da região de Bergen se juntou cedo ao Brann, o principal clube da cidade, Møller Wolfe optou por permanecer no clube da sua infância, o Bergen Nord, o máximo de tempo possível. Alinhava ainda no quinto escalão da Noruega quando mereceu a chamada à seleção de sub-17. O veloz e ofensivo lateral-esquerdo cresceu em Espanha, regressando a Bergen quando completou 11 anos. Foi em solo espanhol que se apaixonou pelo futebol. Com o tempo, evoluiu ao ponto de assinar pelo Brann, onde conquistou a Taça, antes de ser vendido ao AZ Alkmaar. No último verão, Wolfe passou a integrar a alcateia do Wolverhampton.
16. MARCUS HOLMGREN PEDERSEN
Data de nascimento: 16 de julho de 2000
Clube: Torino
Posição: Defesa
Lutador
Marcus Holmgren Pedersen seguiu as pisadas dos antigos internacionais e atletas da Premier League Morten Gamst Pedersen e Stefan Johansen, referências para as crianças que crescem na região mais setentrional da Noruega. Não é invulgar que a cidade natal de Pedersen, Hammerfest, permaneça coberta de neve durante mais de metade do ano. Hammerfest localiza-se numa latitude de 70.6634° e assume-se como a cidade mais a norte do mundo. Ali, os verões revelam-se curtos e os invernos extremamente longos. Do sol da meia-noite no verão aos invernos gélidos, nevados, ventosos e de escuridão total. O clima norueguês no seu melhor e no seu pior. Seria justo afirmar que Holmgren Pedersen foi moldado pelas condições em que cresceu. O lateral-direito exibe agressividade em campo e dá tudo o que tem. O seu percurso levou-o do Tromsø, no norte, ao Molde e ao Feyenoord, somando um empréstimo ao Torino antes de se transferir em definitivo para o clube da Serie A em 2025.
24. SONDRE LANGÅS
Data de nascimento: 2 de fevereiro de 2001
Clube: Derby County
Posição: Defesa
Há três anos, Langás alinhava no segundo escalão da Noruega, ao serviço do Ranheim. Tinha 22 anos e nunca havia representado as seleções jovens norueguesas. Seria justo afirmar que era um relativo desconhecido. No entanto, no verão de 2023, o Viking assegurou o seu concurso e, 18 meses mais tarde, estreou-se pela seleção AA da Noruega, transferindo-se para o Derby County por 4,5 milhões de libras. Envergava a braçadeira de capitão quando sofreu uma lesão na coxa em janeiro. Numa entrevista ao canal de televisão Viaplay, o selecionador da Noruega, Ståle Solbakken, avisou: «Ele precisa de regressar aos relvados e realizar um excelente mês de abril se pretender entrar naquele avião para o Mundial.» Contas feitas, conseguiu precisamente esse intento. Sendo um jogador de andebol muito talentoso, conciliou a modalidade com o futebol até aos 18 anos.
10. MARTIN ØDEGAARD
Data de nascimento: 17 de dezembro de 1998
Clube: Arsenal
Posição: Médio
Um deleite para os olhos
Quando tinha seis anos, Ødegaard rematava uma bola de futebol a 60 km/h. Realizou o seu primeiro jogo na categoria sénior aos 13 anos. Dois anos mais tarde, dominava o principal escalão da Noruega a tal ponto que se tornou na jovem promessa mais cobiçada do futebol mundial. Quando se estreou pela seleção nacional aos 15 anos, a técnica de Ødegaard, a sua capacidade de leitura de jogo e o discernimento para ditar o ritmo faziam-no parecer um veterano calejado. «Precisei de cinco minutos para perceber que ele tem o que é preciso», elogiou o então treinador do Bayern Munique, Pep Guardiola. Tendo ingressado no Real Madrid em 2015, estreou-se ao saltar do banco para render Cristiano Ronaldo. A sua ascensão ao topo não se revelou linear, registando contratempos na seleção e períodos de empréstimo em Heerenveen, Vitesse e Real Sociedad, antes de uma mudança transformadora para o Arsenal. Agora, porém, assume-se como capitão no clube e na seleção, liderando a Noruega no seu primeiro Mundial desde o ano em que nasceu. Pode afirmar-se com segurança que o «rapaz» se fez homem.
8. SANDER BERGE
Data de nascimento: 14 de fevereiro de 1998
Clube: Fulham
Posição: Médio
Personalidade contagiante
Será difícil encontrar alguém que aponte uma crítica a Sander Berge. O médio parece exibir sempre um sorriso no rosto e aborda os desafios quotidianos com aparente serenidade. A vida em campo, contudo, nem sempre se revelou fácil para o atleta de 28 anos, que teve de assumir enorme responsabilidade no miolo do terreno norueguês, sofrendo igualmente despromoções ao serviço de Sheffield United e Burnley. No entanto, registaram-se também diversos momentos altos e, desde 2025, fixou-se como um jogador consolidado na Premier League, figurando frequentemente entre os melhores em campo na qualificação da Noruega para o Mundial. Celebrou, também, a paternidade pela primeira vez. A estatura de Berge, que o transforma numa figura imponente no relvado, provém do seio familiar: a sua mãe, o seu pai e o seu irmão mais velho representaram a seleção nacional de basquetebol.
20. ANTONIO NUSA
Data de nascimento: 17 de abril de 2005
Clube: RB Leipzig
Posição: Extremo
Velocista
Entre todas as figuras da seleção norueguesa, nenhuma colhe maior admiração por parte dos adeptos do Ullevaal Stadium do que Antonio Nusa. Sempre que recebe a bola, escuta-se a expectativa da bancada – e o extremo corresponde quase sempre ao ultrapassar os opositores em drible. O ponto alto até ao momento traduziu-se num golo de sonho na vitória caseira por 3-0 sobre a Itália, ao qual deu sequência com outra obra de arte ao ângulo superior no jogo da segunda volta, em San Siro. Há dois anos, quando questionado sobre como se tornara tão virtuoso, revelou: «Vias vídeos do Neymar no YouTube e ia para a rua tentar imitá-lo.» O traço invulgar em Nusa prende-se com o facto de, até ao momento, apresentar melhor rendimento na seleção do que nos seus clubes. Vincula-se ao Leipzig desde 2024, mas como é provável que o favorito dos adeptos noruegueses cative atenções no Mundial, uma transferência para um dos colossos europeus poderá desenhar-se no horizonte.
14. FREDRIK AURSNES
Data de nascimento: 10 de dezembro de 1995
Clube: Benfica
Posição: Médio
Portugal constitui o maior mercado de exportação para o bacalhau salgado seco norueguês, com transações anuais aproximadas de 350 milhões de euros. O ingrediente principal do prato favorito de Cristiano Ronaldo provém da região de Sunnmøre. Foi também ali que cresceu a segunda exportação mais famosa da Noruega para solo luso, Fredrik Aursnes. Tem-se assumido como peça influente no Benfica desde a sua chegada em 2022, mas, subitamente, dois anos mais tarde, renunciou à seleção. «Tornou-se demasiado frenético», justificou. «Era uma correria constante e sentia que não conseguia respirar. Estava mentalmente exausto.» Revelou-se, por isso, de alguma forma polémico quando se reinstalou nos convocados quatro meses antes de um Mundial para o qual não contribuiu na qualificação. Mas a maioria dos noruegueses congratula-se com o regresso de Aursnes. Não exibe uma nota artística invulgar, mas apresenta-se funcional e versátil – um médio completo que torna sempre a sua equipa um pouco melhor.
21. ANDREAS SCHJELDERUP
Data de nascimento: 1 de junho de 2004
Clube: Benfica
Posição: Extremo
Aos 13 anos, Andreas Schjelderup já delineava um plano estruturado para os anos seguintes da sua vida. Pretendia deixar a Noruega assim que completasse 16 anos e a mensagem dirigida aos pais foi categórica: «Vocês não vêm comigo.» Schjelderup pretendia trilhar o seu caminho de forma autónoma. «Achei que eles não deveriam sacrificar nada para me acompanhar, nem abdicar da vida que construíram em Bodø.» Não tardou para que os principais clubes europeus atentassem no talento de Schjelderup. Realizou testes no Ajax e no PSV por quatro ocasiões, visitando insígnias como Barcelona, Liverpool e Bayern Munique. Em última análise, deixou o Bodø/Glimt rumo à fábrica de talentos dinamarquesa do FC Nordsjælland com a idade de…16 anos. Todo o sacrifício, determinação e empenho renderam frutos. Desde que ingressou no Benfica em 2024, tornou-se figura de relevo, faturando por duas vezes frente ao Real Madrid num categórico triunfo por 4-2 que conduziu os encarnados aos 'play-offs'. O Mundial poderá ditar a afirmação definitiva do criativo e técnico extremo.
22. OSCAR BOBB
Data de nascimento: 12 de julho de 2003
Clube: Fulham
Posição: Médio/Extremo
Oscar Bobb saltou para as parangonas logo aos 12 anos. Quando a Norway Cup, o maior torneio do mundo, mereceu transmissão televisiva, tornou-se impossível ignorar o veloz médio esquerdino do Lyn Oslo. «Parece um pequeno Messi», apontavam os comentadores. Quando Bobb regressou aos ecrãs de televisão, 10 anos mais tarde, fê-lo ao serviço do Manchester City de Pep Guardiola. Tendo iniciado a temporada 2025/26 no onze titular, perdeu rapidamente espaço e acabou transferido para o Fulham em janeiro, por 27 milhões de libras. Enfrentou também períodos cinzentos na seleção, com Ståle Solbakken a tecer duras críticas após um amigável frente à Nova Zelândia. «Faltou-lhe tudo hoje; demorou muito tempo com a bola, posicionou-se de forma estranha e não correspondeu na pressão. Se perguntarem ao Oscar, acho que ele dirá que a primeira parte talvez tenha sido a sua exibição mais fraca pela seleção. A segunda parte foi a segunda mais fraca.» Fora dos relvados, Bobb assume-se como uma personalidade educada e modesta que, com dezenas de milhares de horas investidas na PlayStation, será o homem a bater nos duelos de FIFA/FC26 no hotel dos jogadores, na Carolina do Norte.
6. PATRICK BERG
Data de nascimento: 24 de novembro de 1997
Clube: Bodø/Glimt
Posição: Médio
Há oito anos, o vínculo de Berg com o Bodø/Glimt aproximava-se do fim. Exibia um momento de forma menos conseguido e revelava incerteza quanto ao futuro. «Pensei seriamente em deixar o futebol por completo e procurar outra ocupação», admitiu. Poucos meses mais tarde, acabou por carimbar um novo contrato com o Glimt e nunca mais olhou para trás. Assume-se como um médio possante que cobre extensas áreas do terreno. Apenas oito jogadores correram mais do que ele na fase de liga da Liga dos Campeões. O apelido Berg faz parte da história do Bodø/Glimt. O seu avô, Harald «Dutte», é considerado um dos melhores jogadores noruegueses de todos os tempos. O seu pai, Ørjan, somou 19 internacionalizações pela Noruega, e os seus tios Runar e Arild também foram futebolistas profissionais. Tendo optado por permanecer, Patrick Berg assumiu a braçadeira de capitão e contabiliza agora quatro campeonatos noruegueses conquistados, além de atingir as meias-finais da Liga Europa e surpreender Manchester City e Inter na Liga dos Campeões.
2. MORTEN THORSBY
Data de nascimento: 5 de maio de 1996
Clube: Cremonese
Posição: Médio
Ambientalista
Thorsby assume-se como um guerreiro no meio-campo e os adversários não se devem deixar iludir pela sua postura dócil fora das quatro linhas. No futebol, a camisola número 2 é tradicionalmente envergada pelo lateral-direito, mas o número 2 da Noruega foge a qualquer convencionalismo. Thorsby dedicou a maior parte da sua vida adulta à luta contra as alterações climáticas e o aquecimento global. O número da sua camisola alude à meta internacional de limitar o aumento da temperatura média global a menos de 2 graus Celsius. Em 2022, Thorsby foi nomeado Embaixador do Pacto Europeu para o Clima. Costuma deslocar-se para os treinos de bicicleta e, sempre que possível, viaja de comboio em detrimento do avião. Durante a sua passagem pelo Heerenveen, convenceu o clube a investir em painéis solares para a cobertura do estádio. Questionado sobre as suas impressões acerca do exigente grupo da Noruega no Mundial (com jogos agendados para Boston e Nova Iorque), respondeu: «Estou contente porque não teremos de voar tanto.» Se avistar a comitiva da Noruega a chegar ao estádio do Mundial num autocarro elétrico, já sabe o motivo.
18. KRISTIAN THORSTVEDT
Data de nascimento: 13 de março de 1999
Clube: Sassuolo
Posição: Médio
Jogador inteligente
Thorstvedt constitui um nome familiar na Noruega. O pai de Kristian, Erik, conquistou a Taça de Inglaterra com o Tottenham e representou o país no Mundial de 1994. Kristian pode não ter figurado como o talento mais precoce da sua geração, mas revelou-se um lutador com faro para o golo. Thorstvedt registou um desenvolvimento físico tardio, pelo que, quando os seus melhores amigos assinaram contratos profissionais, optou por estudar e alinhar no futebol universitário nos Estados Unidos. O seu percurso só ganhou balanço quando o seu pai efetuou um último contacto para o seu antigo clube, o Viking, aferindo da possibilidade de Kristian treinar com o grupo. Dois anos mais tarde, celebrava a subida à Eliteserien, somava 24 golos, vencia a Taça da Noruega, garantia a transferência para o Genk e estreava-se pela seleção AA. «Nunca pensei que o Kristian jogasse na seleção. Nunca!», confessou Erik. Este verão, o dinâmico e inteligente médio regressa aos Estados Unidos – mas desta vez para representar o seu país e não como estudante.
19. THELO AASGAARD
Data de nascimento: 2 de maio de 2002
Clube: Rangers
Posição: Médio
Aasgaard surgiu como uma surpresa para a maioria dos noruegueses durante a fase de qualificação para o Mundial. Nasceu e cresceu em Liverpool e nunca residiu na Noruega. Compreende alguma coisa de norueguês, mas prefere expressar-se em inglês. Aos nove anos ingressou na academia do Liverpool, onde partilhou o relvado com Curtis Jones, entre outros. Através do seu progenitor norueguês, tornou-se elegível pela Noruega. Aasgaard provém de uma família ligada à música. O seu pai é um violoncelista de renome mundial, a sua mãe partilha a mesma profissão e os seus dois irmãos são músicos de jazz. Thelo, por sua vez, dedica-se à composição musical nos tempos livres para se desligar do futebol. «Olho muito de perto para os meus pais. Detemos profissões semelhantes, porque ambos somos avaliados pelo rendimento. Quando assisto a um concerto do meu pai, sei bem a pressão a que está sujeito perante uma plateia numerosa.»
23. JENS PETTER HAUGE
Data de nascimento: 12 de outubro de 1999
Clube: Bodø/Glimt
Posição: Extremo
Em busca do tempo perdido
«É o melhor jogador deles», elogiou o treinador do Atlético Madrid, Diego Simeone, antes de a sua equipa medir forças com o Bodø/Glimt, em janeiro. E Simeone raramente se engana. Quando se publicaram as estatísticas da fase de grupos da Liga dos Campeões de 2025/26, Hauge figurava entre os melhores, inclusive na lista de melhores marcadores, com apenas três jogadores a faturar mais: Kylian Mbappé, Harry Kane e Erling Haaland. Hauge deu a volta por cima após uma passagem cinzenta pelo Milan, ao qual se juntou em 2020. O percurso no Eintracht Frankfurt também não correspondeu às expectativas, mas tem rubricado o melhor futebol da carreira desde o seu regresso ao Bodø/Glimt, no ano passado. No período em que representou o Milan, revelou-se impressionado com Zlatan Ibrahimovic, de 39 anos, dentro e fora de campo. À CBS, recordou: «Lembro-me de chegar ao balneário com um boné novo e o Zlatan disparar: 'Andas a fazer pizzas ou és futebolista?' Gosto quando as pessoas brincam.»
9. ERLING HAALAND
Data de nascimento: 21 de julho de 2000
Clube: Manchester City
Posição: Avançado
Máquina de golos
Soa quase a irrealista pensar que um dos melhores futebolistas do planeta cresceu em Bryne, uma localidade pequena e pacata no sudoeste da Noruega. Deve-se ao facto de as gentes da terra trabalharem arduamente para singrar? Estará ligado às horas investidas no pavilhão coberto construído face à dificuldade de praticar futebol ao ar livre durante todo o ano? Talvez se deva ao leite fresco das vacas locais. Ou porventura porque Haaland exibia tal obsessão pelo futebol ao ponto de devorar todos os jogos na televisão, estudando inclusive a capacidade de Jamie Vardy para evitar o fora de jogo. Ou residirá no facto de a sua mãe ter sido uma proeminente atleta do heptatlo e o seu pai, Alfie, ter alinhado na Premier League? Provavelmente traduz-se numa combinação de todos estes fatores. O que é certo é que, a cada golo apontado, a cada 'hat-trick' e a cada recorde pulverizado, torna-se evidente que nunca assistiremos a ninguém semelhante.
7. ALEXANDER SØRLOTH
Data de nascimento: 5 de dezembro de 1995
Clube: Atlético Madrid
Posição: Avançado
Durante muito tempo, Alexander Sørloth assumiu o papel de viajante com dificuldades em fixar-se num clube. Antes de completar 25 anos, já havia praticado futebol profissional na Noruega, Dinamarca, Países Baixos, Inglaterra, Bélgica, Turquia e Alemanha. Poucos anteveriam que seria em Espanha e em La Liga que o possante avançado, apelidado de «Rei do Norte» pelos adeptos do Trabzonspor, encontraria o seu espaço. Mas foi na Real Sociedad, ladeado por figuras como David Silva, Mikel Merino e Alexander Isak, que rubricou a afirmação definitiva ao mais alto nível. O seu pai, Gøran, que integrou a comitiva da Noruega no Mundial de 1994, era conhecido no país como «o melhor avançado do mundo a jogar de costas para a baliza». Alexander também exibe agressividade, mas surge mais perigoso de frente para a baliza e em velocidade vertiginosa. Apresenta-se moralizado após uma excelente temporada ao serviço do Atlético e raramente desilude pela Noruega. Poderá fixar-se em breve na segunda posição da lista de melhores marcadores de sempre da seleção, tendo já ultrapassado referências como Ole Gunnar Solskjær, Tore André Flo e John Carew.
11. JØRGEN STRAND LARSEN
Data de nascimento: 6 de fevereiro de 2000
Clube: Crystal Palace
Posição: Avançado
Em 2017, um jovem esguio natural de Halden arrumou as malas rumo a Milão. Jørgen Strand Larsen, então com 17 anos, foi convidado a alinhar, por empréstimo, na equipa Primavera do Milan. O treinador na altura: Gennaro Gattuso. O avançado causou boa impressão, mas o Milan optou por não acionar a transferência definitiva. Avançamos oito anos e, precisamente em San Siro, os adeptos italianos abandonam o estádio quando Strand Larsen, agora figura da Premier League, surge isolado, ultrapassa Gianluca Mancini com facilidade e remata sem hipóteses para Gianluigi Donnarumma. O golo do 4-1 assume-se tão icónico para a Noruega como embaraçoso para a Itália, cujo selecionador é… Gennaro Gattuso. Strand Larsen seria titular na maioria das seleções mundiais, mas não na Noruega – estatuto de suplente que assume com naturalidade. «O Erling [Haaland] é um dos meus melhores amigos e exibe uma qualidade ridícula», sublinha o super-suplente da Noruega.
Textos de Simen Stamsø-Møller e Vegard Bjelland, da TV 2 Norway. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.