23. EMILIANO MARTÍNEZ


Data de nascimento: 2 de setembro de 1992

Clube: Aston Villa

Posição: Guarda-redes

O favorito dos adeptos

Emiliano Martínez é um dos jogadores mais importantes e acarinhados da história da seleção argentina. Conquistou rapidamente os adeptos com o seu carisma e astúcia em campo, além das suas conquistas como bicampeão da Copa América, campeão do mundo e vencedor da Finalissima. O seu heroísmo nos desempates por penáltis e as suas defesas soberbas — como a célebre parada diante de Randal Kolo Muani na final do Mundial contra a França — transformaram-no num ídolo das bancadas. As suas celebrações efusivas tornaram-se virais em todo o mundo e são frequentemente imitadas pelos adeptos. Apelidado de «Dibu» desde a infância devido às semelhanças com a personagem principal da série de animação argentina Mi Familia es un Dibujo (A Minha Família é um Desenho), começou a sua carreira no Independiente, mas assinou o seu primeiro contrato profissional com o Arsenal, na Premier League. O seu trajeto não foi fácil, passando por vários empréstimos antes de carimbar a transferência para o seu atual clube, o Aston Villa — tornando-se, pelo caminho, o guarda-redes argentino mais caro da história —, e de garantir a titularidade na seleção. É um jogador que expressa abertamente as suas emoções e que traz a público a temática da saúde mental, destacando frequentemente a importância de trabalhar com um psicólogo ao longo da carreira.

1. JUAN MUSSO


Data de nascimento: 6 de maio de 1994

Clube: Atlético Madrid

Posição: Guarda-redes

A carreira de Juan Musso tem sido marcada por uma evolução desde muito jovem, mesmo antes de atingir a maturidade tipicamente associada aos guarda-redes. Depois de dar os primeiros passos num clube local da sua cidade natal, San Nicolás, ingressou na academia do Racing aos 18 anos. Dois anos mais tarde, sagrou-se campeão como terceiro guarda-redes e estreou-se oficialmente aos 21. Uma época depois, a Udinese apostou no seu potencial e colheu os frutos: três anos mais tarde, quintuplicou o investimento quando o guardião se mudou para a Atalanta por 20 milhões de euros. Atualmente é o suplente de Jan Oblak no Atlético Madrid e assume-se cada vez mais como um substituto à altura: esta temporada, com Oblak afastado devido a uma distensão muscular, Musso tornou-se o primeiro guarda-redes deste século a manter a baliza inviolada em cada uma das suas primeiras quatro exibições na La Liga (embora tenha sofrido sete golos nos três jogos seguintes). «Ele é uma figura importante dentro do grupo e no balneário», sublinha Diego Simeone. «Traz energia onde quer que seja necessário e contribui com muito mais do que apenas as suas qualidades na baliza.»

12. GERÓNIMO RULLI


Data de nascimento: 20 de maio de 1992

Clube: Marselha

Posição: Guarda-redes

Rulli é um guarda-redes que alia a técnica a uma enorme resiliência. Embora tenha passado grande parte do seu tempo na seleção na sombra de Emi Martínez, o seu profissionalismo transformou-o num esteio silencioso da era de Lionel Scaloni. Fez parte das comitivas que conquistaram a Copa América em 2024, a Finalissima e o Campeonato do Mundo no Qatar, onde o seu papel no apoio ao grupo foi fundamental. Formado no Estudiantes de La Plata, onde bateu recordes de invencibilidade e despertou atenções muito jovem, somou passagens por grandes equipas europeias como Manchester City, Real Sociedad, Villarreal e Ajax antes de se mudar para o Marselha in 2024. Rulli é conhecido por manter um perfil discreto e aceitar papéis secundários sem perder a veia competitiva, mas ao nível de clubes é agora titular e afirma que a mudança para França reacendeu a sua paixão pelo jogo. «Sinto-me confortável e feliz», assevera. «Sinto-me realizado em todos os sentidos.»

6. LISANDRO MARTÍNEZ


Data de nascimento: 18 de janeiro de 1998

Clube: Manchester United

Posição: Defesa-central

«O Talhante»

Martínez é um defesa altamente cotado na seleção argentina. O seu estilo agressivo e o seu caráter forte valeram-lhe a alcunha de «El Carnicero» (O Talhante). Apesar de não ser muito alto (1,75m), é excelente no jogo aéreo e complementa essa faculdade com uma grande qualidade técnica. Começou a carreira no Newell's Old Boys, destacou-se no Defensa y Justicia e deu o salto para a Europa ao transferir-se para o Ajax aos 21 anos. Juntou-se ao Manchester United três anos depois. É um jogador profundamente ligado ao seu país, ao ponto de ter o Mundial do Qatar tatuado no corpo e de publicar frequentemente sobre a atualidade na Argentina. Mostra essa paixão em cada entrevista, onde também tende a expressar as suas emoções sem filtros. A sua principal fraqueza tem sido as lesões; sofreu alguns contratempos graves que o impediram de manter a titularidade de forma consistente na seleção e, após sofrer uma lesão nos ligamentos do joelho no ano passado, admitiu: «Houve momento em que já não reuni forças para jogar mais... sentia-me vazio».

13. CRISTIAN ROMERO


Data de nascimento: 27 de abril de 1998

Clube: Tottenham

Posição: Defesa-central

Cristian Romero é uma das figuras mais respeitadas na atual seleção argentina. Com um estilo de jogo agressivo e uma capacidade técnica notável, conquistou rapidamente a admiração dos adeptos argentinos e também do Tottenham, onde joga atualmente e exerce as funções de capitão de equipa. Apelidado de «Cuti» desde a infância (porque na altura a sua irmã Aldana não conseguia pronunciar o seu nome verdadeiro), alia a velocidade na antecipação à excelência nos duelos de um contra um, com a mais-valia de ser uma ameaça golo nos lances de bola parada. Despontou nos escalões de formação do Atlético Belgrano de Córdoba, mas a sua carreira descolou em Itália, onde representou o Génova e a Atalanta — mas não a Juventus, apesar de ter estado sob contrato com o clube de Turim por um par de anos —, antes de dar o salto para a Premier League. Foi uma das peças-chave de Lionel Scaloni nas conquistas das duas Copas América, da Finalissima e do Mundial no Qatar.

19. NICOLÁS OTAMENDI


Data de nascimento: 12 de fevereiro de 1988

Clube: Benfica

Posição: Defesa-central

Otamendi pode ter-se tornado um dos heróis da seleção, mas precisou de tempo para alcançar esse estatuto, tendo feito parte de uma geração que somou desilusões consecutivas, ao lado de jogadores como Sergio Agüero, Javier Mascherano e até Lionel Messi, antes da grande redenção em 2022. Depois de jogar no Mundial de 2010 sob as ordens de Diego Maradona, assumiu um papel periférico durante vários anos e ficou fora das escolhas em 2014, mas este será o seu quarto torneio mundial. Jogador vigoroso e de enorme personalidade, apelidado de «El General» devido à sua liderança (e à sua celebração com uma saudação militar), foi capitão e líder no Benfica. É exímio no jogo aéreo, rápido a encurtar os espaços e fisicamente forte. Controla rigorosamente a sua alimentação («Como frango, arroz e salada praticamente todos os dias, e só me permito um pequeno mimo após os jogos») e nunca para de treinar, mesmo durante as férias. As suas tatuagens são lendárias. Fez a primeira aos 14 anos e, entre elas, contam-se Walter White, o protagonista de Breaking Bad, e Messi a segurar o troféu do Campeonato do Mundo.

2. LEONARDO BALERDI*


Data de nascimento: 26 de janeiro de 1999

Clube: Marselha

Posição: Defesa-central

Após cinco anos sem somar qualquer internacionalização, Leonardo Balerdi reemergiu no final de 2024 como uma das principais opções de recurso na defesa da Argentina. Com um estilo de jogo técnico e capacidade para construir a partir de trás, conquistou a confiança de Lionel Scaloni e é chamado com regularidade, chegando a ser titular em algumas partidas. É o capitão e uma figura fulcral no Marselha, clube ao qual se juntou inicialmente por empréstimo em 2020, depois de trocar a Argentina pelo Borussia Dortmund um ano antes, escassos dias antes do seu 20.º aniversário. Sentiu dificuldades em algumas fases por viver tão longe de casa: «Ainda mantenho todos os hábitos argentinos, como beber mate e fazer churrascos», conta. «Essas coisas fazem-nos sentir um pouco mais perto de casa.» Adepto confesso do Boca e formado na academia do clube, onde entrou aos 15 anos, ficou famoso por oferecer uma camisola dos xeneizes a Erling Haaland durante o tempo em que partilharam o balneário em Dortmund, admitindo que «deixava o Erling logo maluco com o Boca». «Ele tornou-se adepto e até hoje mantemos contacto e sempre que ele vê um vídeo do Boca envia-mo».

*Sofreu uma lesão, impeditiva de participar no torneio, mas ainda não foi substituído.

25. FACUNDO MEDINA


Data de nascimento: 28 de maio de 1999

Clube: Marselha

Posição: Defesa

Facundo Medina nunca se estreou pela equipa principal do River Plate, mas guarda o clube no coração. Nas suas próprias palavras, o River tirou-o do bairro de lata (villa) e ajudou a moldá-lo não apenas como futebolista, mas como pessoa, fornecendo as ferramentas que o definem hoje como um defesa esquerdino de enorme qualidade. «Será sempre a minha casa porque foi onde me formei e cresci», afirmou um dia. Nascido em Villa Fiorito — o mesmo bairro de Diego Maradona —, começou a carreira como lateral-esquerdo antes de fazer a transição para central. Foi prontamente transferido para o Talleres, onde realmente se afirmou: assumiu-se como titular indiscutível, conquistou um lugar nas seleções jovens da Argentina e garantiu a mudança para a Europa através do Racing Lens. Graças ao seu perfil e exibições consistentes, despertou a atenção de Lionel Scaloni, que o lançou na seleção principal com apenas 21 anos. Agora, prepara-se para disputar o seu primeiro Mundial ao lado de vários heróis do Qatar, depois de demonstrar um excelente nível esta temporada ao serviço do Marselha.

4. GONZALO MONTIEL


Data de nascimento: 1 de janeiro de 1997

Clube: River Plate

Posição: Lateral-direito

O homem que uniu uma nação em lágrimas de pura alegria ao converter a grande penalidade que decidiu a final do Mundial de 2022 e que, com um único pontapé, se tornou imortal. «Foi um momento único, digno de um sonho», recordou. «Passaram-me tantas coisas pelos olhos, os sacrifícios que a minha família e eu fizemos para chegar a esta posição. Quando marquei, desabei em lágrimas. Foi um momento único e inexplicável.» Formado nas escolas do River Plate, regressou ao clube no início de 2025 e é agora uma das suas principais figuras. Embora tenha iniciado a carreira como defesa-central, Marcelo Gallardo desviou-o para a lateral direita devido aos seus atributos físicos — uma decisão que se revelou inspirada. Além do Mundial de 2022, conquistou também os dois títulos da Copa América da era Scaloni e a Finalissima. Tem um filho chamado Thiago, é fã de tatuagens e exibe uma enorme personalidade em campo — e especialmente nos desempates por penáltis. Em criança, tinha umas bochechas invulgarmente proeminentes que lhe valeram a alcunha de «El Cachete» (O Bochechas), que o acompanha desde então.

3. NICOLÁS TAGLIAFICO


Data de nascimento: 31 de agosto de 1992

Clube: Lyon

Posição: Lateral-esquerdo

Aficionado do desenho

É um dos poucos resistentes que Lionel Scaloni herdou da comitiva do Mundial de 2018. Com o tempo, Tagliafico, através da consistência e de um nível exibições elevado, tornou-se uma figura fulcral. Formado no Banfield, o lateral-esquerdo é conhecido pela sua entrega total, empenho e uma capacidade de trabalho incansável. Nas redes sociais, bem como nos seus canais de streaming, mostra frequentemente o seu lado mais familiar ao lado da companheira, a influenciadora Caro Calvagni, e dos seus dois bulldogs franceses, Galo e Pepu. Revela também uma faceta mais intelectual, demonstrando interesse por uma vasta gama de temas além do futebol — o seu passatempo favorito é o desenho: «Concentrarmo-nos apenas numa coisa ajuda a limpar a mente». Após passagens de sucesso pelo Independiente e pelo Ajax, alinha agora no Lyon. Embora não seja particularmente alto, compensa essa lacuna com um excelente timing de salto e uma marcação implacável.

26. NAHUEL MOLINA


Data de nascimento: 6 de abril de 1998

Clube: Atlético Madrid

Posição: Lateral-direito

Lateral-direito titular da Argentina no último Mundial, Molina continua a segurar o posto. Emergindo dos escalões de formação do Boca Juniors, onde chegou muito jovem vindo da sua Córdoba natal mas onde nunca conseguiu fixar-se na equipa, viu a sua carreira ganhar balanço no Defensa y Justicia e no Rosario Central, antes do inevitável salto para a Europa. Trabalhador mas bastante introvertido, e sempre fiel aos seus amigos mais próximos e à família, a carreira de Molina descolou verdadeiramente na Udinese, abrindo-lhe as portas da Albiceleste. Hoje é jogador do Atlético Madrid e tornou-se um lateral de elite graças à sua velocidade e resistência. Mantém-se afastado de polémicas e é um utilizador raro das redes sociais. Em janeiro, celebrou o nascimento da sua filha Allegra com Barbara Occhiuzzi, a sua companheira há mais de uma década. Para Lionel Scaloni, é um jogador de extrema importância numa posição historicamente difícil com vista ao Mundial.

20. ALEXIS MAC ALLISTER


Data de nascimento: 24 de dezembro de 1998

Clube: Liverpool

Posição: Médio

Embora possa passar despercebido fora das quatro linhas, dentro delas salta invariavelmente à vista. Produto das escolas do Argentinos Juniors e com uma passagem pelo Boca Juniors, estreou-se pela Albiceleste em setembro de 2019 e conquistou a Finalissima em 2022, o Mundial e a Copa América em 2024, além de se ter destacado nas seleções de sub-20 e sub-23. Excelente distribuidor de jogo, versátil ao ponto de atuar em várias posições do meio-campo e com faro pelo golo, deu o salto para a Europa ao ingressar no Brighton em 2019 e, desde 2023, joga no Liverpool, que desembolsou 60 milhões de euros pelo seu passe. É filho do antigo lateral-esquerdo Carlos Mac Allister e os seus irmãos Kevin e Francis são também futebolistas profissionais. Gosta de escrever num diário e declara-se um «fanático por tatuagens»: exibe na pele, entre outros motivos, os nomes dos familiares mais próximos, a data da sua estreia na Primeira Divisão, Jesus Cristo, uma roleta com os números das camisolas que usou na carreira e um desenho de si próprio em criança a jogar futebol.

24. ENZO FERNÁNDEZ


Data de nascimento: 17 de janeiro de 2001

Clube: Chelsea

Posição: Médio

A rapidez com que Fernández se integrou na seleção argentina é a prova cabal do seu imenso talento: estreou-se escassos dois meses antes do arranque do Mundial de 2022, integrou a convocatória com apenas 21 anos e com somente três jogos particulares no currículo e, no final da fase de grupos, já era titular indiscutível. Pai de Olivia e Benjamín, joga no Chelsea desde o final de 2022, altura em que os 121 milhões de euros investidos para o resgatar ao Benfica o tornaram o jogador argentino mais caro da história. Conquistou títulos no River Plate e durante o seu empréstimo ao Defensa y Justicia, aprecia o mundo da moda (chegando a agenciar como modelo para uma marca de roupa) e tem as costas decoradas com tatuagens que incluem um leão de grandes dimensões, o troféu do Mundial e a frase «O tempo de Deus é perfeito». Menos perfeito no timing foi o seu desabafo de que veria com bons olhos uma mudança para Madrid, o que lhe custou a titularidade num par de jogos no início desta temporada. Foi batizado como Enzo em homenagem a Enzo Francescoli, uma lenda do River Plate. Em 2024, pediu desculpa aos companheiros de equipa do Chelsea numa mensagem privada após ter sido filmado a entoar cânticos de cariz racista e homofóbico visando membros da seleção francesa.

11. GIOVANI LO CELSO


Data de nascimento: 9 de abril de 1996

Clube: Real Betis

Posição: Médio

Giovani Lo Celso terá finalmente a sua oportunidade de redenção após o sucedido em 2022, quando sofreu uma lesão muscular pouco antes do início do Mundial e teve de ver a equipa erguer o troféu sem dar o seu contributo em campo. «Qualquer miúdo sonha estar no torneio mais bonito do mundo. Tentei tudo o que podia, mas não houve forma», escreveu na altura. Apesar do revés, viajou com a comitiva. Já tinha integrado o grupo que venceu a Copa América de 2021 e a Finalissima, tendo sido igualmente incluído na comitiva para a Copa América de 2024. Formado no Rosario Central, é um médio criativo conhecido pelo seu excelente pé esquerdo e por um nível de talento que o levou a clubes como o PSG e o Tottenham, além de passagens por Espanha ao serviço do Villarreal e do Real Betis. Fora dos relvados, é muito ligado à família e mantém amizades próximas com Leandro Paredes e Ángel Di María.

16. THIAGO ALMADA


Data de nascimento: 26 de abril de 2001

Clube: Atlético Madrid

Posição: Médio-ofensivo

Futebolista de rua

Nascido em El Fuerte, o bairro carenciado de Buenos Aires que também viu crescer Carlos Tevez, Thiago Almada começou a jogar nos campos de terra batida do Club Santa Clara e hoje exibe o seu talento no Atlético Madrid, que pagou 20 milhões de euros para o contratar ao Botafogo em 2025. Despertou as atenções pela primeira vez muito jovem na academia do Vélez Sarsfield — integrando a prestigiada lista Next Generation do jornal Guardian em 2018 — e ainda mais após rumar ao Atlanta United, assumindo-se como um dos talento mais brilhantes da MLS. Fez parte do plantel da Argentina no Qatar com apenas 21 anos, embora tenha jogado apenas seis minutos, e desde então tornou-se num dos ativos mais importantes para o selecionador Lionel Scaloni. Nicolás Otamendi apelida-o de «um líder»; o avançado grego Giorgios Giakomakis, seu colega de equipa em Atlanta, afirmou: «O talento do Thiago é assombroso. A sua capacidade, a sua visão, é algo incrível.» É conhecido pela sua enorme qualidade técnica e por um estilo de jogo que é a demonstração pura da tradição do futebol de rua argentino.

7. RODRIGO DE PAUL


Data de nascimento: 24 de maio de 1994

Clube: Inter Miami

Posição: Médio

O guarda-costas futebolístico de Lionel Messi. Quando jogava no Racing e durante os seus primeiros anos na Europa, Rodrigo De Paul era um médio-ofensivo que se destacava essencialmente pela criatividade. Mas sob a orientação de Scaloni na seleção, transformou-se num médio box-to-box de grande fulgor físico — a sua alcunha é «Motorcito» (Pequeno Motor) —, fundamental para o equilíbrio da equipa. No que toca à sua personalidade, gosta de visitar o seu antigo bairro em Sarandí sempre que viaja para a Argentina, é divertido e extrovertido (o seu humor é muito importante para o grupo), e confessa-se um fanático por moda: os visuais variados que ostenta em cada convocatória geram frequentemente muitos comentários nas redes sociais. Mantém uma relação com a famosa cantora argentina Tini Stoessel e joga atualmente no Inter Miami ao lado do seu grande amigo Messi, após uma passagem de quatro anos pelo Atlético Madrid.

15. NICOLÁS GONZÁLEZ


Data de nascimento: 6 de abril de 1998

Clube: Atlético Madrid

Posição: Médio

Se o futebol trouxe grandes alegrias a Nicolás González com os dois títulos da Copa América e a Finalissima de 2022, também lhe custou cruelmente o lugar no Mundial do Catar devido a uma lesão muscular sofrida poucas semanas antes do arranque da competição. «Era o meu sonho desde criança e, logo quando estava perto de o alcançar, tudo desmoronou-se», lamentou. Este médio esquerdino versátil, trabalhador e prolífico continua a desempenhar um papel crucial no xadrez de Lionel Scaloni. A sua afirmação em 2019 foi surpreendente e tornou-se rapidamente num dos jogadores favoritos do treinador. Formou-se e estreou-se no Argentinos Juniors, deu o salto para a Europa com o Estugarda e passou depois por Fiorentina e Juventus antes de aportar ao Atlético Madrid. É amigo próximo de Alexis Mac Allister, visto serem da mesma faixa etária e terem jogado juntos nos escalões jovens do Argentinos Juniors.

5. LEANDRO PAREDES


Data de nascimento: 29 de junho de 1994

Clube: Boca Juniors

Posição: Médio-centro

Praticante de padel

Leandro Paredes é um símbolo da era de Lionel Scaloni na seleção nacional. Fez parte da renovação geracional aquando da chegada do técnico e manteve-se como uma presença assídua desde então. Líder natural no balneário, competitivo e de têmpera forte, Paredes alia elegância, estofo físico e temperamento no relvado. É reconhecido pela sua excelente visão de jogo e capacidade de passe, bem como pela solidez nas recuperações de bola. Formou-se nas escolas do Boca Juniors, clube onde joga atualmente e ostenta a braçadeira de capitão, após regressar no ano passado depois de 11 temporadas na Europa que o levaram a equipas como Roma, Paris Saint-Germain e Juventus. É muito próximo de pedras fulcrais do plantel como Lionel Messi, Ángel Di María e Rodrigo De Paul, sendo considerado um dos líderes do grupo. Fora do futebol, a sua outra paixão desportiva é o padel, que joga com frequência. «Eu jogo sempre que tenho oportunidade, mas não sou bom», revelou uma vez Paulo Dybala. «O Leandro é que é craque, não há dúvida nenhuma.»

18. NICO PAZ


Data de nascimento: 8 de setembro de 2004

Clube: Como

Posição: Médio-ofensivo

Paz nasceu em Tenerife pelo facto de o seu pai, o antigo defesa da Argentina Pablo Paz — que disputou o Mundial de 1998 —, se encontrar radicado em Espanha na altura, mas nunca hesitou sobre qual o país que queria representar. Nico, um dos talentos mais promissores da Albiceleste, é uma das pérolas asseguradas pelo staff de Scaloni graças a um extenso trabalho de prospeção na Europa. Seguiam-no desde os tempos na academia do Real Madrid e a sua primeira chamada aconteceu nos sub-20, em 2022, quando tinha apenas 17 anos. «Amo ambos os países, mas, no final, decidi representar a Argentina», assumiu. «Acho que é o país que mais me representa pela forma como o futebol é vivido lá e por causa do meu pai. É uma honra seguir as pisadas dele.» Acaba de cumprir a sua segunda temporada no Como, mas os merengues ainda detêm metade dos seus direitos desportivos e podem tentar resgatar um jogador que Francesco Totti descreveu como «original, criativo e irreverente», vaticinando que poderá «regressar a Madrid e tornar-se num dos melhores do mundo».

8. VALENTÍN BARCO


Data de nascimento: 23 de julho de 2004

Clube: Estrasburgo

Posição: Médio

Polivalente

A história de Barco é uma lição de superação e de reinvenção. Integrante da renovação geracional da seleção argentina, nasceu na cidade de Veinticinco de Mayo e, em criança, percorria 450 quilómetros pelo menos quatro vezes por semana no Renault do pai para treinar no Boca Juniors, que não dispunha de vaga na residência da academia. Essa dedicação acabou por dar frutos: estreou-se na equipa principal aos 16 anos e destacou-se no Boca como lateral-esquerdo, garantindo a transferência para o Brighton, brilhando agora no Estrasburgo adaptado a médio. «Tendo-o no plantel há a opção de o colocar a lateral-esquerdo, embora neste momento esteja a sair-se muito bem como médio», explicou Scaloni no início deste ano. «Pode jogar em todo o meio-campo e é um excelente ativo. Agora consegue carregar uma equipa às costas. A equipa praticamente joga como ele quer.»

14. EXEQUIEL PALACIOS


Data de nascimento: 5 de outubro de 1998

Clube: Bayer Leverkusen

Posição: Médio

Um dos médios com melhor dotação técnica a emergir da academia do River nos últimos anos, Palacios tinha apenas 20 anos quando conquistou a Copa Libertadores ao serviço do seu clube de infância. O Real Madrid esteve muito perto de garantir a sua contratação, mas as lesões acabaram por fazer cair o negócio. Em vez disso, juntou-se ao Bayer Leverkusen no início de 2020, com o seu atual contrato — prolongado no ano passado — a estender-se até 2030. «O valor do Pala para nós tem aumentado a cada época», elogiou o diretor desportivo do clube, Simon Rolfes. «A sua vasta experiência internacional, bem como as suas qualidades estratégicas e individuais excecionais como número 6, fazem dele uma peça fundamental na equipa.» Nascido em Famaillá, na província de Tucumán, Palacios foi recebido em festa após a conquista do Mundial de 2022, sendo declarado Cidadão Ilustre. «É um modelo para todos os jovens do interior do país e, especialmente, para os de Tucumán», sublinhou o vice-governador, Sergio Mansilla.

9. JULIÁN ÁLVAREZ


Data de nascimento: 31 de janeiro de 2000

Clube: Atlético Madrid

Posição: Avançado

Avançado completo

Nascido na pequena localidade de Calchín, em Córdoba, Álvarez trabalhou incansavelmente para se tornar a estrela que é hoje. Realizou testes no Boca Juniors e no Real Madrid com apenas 11 anos e rapidamente fez nome no River Plate: com somente 18 anos, integrou a comitiva que conquistou a histórica Copa Libertadores de 2018 e a sua carreira explodiu em 2021, ano em que faturou 24 golos e distribuiu 15 assistências em 46 jogos, erguendo três troféus. Com este trajeto, «El Araña» (O Aranha) fisgou a atenção de Lionel Scaloni e desempenhou um papel crucial no Mundial de 2022 antes de rumar ao Manchester City, onde alinhou por duas temporadas antes de ser contratado pelo Atlético Madrid. O seu apurado instinto matador, a intensidade na pressão e a capacidade de ligação com os médios fazem dele um dos avançados mais completos do panorama mundial. Enquanto esteve em Manchester, os seus irmãos mais velhos, Rafael e Agustín, jogaram no Abbey Hey, na First Division South das North West Counties; após a mudança para Madrid, assinaram pelo Club Argentino de Fútbol, emblema recém-criado pela diáspora argentina naquela cidade.

21. JOSÉ LÓPEZ


Data de nascimento: 6 de dezembro de 2000

Clube: Palmeiras

Posição: Avançado

O caminho de López até ao Mundial foi árduo e tudo menos direto. Em jovem, após ingressar na academia do Lanús na sequência da sua dispensa do Independiente, enfrentou um período de empréstimo no Club Atlético Colegiales de Tres Arroyos, que competia nas ligas regionais amadoras da Argentina. Precisava de recuperar a confiança no futebol e foi exatamente isso que fez: fartou-se de marcar golos e, ao regressar ao Lanús, ganhou espaço na equipa principal. A partir daí, a sua reputação cresceu e, em 2022, aos 21 anos, foi vendido ao Palmeiras, onde ainda atua. Para superar esses altos e baixos, a sua força mental, humildade e os valores transmitidos pelos pais revelaram-se cruciais. Nascido em San Lorenzo, é filho de um pescador que trabalhava na rota entre Mar del Plata e a Patagónia. Apelidado de «Flaco» (Magro), estreou-se pela seleção principal em outubro de 2025. É um avançado possante, com muito boa capacidade técnica e um instinto nato para o golo.

22. LAUTARO MARTÍNEZ


Data de nascimento: 22 de agosto de 1997

Clube: Inter Milão

Posição: Avançado

Segundo melhor marcador da era de Lionel Scaloni, apenas atrás de Leo Messi, Martínez fixou-se como um dos avançados mais importantes da história da seleção argentina. Desempenhou um papel fulcral nas conquistas da Copa América em 2021 e 2024, bem como na Finalissima de 2022, embora uma lesão no tornozelo o tenha impedido de exibir o seu melhor nível no Mundial de 2022. Nascido em Bahía Blanca, ostenta uma carreira que suscita a inveja de qualquer futebolista: começou a jogar no Club Liniers daquela cidade e rumou depois ao Racing, onde progrediu nos escalões jovens até se estrear na equipa principal. Alinha no Inter há oito anos, onde ostenta a braçadeira de capitão (conquistando dois títulos da Serie A e atingindo uma final da Liga dos Campeões, entre outros feitos). Entre as suas várias tatuagens contam-se as frases motivacionais «O que não me mata, torna-me mais forte» e «Vive a vida que amas. Ama la vida que vives». A sua esposa, Agustina Gandolfo, já partilhou vídeos no Instagram que mostram Lautaro em atividades domésticas e de lazer, como tocar piano, desenhar (ao que recorre quando sofre de insónias) e a limpar o pó.

17. GIULIANO SIMEONE


Data de nascimento: 18 de dezembro de 2002

Clube: Atlético Madrid

Posição: Extremo

Nascido em Roma pelo facto de o seu pai, Diego Simeone, representar a Lazio na altura, Giuliano é, ainda assim, profundamente argentino. Foi criado na Argentina e evoluiu nas escolas do River Plate até aos 16 anos, altura em que se mudou para o Atlético Madrid, clube que tem o seu pai como treinador e que agora beneficia da sua entrega incansável no corredor direito. Inevitavelmente, teve de enfrentar acusações de nepotismo, de pessoas que lhe diziam que estava na equipa apenas por ser filho do «Cholo»... «As pessoas diziam-me muito isso quando era miúdo. Com o tempo, tornou-se normal ouvir. Não sei se já fechei mais do que uma boca, mas sempre tentei focar-me em mim. Sou um Simeone e tenho orgulho no meu apelido, mas quero fazer uma carreira sob o meu próprio nome, Giuliano». Também conseguiu que Lionel Scaloni reparasse em si, integrando o processo de renovação geracional da seleção. É muito exigente consigo próprio (revela que revê todos os jogos em casa) e muito ligado aos irmãos Giovanni e Gianluca — ambos futebolistas profissionais — e às irmãs Francesca e Valentina. O futebol corre-lhe nas veias.

10. LIONEL MESSI


Data de nascimento: 24 de junho de 1987

Clube: Inter Miami

Posição: Avançado

Para se tornar no melhor do mundo (e, para muitos, no maior da história), Messi teve de passar a adolescência longe de casa. Como o Newell's Old Boys não tinha capacidade para suportar o tratamento com hormonas de crescimento de que necessitava, mudou-se de Rosário para Barcelona com o pai, Jorge, aos 13 anos para realizar um período de testes. Quando deixou o clube para rumar ao Paris Saint-Germain, 21 anos mais tarde, somava sete Bolas de Ouro e tinha conquistado o mundo. Ao seu talento inato, teve de aliar uma fortaleza mental que se revelou crucial ao longo da carreira — especialmente para nunca desistir após perder finais pela seleção, como sucedeu no Mundial de 2014 e nas Copas América de 2015 e 2016. Esta resiliência acabou por levá-lo a guiar o seu país a dois títulos continentais e ao topo do mundo no Qatar. Celebrará o seu 39.º aniversário durante a fase de grupos e cumpre atualmente os anos finais da sua carreira profissional no Inter Miami, onde também integra a estrutura de proprietários do clube. Ali, encontra-se rodeado por amigos que o futebol lhe deu, como Luis Suárez, desfrutando da sua «última dança» enquanto ajuda a erguer uma nova era para o clube, que incluirá uma bancada batizada em sua honra no novo estádio.

Textos de Gastón Pestarino, Hernán Claus e Joaquín Zabala, do Olé. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.

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