Mundial
Mundial
Mundial 2026: perfis dos jogadores da África do Sul
1. RONWEN WILLIAMS
Data de nascimento: 21 de janeiro de 1992
Clube: Mamelodi Sundowns
Posição: Guarda-redes
O nº 1
Williams fez a sua estreia pela seleção principal frente aos pentacampeões do mundo, o Brasil, em março de 2014. Foi um verdadeiro batismo de fogo: a substituir o lendário Itumeleng Khune, Williams acabou por sofrer uma pesada derrota por 5-0. Contudo, o homem do Mamelodi Sundowns não se deixou abater: «Perder por 5-0 é muito, mas estávamos a jogar contra a melhor equipa do mundo. Não estou abalado. São coisas que acontecem no futebol». Mais de uma década depois, Williams tornou-se um dos jogadores mais importantes da África do Sul, assumindo inclusive a braçadeira de capitão. No Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2023 fez história, ao tornar-se o primeiro guarda-redes a defender quatro penáltis num único desempate da marca de onze metros, frente a Cabo Verde. Antes de enfrentar cada pontapé via-se Williams a falar consigo mesmo e a olhar para o céu, como se recebesse conselhos. Era o seu irmão Marvin, que faleceu num acidente de viação quando Williams tinha 18 anos. «Às vezes peço-lhe para assumir o controlo e mostrar-me o caminho. Ele é o meu anjo da guarda.»
16. SIPHO CHAINE
Data de nascimento: 14 de dezembro de 1996
Clube: Orlando Pirates
Posição: Guarda-redes
O camisola 1 dos Orlando Pirates é o atual detentor do prémio de melhor guarda-redes da época na Premiership sul-africana. A sua capacidade entre os postes, os reflexos apurados e a segurança com a bola nos pés tornaram-no numa peça fundamental do seu clube, sendo também essencial nesta seleção nacional como um excelente suplente de Williams. É admirado pela equipa técnica dos Bafana Bafana pela sua liderança, dentro e fora do relvado. Antes da mudança para os Pirates, em 2022, destacou-se ao serviço do Bloemfontein Celtic, um clube com história, mas que teve de vender o seu estatuto na primeira divisão, em 2021, devido a problemas financeiros. Desde que se mudou para Orlando ajudou os Pirates a conquistar sete troféus até à data, garantindo com todo o mérito o seu lugar na convocatória deste verão.
22. RICARDO GROSS
Data de nascimento: 2 de abril de 1994
Clube: Siwelele FC (emprestado pelo Mamelodi Sundowns)
Posição: Guarda-redes
“O Ganso” (The Goose) traz boa disposição ao balneário sul-africano, sendo frequentemente visto a liderar as cantorias dos Bafana Bafana antes e depois dos jogos. Goss foi criado pela mãe solteira, Faith, que trabalhava como enfermeira em Durban, garantindo que o filho nunca sentisse a ausência de um pai. À medida que crescia, Ricardo sonhava ser jogador de futebol, inspirado pelo antigo guarda-redes da seleção Brian “Spiderman” Baloyi. Após começar no Lamontville Golden Arrows, trabalhou até chegar ao topo. Com grande facilidade de comunicação, Goss é fluente em várias das 12 línguas oficiais da África do Sul, incluindo IsiZulu, IsiXhosa e Inglês. Em março protagonizou uma exibição individual brilhante pelo Siwelele FC frente aos Orlando Pirates, levando o treinador adversário, Abdeslam Ouaddou, a declarar: «Temos de dar crédito ao guarda-redes deles. Eles tiveram Jesus Cristo na baliza hoje.»
20. KHULISO MUDAU
Data de nascimento: 26 de abril de 1995
Clube: Mamelodi Sundowns
Posição: Lateral-direito
Líder nato
Uma peça-chave nos planos do treinador Hugo Broos para este torneio. Este lateral-direito incansável é um líder inspirador tanto no clube como no seu país, trazendo uma energia tremenda e grande polivalência. Quando não está a realizar cortes cirúrgicos no seu meio-campo defensivo, está a fazer túneis a adversários ou a galgar o corredor direito, o que lhe valeu a alcunha de “Marinheiro” (Sailor). Broos duvidou inicialmente das qualidades defensivas de Mudau, mas agora fala muito bem do lateral: «Agora ele não é apenas um lateral forte ofensivamente, aprendeu muito defensivamente», disse Broos. «O Khuliso é o melhor lateral-direito deste país e um dos melhores de África». Foi distinguido como Jogador do Ano nos Icons of Africa Awards este ano, por «encarnar o que significa ser um futebolista africano moderno: resiliente, trabalhador e empenhado na excelência, dentro e fora de campo.
6. AUBREY MODIBA
Data de nascimento: 22 de julho de 1995
Clube: Mamelodi Sundowns
Posição: Lateral-esquerdo
O “Carteiro” entrega sempre o que se espera dele. Modiba é, indiscutivelmente, o melhor na sua posição na África do Sul, destacando-se dos restantes laterais-esquerdos pela sua inteligência futebolística e qualidade técnica. Prova disso é que as suas assistências não são apenas cruzamentos, são passes de rutura, medidos a régua e esquadro, que desfazem defesas. Além disso, tem um remate potente. Modiba vem de Mentz, na província de Limpopo, e retribui regularmente à comunidade que o formou, doando equipamento desportivo a instituições e gerindo a sua própria fundação, focada em questões que vão desde a segurança alimentar à deficiência infantil. Aos jovens, diz: «Energia no lugar certo. Nem todos nasceram para ser o próximo Aubrey Modiba, e isso não tem mal. Uns nasceram para o râguebi, outros para os estudos, outros para as artes. O importante é encontrarem a vossa paixão e darem tudo. Sejam vocês mesmos. Abram o vosso caminho.»
14. MBEKEZELI MBOKAZI
Data de nascimento: 19 de setembro de 2005
Clube: Chicago Fire
Posição: Defesa-central
A ascensão de Mbokazi foi meteórica. O possante defesa só se estreou como profissional no início de 2025, mas rapidamente se tornou peça essencial nos Orlando Pirates, capitaneando a equipa ainda jovem, antes de ser contratado pelo Chicago Fire (MLS) no início deste ano. A transferência causou polémica, com o selecionador da África do Sul, Hugo Broos, a criticar a decisão, argumentando que Mbokazi deveria ter rumado a um clube e uma liga de maior dimensão na Europa. Broos atacou as motivações da agente Basia Michaels — «uma mulher simpática que pensa que percebe de futebol» — e afirmou que daria um «puxão de orelhas» a Mbokazi por ter chegado atrasado a um estágio: «Vou ter uma conversa com ele. Ele é um rapaz negro. Sairá do meu quarto como um rapaz branco. Porque isso não aceito. Ele acha que é uma estrela. Esta é a atitude de uma estrela: ‘Eu decido quando venho’. Estou muito zangado com a atitude dele». Broos pediu desculpa mais tarde, dizendo que a sua «escolha de palavras não foi a mais correta», mas insistiu que «nunca quis fazer um comentário racista ou sexista». Fizeram as pazes a tempo do verão. Mbokazi, canhoto, é uma mais-valia para o grupo. Conhecido pela ética de trabalho, ganhou a alcunha de “TLB”, em referência ao veículo agrícola pesado de retroescavadora.
19. NKOSINATHI SIBISI
Data de nascimento: 22 de setembro de 1995
Clube: Orlando Pirates
Posição: Defesa-central
Um grande líder e o "Sr. Fiabilidade" para clube e seleção. Sibisi nunca faz birra quando não joga e dá tudo quando o faz. Estreou-se pelos Bafana Bafana no primeiro jogo de Hugo Broos como selecionador, com o técnico a referir: «Podes sempre contar com ele. Os jogadores mais jovens respeitam-no. Não é um jogador de grandes discursos, mas é muito importante para o ambiente do grupo». Antes da confirmação da sua convocatória para este verão, Sibisi afirmou que via com bons olhos a concorrência no eixo da defesa: «O ferro afia o ferro. Acho que isso prova a qualidade que temos, não só na defesa central, mas em todo o campo. Penso que, quer seja eu a jogar, quer sejam outros, não se nota a diferença e acho que é assim que deve ser».
3. KHULUMANI NDAMANE
Data de nascimento: 5 de fevereiro de 2004
Clube: Mamelodi Sundowns
Posição: Defesa-central
Um dos defesas mais empolgantes do futebol sul-africano atualmente. Adepto dos Kaizer Chiefs desde criança, viveu o sonho ao entrar nas camadas jovens do clube de Soweto, mas a falta de oportunidades na equipa principal levou-o a mudar-se para o TS Galaxy na época 2024-25. «Em equipas como os Chiefs as expectativas são enormes», disse. «Como jovem, vais cometer erros. Mas no Galaxy, permitiram-nos cometer erros e crescer. Isso ajuda mentalmente e enquanto jogador». As lições surtiram efeito: é agora um elemento fulcral no campeão Mamelodi Sundowns e uma excelente opção para Hugo Broos este verão. Contudo, a sua carreira internacional teve um início complicado. Na primeira convocatória ficou radiante, mas percebeu que não tinha passaporte. «As coisas aconteceram depressa demais», contou ao Sunday Tribune. «Estava apenas feliz por jogar na PSL, a seleção nem me passava pela cabeça. De repente, Deus fez as coisas acontecerem. Falhei a chamada, mas aprendi com o erro. Agora tenho o passaporte! Disse a mim mesmo que se o selecionador Broos me viu uma vez e gostou, tenho de continuar a trabalhar, que outra oportunidade viria - e veio».
21. IME OKON
Data de nascimento: 20 de fevereiro de 2004
Clube: Hannover 96
Posição: Defesa-central
Gavin Hunt, treinador de Okon no extinto SuperSport United, descreveu o jovem defesa em 2023 como um jogador com um potencial enorme: «Encontrámo-lo em Randburg no ano passado, ele é incrível. Tem bons atributos... encontrará o seu caminho». Nascido na África do Sul, filho de pai nigeriano e mãe sul-africana, Okon destaca-se pela força no jogo aéreo em ambas as áreas e pela serenidade sob pressão, comprovando a sua qualidade na Alemanha, ao serviço do Hannover 96 (segundo escalão), clube que reforçou no ano passado. O seu progresso internacional foi travado por lesões, mas trabalhou arduamente para regressar e garantir o lugar este verão. «É aqui que sempre quis estar», disse após a convocatória em março. «Desde a adolescência que trabalho no duro. Acho que tudo se encaixa quando continuamos a trabalhar e acreditamos que vamos alcançar o que queremos. É a minha visão das coisas». O seu irmão mais novo, Udeme, é um velocista de classe mundial que ganhou o ouro nos 400m nos Campeonatos do Mundo de Sub-20 de 2024.
24. OLWETHU MAKHANYA
Data de nascimento: 30 de abril de 2004
Clube: Philadelphia Union
Posição: Defesa-central
À semelhança do seu colega de equipa Jayden Adams, Makhanya é um produto da academia do Stellenbosch. Após várias exibições entusiasmantes ao serviço do clube da província do Cabo Ocidental, que lhe valeram a distinção de Jovem Mais Promissor dos Stellies na temporada de 2022/23, Makhanya mudou-se para Filadélfia. A transferência ocorreu em 2023, com o jovem defesa a integrar a iniciativa para jogadores sub-22 do emblema da Major League Soccer, que recentemente viu também o seu compatriota Mbekezeli Mbokazi rumar aos Estados Unidos. Em 2025, Makhanya ajudou a sustentar uma linha defensiva que sofreu apenas 35 golos, o registo mais baixo de toda a liga. Agora na sua quarta temporada ao serviço do clube norte-americano, Makhanya foi recompensado com uma vaga no Mundial e com a oportunidade de somar a sua primeira internacionalização absoluta pelo seu país, precisamente na América do Norte. «Significa muito para mim», confessou Makhanya ao Union Soccer Blog. «É uma oportunidade pela qual tenho trabalhado arduamente. Está mesmo aqui à minha frente. É uma oportunidade para eu ir lá e mostrar o que valho.»
2. THABANG MATULUDI
Data de nascimento: 14 de janeiro de 1999
Clube: Polokwane City
Posição: Lateral-direito
Com 1,88m, Matuludi não é o típico lateral. Além de possuir uma resistência notável no corredor direito, tem presença física e é dominante no jogo aéreo. Este pode ser um verão transformador para ele: chega ao Mundial contratado pelo Polokwane City (Premiership), mas qualquer minuto no torneio pode potenciar o seu perfil e atrair o interesse de clubes maiores. Tal como o seu concorrente direto, Khuliso Mudau, consegue exibir fintas elegantes nos momentos certos. O seu treinador no clube, Phuti Mohafe, defendeu a sua integração na convocatória de Hugo Broos em março: «O rapaz é humilde e trabalha arduamente. Reitero que, na minha opinião, é o segundo melhor lateral-direito [do país]. Está bem, o comportamento é irrepreensível e agradeço-lhe por estar tão focado».
18. SAMUKELE KABINI
Data de nascimento: 15 de março de 2004
Clube: Molde
Posição: Lateral-esquerdo
Nos últimos anos a África do Sul tem tido dificuldade em exportar jogadores para a Europa – a era em que estrelas como Benni McCarthy, Steven Pienaar e Aaron Mokoena representavam o país nas grandes ligas europeias parece distante. Mas, numa seleção composta maioritariamente por jogadores locais, Kabini é uma das exceções. O lateral-esquerdo joga no Molde, clube que reforçou no ano passado vindo do TS Galaxy, tornando-se o primeiro sul-africano da história do clube da primeira divisão norueguesa. Teve de se adaptar depressa ao clima: «Está muito frio aqui, neva, e por vezes nos treinos o frio é tanto que nem se consegue pontapear a bola, os dedos ficam congelados dentro das botas. Prefiro o sol à neve». Embora a sua posição preferida seja lateral-esquerdo, a sua altura permite-lhe também atuar no centro – uma polivalência preciosa para um Mundial.
26. BRADLEY CROSS
Data de nascimento: 30 de janeiro de 2001
Clube: Kaizer Chiefs
Posição: Lateral-esquerdo
Cross foi moldado nas academias do Mpumalanga Black Aces e do Bidvest Wits. Ambas as equipas já estão extintas, mas Cross continua a carregar a paixão pelo futebol que lá lhe incutiram — mesmo depois de sofrer um revés após garantir uma ambicionada transferência internacional. Os alemães do Schalke avançaram para a sua contratação em 2018, mas o defesa sentiu dificuldades para se fixar, cenário que se manteve mesmo depois de deixar a Alemanha rumo ao Newcastle United. Após essa etapa, optou por regressar a casa e alinhou pelo Maritzburg United e pelo Golden Arrows, antes de rumar aos Kaizer Chiefs num cenário de sonho. «Já fui convocado antes, mas ainda não consegui estrear-me», afirmou em 2025. «Significaria muito para mim [representar o meu país], porque tem sido um dos meus objetivos há muito tempo. Só preciso de continuar a trabalhar no duro, manter a cabeça baixa e focar-me no meu percurso. Seria uma grande conquista ser chamado.» Agora, ruma ao Mundial com as cores do seu país.
4. TEBOHO MOKOENA
Data de nascimento: 24 de janeiro de 1997
Clube: Mamelodi Sundowns
Posição: Médio-centro
Um dos jogadores mais infliuentes da África do Sul desde a nomeação de Hugo Broos em maio de 2021. “Tebza” é sinónimo de solidez no meio-campo, com passes precisos, remates de meia distância e uma ética de trabalho incansável. É também especialista em livres. Tal como o capitão Ronwen Williams, formou-se no SuperSport United antes de rumar aos Sundowns. Durante a qualificação para o Mundial 2026 esteve no centro de um escândalo que quase custou a presença da África do Sul na fase final, ao jogar inadvertidamente numa vitória por 2-0 sobre o Lesoto, apesar de estar suspenso. A FIFA atribuiu a vitória ao Lesoto (3-0), multou a federação sul-africana em 9.300 libras e advertiu Mokoena. Falou sobre o assunto no ano passado, contando à Radio 2000 sobre o abuso que ele e a família sofreram: «Sabia [que aconteceria] nas redes sociais, mas quando aconteceu duas vezes no centro comercial, foi quando me tocou profundamente. Quando aconteceu cara a cara, soube que me arrependeria para o resto da vida... Nem sabia que tinha visto esses cartões amarelos, por isso foi muito difícil, e senti um alívio quando nos qualificámos para o Mundial. Não estava feliz, mas aliviado. Foram meses duros para mim e não fui eu próprio em casa... O treinador disse que eu não me devia culpar e que estávamos todos envolvidos».
5. THALENTE MBATHA
Data de nascimento: 6 de março de 2000
Clube: Orlando Pirates
Posição: Médio-centro
O primeiro nome de Mbatha – “talento” na gíria IsiZulu – assenta-lhe que nem uma luva. Depois de impressionar no extinto SuperSport United, mudou-se para os Orlando Pirates em 2024 e consolidou a reputação de médio polivalente. Tem um remate potente e energia e velocidade de sobra. O seu antigo treinador nos Pirates, José Riveiro, descreveu Mbatha como um «jogador de futebol muito completo», enquanto o médio creditou o espanhol pela evolução: «Estou muito grato ao treinador e aos Pirates pela oportunidade… O treinador influenciou muito o meu futebol». Recentemente, falou ao iDiski Times sobre como jogar num clube grande mudou a sua vida: «Recebi a primeira convocatória para a seleção, pude ser visto fora do país e o meu nome está num palco maior. É algo para que trabalhei. [Embora] agora seja difícil fazer coisas em privado, como rir à gargalhada num centro comercial ou ser eu próprio. Agora há opiniões sobre ti. As pessoas observam-te, julgam-te e, por vezes, até te interpretam mal. Se tiver uma discussão numa loja ou disser algo de que alguém não goste, de repente vira manchete, por quem sou. É muita pressão para um jogador jovem».
13. SPHEPHELO SITHOLE
Data de nascimento: 3 de março de 1999
Clube: CD Tondela
Posição: Médio-centro
Conhecido como “Yaya”, Sithole é um médio grande, possante e sereno – mas, ao contrário do lendário costa-marfinense Yaya Touré, é um jogador mais pragmático e defensivo. A sua função nos Bafana Bafana é jogar atrás e proteger a defesa. Algo invulgar nesta convocatória, nunca jogou profissionalmente na África do Sul, tendo passado toda a sua carreira sénior em Portugal. Contudo, antes deste torneio expressou vontade de mudar, e uma boa prestação no Mundial deverá abrir-lhe portas. «Estou em Portugal há oito anos, quase nove, por isso, para mim, ir para outro lugar, talvez fora de Portugal, se as coisas correrem bem, poderia ser bom para a minha carreira. Quero a oportunidade de ir jogar noutro sítio». Teve de mostrar força mental em 2024 após fraturar a tíbia e o perónio num jogo de qualificação para o CAN contra o Sudão do Sul. «Pensei que talvez fosse o fim da minha carreira», disse no ano passado. «Gostaria de agradecer a Deus pela oportunidade que me deu de voltar a jogar futebol».
23. JAYDEN ADAMS
Data de nascimento: 5 de maio de 2001
Clube: Mamelodi Sundowns
Posição: Médio-centro
Em ascensão
Um dos jogadores mais entusiasmantes do futebol sul-africano no momento. O médio dos Sundowns tem enorme qualidade, é confiante, confortável na posse de bola e nunca se inibe sob pressão. A sua capacidade de passe é o seu ponto forte e chegou a ser associado a uma grande transferência para a Europa antes do torneio deste verão. Formou-se no Stellenbosch, tornando-se o primeiro produto dessa academia a assinar um contrato profissional. O seu progresso a nível internacional não foi, contudo, totalmente linear. Quando foi chamado para a qualificação do CAN 2025 chegou atrasado, o que levou o selecionador Hugo Broos a excluí-lo durante um ano. «Ele fez o que fez e não fiquei contente», explicou Broos em março. «Mas aprendeu muito e agora sabe. Quando o vemos a jogar, está mais maduro e as qualidades continuam lá. E essa maturidade é algo que ele ganhou no último ano. Ele próprio tinha consciência disso, olhou-se ao espelho e disse: ‘Jayden, se continuares assim, a tua carreira acaba’... Todos sabem que é um jogador muito bom e acho que nos pode ajudar muito».
11. THEMBA ZWANE
Data de nascimento: 3 de agosto de 1989
Clube: Mamelodi Sundowns
Posição: Médio-centro
Veterano
Também conhecido como Mshishi Uyashelela. A primeira parte da alcunha é o nome do clã de Zwane, a segunda diz respeito ao tipo de jogador que é dentro das quatro linhas. Em inglês, significa simplesmente que é fluído – refletindo a sua técnica, compostura e enorme inteligência futebolística enquanto desliza pelo meio-campo. É um visionário no passe, grande driblador e um líder. Quem acompanha o futebol sul-africano compara-o, como personalidade, a N'Golo Kanté – alguém muito querido, de poucas falas, e um verdadeiro modelo para os jovens. Tendo conseguido evitar lesões durante a maior parte da sua longa carreira, o veterano sofreu com problemas físicos no período antes deste torneio, e Hugo Broos geriu-o com cautela, limitando o seu tempo de jogo. «Em termos de futebol, sabemos que não há problema, mas fisicamente... não acho que aguente 90 minutos, mas só o facto de o ver jogar é muito importante para nós. Acho que quando ele está connosco, temos de o deixar jogar». Um Zwane em pleno é uma parte inestimável desta equipa.
9. LYLE FOSTER
Data de nascimento: 3 de setembro de 2000
Clube: Burnley
Posição: Avançado
A ameaça de golo
O homem de quem a África do Sul depende para marcar, um verdadeiro ponto de referência no ataque. Durante a malfadada campanha dos Bafana Bafana no CAN 2025, onde a equipa foi eliminada nos oitavos-de-final, Foster jogou quatro vezes e somou dois golos e fazendo duas assistências – demonstrando o que a seleção tinha perdido em 2023, quando esteve sete semanas parado devido a problemas de saúde mental. Falou no ano passado sobre o tratamento da ansiedade e depressão, agradecendo ao seu clube, o Burnley, pelo apoio na recuperação: «Todo o staff que lá estava na altura, as pessoas à volta do clube, a minha família, os adeptos, fizeram-me sentir amado... É muito importante ter pessoas à tua volta com quem possas ser honesto e fiquei grato por poder ser honesto com eles. Grato pelo apoio do clube e por ter conseguido fazer aquela pequena pausa e voltar ao futebol». Será peça-chave no ataque sul-africano este verão. O jogador de 25 anos não é o único futebolista na família. O seu primo Luther Singh, ex-SC Braga, Chaves, Moreirense e Paçois de Ferreira, agora no AEL Limassol (Chipre), também já representou os Bafana Bafana.
10. RELEBOHILE MOFOKENG
Data de nascimento: 23 de outubro de 2004
Clube: Orlando Pirates
Posição: Extremo/Médio-centro
Um dos talentos emergentes mais empolgantes do futebol sul-africano. Produto da Transnet School of Excellence, que formou jogadores como o antigo médio do Everton, Steven Pienaar, Mofokeng estreou-se pela equipa principal em maio de 2023. Desde então, o extremo afirmou-se como um favorito dos adeptos. «Às vezes o talento não chega para cobrir tudo o que este jogo exige», disse o antigo treinador dos Pirates, José Riveiro. «O Rele também é um jovem trabalhador». O selecionador dos Bafana Bafana, Hugo Broos, sente exatamente o mesmo sobre a jovem estrela – mas tem uma visão diferente sobre a sua melhor posição. «Acho que o meio é o futuro para o Rele», disse em março. «Ele pode jogar na ala contra um adversário que não é forte, mas contra oposição forte, ele não é extremo. Não tem aquela explosividade, o drible no um para um pela linha. A sua qualidade é a inteligência, dar bons passes, ocupar os espaços, é nisso que o Rele é melhor. Nos Bafana ele joga ali, não na ala». Este verão dá a Mofokeng a plataforma perfeita para conseguir uma transferência para o estrangeiro.
7. OSWIN APPOLLIS
Data de nascimento: 25 de agosto de 2001
Clube: Orlando Pirates
Posição: Extremo
No seu melhor, Appollis é um gosto de ver jogar. Rápido, com um centro de gravidade baixo e olho clínico para passes de rutura, traz também uma polivalência útil, podendo jogar em qualquer uma das alas ou logo atrás do ponta de lança. Foi formado pela famosa academia Ikamva dos Cape Town Spurs e representou o SuperSport United quando jovem. Mas foi no Polokwane City, da primeira divisão, que se afirmou verdadeiramente. Está nos Pirates desde o ano passado e tornou-se indispensável tanto para o clube como para a seleção. O que é uma história notável, dado que em 2022 quase desistiu do futebol, frustrado com o rumo da carreira. Foi preciso o respeitado treinador sul-africano Kwanele Kopo convencê-lo a voltar a calçar as chuteiras. «Foi ele quem salvou a minha carreira. Eu estava em casa e não queria jogar, mas o Kopo ligou-me e nunca desistiu de mim. Depois ligou à minha mãe, e ela convenceu-me a voltar. Ainda comunicamos e acredito que, se não fosse por ele, não estaria onde estou hoje». Fora do futebol, Appollis é um ávido gamer. Jogo favorito: Call of Duty.
8. TSHEPANG MOREMI
Data de nascimento: 2 de outubro de 2000
Clube: Orlando Pirates
Posição: Extremo
Rápido e direto, a alcunha de Moremi é “Rea Vaya”, expressão em Sesotho que significa “nós vamos”. A finalização e a consistência ainda são problemas para o jogador de 25 anos, mas tornou-se uma parte valiosa dos sucessos do seu clube, os Pirates, e uma opção sólida para Hugo Broos na África do Sul. A carreira de Moremi descolou mesmo no AmaZulu, onde foi promovido da equipa de reservas pela lenda sul-africana Benni McCarthy, que treinava o clube na altura. «Benni é a lenda em quem me inspiro», diz. O seu primeiro amor, contudo, foi o atletismo e, com apenas 11 anos, bateu o recorde da escola nos 100m. O treinador Motsamai Motsepe recordou no ano passado como teve de intervir e encontrar-se com a mãe de Moremi e o diretor da escola para os convencer a deixá-lo jogar futebol também, depois de o ter visto a deixar defesas para trás num jogo local: «Ele era um diamante em bruto, mas rápido como um raio, e canhoto», disse Motsepe ao FarPost. «Disse à mãe que o guiaria. Vi algo especial».
17. EVIDENCE MAKGOPA
Data de nascimento: 5 de junho de 2000
Clube: Orlando Pirates
Posição: Avançado
Hoje em dia, Makgopa é um ponta de lança tradicional, mas nem sempre foi assim. Nos primeiros anos era defesa, depois recuou para médio criativo quando se juntou inicialmente ao Baroka – clube onde ganhou o seu espaço após ser recrutado do Peace United (quarto escalão) em 2018. Permaneceu no Baroka durante três anos antes da mudança para os Pirates, em 2022, onde se tornou uma presença física sólida de 1,88m na frente de ataque, uma verdadeira ameaça no jogo aéreo, embora não seja um goleador prolífico. Teve altos e baixos com os adeptos a nível internacional, mas lida com isso com naturalidade, dizendo em 2024: «Penso que não podes obrigar alguém a amar-te e não podes obrigar alguém a apoiar-te. Para mim, acho que tenho de aceitar como é e seguir em frente. Jogo de todo o coração pelo treinador, porque ele acredita em mim. Não há nada que me possa abalar».
15. IQRAAM RAYNERS
Data de nascimento: 19 de dezembro de 1995
Clube: Mamelodi Sundowns
Posição: Avançado
O selecionador da África do Sul, Hugo Broos, prefere avançados altos e físicos, o que torna mais difícil para Rayners, com 1,75m, ser convocado com a regularidade que a sua forma no clube indica que deveria. Mas mostrou que pode competir contra algumas das maiores estrelas globais ao marcar dois golos em três jogos na primeira edição do novo Mundial de Clubes da FIFA. Opera como ponta de lança nos Sundowns, mas também passou grandes partes da carreira a jogar na ala, o que explica a sua capacidade instintiva para se desviar para a esquerda ou direita e arrastar defesas consigo. O futebol fez uma grande diferença na vida da sua família. «Fui criado pela minha avó e mudávamo-nos a toda a hora», disse em 2020. «Mudámo-nos muito, perdi a conta. Viajava para treinar, mas por vezes não tinha dinheiro para lá chegar». Mas isso mudou à medida que a carreira descolou. «Comprei uma casa aos meus pais. Agora têm um lugar para chamar lar».
12. THAPELO MASEKO
Data de nascimento: 11 de novembro de 2003
Clube: AEL Limassol (emprestado pelo Mamelodi Sundowns)
Posição: Extremo
Maseko fez parte da seleção da África do Sul que garantiu o bronze no CAN de 2023, mas a alegria durou pouco: uma lesão sofrida no torneio travou a sua carreira enquanto lutava para recuperar a forma física. Perdeu o lugar no Mamelodi Sundowns e foi relegado para as reservas. Escreveu nas redes sociais: «Nem sei quando começou, mas ultimamente é como se o fogo dentro de mim estivesse a apagar-se. Continuo a treinar como se a minha vida dependesse disso. Mas por dentro parece vazio». Em janeiro de 2026, o clube cipriota AEL Limassol ofereceu-lhe uma saída por empréstimo e, quando se estreou em fevereiro, foi o seu primeiro jogo a titular em quase dois anos. Publicou: «662 dias sem um jogo a titular... Aprendi a ter paciência... Aprendi a ter humildade... Aprendi quem sou. A noite passada significou mais do que as palavras podem explicar». Fez o suficiente para garantir o seu lugar na convocatória deste verão e é uma opção sólida para Hugo Broos – o tipo de jogador rápido e direto que se quer ter quando se aposta no contra-ataque.
25. KAMOGELO SEBELEBELE
Data de nascimento: 21 de julho de 2002
Clube: Orlando Pirates
Posição: Ala direito/Extremo
Elétrico
Sebelebele mantém os pés bem assentes na terra e cumpre as suas tarefas com total diligência. Uma presença explosiva e elétrica no flanco direito, o jovem de 23 anos assumiu-se como peça-chave nos Pirates desde que se mudou para a formação de Soweto, há um ano, proveniente do TS Galaxy. «No TS Galaxy, aplicamos sempre a razão a estes assuntos. Somos conhecidos hoje em dia por ser um clube que dá oportunidades aos jogadores e, quando fazemos estas transferências, analisamos uma série de variáveis», explicou o presidente do Galaxy, Tim Sukazi, à SABC, aquando da saída de Sebelebele para os Pirates, em 2025. «Por exemplo, o Kamogelo Sebelebele é uma transferência que não beneficia necessariamente o TS Galaxy, mas beneficia o futebol na África do Sul, algo que nós também temos em conta. Somos um clube muito consciente e cioso do seu papel no futebol do país.» Esta abordagem de olhos postos no futuro por parte da equipa de Mpumalanga acabou por dar frutos, culminando na inclusão de Sebelebele na comitiva para o Mundial.
Textos de Yanga Sibembe, do Daily Maverick. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.