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Mundial 2026: o guia do Qatar
O PLANO
A preparação do organizador do Mundial 2022 para este torneio foi atribulada, visto que a guerra entre os EUA e o Irão forçou o cancelamento de particulares valiosos contra a Sérvia e a campeã em título Argentina, em março. O selecionador, Julen Lopetegui, pretendia somar o maior número de minutos possível com os seus atletas, tendo sido nomeado apenas em maio de 2025. Preocupante é o facto de terem vencido apenas um em 11 jogos sob o comando do antigo timoneiro de Espanha e do Real Madrid antes dos encontros de preparação para o Mundial.
Lopetegui fez, contudo, o que lhe competia, garantindo que o Qatar carimbava o passaporte para a fase final, ainda que tenha sido no limite. Os Marrons terminaram na quarta posição entre seis equipas no principal grupo de qualificação, antes de — beneficiando do fator casa e de um calendário favorável — empatarem 0-0 com Omã e baterem os Emirados Árabes Unidos por 2-1 para selar o apuramento.
O técnico espanhol, o mais recente nome de uma sucessão de escolhas ibéricas (Félix Sánchez, Bruno Pinheiro, Carlos Queiroz, Tintín Márquez e Luis García), testou vários sistemas táticos, mas deverá inclinar-se para um 4x2x3x1 quando o torneio arrancar.
As lições do último Mundial foram longamente debatidas. Nessa altura, a história acabou praticamente antes de começar, com o anfitrião, porventura esmagado por uma preparação que durou 12 anos, a ver-se a perder por 2-0 logo aos 31 minutos do jogo de abertura frente ao Equador — e o desfecho poderia ter sido bem pior.
Desta feita espera-se uma estrutura mais sólida; o foco estará em fechar os caminhos para a baliza e tentar surpreender os oponentes do grupo — Canadá, Suíça e Bósnia e Herzegovina — em situações de contra-ataque. Há muito trabalho pela frente, uma vez que a equipa esteve completamente à deriva no plano defensivo durante a qualificação, terminando a fase principal com uma diferença de golos de menos sete, após consentir 24 tentos em 10 partidas. Lopetegui tem tentado controlar esse problema em concreto e muito em breve se verá o sucesso que obteve nessa missão.
No processo ofensivo, haverá especial atenção aos lances de bola parada, onde o Qatar sente que pode ferir os adversários. «Estamos cientes da magnitude da responsabilidade que repousa sobre nós», afirmou Lopetegui. «Não pouparemos esforços e daremos tudo o que temos para deixar os adeptos que nos apoiam felizes e orgulhosos.»
O SELECIONADOR
Julen Lopetegui acumula uma vasta experiência no currículo, com passagens pela seleção de Espanha e pelo Real Madrid, antes de se mudar para Inglaterra, para orientar o Wolverhampton e o West Ham. A sua reputação pode já não ser a mesma de outrem, mas o Qatar ofereceu-lhe um desafio diferente. «A vida devia-me um Mundial», atirou logo após a qualificação. «Trabalhámos para este momento durante meses e tudo correu pelo melhor. É um momento histórico para o país, algo que nunca tinha sido alcançado. O ambiente tem sido extraordinário.» O técnico esperará que este torneio corra melhor do que quando viajou para a Rússia para o Mundial 2018 como selecionador espanhol: assim que a notícia do seu acordo para assumir o Real Madrid após a prova foi tornada pública, acabou prontamente demitido e substituído por Fernando Hierro.
A ESTRELA
Akram Afif é uma das grandes figuras do futebol asiático desde a Taça da Ásia de 2019, prova na qual registou 10 assistências na caminhada vitoriosa do Qatar. Quatro anos mais tarde, no mesmo torneio, apontou oito golos e correu o mundo ao assinar um hat-trick na final, festejando ao tirar uma carta de jogar de dentro de uma das meias em cada golo. Tentou a sua sorte na Europa, na Bélgica (KAS Eupen) e em Espanha (Vilarreal e Sporting de Gijón), mas a aventura não correu como esperado. Está de volta ao Qatar desde 2020. O talento esteve sempre lá, mas não conseguiu exibi-lo no Mundial 2022, pelo que esta será a sua grande oportunidade de redenção.
JOGADOR A SEGUIR
Mohamed Al-Mannai. O jovem talento nascido na Tunísia confere uma importante presença física ao meio-campo, setor onde pode atuar em quase todas as posições, desde o papel de pivô defensivo a zonas mais adiantadas do terreno. Aos 22 anos, parece guardar ainda muito futebol para mostrar. Estreou-se pelo histórico Al-Sadd ainda em idade jovem, antes de ser emprestado ao Al-Shamal. Foi o passo certeiro na carreira, contribuindo para a excelente temporada do clube com cinco golos, registo que lhe valeu o prémio de Jogador Sub-23 do Ano no campeonato. Lopetegui parece ser um apreciador confesso das suas qualidades.
HERÓI DISCRETO
Boualem Khoukhi celebrará o seu 36.º aniversário durante o torneio, pelo que esta será a última oportunidade para o defesa nascido na Argélia saltar para as manchetes internacionais. Soma mais de 100 internacionalizações pelo seu país adotivo e já atuou em diversas posições, contabilizando 21 golos até ao momento. A maioria dos seus golos pela seleção aconteceu quando jogava em terrenos mais adiantados — e continua disponível para tapar qualquer buraco onde Lopetegui precise dele. A sua confiança, fiabilidade e experiência têm sido valorizadas por uma sucessão de selecionadores, com muitos a olharem para ele como o profissional de eleição.
XI PROVÁVEL
(4-2-3-1) Barsham; Alawi, Pedro Miguel, Khoukhi, Al-Brake; Madibo e Boudiaf; Edmilson, Al-Mannai e Afif; Ali
O QUE ESPERAR DOS ADEPTOS
Sendo uma das nações do Mundial com menor densidade populacional, os adeptos do Qatar não vão viajar em números significativos. Além disso, ao contrário do que acontece com outras seleções asiáticas, não existe propriamente uma comunidade expressiva radicada na América do Norte para apoiar os Marrons. A canção popular qatariana Shoomilah ficou intimamente associada à seleção nacional, tornando-se uma espécie de hino não oficial durante o Mundial 2022, sendo o tema que mais provavelmente se fará ouvir em São Francisco, Vancouver e Seattle.
RELAÇÃO COM OS EUA/TRUMP
O Qatar é um aliado crucial dos EUA, mantendo fortes laços diplomáticos, económicos e militares, existindo inclusive uma base aérea americana em território qatariano. O país tem tentado manter-se próximo de Trump, tendo oferecido ao presidente um avião avaliado em 400 milhões de dólares — apelidado de «Palácio no Céu» — no ano passado. Contudo, a guerra no Irão tem sido um problema, com os ataques norte-americanos a provocarem retaliações por parte de Teerão em solo do Qatar, o que afetou as infraestruturas e a própria imagem do país.
Textos de John Duerden, do The Guardian. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.