O PLANO

A seleção de Espanha é uma das grandes favoritas na América do Norte este verão – e a convocatória escolhida por Luis de la Fuente só veio reforçar isso mesmo. O técnico conta com um grupo equilibrado e competitivo, que acredita no tipo de futebol que já rendeu grande sucesso. Os campeões europeus sonham em estampar a segunda estrela acima do emblema.

Grande parte do foco mediático tem caído inevitavelmente sobre Lamine Yamal, do Barcelona, cuja imaginação, criatividade e personalidade transformaram a linha da frente da Espanha numa verdadeira força. O seu parceiro de eleição, Nico Williams, entrou em grande forma nas últimas semanas da temporada ao serviço do Athletic Bilbao. Os dois alas foram uma revelação no Euro 2024, injetando frescura numa equipa que continua a dominar a bola. «Se achamos que somos favoritos? Sim. Podemos ganhar o Mundial? Sim. Mas isso não garante nada», afirmou De la Fuente.

Há qualidade em todo o plantel que vai defrontar o Uruguai, a Arábia Saudita e Cabo Verde na fase de grupos. De la Fuente tem uma boa dor de cabeça na baliza, com o habitual número 1, Unai Simón, a ser pressionado de perto por David Raya e Joan García, que chegam ao torneio após excelentes temporadas no Arsenal e no Barcelona, respetivamente. Na defesa, Eric García foi novamente chamado depois de se ter tornado num dos defesas mais fiáveis do Barça com e sem bola. O miolo do terreno continua a ser a joia da coroa espanhola, com tecnicistas como Pedri, Gavi e Martín Zubimendi, que encarnam um estilo de jogo assente na posse e no controlo, isto já para não falar do estatuto de estrelas de Rodri e Fabián Ruiz.

A isto junta-se a fantasia de Lamine e Williams, além do instinto goleador de Mikel Oyarzabal – um avançado que aparece nos grandes momentos –, apoiados por Ferran Torres e Borja Iglesias. Os golos não deverão ser um problema para uma equipa que marcou 21 em seis jogos de qualificação, somando cinco vitórias e um empate. De la Fuente dispõe da combinação perfeita entre juventude e experiência, talento prodígio e maturidade, e pura ambição.

O SELECIONADOR

Luis de la Fuente levou Espanha à conquista do Europeu em 2024 (Imago)

Luis de la Fuente transformou a Espanha numa equipa ferozmente competitiva e unida. O seu estilo de jogo combina a tradicional vertente baseada na posse de bola das últimas décadas com uma maior verticalidade e flexibilidade tática. O antigo selecionador de sub-21 é conhecido pelas competências de comunicação e gestão de recursos humanos, criando um ambiente saudável e competitivo dentro do grupo. Conduziu La Roja ao terceiro título europeu, em 2024, com um futebol brilhante e não teve medo de tomar decisões de peso na convocatória para o Mundial. Desta vez, deixou de fora os jogadores do Real Madrid pela primeira vez. «Não olho se vêm de um clube ou de outro. São todos jogadores da Espanha», sublinhou.

A ESTRELA

Lamine Yamal brilhou no último jogo de Espanha (IMAGO)

Lamine Yamal será o centro das atenções no seu primeiro Mundial. O jovem vai festejar o 19.º aniversário a 13 de julho, véspera do arranque das meias-finais, e, no entanto, o seu imenso talento faz com que carregue as esperanças de uma nação aos ombros. Atrevido e criativo, o extremo joga como se estivesse apenas numa futebolada com os amigos, mas já se tornou um líder natural na seleção. Teve um papel fulcral no triunfo do Euro 2024 e dá agora o salto para o palco mundial. Um problema muscular afetou o final da época dele no Barcelona, mas ninguém duvida da capacidade que tem para brilhar sob pressão no maior palco do mundo.

JOGADOR A SEGUIR

Victor Muñoz marcou na estreia pela seleção de Espanha - IMAGO

Víctor Muñoz foi a inclusão surpresa na convocatória de Luis de la Fuente. O extremo de 22 anos viveu uma temporada de afirmação no Osasuna após deixar o Real Madrid, que ainda detém 50% dos direitos económicos. Tendo registado 35 km/h nesta campanha, é um dos jogadores mais rápidos do campeonato espanhol e faz movimentações nas costas da defesa muito perigosas. Um driblador vertical, Muñoz poderá fazer a diferença vindo do banco neste verão. Marcou logo na primeira internacionalização em março, numa vitória por 3-0 frente à Sérvia.

HERÓI DISCRETO

Eric García raramente faz mancheste dos jornais. O ex-jogador do Manchester City tem feito o trabalho de forma discreta no Barcelona, tornando-se uma figura fulcral para Hansi Flick graças à inteligência, posicionamento e compostura na saída de bola a partir de trás. O jogador de 25 anos ganhou maturidade e é um organizador, ditando frequentemente o jogo a partir do eixo da defesa ou até do meio-campo. Fiável e consistente, García colhe agora os frutos: esta é a primeira chamada à seleção espanhola desde 2022. «Desde então tive de trabalhar muito, sem fazer barulho, para ser melhor», assume.

XI PROVÁVEL

(4-3-3): Simón - Porro, Cubarsí, Laporte, Cucurella - Fabián Ruiz, Rodri, Pedri - Lamine Yamal, Oyarzabal, Nico Williams.

O QUE ESPERAR DOS ADEPTOS

Os adeptos de Espanha costumam viajar em grande número para as grandes competições, atraídos pelo estilo de jogo vistoso da equipa e pelo sucesso recente. Por vezes, veem-se apoiantes vestidos de toureiros ou a agitar bandeiras de Espanha com touros estampados. Embora tal não represente a variedade e diversidade do país no seu todo, são símbolos que acompanham a seleção e fazem parte do imaginário. Manolo «el del bombo» [o homem do bombo] era uma presença constante nos torneios e, após a sua morte no ano passado, os adeptos espanhóis continuam a bater os tambores em sua honra.

RELAÇÃO COM OS EUA/TRUMP

As relações entre a Espanha e os EUA não são as melhores. Pedro Sánchez, o primeiro-ministro socialista, tem sido um dos opositores mais firmes à guerra de Donald Trump no Irão e recusou ceder a utilização de bases militares em solo espanhol para ataques. Em resposta, Trump declarou que «a Espanha tem sido terrível» e ameaçou cortar relações comerciais. Contudo, este conflito não irá beliscar o entusiasmo dos adeptos que se deslocam para apoiar a equipa, e nem os jogadores nem a federação de futebol teceram comentários sobre a situação. Tem havido, no entanto, queixas relativamente aos preços dos bilhetes e aos custos das viagens, existindo ainda reservas quanto ao contínuo envolvimento dos EUA no Irão e à sua aliança com Israel em Gaza.

Textos de Nadia Tronchoni para El País. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.

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