O PLANO

A Tunísia completou a sua campanha de qualificação sem sofrer um único golo em 10 jogos — um recorde partilhado com a Costa do Marfim em África —, mas as caras no banco de suplentes mudavam constantemente. Três treinadores diferentes lideraram a equipa no caminho para este Campeonato do Mundo: Jalel Kadri, Montasser Louhichi e Sami Trabelsi. Kadri, que agora orienta o Al-Hazem na Arábia Saudita, era o selecionador da Tunísia durante o Mundial de 2022, no Qatar. Trabelsi foi mais tarde substituído pelo atual timoneiro, Sabri Lamouchi, pouco depois de a Tunísia ter sido eliminada da Taça das Nações Africanas (CAN), em janeiro.

«Sou tunisino, as minhas raízes são tunisinas e estou feliz por estar aqui», disse Lamouchi na sua primeira conferência de imprensa. Por que razão é isto significativo? Porque em 1993 Lamouchi esteve prestes a representar a Tunísia em vez de França. Chegou a comparecer, participou no aquecimento, mas não saiu do banco — e nunca mais voltou. As versões diferem entre Lamouchi e Youssef Zouaoui, o selecionador da época, mas o desfecho foi o mesmo: Lamouchi nunca vestiu a camisola da Tunísia. Continua a ser uma memória dolorosa que os adeptos nunca esqueceram.

O primeiro estágio da Tunísia sob o comando de Lamouchi, que incluiu dois jogos particulares, realizou-se em março. A sua primeira convocatória destacou uma grande mudança. A mensagem foi clara: a Tunísia iria reconstruir-se em torno de jogadores jovens. Outra decisão calorosamente acolhida pelos adeptos surgiu durante a primeira conferência de imprensa de Lamouchi, em fevereiro: «Para o Campeonato do Mundo de 2026 haverá apenas três guarda-redes». Vale a pena recordar que a decisão da Tunísia de levar quatro guarda-redes para o Qatar tinha gerado uma polémica significativa. Desta vez, Lamouchi cumpriu a promessa.

Do ponto de vista tático, Lamouchi montou a Tunísia num sistema 4x3x3 no seu primeiro jogo contra o Haiti. Poucos dias depois, diante do Canadá, experimentou uma formação em 4x2x3x1. Resta saber como abordará cada um dos jogos do Campeonato do Mundo.

O SELECIONADOR

Sabri Lamouchi, selecionador da Tunísia  - Nacionalidade: Francesa
Sabri Lamouchi, selecionador da Tunísia - Nacionalidade: Francesa

A carreira de Sabri Lamouchi como jogador levou-o a França, onde conquistou títulos da Ligue 1 pelo Mónaco e pelo Auxerre, e a Itália, onde jogou no Parma e no Inter. O seu primeiro trabalho como treinador surgiu na seleção da Costa do Marfim, em 2012, alcançando os quartos de final da CAN 2013 e caindo no Campeonato do Mundo de 2014 na fase de grupos. Seguiu-se a passagem por vários clubes, nomeadamente o Rennes — onde treinou Wahbi Khazri, uma figura lendária do futebol tunisino e agora membro da sua equipa técnica —, bem como o Nottingham Forest, antes de rumar ao Qatar e à Arábia Saudita. Após 14 anos como treinador, Lamouchi ainda espera pelo seu primeiro grande troféu. Quanto a este Campeonato do Mundo, nenhum objetivo específico foi incluído no seu contrato. Para a próxima CAN, no entanto, as metas foram claramente definidas.

A ESTRELA

Hannibal Mejbri., Tunísia (IMAGO)
Hannibal Mejbri., Tunísia (IMAGO)

Hannibal Mejbri. O médio que escolheu a Tunísia em 2021 tornou-se gradualmente o rosto desta seleção nacional. Depois de se mudar do Mónaco para os sub-18 do Manchester United, por uns contados 8 milhões de libras, Hannibal sentiu dificuldades para se afirmar. Seguiram-se empréstimos ao Birmingham e ao Sevilha, mas as suas exibições melhoraram consistentemente desde que se transferiu a título definitivo para o Burnley, há dois anos. Envergando a icónica camisola número 10 de Wahbi Khazri, Hannibal personifica o papel: estratega, capitão não oficial e estrela indiscutível. Todos querem a sua camisola; todos querem uma fotografia com ele. No último Mundial, jogou apenas 10 minutos. Desde então, tudo mudou. É agora o primeiro nome a ser inscrito na ficha de jogo.

JOGADOR A SEGUIR

Ismaël Gharbi, Tunísia (IMAGO)
Ismaël Gharbi, Tunísia (IMAGO)

Formado no Paris Saint-Germain, o médio-ofensivo de 22 anos Ismaël Gharbi tem agora a oportunidade de demonstrar o seu talento na montra mundial. Nascido em Paris, filho de pai tunisino e mãe madrilena, Gharbi idolatrava Cristiano Ronaldo — «Costumava copiar tudo o que ele fazia, desde o corte de cabelo às botas», disse à FIFA no ano passado —, bem como Isco e Eden Hazard. Emprestado pelo SC Braga ao Augsburgo para a época 2025/26, a situação de Gharbi complicou-se após o despedimento do treinador que o levou para a Alemanha, Sandro Wagner, apenas algumas semanas após a sua chegada. Desde então, as suas aparições têm sido limitadas. Mas possui uma grande vantagem: Sabri Lamouchi acredita nele e incluiu-o nos convocados da Tunísia para o Campeonato do Mundo.

HERÓI DISCRETO

Ali Abdi, Tunísia (IMAGO)
Ali Abdi, Tunísia (IMAGO)

Apesar de ter lutado durante algum tempo com um problema de hérnia, o lateral-esquerdo Ali Abdi sempre deu tudo pela seleção nacional. No passado, teve de viver à sombra de Ali Maâloul, um dos maiores jogadores da Tunísia na sua posição. Como resultado, Abdi passou vários anos como suplente antes de finalmente conquistar o seu lugar no onze inicial. Desde então, tem continuado a batalhar por entre a dor e a adversidade. Generoso em campo, tem correspondido consistentemente tanto a nível defensivo como ofensivo. Após as derrotas, era frequentemente o primeiro jogador a dar a cara perante a comunicação social, a defender os companheiros de equipa, a explicar a situação e a pedir desculpa aos adeptos.

XI PROVÁVEL

4-3-3: Chamakh; Valery, Talbi, Rekik, Abdi; Skhiri, Khedira, Hannibal; Tounekti, Elloumi, Ayari.

O QUE ESPERAR DOS ADEPTOS

Espera-se que a Tunísia conte com um apoio forte e apaixonado, apesar dos custos da viagem para os Estados Unidos e México para os jogos da fase de grupos. Deve também notar-se que, à parte os incidentes que envolveram adeptos da Tunísia e da Inglaterra antes do jogo do Mundial de 1998, em Marselha, os apoiantes tunisinos não ganharam reputação de violência. Pelo contrário, tanto na Rússia como no Qatar, agiram como embaixadores do seu país, lançando inclusive iniciativas de promoção do turismo na Tunísia. Os vídeos das suas viagens e a atmosfera vibrante que criaram nas ruas continuam a ser um poderoso testemunho desse espírito.

RELAÇÃO COM OS EUA/TRUMP

Nem os jogadores nem os membros da federação tunisina de futebol fizeram declarações públicas relativamente a Donald Trump ou às políticas da sua administração. Quanto aos preços dos bilhetes, os adeptos tunisinos — à semelhança dos apoiantes de muitas outras nações — manifestaram naturalmente a sua insatisfação. No entanto, a federação tunisina disponibilizou bilhetes a preços mais reduzidos para os adeptos. A exigência de um depósito de 15 000 dólares para a obtenção de visto foi revogada pela administração Trump para os adeptos da Tunísia que viajem para os Estados Unidos com bilhetes válidos para os jogos.

Textos de Ahmed Adala, da Radio Mosaïque FM. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.

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