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Mundial 2026: o guia da Arábia Saudita
O PLANO
Por onde começar? Talvez pelo final de abril, quando Hervé Renard foi demitido do cargo de selecionador e posteriormente substituído por Georgios Donis. O técnico grego, antigo extremo do Blackburn Rovers, escolheu a sua convocatória sem orientar um único jogo.
Renard esteve no comando entre 2019 e 2023, liderando aquela famosa vitória sobre a Argentina no Mundial do Qatar, mas quebrou a regra do futebol de «nunca voltar atrás» em outubro de 2024, sucedendo ao seu sucessor Roberto Mancini, que nunca pareceu a escolha certa. A segunda passagem do francês foi pouco inspiradora e, sem o alargamento do torneio, os Falcões Verdes não se teriam qualificado, tendo conseguido o apuramento à rasca.
«Isto é o futebol… A Arábia Saudita qualificou-se sete vezes para o Mundial, incluindo duas comigo», disse Renard na hora da despedida. «E há apenas um treinador que os liderou tanto na qualificação como no Mundial; esse sou eu, em 2022. Pelo menos restará esse sentimento de orgulho.»
Esse sentimento tinha sofrido um rude golpe com uma derrota caseira por 4-0 frente ao rival árabe Egito, em março. «Podia ter estado 6-0 ao intervalo», desdenhou o herói de 1994, Saeed Al-Owairan. Já existiam sussurros sobre Renard, intensificados por relatos de que teria conversado com o Gana sobre a vaga de selecionador e, pouco depois, tudo terminou. Na Arábia Saudita, é o momento da demissão, mais do que a decisão em si, que tem sido alvo de críticas.
Donis deverá apostar num 4-2-3-1 e, com o tempo limitado, tornar a equipa difícil de bater poderá ser a melhor aposta, já que não houve qualquer folha limpa nos últimos oito jogos de Renard. Os golos também são um problema. Foram marcados apenas sete em 10 jogos na fase principal de qualificação, e nenhum deles por avançados de raiz.
Há talento e, agora, talvez um pouco menos de pressão. Há também outras coisas em que pensar. A Arábia Saudita vai acolher a Taça da Ásia pela primeira vez em janeiro próximo e procura o primeiro título continental desde 1996, sendo aqui que os preparativos para o Mundial de 2034 começam verdadeiramente.
O SELECIONADOR
O primeiro jogo oficial de Georgios Donis como selecionador será contra Marcelo Bielsa e o Uruguai, e o grego não tem muito tempo para se preparar. Donis treinou quatro clubes diferentes da Saudi Pro League e conhece bem o campeonato e os jogadores, razão pela qual conseguiu o cargo. Fez um trabalho digno ao levar o Al-Khaleej ao meio da tabela esta temporada – o patamar mais alto que a equipa do leste poderia ambicionar na liga –, praticando um futebol de qualidade pelo caminho.
A ESTRELA
Salem Al-Dawsari. O Jogador Asiático do Ano marcou o golo da vitória contra a Argentina em 2022 e tem sido consistentemente uma das estrelas do Al-Hilal, fletindo da esquerda para o centro com máxima eficácia. O facto de continuar a ser a grande figura, apesar de estar prestes a cumprir 35 anos, é motivo de preocupação e, embora não tenha estado ao seu melhor nível na seleção recentemente – tendo também falhado alguns penáltis que teriam facilitado muito a vida a Mancini –, continua a ser capaz de desequilibrar, especialmente nos maiores palcos.
JOGADOR A SEGUIR
Musab Al-Juwayr tem apenas 22 anos, mas já soma mais de 30 internacionalizações pelos Falcões Verdes. Espera-se ainda mais do médio criativo que venceu o prémio de Jogador Mais Promissor da Saudi Pro League na época passada, graças à sua visão, qualidade de passe e capacidade de acalmar o jogo quando os outros correm desalmadamente. Mudou-se depois para o Al-Qadsiah e, no leste, recebeu mais tempo de jogo por parte de Brendan Rodgers, ajudando o clube a terminar no top-4. Está apenas a começar.
HERÓI DISCRETO
Firas Al-Buraikan. Os avançados sauditas costumam ter má imprensa. Além de serem constantemente comparados com famosos avançados estrangeiros, tendem também a ser o tema de conversas angustiadas sobre a falta de tempo de jogo. Al-Buraikan tem apenas 25 anos, mas parece que anda por cá há uma década. Ao nível de clubes, tem marcado golos sempre que lhe dão tempo e oportunidades. Ainda não se tornou o camisola 9 indiscutível do seu país que muitos esperavam, mas nunca para de trabalhar ou de correr, e o golo da vitória na final da Liga dos Campeões Asiática, em abril, deverá deixá-lo cheio de confiança.
XI PROVÁVEL
(4-2-3-1) Al-Aqidi; Abdulhamid, Al-Tambakti, Al-Amri, Al-Harbi; Kanno e Al-Khaibari; Mandash, Al-Juwayr e Al-Dawsari; Al-Buraikan.
O QUE ESPERAR DOS ADEPTOS NOS JOGOS
Bem representados no Mundial de Clubes da FIFA, onde o Al-Hilal impressionou, fontes dizem que a venda de bilhetes tem sido «estável» por parte dos adeptos no país e, com a comunidade saudita nos Estados Unidos, deverão estar alguns milhares em Miami, Atlanta e Houston. Pelo menos na Saudi Pro League, os adeptos são frequentemente jovens, entusiastas e ruidosos, sendo famosos na Ásia pelos seus tiffos de nível de elite. Criam também uma atmosfera própria que não se limita a imitar as claques europeias.
RELAÇÕES COM OS EUA/TRUMP
É um pouco complicado, mas a Arábia Saudita é talvez um dos países favoritos do Presidente Trump, que parece gostar do líder Mohammed Bin Salman. A Arábia Saudita é um aliado americano próximo e de longa data, comprando mais equipamento militar aos EUA do que qualquer outro país. A guerra dos EUA e de Israel contra o Irão causou consternação em Riade devido à retaliação de Teerão e à instabilidade que criou na região. No entanto, os jogadores e a comitiva da Arábia Saudita não fazem declarações políticas por norma, e é improvável que isso mude nas próximas semanas.
Textos de John Duerden, do the Guardian. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.
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