O PLANO

Sob o comando de Hugo Broos, esta seleção sul-africana deixou de ser uma equipa tímida, que mal conseguia qualificar-se para os grandes torneios, para passar a ser uma formação que garantiu a presença em três fases finais consecutivas: a Taça das Nações Africanas (2023 e 2025) e o Mundial deste ano.

O belga foi nomeado em 2021, numa altura em que a África do Sul não chegava a um Mundial há 11 anos. Em 2010, recorde-se, tornaram-se o primeiro país africano a organizar o torneio. De facto, a última vez que os Bafana Bafana se tinham qualificado em campo para a grande montra da FIFA tinha sido em 2002.

Desta vez tiveram de sofrer, já que um erro administrativo os fez perder na secretaria um jogo contra o Lesoto, que haviam vencido por 2-0 nas quatro linhas. A seleção acabou por alinhar, inadvertidamente, com o suspenso Teboho Mokoena nessa partida, acabando penalizada com a perda de três pontos, o que significou uma espera nervosa até ao desfecho do grupo. No final, a África do Sul acabou por superar a Nigéria por um único ponto, para carimbar o primeiro lugar.

«Tem sido uma caminhada fantástica, com muitos momentos bons e maus onde tivemos de ir buscar forças uns aos outros», assumiu o capitão e guarda-redes Ronwen Williams à SABC Sport, logo após a qualificação ter sido selada.

Inserida num grupo com a coorganizadora República do México, bem como a Coreia do Sul e a Chéquia, as perspetivas de a África do Sul alcançar a fase a eliminar pela primeira vez parecem remotas. «Será uma excelente experiência para a nossa equipa», afirmou Broos. «É de algo assim que precisamos, jogar contra estas equipas. Vamos aprender muito e depois logo se vê. No futebol, tudo é possível. Vamos lutar, tal como temos feito nos últimos anos.»

A convocatória da África do Sul é composta maioritariamente por jogadores do campeonato local, sendo os avançados Relebohile Mofokeng e Oswin Appollis duas das figuras mais importantes. Os contra-ataques serão a chave.

O SELECIONADOR

Hugo Broos, selecionador da África do Sul - Nacionalidade: Belga
Hugo Broos, selecionador da África do Sul - Nacionalidade: Belga

Antigo defesa e internacional belga, Hugo Broos representou apenas dois clubes — Anderlecht e Club Brugge — ao longo de uma carreira de 18 anos como jogador. Depois de se retirar, em 1988, transitou para os bancos, assumindo o comando de clubes na Bélgica, Grécia e Turquia. A sua primeira incursão no futebol de seleções aconteceu quando assumiu uma equipa de Camarões em transição, guiando-a à vitória na Taça das Nações Africanas de 2017. Quatro anos mais tarde chegou o convite da África do Sul — e o técnico transformou por completo o futebol do país. Os Bafana Bafana passaram de jogar em estádios despidos a esgotar recintos. «As pessoas voltaram a amar os Bafana Bafana e vêm ao estádio para nos apoiar», sublinha.

A ESTRELA

Teboho Mokoena foi utilizado indevidamente pela África do Sul
Teboho Mokoena foi utilizado indevidamente pela África do Sul

Broos e a sua equipa técnica construíram um coletivo que torna difícil apontar uma verdadeira estrela. Este é um grupo focado no trabalho de equipa. Contudo, há um punhado de jogadores que formam a espinha dorsal da seleção, incluindo Ronwen Williams na baliza e o defesa Khuliso Mudau. Ainda assim, o verdadeiro motor da África do Sul nesta altura é o médio do Mamelodi Sundowns, Teboho Mokoena. O jogador, de 29 anos, garante um equilíbrio saudável entre a defesa e o ataque, além de dar o seu contributo nas bolas paradas.

JOGADOR A SEGUIR

Relebohile Mofokeng (IMAGO)
Relebohile Mofokeng (IMAGO)

Relebohile Mofokeng é um dos jogadores mais populares na África do Sul, idolatrado pelos adeptos do seu clube, o Orlando Pirates. No entanto, ainda não mostrou verdadeiramente do que é capaz ao serviço da seleção nacional. O Mundial ser-lhe-á apresentado como a plataforma ideal e Broos já sugeriu que o jovem de 21 anos receberá um pouco mais de responsabilidade em palcos norte-americanos. Mofokeng acrescenta golos, assistências e irreverência ao relvado. Agora, cabe-lhe a ele corresponder no maior palco de todos.

HERÓI DISCRETO

Lyle Foster, ex-jogador do V. Guimarães, foi a estrela do jogo - Foto: Federação Sul-africana de Futebol
Lyle Foster Foto: Federação Sul-africana de Futebol

O avançado do Burnley, Lyle Foster, nem sempre recebe os elogios que merece quando representa o seu país. Talvez por não possuir o virtuosismo ou a exuberância de alguns dos seus companheiros mais consensuais. Porém, como referência do ataque sul-africano, o contributo de Foster é vital. Mesmo nas ocasiões em que não assiste ou marca diretamente, a sua capacidade aérea e o jogo de costas para a baliza são cruciais para a manobra ofensiva dos Bafana Bafana.

XI PROVÁVEL

(4-3-3) Ronwen Williams - Khuliso Mudau, Ime Okon, Mbekezeli Mbokazi, Aubrey Modiba - Thalente Mbatha, Sphephelo Sithole, Teboho Mokoena - Oswin Appollis, Lyle Foster, Tshepang Moremi

O QUE ESPERAR DOS ADEPTOS

Adepta da África do Sul (IMAGO)
Adepta da África do Sul (IMAGO)

Tal como a bandeira multicolor da África do Sul, os adeptos de futebol do país transportam uma identidade vibrante, tanto ao nível vocal como visual. Uma das suas canções mais populares é Shosholoza, que teve origem nos mineiros sul-africanos durante o domínio colonial britânico. Contudo, devido aos elevados custos de deslocação para a América do Norte, o apoio nas bancadas será reduzido. Ainda assim, o Ministério do Desporto conseguiu financiamento privado para enviar 20 adeptos ao jogo de abertura frente ao México.

RELAÇÃO COM OS EUA/TRUMP

As relações dos Estados Unidos com a África do Sul têm sido extremamente frias durante a administração de Donald Trump. Sob a sua liderança, o governo americano chegou a alegar a existência de um genocídio contra a população branca na África do Sul, criando programas de recolocação e asilo para afrikaners que pretendessem sair do país — embora apenas uma minoria tenha aceitado a oferta. Uma viagem à Casa Branca em 2025, por parte do presidente Cyril Ramaphosa, que visava desmentir as falsas notícias, não travou o governo dos EUA de continuar a manifestar a sua antipatia em relação à África do Sul.

Textos de Yanga Sibembe, do Daily Maverick. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.

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