O Mundial de Clubes do ano passado já teve pausas para hidratação, como no Fluminense-Chelsea - Foto: IMAGO

Mundial 2026: Cidades-sede detalham planos para combater o calor extremo

Jogos terão pausas para hidratação de três minutos em cada parte

As cidades e os estádios que irão acolher o Mundial 2026 estão a trabalhar em conjunto com a FIFA para proteger jogadores e espetadores do calor extremo esperado em junho e julho. As medidas incluem avaliações de risco, reforço de zonas de sombra e arrefecimento, maior acesso a água e a presença de equipas médicas nas 16 cidades anfitriãs nos Estados Unidos, México e Canadá.

As autoridades alertam que o calor intenso poderá constituir uma ameaça para atletas, adeptos, trabalhadores e árbitros, especialmente em julho. Estudos indicam que as temperaturas em cidades como Dallas, Houston e Monterrey poderão ultrapassar os 32 graus centígrados, e já em setembro do ano passado um relatório da Football For Future e da Common Goal, em parceria com a Jupiter Intelligence, apoiado pela CO₂ Foundation, alertava que 14 dos 16 estádios excederam os limites de segurança em 2025 em termos de riscos climáticos.

Galeria: os estádios 'mais frios e mais quentes' do Mundial 2026

Galeria de imagens 16 Fotos

Donal Mullan, professor na Queen's University Belfast, que liderou um estudo sobre os riscos de calor nas cidades-sede, adverte: «Quase todas as cidades-sede, 14 das 16, registam níveis de calor extremo que podem ser potencialmente perigosos para jogadores, árbitros e, possivelmente, espetadores». A existência de estádios totalmente cobertos em algumas localidades ajuda a mitigar estes riscos.

A exposição ao calor, agravada pelo esforço físico, pode causar náuseas, desidratação, dores de cabeça, acidentes vasculares cerebrais e, em casos extremos, a morte. A preocupação aumentou em março, quando temperaturas recorde atingiram várias zonas dos EUA.

O Mundial de 2022, no Qatar, foi transferido do verão para o inverno devido à ameaça do calor. Já no ano passado, o Mundial de Clubes foi afetado por uma onda de calor com temperaturas acima dos 32 °C. Na sequência desse evento, a FIFPro, o sindicato mundial de jogadores de futebol, alertou que o calor extremo será provavelmente um problema ainda maior nos próximos dois Mundiais masculinos, incluindo o de 2030, que será coorganizado por Portugal, Espanha e Marrocos.

Para proteger os jogadores, a FIFA anunciou que haverá pausas para hidratação de três minutos a meio de cada parte, independentemente das condições meteorológicas. Outras medidas incluem a permissão de até cinco substituições por equipa, um mínimo de três dias de descanso entre os jogos e bancos climatizados para suplentes e equipa técnica em jogos ao ar livre.

A FIFA afirmou que «os jogos ao ar livre durante as horas mais quentes do dia foram estrategicamente limitados» — em Santa Clara, na Califórnia, todos os jogos serão à noite — e que «os jogos previstos para os períodos mais quentes foram priorizados para estádios cobertos, sempre que possível».

As cidades-sede também estão a preparar os seus próprios planos. Vancouver, por exemplo, instalará mais bebedouros temporários e estações de nebulização se a agência federal do Canadá emitir um alerta de calor. O Departamento de Saúde Pública do Condado de Los Angeles irá divulgar informações sobre segurança e hidratação e lançará um painel público com dados em tempo real sobre visitas às urgências relacionadas com o calor. Por sua vez, a cidade de Nova Iorque está preparada para enviar notificações em 14 idiomas aos seus subscritores de alertas públicos e visitantes internacionais.

Já em Seattle, no estado de Washington, o Gabinete de Gestão de Emergências está a ponderar o uso de autocarros com ar condicionado, tendas e pulverizadores de água nos locais dos jogos e nos festivais de adeptos, além de ter planos de resposta ao calor e ao fumo prontos a serem ativados.

Alguns estádios oferecem soluções estruturais para o problema. O BC Place, em Vancouver, que acolherá sete jogos, é um dos quatro recintos do Mundial 2026 totalmente cobertos. A cidade de Vancouver afirmou em comunicado que, por isso, «jogadores e adeptos não estarão expostos às condições meteorológicas dentro do estádio». O recinto de Dallas também é fechado e climatizado, pelo que Tim Ciesco, do Departamento de Polícia de Arlington, declarou: «Não prevemos quaisquer problemas relacionados com o clima no interior».