A artista japonesa Yayoi Kusama, que alcançou estatuto de estrela mundial, morreu aos 97 anos. A morte ocorreu num hospital em Tóquio, a 14 de agosto, mas só agora foi anunciada.
Reconhecida pela sua peruca vermelha de corte bob, Kusama ficou famosa pelos esquemas de cores psicadélicas e pelas instalações de salas de espelhos infinitos, obra marcada por uma intensa história pessoal.
«Ao longo de uma vida extraordinária inteiramente dedicada à criação artística, Kusama seguiu uma carreira aclamada internacionalmente como uma artista pioneira de vanguarda, cuja prática criativa abrangeu as artes visuais, a performance, a ficção e a poesia», lê-se num comunicado da Kusama Inc. A nota acrescenta que a artista «continuou a pintar até aos seus últimos dias, nunca pousando o pincel, e prosseguiu a exploração do amor eterno e da alma eterna». A empresa comprometeu-se a «levar avante os desejos de Kusama e, através da arte, continuar a trazer esperança e força para o futuro às pessoas de todo o mundo».
Nascida em Matsumoto, Japão, em 1929, Kusama teve uma infância infeliz, marcada por uma mãe abusiva, que se opunha à veia artística. Desde criança, começou a revelar ter alucinações, nas quais as flores falavam com ela.
Empenhada em seguir artes, partiu para Nova Iorque em 1958. Aí começou a explorar as pinturas «infinity net», com vastos campos de pontos às bolinhas, um dos aspetos que mais define o seu trabalho.
Além de pintora e escultora, Kusama realizou inúmeras performances durante a era hippie e tomou vários riscos, como escrever ao presidente dos EUA, Richard Nixon, oferecendo-se para dormir com ele em troca do fim da guerra do Vietname.
Apesar de trabalhar nas esferas da pop art e do minimalismo, Kusama sentiu-se marginalizada pelo mundo da arte, defendendo sempre que muitas das suas ideias foram apropriadas por artistas masculinos brancos, como Andy Warhol, enquanto ela era apagada da história da arte.
O reconhecimento internacional chegaria também ao Japão e em 1993, a artista japonesa foi aclamada pelo seu trabalho no pavilhão do Japão na Bienal de Veneza, onde criou uma sala de espelhos repleta de pequenas esculturas de abóboras, tema recorrente na sua obra.
A vida pessoal de Kusama foi marcada por desafios de saúde mental e nos anos 70 do século passado, já com um historial de internamentos, o seu estado de saúde deteriorou-se, sofrendo de alucinações, ataques de pânico e tentativas de suicídio.
Em 1977, deu entrada voluntariamente num hospital psiquiátrico em Tóquio que oferecia cursos de arteterapia e decidiu fazer do hospital a sua casa.
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