Moreirense: «Aqui ninguém é coitadinho», afirma Vasco Botelho da Costa
Após duas semanas de paragem, o Moreirense prepara-se para voltar à ação no campeonato, com a receção de sábado (18h00) ao SC Braga. Os cónegos não atravessam uma boa fase e não vencem há cinco jogos para a Liga, o que levou Vasco Botelho da Costa a sair em defesa dos jogadores na sequência de alguma contestação recente.
«Quando falo do papel dos adeptos no dia a dia não é porque fica bem a um treinador puxar-lhes o saco, é porque efetivamente acredito que são importantes. Em relação ao passado recente, creio que aumentámos muito os números das nossas assistências. Houve uma relação mútua em que a equipa puxou pelos adeptos e os adeptos puxaram pela equipa. (...) Também sei perfeitamente o que é ser adepto, o que é sentir um clube, e vou sempre respeitar ao máximo as sensações deles. Mas se [a contestação] fosse uma situação direcionada para mim, eu ficava calado, aceitava e ia pensar. Incomodou-me sentir que os jogadores estavam a ser alvo daquela situação, fruto das semanas que temos vivido, porque é uma fase difícil, mas também é a fase em que precisávamos de sentir mais esse carinho. Estávamos a falar do quarto jogo consecutivo sem ganhar, onde nos apresentámos com 17 jogadores na convocatória, entre eles os três guarda-redes», afirmou Botelho da Costa, em conferência de Imprensa.
«Vocês sabem que eu gosto de ter uma postura muito transparente. Desde que treinei os juvenis do Estoril, nunca estive cinco jogos sem ganhar. É a primeira vez na minha carreira que estamos cinco jogos sem ganhar. Sou o primeiro a entender que isso é necessário para a nossa evolução enquanto equipa técnica. Mas que essa insatisfação possa ser direcionada para o treinador, que não está a conseguir arranjar as soluções ideais. Honestamente, senti que os jogadores não mereciam, porque eles têm sido uns campeões nesta dificuldade. Aqui ninguém é coitadinho, sabemos que as épocas têm estas fases, mas também somos os mesmos que já fizeram muita coisa bem feita e que conseguiram, e não me vou cansar de dizer, atingir um objetivo tão difícil [permanência] a 10 jogos do fim. Queremos mais», prosseguiu o técnico dos cónegos, reconhecendo que a equipa tem «sofrido mais golos» do que aqueles que gostaria.
«Somos, provavelmente, a segunda ou terceira equipa mais nova do campeonato, mas temos muita ambição e não é igual acabar o campeonato em 7.º ou 8.º. Não gostamos de pensar para lá da semana seguinte. É importante deixarmos mais vezes a nossa baliza a zeros. Estamos numa fase negativa, que nos incomoda a todos, mas trabalhamos muito e temos trabalhado muito para conseguir invertê-la», acrescentou Botelho da Costa.
Considerando que o SC Braga «subiu claramente de patamar» em termos de qualidade de jogo, o homem do leme do Moreirense teceu, ainda, elogios aos jovens dos sub-19 dos cónegos que têm trabalhado com o plantel principal... deixando uma ressalva: «Estas semanas não têm sido fáceis para nós. Os nossos meninos dos sub-19 têm sido uns heróis. A equipa técnica tem feito um trabalho fantástico com uma equipa que estava praticamente condenada a descer de divisão e está muito perto de conseguir a manutenção. Têm-se visto desfalcados de muitos jogadores, porque nós, para conseguirmos ter 20 no treino, precisamos de sete ou oito deles. Estamos a falar de cinco ou seis semanas, isso retira muito daquilo que é a intensidade normal da nossa equipa.»
Pedro Jesus, central da formação que assinou contrato profissional recentemente, foi apontado por Vasco Botelho da Costa como um jovem «de muito potencial» e um exemplo do bom trabalho que tem sido feito pelo Moreirense a olhar para o futuro.
«Faz parte do que queremos para este projeto, tentar reter ao máximo o nosso talento e criar condições para o fabricarmos. As obras que estamos a fazer na Vila Desportiva vão levar-nos, a breve prazo, a ter uma das melhores academias do país. (...) O Moreirense vai ser um clube que pode olhar para a frente de uma forma consistente e deixar de falar em apenas em 35 pontos no início das épocas. Mas isso leva tempo, não vai ser já para o ano. Mas não tenho a mínima dúvida de que estamos no caminho certo», rematou o treinador.