Mohoric denuncia tratamento de favor a Paul Seixas nos controlos antidoping do Tour
O ciclista esloveno Matej Mohoric, da Bahrain-Victorious, criticou a desigualdade nos horários dos testes antidoping realizados durante o dia de descanso da Volta a França, alegando que o francês Paul Seixas, da Decathlon-CMA CGM, beneficiou de um tratamento preferencial.
A luta contra a dopagem voltou a ser tema central no pelotão do Tour de France, especialmente após uma vaga de controlos que abrangeu todos os ciclistas em prova na passada segunda-feira. Esta ação, conduzida pela Agência Internacional de Testes (ITA), seguiu-se aos mediáticos controlos noturnos a que Jonas Vingegaard e Tadej Pogacar foram submetidos no fim de semana.
A própria ITA confirmou, em comunicado emitido esta terça-feira, a realização de uma «vasta missão de controlo sanguíneo no âmbito do Passaporte Biológico do Atleta» durante o dia de descanso de 20 de julho de 2026. A agência esclareceu que «todos os ciclistas do pelotão foram incluídos nesta missão», que faz parte do seu programa antidoping baseado em informações e avaliação de riscos.
No entanto, os métodos utilizados geraram controvérsia. Em entrevista ao portal Sportal, Matej Mohoric (88.º na classificação geral) manifestou o seu desagrado com os controlos realizados durante a noite, que afetam a recuperação dos atletas.
«Para nós, é bastante desagradável. Reduz o nosso tempo de descanso e consome muita energia. Eu próprio tive um controlo às 5 horas da manhã, o que é praticamente a meio da noite, visto que nos deitamos por volta da meia-noite e tomamos o pequeno-almoço por volta das 10 horas», explicou o esloveno. Mohoric acrescentou: «Eles têm de mostrar que estão a trabalhar e a controlar para garantir um desporto justo e equitativo. Penso também que há um aspeto de negócio.»
O ciclista da Bahrain-Victorious alega que nem todas as equipas foram tratadas da mesma forma, apontando diretamente o dedo à formação Decathlon-CMA CGM de Paul Seixas. Segundo Mohoric, o ciclista francês, quarto classificado na geral, terá sido controlado por volta das 20 horas de segunda-feira, um horário em que os atletas ainda estão acordados.
«Pagamos pelo passado do ciclismo, mas, apesar disso, seria bom estabelecer certos limites humanos ou, pelo menos, garantir uma igualdade de tratamento para todos. Sabemos, com efeito, que este ciclista francês, bem posicionado na classificação geral, não foi submetido a este controlo [a meio da noite]».
Recorde-se que, já na noite de segunda-feira, o sindicato dos ciclistas profissionais (CPA) havia criticado os controlos antidoping noturnos, considerando-os «um entrave à recuperação dos atletas durante a corrida mais importante e difícil do calendário mundial e em contradição com os objetivos pretendidos».