Miguel Ribeiro ataca os três grandes: «São os responsáveis por este clima tóxico»
Miguel Ribeiro, presidente da SAD do Famalicão, foi um dos muitos representantes do futebol português presentes esta quarta-feira no primeiro dia do Portugal Football Summit e começou por analisar este início de temporada da equipa de Carlos Carvalhal, 13.ª classificada da Liga à sétima jornada.
«Nós no Famalicão acreditamos muito que a bola não entra por acaso, o futebol tem algumas variáveis que não conseguimos contrariar. Temos definido o padrão do jogador do Famalicão, o padrão de jogo positivo e tentamos construir a nossa filosofia. A segurança que temos vem muito de perceber os caminhos. Não temos os pontos que queremos, mas sabemos o que está a fazer feito. Já aconteceu jogos em que devíamos ter sido melhores, outros mais felizes, mas ainda há muito campeonato», começou por dizer, em declarações à Sport TV, afirmando que a diferença para os restantes está cada vez pior.
«Os três grandes estão cada vez mais distantes, estão cada vez mais fortes. É uma preocupação pela competitividade do campeonato. O SC Braga está muito longe dos três, mas os restantes também estão muito longe do SC Braga. É difícil para o quarto lugar manter esta regularidade. Depois a competição está muito nivelada, o futebol português está a crescer. Benfica, FC Porto e Sporting estão muito fortes, investiram como nunca investiram. Estão mais caros do que nunca, mas os outros também estão melhores», explicou, atacando os três grandes pelo clima de instabilidade que se sente no mundo desportivo em Portugal.
«O campeonato vai ser equilibrado até ao fim. Apelo à tranquilidade de todos os intervientes. Não há como fugir: este clima tóxico, o ruído, que não beneficia ninguém. O que ganhas com isto? Não entendo como alguém pode ganhar algo com isto e começa pelos três grandes, um clima que só eles alimentam. Só eles são capazes de ter primeiras páginas e construir a narrativa do futebol português. Não podemos esconder a mão de quem atira a pedra e são eles. Somos 15 clubes a vê-las passar, porque não temos o mínimo espaço mediático. Agradeço ter perdido uns minutos com um clube da dimensão do Famalicão», afirmou, apontando para a solução.
«Os três grandes têm de sentar, eventualmente chamados pelos presidentes da Liga, FPF e primeiro-ministro. Tem de se alinhar numa linha construtiva, porque este ambiente tóxico... ninguém ganha com ele, as pessoas estão desconfortáveis. Isto tem um meio e fim em três clubes, são os grandes responsáveis pelo barulho que existe no futebol português, e também pelas coisas boas. Tenham noção da responsabilidade que têm», concluiu.