Pau Víctor marcou, aos 25 minutos, de penálti, o primeiro golo do SC Braga diante do Áustria Viena — Foto: Hugo Delgado/LUSA
Pau Víctor marcou, aos 25 minutos, de penálti, o primeiro golo do SC Braga diante do Áustria Viena — Foto: Hugo Delgado/LUSA

Mesa recheada de qualidade é remédio santo para o vírus (crónica)

Primeira parte de grande nível dos guerreiros merecia vantagem maior ao intervalo. Austríacos cresceram na etapa complementar e barra... abanou. Pau Víctor bem e mal dos 11 metros, Diego chamou a si a justiça

A uma semana bastante complicada, devido a uma virose gastrointestinal que afetou muitos jogadores do plantel, responderam os guerreiros do Minho com uma mesa recheada de qualidade. Foi, pode dizer-se, remédio santo para o vírus. Não só porque o triunfo (absolutamente indiscutível) dá uma almofada extremamente interessante para o jogo da segunda mão — na próxima quinta-feira (19h30), na Áustria —, mas também, e não menos importante, porque o SC Braga realizou uma excelente exibição. Do melhor que se viu na presente temporada. Especialmente a primeira parte, que teve momentos de elevada nota artística.

Quando Denis Huseinbasic, logo aos 2 minutos, colocou Samuel Radlinger à prova, percebeu-se que o repasto poderia ser saboroso. E nem a reação pronta da formação contrária, assente num remate forte de Johannes Eggestein que passou perto do poste esquerdo, colocou ponta de nódoa na toalha que os arsenalistas estavam a estender no restaurante da Pedreira.

Porque Demir Tiknaz voltou a dar sinal do poderio ofensivo dos bracarenses, valendo aos austríacos o corte decisivo de Buhari Ibrahim, que impediu males maiores (17').

Sentia-se que o golo iria aparecer a qualquer momento e... apareceu. Ainda que da marca dos 11 metros — falta clara de Buhari Ibrahim sobre Denis Huseinbasic. Chamado à transformação do castigo máximo, Pau Víctor não perdoou e potenciou o primeiro brinde como acompanhante perfeito de um jantar que já tinha sabor.

Bernardo Fontes foi obrigado a aplicar-se logo a seguir, na sequência de um cruzamento traiçoeiro de Johannes Eggestein (27'), sendo que até ao intervalo o vinho verde do Minho poderia ser ainda mais... fresco: João Moutinho atirou em arco por cima da barra (31'), Fran Navarro ficou a milímetros do golo após jogada incrível de Gabriel Silva (32') e João Moutinho, de cabeça (!), voltou a não ficar muito longe da felicidade (38').

A etapa complementar foi (bem) mais equilibrada e começou com dois avisos sérios do Áustria Viena: remate de Julian Hettwer para grande estirada de Bernardo Fontes (47') e desvio (quase por acaso...) de Manfred Fischer à barra (48').

O SC Braga foi maduro quando se exigia e só não era expectável que Pau Víctor desperdiçasse o segundo penálti de que dispôs — grande intervenção de Radlinger (83'). Mas a cereja no topo do bolo para afastar o vírus surgiu perto do fim, quando Diego Rodrigues concluiu uma belíssima jogada coletiva com toque de midas de Mario Dorgeles.

Os bracarenses têm escancaradas as portas da fase de liga da UEFA Conference League. Carimbe-se o passaporte em solo austríaco.

O melhor em campo: João Moutinho (SC Braga)

Só lhe faltou mesmo... o golo. E que bem tentou, diga-se, mais concretamente ao minuto 38, quando tentou, por duas vezes no mesmo lance, ser feliz... de cabeça! Primeiro viu um defensor contrário intercetar o lance, depois atirou muito perto do poste direito da baliza contrária. No geral, exibição senhorial do (ontem) capitão dos guerreiros, com controlo absoluto de todas as ações do miolo.

A figura: Samuel Radlinger (Áustria Viena):

Chamado várias vezes à ação, especialmente durante os primeiros 45 minutos, fase em que os arsenalistas apresentaram um enorme caudal ofensivo, o experiente guarda-redes austríaco, de 33 anos, foi respondendo à chamada e, nessa fase, só não conseguiu impedir o penálti vitorioso de Pau Víctor. Mas levou, depois, a melhor sobre o 10 do SC Braga, também dos 11 metros.

As notas dos jogadores do SC Braga:

As notas dos jogadores do Áustria Viena:

Samuel Radlinger (7), Johannes Handl (5), Aleksandar Dragovic (5), Buhari Ibrahim (4), Reinhold Ranftl (5), Philipp Maybach (5), Vasilije Markovic (5), Tae-seok Lee (6), Manfred Fischer (5), Johannes Eggestein (6), Julian Hettwer (5), Sanel Saljic (5), Daniel Nnodim (5), Kelvin Boateng (5), Florian Wustinger (5) e Matteo Schablas (—).

Carlos Vicens (treinador do SC Braga)

Fizemos um bom jogo e ficaríamos ainda mais satisfeitos se tivéssemos feito mais um golo, porque fizemos por isso. Mas há que olhar para a frente, sabemos que vamos ter uma batalha duríssima [na segunda mão, na próxima quinta-feira, em solo austríaco] porque já vimos o que são capazes, tem boa energia e teremos de esperar um jogo difícil porque eles jogam em sua casa. Estou muito satisfeito com a prestação da equipa, bem como com a energia dos que saltaram do banco. Vimos dos acontecimentos que vimos nos últimos dias e isso começou a notar-se na segunda parte, com alguma falta de energia, uma vez que havia jogadores ainda com alguns sintomas. Daí a importância das substituições, não só para manter a energia, mas também para chegarmos ao segundo golo.

Stephan Helm (treinador do Áustria Viena)

O SC Braga é uma grande equipa e fez as coisas bem durante o jogo. É importante aproveitar as pequenas oportunidades e, na verdade, o SC Braga foi melhor nesse aspeto. Nós, por outro lado, não conseguimos marcar, e o SC Braga foi mais eficaz. Não é fácil ter um resultado negativo de 0-2, mas esperamos dar a volta ao resultado com a ajuda dos nossos adeptos. Queríamos reduzir os espaços ao adversário, mas neste tipo de jogos temos de ser eficazes nos momentos em que podemos marcar. O SC Braga foi mais eficaz e, por isso, está em vantagem na eliminatória.

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