McNulty ainda não acreditava no «milagre» que lhe deu o título mundial
Brandon McNulty entrou na última volta dos Mundiais de Montreal com mais de um minuto de vantagem sobre os perseguidores, mas nem nessa altura o norte-americano acreditava que estava a caminho de conquistar a camisola arco-íris. Um ataque a 33 quilómetros da meta e o trabalho dos companheiros Matteo Jorgenson e Quinn Simmons permitiram-lhe resistir à perseguição e dar aos Estados Unidos o quarto título mundial de fundo masculino da história.
McNulty atacou sozinho depois de Simmons ter integrado um grupo na frente com Mathieu van der Poel. Atrás, Jorgenson assumiu a missão de neutralizar os ataques dos adversários, enquanto o corredor do Arizona se preparava para aquele que seria o contrarrelógio mais importante da sua carreira.
Mesmo depois de completar a última volta do circuito de Mount Royal na liderança, McNulty teve dificuldades em acreditar no que estava a acontecer.
«Honestamente, não sei. Mesmo, não sei... Estou realmente sem palavras», admitiu o novo campeão mundial. «Até aos últimos 100 metros, na verdade, nem acreditava. Estava tão cansado, mas não sei... Realmente, não sei.»
A corrida foi marcada por constantes ataques, com Van der Poel a assumir a iniciativa à distância, Isaac del Toro a lançar sucessivas acelerações e Remco Evenepoel a revelar dificuldades inesperadas. McNulty parecia ter o título controlado quando passou pela última vez na meta, mas a vantagem começou a desaparecer na subida final à Camillien-Houde.
Tom Pidcock foi o primeiro a atacar com determinação e reduziu a diferença para pouco mais de dez segundos. McNulty, porém, conseguiu manter-se à frente.
«Na última subida de Mount Royal, estava a andar praticamente em zona 2, estava a morrer, mas continuei simplesmente a dar tudo», explicou.
Depois da subida, o grupo perseguidor perdeu força e McNulty voltou a aumentar a vantagem. O norte-americano resistiu nas últimas dificuldades do circuito, incluindo a Côte de la Polytechnique e a Avenue Panguedo, e cortou a meta com 13 segundos de vantagem sobre os perseguidores.
Michael Matthews foi o segundo classificado, enquanto Van der Poel completou o pódio.
No final, McNulty destacou o trabalho coletivo da seleção norte-americana, particularmente de Jorgenson e Simmons.
«Dissemos durante semanas que tínhamos uma equipa muito forte e que era possível. E acho que corremos, sinceramente, de forma incrível», afirmou. «Marcámos tudo, tínhamos corredores na frente. Estou mesmo sem palavras.»