Mário Catala recolhe saberes em Albufeira
Albufeira serviu, durante os últimos dias, como o epicentro do pensamento tático mundial e Angola não ficou de fora. Mário Catala, um dos nomes de proeminência no xadrez da formação nacional, marcou presença no Fórum ANTF 2026 com uma missão clara: beber da experiência dos melhores para acelerar o crescimento dos jovens craques angolanos. O técnico, que hoje acumula a exigente função de selecionador masculino de sub-17 com a coordenação do projeto TDS da FIFA — focado na caça ao talento —, não trouxe apenas apontamentos técnicos na bagagem. Trouxe, acima de tudo, uma motivação renovada deste evento organizado pela Associação Nacional de Treinadores de Futebol de Portugal.
Para Catala, o futebol moderno exige tecnologia, sim, mas não pode perder a alma. Numa era em que o futebol parece cada vez mais ditado por algoritmos, Catala saiu das sessões de partilha com uma certeza que fará eco nos relvados de Angola: a intuição continua a ser o pilar que sustenta o jogo. «No futebol, há sempre espaço para inventar e criar», defende o técnico, sublinhando que a ideia de jogo não pode ser uma prisão tática, mas sim um ponto de partida para a adaptação constante ao que o adversário dita.
Como formador da ATEFA e peça-chave na direção técnica nacional, Catala olha para o futuro com o pragmatismo de quem sabe que o sucesso dos sub-17 depende da qualidade de quem os orienta. A premissa é simples, mas vital: não há bons jogadores sem bons treinadores.
Nesta passagem por Portugal, a comunicação — «ferramenta importantíssima», como descreve — foi um dos temas centrais. Saber passar a mensagem é, para o coordenador da FIFA, tão importante como o exercício de treino em si. Mário Catala regressa agora ao trabalho de campo, focado em transformar estas reflexões em prática.
O agradecimento à ANTF e aos colegas de profissão encerra um capítulo de aprendizagem, mas abre outro, bem mais importante: o de aplicar este saber na evolução contínua do futebol angolano, degrau a degrau, até ao topo.