Marc Márquez vence sprint em Aragão e amplia recorde no MotoGP: «Mostrei as cartas»
Marc Márquez (Ducati) manteve o seu registo 100 por cento vitorioso em corridas sprint ao dominar a prova deste sábado no Grande Prémio de Aragão, cortando e meta em 19.37;995m. O espanhol, que partiu do segundo lugar da grelha, conquistou a 20.ª vitória na carreira numa sprint, um recorde no campeonato, e a terceira consecutiva no MotorLand Aragón.
Apesar de Marco Bezzecchi (Aprilia) parecer o principal candidato à vitória após ter sido o mais rápido nos treinos e na qualificação, foi Márquez quem brilhou no momento decisivo. Uma ultrapassagem crucial no arranque permitiu-lhe assumir a liderança, que não mais largou até cruzar a meta com uma vantagem de 1,140 segundos.
A corrida ficou marcada por uma dobradinha da Ducati, com Alex Márquez (Gresini) a garantir o segundo lugar, enquanto Marco Bezzecchi (Aprilia) teve de se contentar com a terceira posição (+2,089). Os 12 pontos somados por Marc Márquez (212 pts) permitiram-lhe subir ao terceiro lugar do campeonato liderado por Jorge Martin (Aprilia), com 245, seguido de Bezzecchi (216).
No arranque, Bezzecchi, com pneu macio, fez o melhor início da primeira linha, mas foi surpreendido por Marc, que travou mais tarde para a primeira curva e assumiu o comando. Alex Márquez aproveitou a situação para ultrapassar o piloto da Aprilia e colocar-se em segundo. Bezzecchi ainda tentou responder de imediato, mas os dois pilotos da Ducati defenderam-se bem, consolidando as suas posições. Enquanto o italiano pressionava Alex Márquez pelo segundo posto, o líder Marc Márquez começou a distanciar-se, construindo uma vantagem de quase um segundo até ao final da quinta volta.
Na segunda metade da corrida, com Bezzecchi a perder terreno e Alex Márquez sem capacidade para o acompanhar, Marc Márquez geriu a corrida sem oposição. Por sua vez, Alex Márquez conseguiu suster os ataques do lesionado Bezzecchi, garantindo pontos importantes e retirando-os a um dos principais rivais da Ducati.
Atrás do pódio, Pedro Acosta (KTM) realizou uma excelente corrida, terminando em quarto depois de ter arrancado da sexta posição. O espanhol beneficiou de uma luta inicial entre o líder do campeonato, Jorge Martin, e Raul Fernandez para subir na classificação. Martin, piloto de fábrica da Aprilia que também optou pelo pneu macio traseiro, chegou a ultrapassar Acosta, mas um erro na quinta volta relegou-o para o quinto lugar final. Já Fermin Aldeguer, no seu regresso, impressionou ao subir do 11.º para o sexto lugar, ultrapassando Diogo Moreira (LCR Honda) perto do fim.
Raul Fernandez, vencedor do GP da Grã-Bretanha, sentiu dificuldades de ritmo e caiu para oitavo, enquanto Johann Zarco (LCR), também de regresso ao MotoGP, conquistou o último ponto em disputa ao terminar em nono. Jack Miller foi o melhor piloto da Yamaha, em décimo.
A corrida ficou ainda marcada por três abandonos. Luca Marini foi o primeiro a desistir, após uma queda na volta inaugural, seguido por Fabio di Giannantonio, que também caiu na segunda volta. Pouco antes de metade da prova, Fabio Quartararo foi forçado a abandonar com uma espetacular quebra de motor na sua Yamaha.
Para Marc Márquez, a ultrapassagem na primeira curva foi a chave para o triunfo. «Evidentemente que a podes planear, tinha-a planeada na minha mente e às vezes não resulta, mas quando vi que o Bezzecchi saía com o pneu macio traseiro, algo que nós não podíamos fazer porque se degradava imenso e havia muito risco de acontecer o mesmo que em Silverstone, baseei a corrida naquela primeira curva. Se o Bezzecchi liderasse as três primeiras voltas, escapava-se, e parece que a Aprilia degradava menos o pneu e não o teríamos apanhado outra vez», explicou.
Márquez reconheceu, no entanto, que a estratégia está agora exposta para a corrida de domingo. «É o que odeio nas corridas Sprint. Mostras as tuas cartas e agora já as leram. É verdade que aquela primeira curva é traiçoeira; se defendes, sais lento, e se o fazes para sair rápido, podem atacar-te. Veremos, tudo depende também do arranque e do momento de largar a embraiagem», afirmou.
Apesar do êxito, não se considera o principal favorito, apontando o ritmo forte de Bezzecchi. «Não posso dizer que fiz uma boa volta na qualificação. Fiz uma volta onde encaixei mais ou menos tudo. Mas a verdade é que o Bezzecchi está a mostrar um grande ritmo este fim de semana e, no papel, é ele quem tem o melhor ritmo e é o favorito para amanhã», analisou.
O piloto elogiou também a competitividade dos seus rivais, nomeadamente o seu irmão Alex e o próprio Bezzecchi, antecipando uma corrida renhida. «O Alex deu tudo na Sprint. Eu tentava ganhar distância, mas assim que me distraía, ele recuperava décimas. Isto demonstra que o Alex está muito rápido, como já tinha mostrado no ano passado, e amanhã será uma corrida disputada com ele e com o Bezzecchi, esperando também que possa aparecer um Acosta ou outros pilotos como o Martín», comentou, sublinhando a necessidade de manter a «concentração a 100 por cento».
Questionado sobre a gestão do esforço físico, especialmente do ombro, para evitar o esgotamento sentido em Silverstone, Marc Márquez foi claro: não houve poupanças. «Não doseei nada. É um pouco contraditório, mas acontece. Quando vais rápido num circuito, cansas-te menos, sai-te mais facilmente. Num circuito onde és mais lento, onde te vês em quarto ou quinto, estás a esforçar-te mais e, por vezes, até andas mais devagar. Aqui sinto-me bem, confortável, não direi fácil, mas muito melhor para o meu estilo de pilotagem, e isso ajuda a que as curvas à esquerda sobrecarreguem muito menos o meu lado mais fraco», concluiu.