Nuno Espírito Santo foi despedido do Nottingham Forest e Vítor Pereira do Wolverhampton
Nuno Espírito Santo foi despedido do Nottingham Forest e Vítor Pereira do Wolverhampton - Foto: IMAGO

Mais de 200 treinadores perderam o emprego esta época em Inglaterra

Estudo da Associação de Treinadores da Liga (LMA) relativamente aos quatro principais escalões do futebol inglês masculino e também dos dois femininos

A cultura de «contratar e despedir» no futebol inglês levou à perda de emprego de mais de 200 treinadores e membros de equipas técnicas nesta temporada, um fenómeno que «prejudica a profissão», segundo Richard Bevan, diretor da Associação de Treinadores da Liga (LMA).

As estatísticas da LMA, que abrangem as quatro principais ligas masculinas e as duas primeiras femininas, revelam que a permanência média dos treinadores nos dois principais escalões do futebol masculino atingiu um mínimo histórico.

Lista de treinadores no desemprego

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Na Premier League, foram despedidos nove treinadores, com uma permanência média de apenas 0,87 anos, o valor mais baixo desde que a LMA começou a compilar estes dados na época 2013/14. Clubes como o Nottingham Forest, com quatro treinadores principais, e o Tottenham e o Chelsea, com três cada, exemplificam esta instabilidade. Nuno Espírito Santo (N. Forest) e Vítor Pereira (Wolves) foram os dois nomes lusos.

O Championship não ficou atrás, registando a sua própria média de permanência mais baixa de sempre para treinadores despedidos, com apenas 0,74 anos. No total, este escalão teve 22 mudanças de treinador, das quais 13 foram despedimentos. Bevan comentou que «o tempo não é um bem acessível aos treinadores do Championship».

Em declarações ao programa Today da BBC Radio 4, Richard Bevan criticou a situação. «Certamente, nos meus 18, 19 anos [na LMA], a cultura de contratar e despedir que está sempre presente prejudica definitivamente a profissão», afirmou. Bevan defende que a instabilidade não é uma base para o sucesso e aponta como exemplos positivos clubes que apostam na continuidade, como o Manchester City, o Arsenal, o Bournemouth e o Newcastle.

«Quando se olha para o imediatismo, compare-se com a forma como o Man City, o Arsenal, o Bournemouth, o Newcastle... e muitos outros clubes encaram o investimento de tempo e confiança nos seus treinadores», disse, acrescentando que «a longevidade para os treinadores, tal como em muitas outras indústrias, é a melhor receita para o sucesso».

O diretor da LMA destacou os casos de sucesso associados à estabilidade: o Arsenal conquistou o seu primeiro título da Premier League em 22 anos na sétima época de Mikel Arteta, enquanto Pep Guardiola deixou o Manchester City após dez anos e 20 troféus importantes. Andoni Iraola saiu do Bournemouth após três anos, culminando na primeira qualificação europeia do clube, e Eddie Howe tem tido uma passagem de quase cinco anos de sucesso no Newcastle, apesar de uma época menos conseguida.

No total, o futebol masculino inglês registou 51 despedimentos nos quatro principais escalões, o quarto número mais elevado dos últimos 20 anos. A estes juntam-se mais de 150 treinadores adjuntos que também perderam os seus postos de trabalho. Em contraste, o futebol feminino apresenta maior estabilidade: na Women's Super League (WSL), houve cinco despedimentos, com uma permanência média de 2,12 anos. Na WSL2, registaram-se quatro despedimentos, mas com uma média de permanência de 4,14 anos.

A LMA atribui esta crescente rotatividade de treinadores a fatores como os maiores interesses financeiros, a pressão dos adeptos nas redes sociais e a necessidade dos proprietários dos clubes de protegerem os seus ativos. É de notar que a LMA considera como «despedimentos» apenas as demissões por iniciativa do clube. Assim, saídas como a de Iraola (fim de contrato), Guardiola (acordo mútuo), Enzo Maresca (ex-Chelsea) e Scott Parker (ex-Burnley) não entram para as estatísticas de permanência média dos treinadores despedidos.

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