«Lutar por tudo», Bednarek e o duo Moffi-Moura: tudo o que disse Farioli
O FC Porto joga o futuro na UEFA Europa League esta quinta-feira, frente ao Nottingham Forest, na segunda mão dos quartos de final da competição. Após o empate (1-1) no Estádio do Dragão, Francesco Farioli admite que espera um jogo diferente dos que ambas as equipas já disputaram entre si e abordou a famosa gestão que tem levado a cabo, tomando o indiscutível Bednarek como exemplo.
— Que expectativas tem para este jogo decisivo?
— Acho que estamos no estado de espírito certo, honestamente, tanto do ponto de vista físico como mental. Não poderíamos estar melhor. O trabalho destes dias tem sido muito positivo. Depois, é claro, sabemos o nível do adversário que vamos enfrentar amanhã [quinta-feira] e sabemos o nível de exigência que vamos encontrar. E, como sempre, temos de ser muito respeitosos com o adversário por um lado, mas por outro temos o desejo claro de jogar todas as nossas cartas para passar.
— Ao terceiro jogo da época entre estas duas equipas, ainda há alguma forma de surpreender ambos os lados?
— Acredito que ter jogado aqui deu-nos uma boa imagem do ambiente, por isso, pelo menos, sabemos onde vamos jogar. O possível impacto dos adeptos, o ambiente que vamos enfrentar... O facto de já termos jogado dois jogos também nos deu uma imagem muito clara das qualidades individuais dos jogadores, por isso o trabalho que fizemos em termos de análise individual ajuda-nos a estar prontos e a obter algumas confirmações durante os jogos. Sobre o cenário tático, acredito que ainda há espaço para algumas possíveis mudanças, devido ao facto de que quando jogamos aqui a primeira vez, Sean Dyche estava no comando. No último jogo já foi com o Vítor [Pereira]. E esperamos também algumas possíveis variações e temos de estar prontos para isso. Portanto, há elementos que por um lado que nos deixam confortáveis, pelo conhecimento que temos, mas por outro lado há sempre a necessidade de estarmos absolutamente prontos para mudanças, adaptações e, acima de tudo, para a qualidade do adversário que vamos enfrentar.
— Com o Martim Fernandes lesionado e tendo o Alberto sido titular nos últimos três jogos, de que forma vai gerir a lateral-direita? Já agora, como olhou para o momento em que, no Estoril, Moura e Moffi foram lançados para a frente dos adeptos?
— O Pablo [Rosario] é uma possibilidade. Vocês sabem a solução que o Pablo tem sido em muitos jogos, um jogador que nos ajuda em várias posições diferentes e também como lateral-direito, por isso esta é uma das alternativas mais lógicas. Depois existem algumas outras possibilidades. Mencionou um episódio que, honestamente, me deixou muito feliz por várias razões. A primeira é o facto de tanto o Francisco como o Terem serem dois rapazes que estão a dar tudo o que têm. Talvez não estejam... O Terem vinha de uma exibição com alguns erros, o Francisco está a viver um período difícil. E foi importante nesta reta final ter toda a gente a bordo. E a parte que honestamente me deixou mais feliz foi sobre o senhor que está sentado logo atrás de si, o Jardel [técnico de equipamentos], que foi a pessoa que tomou a iniciativa de expor estes dois jogadores perante os adeptos. E isto acho que diz muito sobre o ambiente em que estamos, onde todas as pessoas desempenham um papel, às vezes invisível. O trabalho de todos não é garantia de troféus ou títulos, mas com certeza que quando todos desempenham um papel de uma certa forma e colocam as coisas no lugar certo, ajuda a aproximar da possibilidade de ter sucesso. E para mim, naquele gesto, há muito daquilo a que chamamos desde o início da época a «família portista», este desejo e realmente a participação de cada pessoa que está próxima da equipa. É o que precisamos neste período, honestamente.
— A vitória e a exibição no Estoril foram os tónicos certos para enfrentar esta semana, que pode ser decisiva na Liga Europa e na Taça de Portugal?
— As boas exibições ajudam-nos sempre a impulsionar e a construir uma certa confiança, mas na realidade acho que desde o início da época estamos num nível elevado de velocidade e exigência. Jogo após jogo, saltamos de competições diferentes, níveis de adversários diferentes, táticas diferentes e exigências diferentes. Acho que a equipa, a capacidade dos jogadores de reajustarem o espírito e o tipo de jogo que vão disputar é bastante notável. Mas acima de tudo é o espírito, a coesão, a fome e o desejo de ir para o campo para conquistar tudo. Provavelmente o jogo com o Famalicão não foi uma exibição ao nível a que estamos habituados, mas acho que foi apenas um ponto negro numa época que até agora tem sido muito, muito positiva, feita de muitos bons jogos e, com certeza, novamente com a intenção clara de ir atrás de tudo o que disputamos, porque estamos a trabalhar, creio eu, ao nível que nos permite ter essa ambição.
— O facto de o FC Porto nunca ter vencido um jogo oficial em Inglaterra entrou na preparação deste jogo?
— Na realidade, não se trata de bater recordes ou quebrar dinâmicas negativas. Viemos aqui com o desejo de escrever uma página importante para a história do FC Porto, com uma intenção clara, com um espírito claro de fazer os nossos adeptos felizes. O amor e o apoio que estamos a receber dos nossos adeptos não é normal... Viram também no outro dia, saímos do estádio com duas mil pessoas à volta do autocarro. Amanhã [quinta-feira] estará cheio outra vez. Jogámos com o Famalicão e o estádio estava completamente azul. Jogamos principalmente por isto e, claro, se pudermos também mudar um pouco a dinâmica entre o passado do FC Porto com as equipas inglesas, claro que é algo que é uma adição positiva. Mas a prioridade para nós é fazer um grande jogo, uma grande exibição e, claro, se tivermos a oportunidade e formos bons o suficiente para passar, é para isso que jogamos.
— O Francesco tem promovido muita rotação, mas o Bednarek vai-se mantendo no onze. Como se justifica esta opção?
— É um jogador que costumava estar exposto a uma certa carga nas épocas anteriores, por isso esse já é um fator chave. Estamos a ter uma abordagem bastante individual, porque é normal que tenhamos de estar em cima das exigências individuais. Acredito muito que, antes do jogador de futebol, devemos ter um atleta saudável em condições de atuar e de ter um bom desempenho físico, porque acho que é o primeiro passo para depois ser capaz de brilhar no relvado e ter a atitude certa. O futebol que praticamos é bastante exigente do ponto de vista físico e mental, porque estás constantemente exposto a duelos, abordamos todos os jogos com o pé na frente, tentamos ter o controlo do jogo, ser protagonistas, com muitas decisões para tomar... Faz sete ou oito meses que estamos nesta forma de jogar. Isto força-nos a tomar algumas decisões, dar algum descanso aos jogadores e, especialmente, ter todos envolvidos como estamos a fazer. Acho que a resposta que estamos a ter desta gestão é bastante positiva, por isso veremos no futuro se mantemos isto ou se mudamos algo.
— É possível retirar do jogo da fase de liga algo positivo para aplicar neste encontro?
— As únicas duas coisas que podemos tirar do jogo de outubro é o facto de já termos jogado aqui, por isso conhecemos o ambiente, os adeptos, como eles são e o tipo de cenário que vamos enfrentar. Depois, a forma de jogar, a diferença entre o Sean Dyche e o Vítor Pereira, estamos a falar de duas abordagens completamente diferentes. Por isso, acho que é impossível fazer qualquer tipo de comparação porque estamos a falar de duas coisas diferentes. E desde que o Vítor assumiu, a variabilidade que eles adicionaram na sua forma de jogar é enorme. Viram nos últimos dois jogos, contra nós jogaram com uma defesa de três, contra o Aston Villa jogaram com uma defesa de quatro. Contra nós alternaram momentos de pressão alta e bloco médio, no jogo do Aston Villa também tiveram momentos diferentes. Por isso, acho que há algumas informações que são úteis, mas na realidade este jogo vai ser completamente diferente do de outubro e também do jogo que disputámos na semana passada.
— A posição do Nottingham Forest na Premier League surpreende-o?
— A meu ver, o valor real desta equipa está mais próximo do que fizeram na época passada, uma equipa que lutou pelo top-5 até ao final da época, que foi reforçada massivamente nos dois mercados com grandes investimentos, com jogadores que todas as equipas da Serie A desejavam. E acabou por ser o Forest a assegurá-los. Isto diz muito sobre o adversário e sobre a qualidade individual que têm. Com tantas mudanças de treinador, nunca é fácil conseguir um certo ritmo, mas desde que o Vítor [Pereira] assumiu que se vê um caminho claro, mais estabilidade e melhores resultados contra adversários muito fortes. O último resultado contra o Aston Villa diz muito sobre o que eles podem fazer. Isto tem de aumentar a nossa atenção e deixar-nos confiantes, porque o jogo no Dragão provou-nos que, quando estamos ao nosso melhor nível, podemos competir contra uma equipa da Premier League.